Toxic Affair (Novel) - Episódio 152
Capítulo 152── ⋆⋅☆⋅⋆
O corpo de Yeonwoo congelou de choque. Ele sentiu uma náusea forte, com o estômago revirando completamente.
— Esse tipo de coisa não vai acontecer de novo. Eu juro.
Ele se sentiu sufocado por aquelas palavras completamente distorcidas.
Sang-gyun estava certo. Havia algo de errado com Chahyun. Um problema muito mais grave do que ele imaginava.
Yeonwoo, quase fora de si, encarou Chahyun sem reação e, em seguida, desviou o olhar primeiro. Toda vez que ouvia o som metálico das seringas vazias colidindo umas com as outras, arrepios subiam por sua nuca. Mas Chahyun não parecia perceber de forma alguma o que havia de errado.
Yeonwoo tentou ignorar a repulsa crescente e aquela sensação gélida, passando por Chahyun. O instinto de checar o interior da casa o dominou imediatamente.
Foi quando ouviu o som assustador de incontáveis seringas descartáveis caindo no chão atrás dele.
— …Hyung?
A voz contida de Chahyun ecoou em seus ouvidos.
Yeonwoo ignorou as palavras e segurou a maçaneta da porta da frente. Como ela não foi fechada direito quando ele saíu agora pouco, conseguiu entrar na casa facilmente.
— Não. Não olhe.
Uma voz rouca o segurou por trás. A respiração ofegante e pesada misturada na voz soava quase desesperada.
Yeonwoo, ignorando os avisos de Chahyun, finalmente pisou naquele espaço selado.
Chahyun, por ter tocado em Yeonwoo mais cedo e não ter conseguido controlar sua força, não podia mais impedi-lo fisicamente e ficou parado logo atrás, tentando convencê-lo com palavras.
O espaço de Chahyun, exposto à força, entrou no campo de visão de Yeonwoo. Talvez porque o choque que levara com as seringas tivesse sido considerável, o espaço interno, um pouco desalinhado, parecia até comum.
No entanto, Yeonwoo logo percebeu que os móveis e objetos que preenchiam a casa inteira eram, de alguma forma, familiares.
— Isso…
As roupas, luminárias, mesas, bolsas, cobertores, travesseiros, copos e assim por diante, na sala de estar e no quarto, eram todos originalmente pertences de Yeonwoo.
Não apenas as coisas que ele usava quando morava com Chahyun, mas também os artigos de bebê que compraram juntos e até mesmo as coisas que Yeonwoo deixou quando se mudou como se estivesse fugindo, há seis meses, estavam todas ali.
Hesitando com uma sensação estranha, Yeonwoo foi mais para o fundo como se estivesse sendo puxado por algo, e viu uma cama amontoada com as roupas que costumava vestir. Ainda havia vestígios de Chahyun deitado ali, como se ele dormisse naquele lugar todos os dias.
E até as injeções de supressores transbordando na lixeira.
— Baek Chahyun.
Yeonwoo percebeu que as pontas de seus dedos estavam tremendo a partir de certo ponto e fechou os punhos com força. Em seguida, virou-se devagar para checar o rosto de Chahyun.
Mas antes que pudesse virar a cabeça completamente, um baque súbito ecoou pelo chão.
— Baek Chahyun!
Chahyun havia desmaiado onde estava.
A voz de Yeonwoo chamando seu nome podia ser ouvida fracamente. Mesmo que tentasse responder ao chamado, Chahyun não conseguia. Sua consciência estava afundando gradualmente, então nenhuma voz saía. Suas pálpebras também estavam firmemente fechadas e ele não conseguia mais erguê-las.
Enquanto sua visão era completamente submersa na escuridão, ao redor tudo ficou silencioso. Jogado em um espaço onde não existia luz nem ruído, Chahyun olhou ao redor. Mas tudo o que conseguia ver à sua frente era escuridão.
“É aquele sonho de novo.” Chahyun passava o tempo em silêncio na escuridão, como se fosse uma punição.
Depois que um pouco de tempo se passou, ele percebeu que estava correndo constantemente a partir de certo momento. Seus olhos ainda estavam pretos, e sua respiração, levada ao limite, cheirava ao sangue que subia de seus pulmões.
Suas pernas, que vinham se movendo com toda a força há muito tempo, agora estavam dormentes.
“Argh, argh…”
Ele continuava dando passos sem rumo em um estado em que não conseguia enxergar à frente. Como se seu único objetivo fosse seguir em frente.
E, de repente, Yeonwoo, sangrando, estava nos braços de Chahyun.
Croc, croc. O som de folhas secas e galhos sendo pisados a cada passo perfurava seus ouvidos.
“Hong Yeonwoo, espere só mais um pouco. Argh, só mais um pouco.”
Chahyun já estava descendo a montanha. Sangue morno fluía constantemente de Yeonwoo. Sua textura pegajosa e úmida e o cheiro de peixe o levavam ao terror.
Seus membros, levados ao limite, tremiam incontrolavelmente, mas Chahyun avançava desesperadamente, segurando Yeonwoo em seus braços.
Depois de vagar pela montanha por um longo tempo, ele finalmente encontrou uma luz fraca. Enquanto corria em direção a ela com todas as suas forças, o prédio imponente de um hospital apareceu.
Quando ele levava Yeonwoo inconsciente para a sala de emergência, ele sempre perdia Yeonwoo e Saebyeok ali.
“Hyung, é tudo por minha culpa. É tudo culpa minha.”
Não importava o quanto tentasse ir atrás deles, não importava o quanto implorasse e pedisse, era inútil.
“Não vou fazer isso de novo. Por favor, abra os olhos. Não vá, por favor…”
O rosto e as roupas de Yeonwoo, deitado na cama de emergência como um cadáver, estavam todos cobertos de sangue. Médicos que se reuniram de algum lugar arrancaram Yeonwoo de Chahyun e o levaram embora.
Estava além da capacidade de Chahyun segui-los sozinho. Seu corpo continuava cambaleando e suas pernas rangiam como sucata. Até sua visão estava embaçada pelas lágrimas.
“Argh… Hum…”
É um pesadelo que ele teve centenas de vezes.
Mesmo percebendo que todos aqueles espaços e cenas eram um sonho, o Chahyun do sonho estava tremendo, tendo perdido Yeonwoo de novo dessa vez. Aquele lugar lhe dava todo o desespero e medo do mundo de uma só vez.
Ele não deveria ter mentido para Yeonwoo desde o começo. Se não tivesse feito isso, Yeonwoo não teria fugido dele enquanto estava grávido e não teria se machucado a ponto de arriscar a própria vida.
Se não tivesse mantido Yeonwoo preso, se ele não tivesse perdido a memória… Não. Se ele tivesse sido o marido de Hong Yeonwoo desde o início, todas essas tragédias nem teriam acontecido. Fora o próprio Baek Chahyun quem jogara fora tantas oportunidades e criara a situação atual.
Depois de ser atormentado pelo arrependimento por um longo tempo, a luz gradualmente se infiltrou em sua visão. Era finalmente hora de acordar de seu sonho.
“Argh.”
Chahyun gemeu assim que abriu os olhos e tocou a testa. Depois de um tempo, ele se levantou e mexeu na gaveta ao lado da cama. Em seguida, tirou uma seringa e injetou o supressor imediatamente.
Somente após confirmar que todo o remédio havia entrado em sua pele através da agulha afiada é que ele checou a hora.
5h45. Ainda era cedo. Mas ele tinha que chegar à casa de Yeonwoo até as 7h, então não tinha muito tempo.
Como Saebyeok estava sofrendo de gastroenterite e resfriado, ele não podia ir à creche, então ele cuidaria da criança por alguns dias.
Chahyun não tinha a intenção de perder essa oportunidade que lhe fora dada por acaso. Não tinha a intenção de repetir os mesmos erros de antes.
Ele iria manter a mesma distância de agora com os dois e fornecer a eles o que precisassem. E qualquer papel além disso era proibido para Chahyun.
Apenas imaginando o que costumava ter com Yeonwoo, o rastro de Yeonwoo deitado sem forças em seus braços piscava na frente de seus olhos como um sinal de alerta. Como se implicasse que, se fosse ganancioso além disso, machucaria Yeonwoo novamente.
Sua respiração acelerava repetidamente. Então suas mãos tremiam levemente. Ele sentiu uma dor de cabeça severa e pressionou as têmporas com força com as palmas das mãos. Levou muito tempo para expulsar de sua cabeça a imagem de Yeonwoo sangrando.
Chahyun se arrumou para parecer o mais apresentável possível antes de ir cuidar de Saebyeok. Se Yeonwoo descobrisse que ele estivera fora de si nos últimos seis meses, essa oportunidade que lhe fora dada pela sorte iria toda pelos ares.
Olhando para trás, fora um milagre ter encontrado Yeonwoo na encosta da montanha a caminho do Templo da Nuvem. Até então, Chahyun ainda era incapaz de manter sua vida diária totalmente.
Ele ia trabalhar, encontrava pessoas e costumava ir a reuniões como antes, mas ainda perdia Yeonwoo em seus sonhos todas as noites, e era atormentado todos os dias pelo impulso de arrancar a pele presa ao seu pescoço.
Naquela época, Chahyun estava investigando minuciosamente e perseguindo todos os vestígios relacionados a Yeonwoo. Ele ia a lugares que costumava visitar quando namorava Yeonwoo, assistia aos programas de TV a que assistiam juntos e comia a comida de que Yeonwoo gostava todos os dias. Ele também ficava no quarto de hotel onde se hospedaram por vários dias sem fazer nada.
Eles vinham namorando há quatro anos, então havia muitos e variados vestígios para perseguir. Isso era uma sorte.
Sentindo-se ansioso por parecer não haver mais memórias para recordar, ele voltava ao passado todos os dias, e novas memórias surgiam uma a uma. Esse fora o Templo da Nuvem Carmesim.
No entanto, o Templo era diferente das memórias que Chahyun recordara antes. Além disso, como não pretendia visitá-lo diretamente a princípio, Chahyun decidiu fazer doações para o local em nome de patrocínio após pensar sobre o assunto.
Foi uma decisão que veio de um pensamento egoísta de querer deixar até mesmo um pouco de seus vestígios no templo onde Yeonwoo ficara e dar um sentido a isso.
Ele imediatamente colocou seus pensamentos em prática. Quando expressou sua intenção de doar anonimamente, ouviu a notícia de que o templo havia rejeitado a doação algum tempo depois.
Depois disso, Chahyun criou um motivo um pouco mais plausível e enviou a doação novamente. Mas a rejeição veio de novo na vez seguinte. Conforme o plano levemente concebido era repetidamente frustrado, Chahyun começou a ficar ainda mais obcecado por aquilo.
Ele decidiu ir ao Templo Nuvem Carmesim pessoalmente. Estava convencido de que, se encontrasse o monge e explicasse, eles finalmente aceitariam.
“Se for esse o caso, não vou recusar.”
O jovem monge, com quem ele havia cruzado na sala de emergência antes, ouviu a situação de Chahyun e concordou mais facilmente do que o esperado. No entanto, disse que aceitaria apenas uma pequena quantia em dinheiro, muito inferior à doação que ele originalmente pretendia fazer.
Então, o monge perguntou sobre a situação recente de Yeonwoo. Chahyun respondeu que Yeonwoo já não estava mais com ele. Mas acrescentou que ele dera à luz uma criança e estava indo bem.
Depois de receber o certificado de doação e sair do Templo, a ansiedade que se instalou em seu estômago e o corroía foi um pouco diluída. Ele se sentiu bem pela primeira vez em muito tempo. Até ver Yeonwoo com passos vacilantes em frente à ladeira.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna