Toxic Affair (Novel) - Episódio 151
Capítulo 151── ⋆⋅☆⋅⋆
Chahyun tardiamente vestiu uma expressão de “ops”. No entanto, logo apagou qualquer sinal de agitação e jogou o cabelo para trás.
— Eu mesmo cuido do ferimento, então não se preocupe com isso.
Era a voz mais fria entre todas as que Chahyun já usara. Ele estava claramente irritado, como se estivesse lidando com um estranho.
Por alguma razão, a mão que fora rejeitada por ele parecia latejar.
Ao mesmo tempo, as palavras e ações que Chahyun disse e fez para ele nos últimos dias passaram pela mente de Yeonwoo como um lanterna mágica.
“Não me importo.”
“O quê?”
“Você não tem que me explicar o que fez com qualquer pessoa.”
“Você quer dizer… que não se importa se eu sair com outras pessoas?”
“Sim. Não é mais da minha conta.”
Ele havia dito que não se importava mais se ele saísse com outra pessoa, e se arrependia do erro que cometeu em uma única noite. Já não atendia às ligações que ele fazia de seu lado, e cada palavra, termo e ação que pronunciava era diferente de antes.
Meio ano se passara desde que terminaram, então talvez tudo já tivesse desbotado para Chahyun. Ele só estava tratando a si mesmo e a Seoyun com responsabilidade a fim de aliviar a culpa pelo que aconteceu nas montanhas, mas ele não conseguia admitir e parecia tardiamente ansioso para se agarrar a isso sozinho.
Mesmo que a saúde dele não estivesse boa, ou se o ferimento em seu pescoço fosse uma automutilação severa, já não era algo em que pudesse se envolver. Ele não lhe permitira ficar ao seu lado após o reencontro.
— Não venha mais aqui. Sei que não tenho o direito de dizer isso, mas, se possível, só entre em contato comigo quando houver algo de que precise.
E Chahyun colocou uma pedra sobre o assunto, como se para dar a Yeonwoo certeza sobre seus pensamentos.
— Nós somos assim agora.
Yeonwoo não sabia o que dizer a ele. Nunca imaginara que ouviria uma história dessas de Chahyun ao vir até ali. Quando foi realmente confirmado por Chahyun que eram completamente estranhos, sua mente ficou em branco.
Yeonwoo abaixou o olhar para o chão para esconder sua mágoa. Em seguida, tentou ignorar a ardência em seus olhos e abriu a boca.
— …Vamos fingir que nada aconteceu.
— Fingir que o quê nunca aconteceu?
Yeonwoo ponderou sobre a pergunta de Chahyun. Agora, aquela palavra soava como se ele estivesse perguntando se eles tinham sequer algo para terminar.
Após respirar fundo, Yeonwoo ergueu a cabeça e encarou Chahyun.
— Tudo.
— Fale de um jeito que eu consiga entender.
— Você disse da última vez que poderia me ajudar sempre que eu precisasse…
Chahyun inclinou o queixo, como se não soubesse o que Yeonwoo queria dizer.
— Mas agora não há necessidade disso. Vamos apenas viver sem nos conhecermos, como fizemos nos últimos seis meses. Eu também não vou mais te incomodar.
— …Por que a conversa está indo por esse caminho? Estou apenas dizendo para me ligar só quando precisar.
A expressão de Chahyun, que se mantivera seca o tempo todo, distorceu-se. Como se não entendesse.
Yeonwoo pensou enquanto acariciava a mão que fora rejeitada por ele. “Será que essa reação também é apenas por causa da responsabilidade?” Por ter sentimentos remanescentes do seu lado, ele continuava tendo expectativas de que pudesse haver outros significados.
Com uma sensação de aperto na garganta, seus olhos ficaram quentes instantaneamente. Yeonwoo virou o corpo apressadamente para evitar ser pego por ele.
— Hong Yeonwoo.
Chahyun segurou o pulso dele imediatamente.
— Solte. Não me segure sem permissão.
Yeonwoo o sacudiu para longe. Era o seu pulso direito, que ainda tinha hematomas, então o local onde fora segurado latejou.
Enquanto esfregava o pulso e recuava o corpo, os olhos de Chahyun se arregalaram. Ele raramente parecia envergonhado, alternando entre olhar para as mãos no ar antes de fechá-las com força. Em seguida, ele as abaixou ao lado das coxas e deu desculpas.
— Agora mesmo… minha mão falhou porque fiquei desconcertado. Não tive a intenção de te machucar.
— …De qualquer forma, não quero ser um fardo, então você não precisa me evitar tão descaradamente. O ferimento no seu pescoço… Como você disse, não é algo em que eu possa interferir mais. Acho que eu estava pensando errado.
— Não acho que seja um fardo. O que quero dizer é…
Chahyun se aproximou de Yeonwoo. Ele hesitou quando estava prestes a estender a mão de novo inconscientemente, depois colocou as mãos atrás das costas e continuou.
— Nunca pensei em você e no Seoyun como um fardo. Cumprirei minha responsabilidade como protetor sempre que você precisar de mim.
— Protetor?
Quando Yeonwoo perguntou de volta, o pomo de Adão de Chahyun oscilou fortemente. Ele corrigiu apressadamente o que dissera.
— Claro, não sou um protetor legal, mas ainda posso te ajudar quando precisar. Como quando o Seoyun esteve doente há alguns dias…
— Está tudo bem agora. Você é um protetor? Você está me dizendo para não te ligar e que não temos um relacionamento em que eu possa interferir se você tem um ferimento ou não, mas vai ser um protetor? O que diabos você está tentando fazer desde o começo? Você é só…!
“Você só está irritado com tudo. Então, está inventando todo tipo de desculpa para tentar assumir a quantidade mínima de responsabilidade.”
Yeonwoo tentou cuspir as palavras afiadas que subiam de sua garganta, mas caiu em si e mal engoliu as palavras. Foi porque pensou que se tornaria mais patético ali se dissesse aquilo.
Yeonwoo, que ofegava pesadamente, tentou controlar as emoções que subitamente se tornaram intensas.
— Obrigado por me ajudar, mas não sei o que você está tentando fazer, então estou cansado agora.
Yeonwoo esfregou a testa, como se estivesse exausto.
— Vamos parar por aqui. Como você disse, nós somos assim.
Yeonwoo, que terminara de falar, estava prestes a se virar, mas uma mão grande segurou de repente ambos os seus ombros. Ao mesmo tempo, olhos pretos se aproximaram subitamente de seu nariz.
Assustado, Yeonwoo tentou dar um passo para trás, mas seu corpo, fixado pela outra pessoa, não conseguia se mover como queria.
— Então, é por causa do seu pulso?
Chahyun se adiantou antes que Yeonwoo pudesse dizer qualquer coisa. Sua voz soava mais urgente do que nunca.
— Pulso?
Ele perguntou de volta como se quisesse saber do que ele estava falando, mas Chahyun encarou Yeonwoo como se quisesse perfurá-lo com olhos convictos.
— Eu sei. É compreensível que você esteja surpreso. Mas foi um erro.
— Fale de um jeito que eu consiga entender. O que é um erro de repente?
Yeonwoo ficou desconcertado e perguntou várias vezes do que ele estava falando, mas parecia que Chahyun não conseguia ouvir nada daquilo. Ele apenas continuou a dizer unilateralmente o que queria.
— Eu nunca quis te machucar, mas naquela hora… naquela hora, eu também estava bêbado, então não consegui controlar minha força.
— …Me solte, Baek Chahyun.
Yeonwoo o empurrou tardiamente, mas a outra pessoa não se mexeu. Antes que percebesse, a respiração pesada de Chahyun começou a ser ouvida gradualmente de forma alta.
Chahyun continuou a dizer coisas que ele não conseguia entender, sem soltar Yeonwoo.
— Eu deveria ter pedido desculpas desde o começo em vez de evitar… É compreensível que eu não seja confiável. Mas não vai acontecer de novo.
Yeonwoo, que esteve ouvindo suas bobagens desconexas, checou indiferente o próprio pulso, que o outro mencionara um momento atrás. Hematomas, ainda não totalmente desbotados, permaneciam em manchas.
Isso acontecera no dia em que ele bebeu com Chahyun. Enquanto Yeonwoo resgatava suas memórias, uma suposição inesperada cruzou sua mente.
“Este pulso… ele acha que deixou assim?”
— Só um minuto, Baek Chahyun. Me solte e fale.
— Não, me escute primeiro. Mas…
— Você me escute. Meu pulso está roxo, mas não dói tanto assim, e isso foi porque eu…
Quanto mais Yeonwoo explicava sobre seu pulso, mais o aperto de Baek Chahyun em seu ombro se tornava firme.
— Dói, Baek Chahyun!
Yeonwoo gritou involuntariamente diante da pressão em seus ossos.
Só então Chahyun soltou a mão, como se tivesse se queimado. Ele parecia completamente incapaz de controlar sua força.
Chahyun, tendo recuperado os sentidos com o grito de Yeonwoo, olhou para as próprias mãos e contorceu o rosto. Era uma expressão complexa, como se estivesse irritado e prestes a chorar ao mesmo tempo. Yeonwoo encarou-o sem reação, diante da maior mudança emocional desde que o reencontrou recentemente.
— Ah. Desculpe. …Por que eu fiz isso? Eu não queria te machucar.
Chahyun gaguejou, sua atitude constante e seca de antes sumindo sem deixar vestígios, sua compostura visivelmente se desgastando.
— Eu estou bem, então apenas se mova.
— Hyung, eu realmente…
Logo, como se uma represa tivesse se rompido, ele distorceu completamente o rosto. Em seguida, limpou o rosto com violência e engoliu os palavrões.
— O roxo no meu pulso é culpa minha. Não tem nada a ver com você.
Yeonwoo ergueu o braço na frente dele, explicando calmamente como se não fosse nada. Mas parecia que Chahyun já não conseguia ouvir sua voz.
— Vou garantir que isso nunca mais aconteça. Nunca.
— Então, não é sua culpa…
— Eu posso provar.
Ele encarou o braço de Yeonwoo e, de repente, exclamou, como se algo lhe tivesse ocorrido. Então, sem dizer uma palavra, correu para dentro de casa. Para Yeonwoo, ele parecia uma pessoa louca.
— Baek Chahyun! O que você está fazendo desde mais cedo?
Yeonwoo chamou por ele, mas não houve resposta. De repente deixado sozinho no corredor, Yeonwoo jogou o cabelo para trás com desajeitamento. Em seguida, examinou o pulso, perguntando-se se aquilo era um problema tão grande.
Então, ele se perguntou se deveria explicar de forma mais ativa para Chahyun, ou se deveria apenas deixar como estava.
No entanto, antes que as preocupações de Yeonwoo pudessem terminar, a porta da frente se abriu novamente. Desta vez, Chahyun, sem nem sequer colocar os sapatos, correu para fora com urgência, segurando algo em ambas as mãos e mostrando para Yeonwoo.
Os olhos de Yeonwoo se arregalaram ao checar o que estava sendo empurrado na sua frente. Eram seringas descartáveis que já haviam sido usadas.
— O que é isso…
— Olhe. Estou controlando todos os impulsos e feromônios bem com supressores.
Yeonwoo ficou sem palavras por um tempo, encarando o plástico bizarro e as agulhas que Chahyun trouxera como prova.
— Nunca tive um problema com feromônios até agora. Não terei nenhum problema no futuro também.
— Tudo isso são supressores?
A voz de Yeonwoo, mal escapando de seus lábios, tremeu no final. Chahyun assentiu com a cabeça vigorosamente.
— Se o hyung estiver ansioso, posso aumentar a dosagem ainda mais. Não, eu vou aumentar.
— Baek Chahyun…
— Então, não diga que está desistindo de tudo. Mesmo que seja só uma vez por mês, ou até uma vez a cada seis meses, apenas me ligue quando o hyung precisar de mim.
As palavras de Chahyun já não chegavam aos ouvidos de Yeonwoo. Seu coração estava batendo excessivamente rápido. As incontáveis agulhas de seringa empilhadas na sua frente pareciam perfurar sua retina.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna