Toxic Affair (Novel) - Episódio 150
Capítulo 150── ⋆⋅☆⋅⋆
No dia seguinte. Enquanto deixava Seoyun na creche e seguia em direção ao café, Yeonwoo elaborou um plano bastante plausível.
Ele se lembrou de repente do assistente de ontem. A pessoa que se apresentou como Kim Seonjung.
Era um rosto que Yeonwoo não reconhecia, mesmo conhecendo os rostos do assistente habitual e do secretário de Chahyun. Ele também parecia um pouco mais jovem do que os funcionários anteriores e, pelo quão nervoso parecia, provavelmente não estava no cargo havia muito tempo.
Ele provavelmente não sabia sobre o que Chahyun e Yeonwoo tinham passado. Sendo assim, ele podia ser a pessoa mais fácil de abordar entre os que sabiam o endereço residencial atual de Chahyun.
Tendo adquirido certa convicção, Yeonwoo fechou o café e, assim que chegou em casa, pegou o cartão de visitas que o novo assistente lhe dera.
Só de olhar para o cartão de visitas, não dava para saber se ele era realmente um novo assistente ou se era um funcionário antigo com quem Yeonwoo simplesmente nunca havia cruzado.
No entanto, aquela não era uma situação em que ele pudesse se dar ao luxo de ser cauteloso, então apenas ligou para ele sem hesitar.
— Ei, aqui é o Hong Yeonwoo, que recebeu o seu cartão de visitas ontem.
Diferente de Chahyun, a outra pessoa atendeu o telefone na hora.
— Oi, Hong Yeonwoo-nim. O que houve?
— Eu conferi os documentos. Ouvi dizer que o carro tem previsão de liberação em breve. Foi o próprio Baek Chahyun quem o escolheu?
— Acredito que sim.
— Ainda não o recebi, mas estou muito grato pelo presente. Poderia enviar um presente para a casa dele em retribuição?
Yeonwoo apresentou a desculpa que havia pensado com antecedência.
— Para o Chefe?
Yeonwoo ficou um pouco nervoso com a possibilidade de o homem recusar prontamente, dizendo que seria difícil, mas uma voz confusa ecoou pelo alto-falante. Yeonwoo teve certeza de que ele não sabia praticamente nada sobre Chahyun e o relacionamento deles.
Se fosse assim, ele poderia facilmente fingir que ainda estava saindo com Chahyun na frente daquele homem.
— Sim. Eu só não sei o endereço da nova casa para onde ele se mudou.
— Isso são informações pessoais do Chefe, então preciso verificar primeiro…
— Bem, estou tentando enviar um presente surpresa, mas não perderia o propósito se eu confirmasse com ele?
— Ainda assim, não posso simplesmente dar o endereço residencial dele para qualquer um.
Como esperado, uma recusa firme veio como resposta, mas Yeonwoo não desistiu.
— Eu não sou qualquer um, sou? Você sabe o que quero dizer. Acha que o Chahyun daria as chaves do carro dele para alguém com quem não é próximo?
— Mas…
— Eu já estou na loja de departamentos e até já paguei, então é só me dizer. Eu explico isso direitinho para ele depois, para não haver problemas.
Yeonwoo cortou as palavras do homem e o apressou.
— Eu já sei que ele mora perto da minha casa. Já estive lá antes.
— O senhor já visitou pessoalmente?
Yeonwoo suspirou diante da voz incerta, que pedia confirmação.
— Sim. Então, eu sei que ele mora nas proximidades. Apenas me diga o endereço rápido. O funcionário está me esperando na frente.
— …Tudo bem, vou te dizer agora. O senhor pode anotar?
— Sim. Ah, e até o presente chegar, por favor, não diga ao Chahyun que fui eu quem pediu o endereço dele.
Yeonwoo tirou imediatamente uma caneta e um papel e anotou rapidamente o endereço que o homem lhe passou. Vendo com que facilidade ele se deixou influenciar, ele era com certeza um novato.
Tendo obtido o endereço de forma mais suave do que esperava, Yeonwoo sentiu um leve aperto de culpa logo depois. Mas ele não se arrependia. Na situação atual, aquela era a única maneira de descobrir o endereço de Chahyun por conta própria.
Além disso, pensando bem, Chahyun também descobrira o endereço de sua casa sem permissão e lhe dera um carro que ele não havia pedido, então eles haviam trocado favores semelhantes.
No dia seguinte, Yeonwoo saiu de casa mais cedo do que o habitual, deixou Seoyun na creche e seguiu para a casa de Chahyun em vez do café.
O endereço que o assistente lhe dera era realmente muito perto de onde Yeonwoo morava atualmente. Era um pouco complicado de transporte público, mas levava menos de 15 minutos de carro.
Sem nem ter tempo de observar direito o ambiente ou a vizinhança do prédio onde ele morava, Yeonwoo parou em frente ao número da unidade escrito no papel e tocou a campainha. Passava um pouco das 7h40 da manhã, então não houve resposta de dentro.
Ele não estava em casa? Deveria estar se preparando para trabalhar àquela hora. Era estranho que não houvesse resposta mesmo depois de tocar a campainha.
Depois de esperar em frente à porta por um momento, Yeonwoo tirou o celular do bolso e ligou para Chahyun. Ele também não atendeu dessa vez.
Era algo a que ele vinha se acostumando recentemente, mas ainda não conseguia se habituar. Yeonwoo olhou para a tela desconectada e enviou uma mensagem de texto para Chahyun.
[Vamos nos ver um pouco. Estou na sua porta.]
Uma resposta chegou poucos minutos depois.
[Na minha porta? O que está acontecendo?]
[Eu saí cedo porque tinha algo para fazer.]
Yeonwoo soltou uma risada abafada diante da mensagem de texto de Chahyun. Então, ele estava se recusando a atender o telefone de propósito.
Se dependesse de sua vontade, ele não gostaria de ser tão insistente com Chahyun, que o estava evitando deliberadamente. Mas as palavras de Sang-gyun continuavam a incomodá-lo.
“A condição dele não tem sido boa desde que você se machucou.”
“Não sei se o trauma dele recorreu, mas no começo ele ficava coçando o pescoço, dizendo que parecia apertado, e conforme piorou, ele quase se automutilou.”
Mesmo que fossem encerrar aquele relacionamento ambíguo, ele queria verificar por si mesmo se Chahyun estava bem de verdade.
— Vamos conversar face a face, Baek Chahyun.
Yeonwoo falou em vez de trocar mensagens de texto sem sentido com uma porta entre eles. Ele tinha quase certeza de que a alegação de Chahyun de ter saído era mentira.
— Eu sei que você está em casa.
Ele não ouviu nenhuma resposta, mas não se importou.
— Vou esperar aqui até você sair.
Ele disse teimosamente e se jogou no chão em frente à porta, como se quisesse provar para ele. Pensou que, se estivesse olhando para fora pelo interfone, Chahyun teria confirmado que ele não estava blefando.
Ainda olhando de relance para a porta que não se abria, Yeonwoo calculou o tempo. Se Chahyun não saísse até as 8 horas, o café talvez tivesse que abrir tarde hoje ou nem abrir.
Mas ele não tinha a intenção de voltar atrás no meio do caminho. Seu orgulho não permitiria que ele desistisse pela metade depois de fazer tanto alarde. Ele tinha chegado até ali, então precisava ver Baek Chahyun a todo custo.
Cerca de cinco minutos se passaram.
Enquanto repassava as conversas que tivera com Chahyun no passado, Yeonwoo pensou de repente no que aconteceria depois que aquela porta se abrisse e ele confirmasse com seus próprios olhos que Chahyun estava bem.
Ele viera ali impulsivamente porque não conseguia suportar a impaciência após ouvir as palavras de Sang-gyun, mas e se Chahyun estivesse bem, ao contrário do que ele disse? Ou, e se ele não estivesse bem, o que iria fazer então?
Só porque eles tinham transado uma vez não significava que o relacionamento deles mudaria drasticamente, e mesmo olhando para as ações recentes de Chahyun, não parecia que ele ainda tinha sentimentos por ele. Talvez as únicas emoções que lhe restavam fossem culpa e responsabilidade em relação a Seoyun.
Nessa situação, o que ele queria fazer aparecendo de repente?
Yeonwoo estava frustrado porque não sabia o que queria.
Cerca de dez minutos se passaram enquanto ele perdia a confiança e se perdia em pensamentos, quando um som metálico soou. Ao mesmo tempo, os ombros de Yeonwoo se sobressaltaram. A porta da frente, que estivera silenciosa o tempo todo, abriu-se de repente.
Surpreso, Yeonwoo levantou-se imediatamente. Em seguida, fez contato visual com Chahyun, que abriu a porta e saiu.
— Então, você estava lá dentro.
Ele fechou a porta para que Yeonwoo não pudesse ver o interior e saiu para o corredor. Ainda havia gaze em seu pescoço, e vestígios fracos de sangue eram visíveis. Yeonwoo franziu a testa.
— O que você quer dizer? Como descobriu?
Chahyun olhou para Yeonwoo com uma expressão seca e perguntou.
Exceto pelo pescoço, seu rosto parecia bem. Ele estava um pouco estranho, mas estava assim desde que se reencontrou com Chahyun nas montanhas, então não podia ter certeza se ele simplesmente havia perdido peso ou se havia algo de errado.
— Você anda vasculhando a minha residência como se fosse propriedade pública, então por que eu não poderia fazer o mesmo?
Os olhos de Chahyun oscilaram sutilmente com a resposta de Yeonwoo. Mas, ainda assim, nenhuma emoção transparecia em seu rosto.
Sentindo-se embaraçado pela falta de reação, Yeonwoo confessou as circunstâncias de sua visita.
— Na verdade, eu encontrei o Sang-gyun hyung ontem.
— E daí?
Chahyun cruzou os braços como se dissesse para ele continuar. Yeonwoo olhou para ele e prosseguiu.
— Mas o hyung disse que a sua saúde… não estava boa.
Ele queria ouvir do próprio Chahyun quanto do que Sang-gyun dissera era verdade. Talvez esperasse que as palavras dele não fossem verdadeiras, que estivessem exageradas.
— O que o Oh Sang-gyun disse?
— Que você tem estado doente. E que o ferimento no seu pescoço era bastante grave.
Chahyun inclinou a cabeça em silêncio. Seu olhar estava fixo no pulso de Yeonwoo, mas Yeonwoo, por sua vez, estava concentrado na gaze no pescoço de Chahyun, de modo que os olhares deles se desencontraram completamente.
— Mas você disse aquilo antes. Que foi você quem causou o ferimento no seu pescoço. Depois de ouvir a história do hyung, fiquei pensando nisso… Eu queria saber se foi mesmo automutilação e se você está bem agora. Me diga a verdade.
Chahyun, que estivera ouvindo em silêncio, assentiu.
— Não sei exatamente o que o Oh Sang-gyun disse, mas ele deve ter tagarelando com você sobre quando fiz um check-up por não estar me sentindo bem.
Ele deu de ombros como se entendesse o que estava acontecendo.
— Mas, como você pode ver, eu estou bem. Você já viu isso várias vezes, mas…
— O seu pescoço, você disse que se automutilou. Por que fez isso? Você não respondeu a essa pergunta direito da última vez também.
— Eu disse? Foi só um arranhão.
Chahyun franziu a testa por um momento, depois mudou descaradamente suas palavras, dizendo que não se lembrava. Ao mesmo tempo, os olhos de Yeonwoo se estreitaram enquanto ele erguia o rosto para encará-lo.
— Você está mentindo. Eu venho pensando nisso há um tempo, mas se vai mentir, não pode pelo menos se esforçar um pouco?
— Eu estava bêbado naquela hora. Devo ter falado besteira porque estava bêbado.
— Se você está realmente bem, me deixe checar o ferimento com meus próprios olhos, mesmo que seja só por um momento. Então…
Assim que Yeonwoo estendeu a mão em direção ao pescoço de Chahyun, este a afastou por reflexo. Sua expressão indiferente tornou-se afiada em um instante.
— Não me toque.
Em seguida, ele alertou com uma voz friamente contida.
Sobressaltado, Yeonwoo cerrou desajeitadamente a mão que flutuava no ar e a abaixou.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna