Toxic Affair (Novel) - Episódio 142
Capítulo 142── ⋆⋅☆⋅⋆
Chahyun encarou Yeonwoo como se o estivesse fuzilando com o olhar. Um silêncio caiu entre eles.
Yeonwoo, incapaz de encontrar palavras para dizer, hesitou, quando o dono apareceu de repente.
— Cortesia.
Ele colocou casualmente uma garrafa de soju e novos copos de dose na mesa e desapareceu rapidamente antes que pudessem sequer agradecê-lo.
Como se estivesse esperando por isso, Chahyun serviu soju e cerveja nos copos.
— Ah, espera. Eu não quis dizer para você beber tanto…
Antes que Yeonwoo pudesse terminar de falar, ele já estava engolindo o álcool.
Yeonwoo imaginou se deveria detê-lo, mas desistiu. Parecia que a personalidade dele havia ficado bem distorcida nos últimos seis meses. Quem diria que ele não achava aquela cena desagradável.
Yeonwoo empurrou a carne grelhada em direção a Chahyun e o observou com cuidado.
— Você não precisa se forçar a beber. Eu só disse para tomar uma bebida…
— Não estou me forçando.
Chahyun retrucou secamente. Yeonwoo sabia que ele não gostava particularmente de soju, mas não disse nada. Em vez disso, percebeu que a garrafa já havia diminuído significativamente e apertou o botão de chamada.
— Chefe, por favor, nos dê mais uma garrafa de cerveja e de soju cada. E adicione mais duas porções de carne.
Logo, novas bebidas foram trazidas à mesa. Eles sentaram-se um de frente para o outro em silêncio, comendo carne e bebendo álcool como se estivessem em uma competição, e Yeonwoo começou a se preocupar. A esse ritmo, eles acabariam indo para casa completamente bêbados.
Ainda havia bastante tempo antes de a ajudante sair do trabalho, mas se ele não ficasse sóbrio até lá, poderia mostrar a Seoyun seu estado de embriaguez. Ele havia sido impulsivo demais?
De fato, o dia inteiro tinha sido assim. Ligar para Chahyun, ir ao Centro de Reabilitação em trio, confiar a ele o trabalho do café e chamar Chahyun para este restaurante. Nada daquilo havia sido planejado.
Enquanto Yeonwoo estava perdido em pensamentos, ele de repente ergueu os olhos e viu Chahyun grelhando carne calmamente à sua frente. O olhar de Yeonwoo permaneceu em seu pescoço.
— A propósito, como você machucou o pescoço?
Assim que começou a notar, a cicatriz em seu pescoço continuava a incomodá-lo. Especialmente quando eles estavam sentados tão perto assim.
— Foi só um acidente.
— Um acidente? Você caiu?
Chahyun assentiu. Então, outro silêncio se seguiu.
Era uma resposta insincera que qualquer um podia perceber que ele estava inventando na hora. A atitude evasiva de Chahyun hoje era desagradável. Ele também havia parecido estranho quando ligou para ele esta manhã.
— Se você vai continuar de boca fechada assim, por que veio…
Yeonwoo disse, frustrado, e bebeu mais um gole.
— Hong Yeonwoo.
— O quê?
Ele nem se deu ao trabalho de corrigi-lo para chamá-lo de hyung novamente. Bem, não era como se Baek Chahyun sempre o tivesse chamado de hyung direito desde o início.
— Compre um carro.
Yeonwoo inclinou a cabeça, surpreso com as palavras repentinas que saíram de sua boca.
— Deve ser difícil ir trabalhar de ônibus todos os dias. E é trabalhoso buscar Seoyun.
— Eu não tenho dinheiro.
— Você tem sim.
Yeonwoo fez uma pausa por um momento diante da resposta confiante.
— Por que eu deveria?
— Porque sim.
“……”
— Se você tivesse um carro desde o princípio, não teria precisado me pedir favores — murmurou Chahyun, passando a mão pelo cabelo. A julgar por sua respiração irregular, ele parecia estar ficando bêbado.
De fato, já havia algumas garrafas vazias empilhadas na mesa. Contando por alto, pareciam mais de seis ou sete.
— Mas se eu dissesse que fiquei feliz em ver seu rosto mesmo estando assim, eu seria um lixo, não seria?
Chahyun disse autodepreciativamente e bebeu mais um gole. Yeonwoo encarou em silêncio Chahyun, cujas bochechas estavam um pouco mais vermelhas que o normal.
— …Isso mesmo. Você é um lixo.
— Então não confie em um lixo como eu e compre um carro.
Seguindo a sugestão anterior de comprar um carro, Yeonwoo lembrou-se de uma conta da qual havia se esquecido.
Ele não a conferia recentemente, mas provavelmente havia uma quantia considerável de dinheiro acumulada nela. Embora fosse legalmente dele, Yeonwoo não a considerava sua.
Para ser mais preciso, era uma conta onde o aluguel mensal de um prédio que Chahyun havia transferido arbitrariamente para o nome dele era depositado. A quantia que se acumulava ali todos os meses era substancial.
Ele soube da existência da conta pouco depois de se mudar para sua casa atual, quando recebeu avisos para pagar o imposto predial e o imposto imobiliário abrangente.
O que Baek Hahyun dissera na vila da última vez era verdade.
No início, ele ficou surpreso e achou que deveria devolvê-lo a Baek Chahyun. No entanto, na época, Yeonwoo acabara de fugir do officetel e estava lutando até mesmo para entrar em contato com ele.
Parecia que ele estava tentando tirar Seoyun dele por todos os meios, usando aquilo como desculpa, e ele estava com medo de tomar qualquer atitude.
Então, primeiro ele usou um contador para cuidar dos impostos do aluguel mensal e não mexeu em um centavo sequer do resto. Como não era o dinheiro dele para começo de conversa, ele não tinha intenção de usá-lo. Ele planejava devolvê-lo a Chahyun sempre que ele o pedisse.
A insistência contínua de Chahyun em falar sobre um carro provavelmente significava que ele deveria comprá-lo com aquele dinheiro.
— Eu disse que dou um jeito. Pegue de volta se você se arrepender. Ainda está na conta.
— Então use-o.
Disse Chahyun irritado. Ele parecia não entender por que Yeonwoo estava mantendo o dinheiro intacto na conta.
— Eu não quero.
— Por quê?
— Não é meu dinheiro.
— Está na sua conta. É seu.
— Que direito você tem de transferir o prédio para o meu nome sem sequer me consultar? Somos completos estranhos.
“……”
Yeonwoo bebeu sua bebida. Chahyun também encheu seu copo vazio e o bebeu.
— De qualquer forma, pegue de volta. Eu não preciso disso.
— …Eu não posso.
— Que direito você tem de dizer que não pode?
— Nunca se sabe. Você pode precisar dele mais tarde…
Murmurou Chahyun com uma voz ligeiramente abatida. Ele hesitou por um momento antes de continuar.
— Eu não quero que o hyung e Saebyeok sofram. Se você está deliberadamente sem usá-lo para se vingar de mim, então pare, porque você já me atormentou o suficiente.
Ele já estava bêbado? Por que ele não usar o dinheiro seria uma vingança contra Baek Chahyun?
Yeonwoo deu um gole em sua bebida e olhou de relance para o pescoço de Chahyun novamente. Mesmo nessa situação, aquela maldita cicatriz continuava chamando sua atenção e irritando seus nervos.
— …Tudo bem. Vou pensar em comprar um carro.
— Sério?
A expressão de Chahyun, que estivera consistentemente seca, iluminou-se um pouco.
— Sim. Mas você tem que me contar honestamente como conseguiu essa cicatriz no pescoço.
“……”
— Nem pense em inventar alguma desculpa estranha.
Yeonwoo impôs a regra. Chahyun não disse nada.
— Se não quiser, posso continuar sendo empurrado pelas pessoas e andar de ônibus…
— Não, eu vou te contar.
Chahyun respondeu com urgência antes que Yeonwoo pudesse mudar de ideia. Em seguida, esvaziou outro copo de bebida.
— Eu estava tão frustrado que rasguei com as próprias mãos.
— …Rasgou? Rasgou o quê?
Yeonwoo perguntou de volta como se não entendesse.
— A carne.
— O quê? Por quê?
— Só porque sim.
— Não existe essa de ‘só porque sim’. Então vou continuar andando de ônibus…
— Porque eu não aguentava de outro jeito.
— O que você não aguentava?
Parece que estava jogando “20 Perguntas”. Yeonwoo ainda não conseguia entender nada do que Chahyun estava dizendo.
Ele mesmo fez aquela cicatriz grande? Mas como? Não era uma coxa de frango, como ele poderia ter rasgado o próprio pescoço? Ele não conseguia imaginar.
— Enfim, eu fiz.
— …Você está mentindo?
— É verdade, então compre um carro esta semana.
— Você ficou louco?
— Se você terminou de comer, vamos nos levantar.
Chahyun verificou a grelha vazia e as garrafas e levantou-se de seu lugar. Yeonwoo também estava chegando ao seu limite, então achou que seria demais beber mais alguma coisa ali.
Enquanto o seguia obedientemente, ele ainda estava frustrado por não conseguir aceitar o que Chahyun havia dito.
Yeonwoo suspirou e seguiu Chahyun, que terminara de pagar e estava saindo pela saída primeiro.
— Baek Chahyun. Se você vai me contar, tem que explicar direito. Uma lesão desse tamanho foi auto-infligida? Por quê? Quando?
— Vou chamar um táxi, então vá para casa.
— Você está tentando brincar com a minha cara?
Yeonwoo parou Chahyun enquanto ele descia as escadas. Mas assim que Yeonwoo segurou seu braço, Chahyun se desvencilhou.
“……”
Surpreso, Yeonwoo encarou estupefato sua mão que flutuava desajeitadamente no ar. O choque de Baek Chahyun o rejeitar, justamente ele, foi considerável.
— Hong Yeonwoo.
— Você, agora mesmo…
— Cheguei ao meu limite, então vá para casa quietinho.
Ele ficou sem palavras. Limite? Quietinho? Como você ousa dizer isso para mim.
O estômago de Yeonwoo revirou com uma onda repentina de traição e raiva. Fosse por causa do álcool ou pela raiva de ser rejeitado, sua cabeça parecia estar pegando fogo.
Yeonwoo virou Chahyun novamente.
— Não me dê ordens.
— …Vá para casa.
— Que direito você tem de dizer que chegou ao seu limite? Você sequer estava se forçando a lidar comigo até agora?
— Eu estava me forçando a lidar com você?
Chahyun franziu a testa e inclinou a cabeça como se tivesse ouvido algo estranho. Como se estivesse ponderando sobre o que Yeonwoo estava dizendo.
“……”
“……”
Yeonwoo mordiscou o lábio inferior com os dentes superiores e esperou pelo que Chahyun diria a seguir. Mas por mais que encarasse seus lábios, tudo o que podia ouvir era a respiração cada vez mais pesada dele.
A certa altura, a respiração de Yeonwoo também se tornou acelerada. O tempo passou enquanto eles ficavam parados ali, encarando-se um ao outro.
Eles estavam fingindo que não, mas ambos estavam esticando todos os seus sentidos e explorando um ao outro minuciosamente. Como se fossem se inflamar e explodir em chamas em um instante com apenas um pequeno gatilho.
— Mmph…!
Chahyun foi o primeiro a cruzar a linha. Ele fuzilou Yeonwoo com o olhar — que segurava firmemente seu braço — e então, como se não pudesse mais aguentar, devorou os lábios macios e atraentes que estavam bem diante dele.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna