Toxic Affair (Novel) - Episódio 141
Capítulo 141── ⋆⋅☆⋅⋆
Em um instante, sua visão ficou turva. Ele definitivamente estava ali há poucos minutos. Para onde ele havia ido em tão pouco tempo?
— Seoyun-ah.
Yeonwoo chamou o nome da criança e disparou para fora da sala de reabilitação. Se ele estivesse por perto, deveria ter ouvido a voz chamando-o, mas não houve resposta.
O pensamento de que Chahyun havia levado Seoyun e desaparecido sem dizer uma palavra fez seu sangue gelar.
Ele tinha sido descuidado demais todo esse tempo. O que ele confiava em Baek Chahyun para deixar o bebê de forma tão descuidada? O comportamento incomum e estranho de Chahyun, especialmente hoje, também o incomodava.
Yeonwoo murmurou o nome de Seoyun repetidamente e correu em direção à sala de espera no final do corredor. No entanto, ao contrário de suas expectativas, as cadeiras e mesas fornecidas para os responsáveis esperarem estavam vazias.
A ideia de que Seoyun realmente havia sumido o deixou sem fôlego. Recuperando o controle com dificuldade, Yeonwoo correu direto para o banheiro.
E se ele também não estiver aqui? Devo pedir para o centro fazer um anúncio? Ou devo denunciar?
Todo tipo de pensamento extremo passou por sua cabeça. Foi naquele momento, quando Yeonwoo estava meio fora de si, que ele ouviu uma voz familiar.
— Seoyun, você está renovado?
— Kyaa!
— Hmm. Se você continuar pesado assim, Yeonwoo não vai conseguir te segurar por muito tempo…
Os murmúrios baixos e o balbucio de bebê ecoaram alternadamente de dentro do banheiro, e os passos apressados de Yeonwoo pararam abruptamente. Então, sem perceber, ele abafou os passos e entrou mais fundo.
Lá, ele viu Seoyun deitado na mesa de troca de fraldas no banheiro, e Chahyun, que acabara de trocar a fralda dele e estava colocando a roupinha de volta, visto de costas.
— Ha.
Yeonwoo, esgotado de energias, soltou um curto suspiro de alívio.
Há pouco tempo, era como se todos os seus órgãos estivessem torcidos de dor, mas assim que viu os dois, a dor desapareceu como se fosse mentira.
Só então Chahyun percebeu a presença e virou-se para encontrar Yeonwoo.
— Já terminou?
Rugas formaram-se em sua testa ao perceber que a condição de Yeonwoo era diferente de antes.
— O que há com a sua expressão? É por causa do seu tornozelo?
Yeonwoo balançou a cabeça. Talvez porque a tensão tivesse se dissipado de uma só vez, sua voz não saiu direito.
— Você desapareceu de repente… Você e Seoyun.
— Ah. Eu estava trocando a fralda dele.
— ……
— Eu deveria ter avisado antes de sair?
— Não. Eu só fiquei um pouco… surpreso, eu acho.
Enquanto Yeonwoo limpava a testa e respirava fundo, Seoyun, nos braços de Chahyun, encarava-o com olhos grandes e claros. Ele parecia estar de excelente humor depois de ter a fralda trocada.
— Desculpe por duvidar de você.
— Tudo bem. Mas você está bem mesmo?
Chahyun aproximou-se, parecendo preocupado enquanto Yeonwoo assentia.
No curto minuto ou mais em que esteve correndo para lá e para cá procurando por Seoyun, a testa de Yeonwoo estava molhada de suor frio. Chahyun estendeu a mão inconscientemente para limpá-lo, mas hesitou e abaixou a mão. Em seguida, reajustou Seoyun em seus braços.
— Volte para a reabilitação. Vou assistir de lá de fora.
— …Ok.
*******
Baque.
Chahyun colocou uma caixa grande no chão, fazendo a poeira subir ao redor.
— Afaste-se.
Ele fez um gesto para Yeonwoo recuar e examinou o depósito com olhos preocupados.
Na verdade, parecia mais um armário grande dentro do café do que um depósito.
— Tem certeza de que temos que jogar tudo isso fora?
— Não. É uma mistura de coisas que vamos jogar fora e coisas que ainda estamos usando.
A expressão de Chahyun escureceu com a resposta ambígua de Yeonwoo.
Yeonwoo olhou de relance para Chahyun e estalou a língua internamente. Ele havia dito que faria aquilo sozinho, mas Chahyun insistira em segui-lo até o café.
— Você já fez algo assim antes?
— Não.
Era o que ele esperava. Não havia maneira de o filho mais novo de uma família rica ter feito trabalhos braçais que ele mandaria outra pessoa fazer.
— Organizar isso é mais complicado do que você pensa. Eu faço.
— Tudo bem. Eu posso fazer isso desta vez.
— ……
Quando Chahyun não cedeu, Yeonwoo fechou a boca, prestes a dizer mais alguma coisa.
Ele já se sentia mal por Chahyun ter cuidado de Seoyun durante seu tratamento de reabilitação hoje, mas sentia-se ainda mais desconfortável tentando usá-lo como faz-tudo no café.
Yeonwoo circulava ao redor de Chahyun, que estava tirando a bagagem grande primeiro. A quantidade de itens a serem descartados naquela pequena loja era infinita.
Devido a pedidos excessivos nos primeiros dias do negócio, grãos de café vencidos, leite de soja, creme de leite, leite de amêndoa, etc., estavam empilhados por toda parte. Eles estavam misturados de forma ambígua com aqueles que ainda tinham prazos de validade, então precisavam ser verificados individualmente antes de serem descartados.
Enquanto isso, quando novos itens de pedido chegavam, eles eram separados grosseiramente, então não os distinguiam adequadamente, o que levou à situação atual.
Ele planejava originalmente organizar aquilo sozinho hoje, mas como acabou arrastando Chahyun para aquilo de novo? Yeonwoo lembrou-se das circunstâncias que o levaram a ir para lá.
Após a reabilitação, quando voltou para casa e deixou Seoyun com a ajudante, Chahyun perguntou o que ele ia fazer agora. Quando disse que tinha que ir ao café para arrumar as coisas, Chahyun insistiu em ajudá-lo sem sequer ser pedido.
Ele deveria tê-lo impedido mais ativamente naquela hora. Mas parecia tarde demais para voltar atrás agora.
Chahyun, que abria todas as gavetas do armário e estava parado de forma desajeitada, parecia estar muito distante daquele tipo de trabalho de limpeza de depósito. Além disso, seu físico não combinava com aquela loja. O espaço cheio de armários era apertado para ele.
Yeonwoo observou Chahyun, que olhava ao redor lá dentro por um longo tempo com o corpo curvado, e não pôde deixar de abrir a boca.
— Certo, só na próxima vez…
— Espera. Estou pensando em como organizar isso.
— Não precisa ser hoje.
— De qualquer forma, você tem que separar e jogar fora o que precisa jogar fora e organizar o que precisa guardar, certo?
— Isso… é verdade.
Parecia infinitamente fácil quando ele dizia aquilo, mas a realidade não era. Se fosse fácil organizar ordenadamente aquele pequeno espaço onde vários ingredientes estavam misturados de maneira caótica, Yeonwoo não o teria deixado abandonado até agora.
— Vá lá fora. Você vai respirar poeira se ficar aqui.
— Sair para onde?
— Sente-se em um café próximo ou algo assim.
— Mesmo assim, eu sou o dono do café…
— Então vá a um restaurante ou algo assim. Está apertado com você aqui.
— Quem está apertado aqui agora?
Yeonwoo fuzilou as costas largas de Chahyun com o olhar.
— …Devo te fazer uma xícara de café ou algo assim?
— Tudo bem. Você continua levantando poeira.
Era engraçado ele já estar coberto de poeira e dizer uma coisa dessas.
Ele não parecia ter nenhuma intenção de recuar e ainda disse com confiança que cuidaria disso sozinho, então Yeonwoo decidiu desistir após muita deliberação.
— Então eu vou mesmo. Me ligue imediatamente se precisar de alguma coisa.
Yeonwoo confirmou que Chahyun assentiu e saiu do café.
Não parecia educado ir para casa assim, e ele não tinha nada de especial para fazer por ali, então Yeonwoo caminhou sem rumo pelo beco.
Então, o que chamou sua atenção foi aquela churrascaria de novo. Já era fim de tarde, então a loja já estava aberta. Ele lembrou de repente que não havia almoçado direito hoje. Pensando que bem podia encher o estômago, Yeonwoo entrou no estabelecimento sem muita hesitação.
Era um horário atípico, então ainda não havia muitos clientes no salão. Yeonwoo cumprimentou o dono com os olhos e pediu carne e bebida como de costume.
Ele não estava pensando em nada quando entrou, mas ao ver a grelha aquecida, sua fome aumentou.
Enquanto grelhava e comia carne por um tempo, ele recebeu uma ligação de Chahyun.
— Terminei. Onde você está?
— Já? Acabou mais cedo do que eu pensava. Aqui…
Yeonwoo hesitou por um momento enquanto falava. Depois, olhou para a comida à sua frente.
— Estou aqui na Casa do 2º Andar. Quer vir?
“Casa do 2º Andar” era o nome que Chahyun e Yeonwoo chamavam aquela loja. Mesmo quando os dois eram universitários, a placa estava esfarrapada, então o nome da loja não era claramente visível, e eles a chamavam carinhosamente de Casa do 2º Andar.
— Estou indo.
Chahyun entendeu e respondeu imediatamente.
Após desligar o telefone, Yeonwoo sentiu-se complicado, como se tivesse dito algo desnecessário. Eles tinham se encontrado com frequência recentemente, mas não pareciam estar próximos o suficiente para sentar um em frente ao outro e comer fora.
O lugar também era onde costumavam ir em encontros quando eram universitários, então parecia um pouco inapropriado se encontrarem em um relacionamento tão ambíguo agora. Ele deveria ligar para ele agora e dizer para não vir…?
Enquanto lutava com esse conflito, o som da porta da loja se abrindo roçou em seu ouvido. Yeonwoo ergueu a cabeça inadvertidamente e Chahyun entrou em seu campo de visão.
Enquanto ele se perguntava se devia cumprimentá-lo primeiro ou apenas ficar sentado fingindo não saber, Yeonwoo deixou cair descuidadamente o pegador que estava segurando.
— Ah.
Ele poderia apenas ter pedido um novo, mas se abaixou apressadamente para pegá-lo e bateu o braço contra a mesa de aço.
Felizmente, Yeonwoo só fez contato visual com Chahyun depois que pegou o pegador. Ele parecia não ter visto o erro anterior de Yeonwoo e caminhou imediatamente a passos largos em direção à mesa.
— Você chegou cedo.
Yeonwoo olhou para cima e abriu a boca sem jeito.
Chahyun, vestindo uma camiseta branca limpa e calças sociais azul-marinho, destacava-se na atmosfera caótica da churrascaria. Era uma roupa que o fazia lembrar de seus dias de faculdade.
Ele encarou incrédulo o copo de cerveja na mesa de Yeonwoo e sentou-se naturalmente em frente a ele. Era o assento em que ele sempre sentava quando era universitário.
— Você limpou tudo direito?
— Sim. Mas estou coberto de poeira.
— …E daí?
— Por que essa bebida de repente?
Quando pareceu que Chahyun ia começar a dar bronca, Yeonwoo bebeu o resto da bebida como para desafiá-á.
— Eu tenho que beber em dias assim. Normalmente nem posso tocar nisso porque estou cuidando de Seoyun.
— ……
— Você quer beber também?
— Não. Tenho que dirigir mais tarde.
Chahyun traçou um limite imediatamente. Yeonwoo ficou de alguma forma irritado com a atitude firme dele.
— Os outros caras costumavam beber comigo numa boa. Não você.
Ele o provocou infantilmente como fazia antigamente. No entanto, talvez porque tanto tempo tivesse passado, ao contrário do jovem Chahyun, o Chahyun atual não ficou bravo. Ele apenas encarou em silêncio o copo vazio que Yeonwoo havia esvaziado.
— ……
— ……
Eu disse algo desnecessário? Um breve arrependimento o invadiu enquanto o silêncio se acumulava.
Yeonwoo tossiu sem jeito e encheu o copo novamente. Depois, estendeu a mão para pegar o copo.
No entanto, antes que a mão de Yeonwoo pudesse tocar o copo, Chahyun o arrebatou. Em seguida, bebeu tudo de uma vez.
— ……
Yeonwoo encarou a cena boquiaberto. Depois que seu grosso pomo de adão subiu e desceu pesadamente algumas vezes, Chahyun bateu o copo vazio com força na mesa.
— Quem mais estava bebendo com você? Aquele pirralho?
— …Hã?
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna