Toxic Affair (Novel) - Episódio 138
Capítulo 138── ⋆⋅☆⋅⋆
No dia seguinte.
A manhã começou caótica. Por alguma razão, Seoyun não acordou nem uma vez até ao amanhecer, por isso Yeonwoo acordou mais tarde do que o habitual. Normalmente, ele acordava e chorava no meio da noite.
Estaria ele dormindo mais porque ainda estava doente? Enquanto pensava nisto, Yeonwoo moveu-se rapidamente para se preparar, visto que já estava atrasado.
Chahyun chegou exatamente às 7 horas prometidas. Antes mesmo que Yeonwoo pudesse arrepender-se de lhe ter confiado Seoyun, o tempo voou enquanto ele explicava meticulosamente a localização da comida de bebé, das fraldas, do medicamento e do que era preciso fazer a cada hora.
— Ah, e os acompanhamentos estão no compartimento superior do frigorífico.
Disse Yeonwoo a Chahyun, como se tivesse lembrado de repente antes de sair pela porta da frente. Ele, que tinha ido acompanhá-lo à saída enquanto segurava Seoyun, inclinou o queixo.
— Acompanhamentos?
— Você também tem que comer. Não pode passar fome.
— Ah.
— …Não precisa comer se não quiser.
— Não. Vou comer com Seoyun quando lhe der a comida de bebe.
Seoyun abanou os braços entusiasmado, se despedindo.
— Pabaah!
Yeonwoo, que estava prestes a abrir a porta e sair, voltou novamente.
— Seoyun. Hong Seoyun.
— Hã?
— Parece que continua a chamá-lo de Saebyeok… Ele tem um nome.
Ouvindo essas palavras, Chahyun, que estava mexendo os lábios, acenou com a cabeça, murmurando baixinho:
— Hong Seoyun. A partir de agora vou chamá-lo assim.
— Já volto, Seoyun-ah.
Yeonwoo abaixou-se e beijou a bochecha perfumada de Seoyun. Sentiu o corpo de Chahyun endurecer enquanto ele segurava Seoyun num braço.
Apesar de sentir um olhar intenso nas costas, Yeonwoo fingiu não reparar, fechou a porta e saiu de casa.
— Hyung! Chegou bem em casa ontem?
Younghwan visitou o café durante uma pausa após a correria da manhã. Yeonwoo, que estava sentado num banco alto limpando as manchas de bebidas do balcão com um pano, levantou a cabeça.
— Sim. O que te traz por aqui tão cedo hoje?
— Apenas aconteceu de passar por aqui. Vou querer um latte.
— Gelado?
— Sim.
— Só um momento.
Assim que Yeonwoo entrou na cozinha, Younghwan pagou rapidamente no totem e entrou diretamente na loja.
— Ah, é verdade, hyung. Sobre aquela pessoa de ontem.
Yeonwoo acenou com a cabeça, percebendo que a pessoa de quem Younghwan falava era Chahyun. A expressão de Younghwan, em pé do outro lado da cozinha, era de alguma forma solene.
— O que é que ele faz?
— Porque a pergunta? Pensando bem, o que é que vocês estavam conversando ontem?
Ontem, estava tão concentrado na ideia de ter de sair mais cedo do trabalho que simplesmente descartou o assunto, mas, olhando para trás, as expressões dos dois homens frente a frente não pareciam boas.
— Não sei, ele me fuzilou com os olhos como se fosse me matar só porque esbarramos um no outro na frente da loja. Como se fosse bater em alguém.
— … A sério?
— Ele não parecia uma pessoa normal. Será que ele está metido com gangsters ou algo do gênero? Espancando pessoas.
Um gangster. Uma risada curta e oca escapou dos lábios de Yeonwoo.
Era algo que não se podia dizer de alguém conhecesse o passado de Chahyun, mas, por outro lado, significava que a sua primeira impressão era assim tão feroz para quem não o conhecia.
A julgar pela voz séria de Younghwan, não parecia que ele estivesse perguntando para brincar.
É verdade que Chahyun não era uma boa pessoa, mas não era suficientemente imprudente para recorrer à violência. Pelo menos, nunca tinha agido com violência na frente dele durante os quatro anos em que namoraram.
Enquanto Yeonwoo não conseguia responder prontamente, a conjectura na cabeça de Younghwan transformou-se em convicção.
— Sinceramente, não percebo porque é que o hyung é próximo de alguém como esse arruaceiro. Ele parece perigoso à primeira vista. Estava um pouco desfocado, mas acho que ele até tinha uma cicatriz no pescoço.
Só então Yeonwoo começou a explicar:
— Não sei nada sobre a cicatriz, mas ele não é o tipo de pessoa que bate nos outros. É só um pouco… exigente.
— Não, a sério, o olhar dele parecia o de alguém prestes a matar alguém. E ainda andava com uma criança, como é que ele é capaz de uma coisa dessas?
Bem, a expressão de Chahyun era bastante marcante, ao ponto de a palavra “um pouco” ser insuficiente para descrever. Portanto, as pessoas que não o conheciam acabavam por compreendê-lo mal, tal como Younghwan.
— Ele é apenas jovem.
— Que idade tem?
— Vinte e oito.
— …Ele é mais velho do que eu? — murmurou Younghwan incrédulo.
— O latte gelado está pronto, cliente.
Yeonwoo cortou as palavras de Younghwan, como se lhe dissesse para ficar por ali, e entregou-lhe a bebida.
— Agradeço a sua preocupação, mas eu trato disso.
— Vou aproveitar…. E isto.
Younghwan, que pegou no latte, estendeu algo com a outra mão, como se estivessem trocando itens.
— O que é isto?
— O bebê está doente, não é? Não é nada de especial, apenas um livro de brincar para bebês. Como não entendo muito disso, comprei o que o funcionário recomendou.
— …Ah, não tinha necessidade.
— E a caixa laranja é um suplemento nutricional. Para você, hyung. Fica cansado de cuidar do bebê sozinho.
Yeonwoo recebeu o saco de compras que Younghwan lhe deu com uma expressão atordoada.
Ficou grato pelo presente inesperado, mas também sem graça. Sabendo que tipo de sentimentos ele nutria por ele, sentia-se sobrecarregado por aceitá-lo.
— Younghwan-ssi, isto…
— Ah, não aceito devoluções! Vou andando!
Antes que Yeonwoo pudesse dizer alguma coisa, Younghwan saiu rapidamente do café. Depois, abanou a mão e despediu-se.
— Ai, ai. Tão jovem, tão jovem.
Assim que ele saiu, foi a vez da florista aparecer. Tinha observado tudo da loja do outro lado da rua, e o seu rosto estava repleto de um sorriso satisfeito.
Yeonwoo escondeu rapidamente o saco de compras, embaraçado, e limpou a garganta.
Pensava que tinha traçado uma linha clara. Parecia que teria de falar com mais firmeza da próxima vez.
Quando chegou em casa depois do trabalho, Chahyun, que parecia um pouco mais cansado do que de manhã, veio recebê-lo. Por outro lado, Seoyun, ainda cheio de energia, andava a engatinhar pela sala de estar com um boneco na boca. Soube que ele tinha comido a comida de bebê há pouco tempo.
Yeonwoo pegou na criança ao colo e verificou se ainda tinha febre. Continuava com uma febre ligeira, mas não parecia estar com dor.
— Teve um bom dia?
— Sim. Mas você… está bem? — perguntou Yeonwoo, examinando Chahyun, cujos olhos estavam fundos.
— Consigo aguentar firme.
— Você se esforçou muito. A casa está limpa?
Yeonwoo, ao perceber tardiamente que a casa estava mais limpa do que de manhã, olhou ao redor da sala, surpreendido.
— Apenas arrumei um pouco do que estava à vista.
— Não tinha necessidade de fazer tanto.
— Estava preocupado que Seoyun se machucasse enquanto brincava.
Chahyun, que respondeu com despreocupação, começou a vestir o casaco. Enquanto isso, Yeonwoo largou Seoyun, que lutava para voltar a ser posto no chão. Seoyun meteu o boneco de novo na boca e continuou a engatinhar.
De repente, o que Younghwan tinha dito passou pela mente de Yeonwoo. Que Chahyun tinha uma cicatriz no pescoço. Tinha pensado secretamente que tinha visto mal, mas agora que olhava com atenção, havia realmente uma marca ténue no pescoço que parecia uma ferida curada.
— O que aconteceu com o seu pescoço?
— Ah, arranhei um pouco.
— … Arranhou? Fazendo o quê? Parece que a ferida foi bastante grande.
— Já estou bem. Ah, me pergunto se não faz mal o bebê ver isto.
— Não foi isso que eu quis dizer. Eu estava apenas…
Yeonwoo, que estava prestes a dizer que estava preocupado sem perceber, engoliu as palavras.
— Enfim, estava só curioso. Não tem nada a ver com o Seoyun.
— Fico contente se assim for. Já vou indo.
Quando Chahyun se dirigiu para a porta da frente, Seoyun, que estava engatinhando pelo chão, cuspiu o boneco que tinha na boca e fez uma cara de choro.
— Wooing!
Agarrou desesperadamente a perna das calças de Chahyun com os seus bracinhos curtos, deixando Yeonwoo atrapalhado tentando afastar a criança.
— Seoyun-ah. Porque está de repente assim? Ehh…
— Hong Seoyun.
Seoyun continuou a insistir, esticando os braços na direção de Chahyun, como se lhe dissesse para não ir. A julgar pelas lágrimas que enchiam os seus grandes olhos, parecia odiar a ideia de se separarem. Pelo visto, tinha tido um dia muito divertido com Chahyun.
Com a reação da criança, Chahyun não conseguiu sair imediatamente e ficou imóvel. Parecia estar esperando que o choro parasse.
Yeonwoo, que segurava Seoyun de forma desajeitada, abriu a boca após hesitar.
— Hum, se tiver tempo… quer almoçar antes de ir? Já é um pouco tarde, mas…
— Pode ser.
Chahyun respondeu de imediato, sem um segundo de hesitação. Yeonwoo fez um sinal para entrar novamente, envergonhado.
Só então o choro de Seoyun cessou quando Chahyun tirou os sapatos e entrou novamente na casa.
— Então, por favor, tome conta do Seoyun enquanto eu preparo alguma coisa. …Parece que vocês se divertiram brincando. Ele gosta muito de você.
A estas palavras, Chahyun soltou uma risada abafada e pegou Seoyun. Depois, começou a mexer nas mãozinhas curtas e gordinhas do bebê.
— Há alguma coisa em que eu possa ajudar?
— Não é preciso. Preparei todos os ingredientes ontem. Senta aí e espera.
Yeonwoo tirou os ingredientes da geladeira planejando fazer um prato simples de porco picante salteado. Recentemente, tinha estado cuidando de Seoyun sozinho, então sempre faltava tempo para cozinhar, acabando comendo apenas com um acompanhamento principal.
Ele tinha tomado conta de Seoyun o dia todo, por isso o mínimo que podia fazer era preparar uma refeição. Yeonwoo justificou as suas ações dessa forma, dividiu os legumes preparados e acendeu o fogão. De trás, sentia o peso do olhar que estava constantemente fixo nas suas costas.
Quando Yeonwoo olhou para lá, Chahyun e Seoyun, que estava no seu colo, observavam com olhos curiosos.
— Oh…
Seoyun passou naturalmente os braços em volta do pescoço de Chahyun e abriu muito os olhos. Tornava-se ainda mais desconcertante o fato de ambos serem tão parecidos.
Yeonwoo voltou a virar a cabeça e se concentrou na comida.
— O que é isto?
Colocou a carne primeiro e estava grelhando quando ouviu um som de embrulho vindo de trás, e Chahyun perguntou. Como se perguntasse o que se passava, virou o olhar e Chahyun apontou para o saco de compras em cima da mesa. Era o predente que Younghwan lhe tinha dado algumas horas antes.
— O livro do Seoyun e suplementos nutricionais.
— Para que servem esses suplementos nutricionais? Ele está com algum tipo de falta de vitaminas?
— Não, recebi apenas um presente de alguém que conheço.
— …
Depois disso, não houve mais resposta.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna