Toxic Affair (Novel) - Episódio 135
Capítulo 135── ⋆⋅☆⋅⋆
Yeonwoo saiu do carro primeiro e entrou no prédio do pronto-socorro. Uma enfermeira na entrada conferiu o nome do paciente infantil e do responsável, orientando-os para o interior.
Como se estivesse esperando, um pediatra se aproximou imediatamente e perguntou o que estava acontecendo. Yeonwoo, mais composto do que quando estivera explicando a situação para Chahyun, descreveu os principais sintomas, como febre, vômito e perda de apetite.
— Entendido. Vou verificar a temperatura da criança por um instante. Papai, por favor, preencha este formulário aqui primeiro.
— Ah, sim.
Yeonwoo deitou Seoyun na cama e foi até a mesa para começar a preencher os documentos que a enfermeira lhe entregou.
Nesse exato momento, Chahyun terminou de estacionar e entrou no pronto-socorro. Ele examinou o local por um momento e, assim que avistou a cama onde Seoyun estava, apressou-se em direção a ela.
— O senhor chegou, diretor.
O médico, que estivera examinando Seoyun, o reconheceu e o cumprumtou.
— Como está a criança? Qual é o problema?
Chahyun apressou o médico enquanto limpava com a manga do pijama o vômito remanescente ao redor da boca da criança.
— Os principais sintomas parecem um resfriado, mas, por precaução, acho que seria bom fazer um exame de sangue e um exame de urina.
— Por favor, faça o mais rápido possível.
— Claro, diretor.
Ao sinal do médico, uma enfermeira aproximou-se com uma bandeja.
— Enquanto tiramos sangue do Hong Seoyun, o papai pode segurá-lo por um instante?
Chahyun hesitou diante do título de pai. Ele viu que Yeonwoo ainda preenchia o formulário na mesa e assentiu.
Chahyun segurou com cuidado Seoyun, que jazia molinho na cama, e encarou a enfermeira como se perguntasse o que devia fazer em seguida.
— Vamos tirar sangue da parte interna do braço dele, e a criança pode se mover durante o procedimento. O senhor precisa segurá-lo firme.
— Eu entendi.
Chahyun olhou para Seoyun, que tinha o tamanho de sua palma, com uma expressão séria. Após ponderar por alguns segundos sobre como segurar o braço da criança, estendeu a mão com cautela.
O braço dele era macio. Não apenas o braço, mas todo o corpo do bebê era macio e liso como creme. Por isso, ele não conseguia ter coragem de aplicar nenhuma força.
— Hum, papai. O senhor precisa segurá-lo mais forte.
— Eu entendi.
— …Se o senhor o segurar com tanta leveza, ele pode se machucar quando se contorcer.
— Estou segurando do jeito certo.
— Os bebês são mais fortes do que o senhor pensa.
— Então, quer dizer que preciso segurá-lo ainda mais forte do que isto?
A testa de Chahyun franziu-se levemente. A enfermeira ficou constrangida e alternou o olhar entre a mão de Chahyun — que não exercia força alguma — e o rosto dele.
— Sim. Muito mais forte.
“……”
Chahyun pareceu tomar uma decisão e colocou um pouco mais de firmeza na mão.
— Eeh…
Então Seoyun, que já não tinha forças nem para resmungar, aninhou-se nos braços de Chahyun e fungou. Ao mesmo tempo, o corpo grande de Chahyun enrijeceu-se de tensão.
A enfermeira, que observava aquilo, suspirou e chamou uma colega que passava para ajudar a manter Seoyun firme. Assim que a coleta de sangue começou, Seoyun caiu no choro novamente.
Ouvindo o som, Yeonwoo, que acabara de terminar de preencher o formulário, correu para lá.
— Por quê? O que houve?
— Estamos tirando sangue. Já vai acabar.
A enfermeira removeu a agulha e passou um chumaço de algodão com álcool na pele de onde o sangue fora extraído.
— Vou colocar um curativo, então, por favor, certifique-se de que a criança não o puxe. O senhor pode removê-lo em uma hora.
— Sim, obrigado.
A enfermeira, que estava prestes a sair com o sangue coletado, virou-se como se tivesse se lembrado de algo e retornou a Chahyun.
— Ah. Papai, o senhor lembra quando o Hong Seoyun comeu pela última vez?
Apesar de Yeonwoo estar bem ali, ela perguntou diretamente a Chahyun.
— Há cerca de duas horas — respondeu Yeonwoo rapidamente antes que Chahyun pudesse abrir a boca.
— O senhor disse que ele está com febre desde hoje à tarde, mas ele teve diarreia?
Novamente, a enfermeira fixou o olhar em Chahyun como se fosse óbvio. É claro que Yeonwoo respondeu de novo desta vez.
— Agora que você mencionou, as fezes dele pareciam mais amolecidas do que o normal.
— Entendido. O Doutor também quer ver um ultrassom abdominal, então vamos nos mudar para a sala de exames em breve. Por favor, aguarde um momento.
Após a enfermeira desaparecer, Yeonwoo deitou Seoyun, que soluçava baixinho, de volta na cama. Em seguida, fuzilou Chahyun com um olhar de reprovação.
Ele não gostava do fato de a equipe médica consultar naturalmente Chahyun sobre a condição da criança, mesmo tendo visto claramente que fora ele quem preenchera o formulário como responsável pelo paciente infantil desde o momento em que chegaram.
Contudo, ele sabia que havia algo errado, mas não conseguia apontar o dedo, pois até ele mesmo tinha de admitir que Seoyun parecia demais com Chahyun. Ele era assim desde recém-nascido e agora, com seis meses de idade, era ainda mais uma cópia carbono de Baek Chahyun. Seus olhos, a ponta do nariz, até mesmo o formato dos lábios.
Pensando bem, nos seis meses em que criara Seoyun, ninguém jamais dissera que a criança se parecia com Yeonwoo. Todos admiravam Seoyun por ser bonito e fofo e, ao mesmo tempo, presumiam naturalmente que ele se parecia com o outro pai.
Perdendo repentinamente a vontade de discutir, Yeonwoo baixou o olhar e conferiu Seoyun novamente. Agora que pensava nisso, a boca e as roupas dele deviam estar molhadas de vômito antes de chegarem ao hospital, mas agora estavam limpas e arrumadas.
— Responsável pelo paciente infantil Hong Seoyun.
Yeonwoo, que estava prestes a perguntar a Chahyun se ele tinha feito aquilo, foi rapidamente distraído pelo chamado do médico.
— É gastroenterite viral.
Assim que ouviu o diagnóstico do médico, o rosto de Yeonwoo endureceu.
— É grave?
— Pode acontecer às vezes quando eles começam a ingerir vários alimentos ao iniciarem a introdução da papinha. Costuma melhorar com o tempo.
— Ah…
Ele finalmente sentiu um alívio com a palavra de que não era grande coisa.
— Não é grave, mas ele apresenta sinais de desidratação e ainda é jovem, então seria bom ter alta apenas depois de vermos a febre baixar.
— Então, ele terá que ficar internado?
— Vamos prescrever um antitérmico por enquanto e aguardar no pronto-socorro até a tarde. Decidiremos sobre a internação se a febre não baixar.
— Eu entendi. Obrigado, Doutor.
Yeonwoo, que agradeceu ao médico várias vezes, voltou o olhar para Seoyun, que adormecera. Seoyun, completamente exausto, dormia como se tivesse desmaiado.
Seu cabelo encharcado de suor colava-se à testa, fazendo-o parecer particularmente digno de pena. Yeonwoo afastou o cabelo suavemente e suspirou. A pele dele ainda estava quente porque a febre não havia baixado de todo.
Nesse instante, as cortinas ao redor da cama se abriram e Chahyun, que estivera ausente por um momento, entrou.
— Pedi para nos mudarmos para um quarto interno quando o Saebyeok acordar mais tarde. Pensei que seria mais confortável.
Yeonwoo assentiu. Após a tensão e a agitação terem diminuído completamente, as roupas de Chahyun finalmente chamaram sua atenção.
Ele vestia o que qualquer um podia ver que eram roupas de pijama. Pensando bem, seu cabelo também estava mais desgrenhado do que o habitual. Ele devia ter corrido para fora assim que recebeu a ligação.
— Você veio de pijama.
— Ah. Eu saí correndo.
Chahyun conferiu as próprias roupas e respondeu com naturalidade.
Aquilo lembrou Yeonwoo naturalmente do dia em que ele viera ao pronto-socorro com ele antes. Naquela época, Chahyun correra para fora com uma vestimenta parecida quando Yeonwoo dissera que sua perna doia.
De repente, Yeonwoo abriu a boca inconscientemente para dizer que ele era um tolo, mas parou como se tivesse pisado no freio.
“Por que você saiu usando essas roupas?”
“Roupas? Ah.”
“Você é tão tolo.”
“É com isso que você se preocupa agora?”
“Você podia ter vindo devagar, por que correu?”
Ele percebeu tardiamente que havia dito a mesma coisa para Chahyun antes.
De alguma forma, ele receava que, se disser essas mesmas palavras em voz alta, os sentimentos que sentira naquela época se conectariam intactos ao presente. Por isso, Yeonwoo engoliu as palavras que estavam prestes a sair.
—Não está quase na hora de abrir o café?
Vendo Yeonwoo sentado de forma desajeitada conferir as horas, Chahyeon perguntou.
Como ele havia dito, normalmente aquele era o horário em que deveria começar a se preparar para abrir o café. No entanto, abrir hoje seria impossível. A febre de Seoyun ainda não havia baixado completamente e o médico disse para observar até a tarde.
— Vai lá, eu fico no hospital.
Para Yeonwoo, que estava perdido em pensamentos, Chahyeon sugeriu. Diante disso, ele estreitou os olhos com desconfiança.
—Você? Por quê?
—Então o que você vai fazer, fechar o café hoje?
—Posso fechar.
—Se a febre de Saebuk não baixar até a tarde, você terá que interná-lo. Então amanhã também não vai abrir?
Na verdade, Yeonwoo estava pensando exatamente nisso. Se a internação de Seoyun fosse confirmada, ele poderia ter que fechar o café por alguns dias.
Sem grandes condições financeiras, fechar o café por vários dias traria um peso considerável para as finanças. Por outro lado, ele não podia deixar uma criança doente sozinha, então é claro que pretendia ficar grudado no hospital.
A única preocupação era o que fazer caso a internação se prolongasse por vários dias.
—De qualquer forma, você só trabalha cinco horas por dia. Eu fico aqui, então vai lá.
—Você…
Yeonwoo estava prestes a perguntar a Chahyeon como diabos ele sabia disso, mas desistiu porque investigar já era cansativo.
Habituado ao fato de Chahyeon andar investigando sua vida pessoal, honestamente aquilo já não parecia um grande problema. Era algo que ele já esperava.
—E o trabalho?
—É só tirar folga.
Ao contrário de alguém que foi rebaixado, Chahyeon falou com total naturalidade.
—Vai lá. Não vou fazer nada de errado. Pelo menos um acompanhante precisa ficar aqui, não é?
“…”
—Se você realmente não confia em mim, contrate um cuidador…
—Me ligue se acontecer alguma coisa.
Após um longo silêncio, Yeonwoo interrompeu as palavras de Chahyeon.
—Hã?
—Se acontecer alguma coisa com Saebuk, me ligue imediatamente.
Os olhos de Chahyeon se abriram ligeiramente. No entanto, logo voltaram à sua expressão inexpressiva habitual.
— Entendido.
Depois de arrumar todas as suas coisas, Yeonwoo se virou e olhou para Seoyun mais uma vez. Antes de deixar o pronto-socorro pela última vez, ele hesitou um pouco antes de abrir a boca.
—…E obrigado por ter vindo hoje.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna