Toxic Affair (Novel) - Episódio 130
Capítulo 130── ⋆⋅☆⋅⋆
No início, Yeonwoo achou que estava vendo coisas. Não era como se pudesse ver o rosto da outra pessoa com clareza, e o indivíduo estava sentado na escada com a cabeça abaixada. Apenas tardiamente lhe ocorreu que poderia ser apenas alguém parecido com Chahyun em altura e porte físico.
No entanto, Yeonwoo estava tão confuso que passou pela entrada do restaurante como se sua cabeça e seu corpo estivessem se movendo separadamente. Era quase como se suas pernas estivessem se movendo sozinhas, inconscientemente. Mas ele logo parou após dar apenas alguns passos.
Seu coração disparou ferozmente, tornando sua respiração cada vez mais curta.
Não podia ser. Tinha que ser outra pessoa.
Olhando ao redor das ruas àquela hora, era comum ver pessoas estateladas nas escadas, bêbadas. Yeonwoo disse a si mesmo que o que acabara de ver era apenas mais um daqueles bêbados.
Mesmo que fosse a pessoa que pensava ser, ele podia simplesmente passar direto. Quem quer que estivesse sentado na escada não era da sua conta.
“…”
Mas os passos de Yeonwoo retornaram ao caminho que acabara de percorrer, como se por uma força irresistível. Foram apenas cerca de três passos.
Vamos apenas checar. Não há mal nenhum em ter certeza. É melhor do que ficar sentindo-se inquieto o tempo todo mesmo depois de chegar em casa.
A racionalização veio rápido. Yeonwoo ignorou o embrulho no estômago, como se estivesse enjoado , e aproximou-se do prédio novamente.
Logo, viu a entrada que levava ao segundo andar e, ali, o homem corpulento ainda estava sentado no canto da escada com a cabeça abaixada.
A julgar pelos ombros caídos, ele parecia bêbado. Não importava de quão longe olhasse, seu porte e postura eram semelhantes demais aos de alguém que ele conhecia. Até mesmo o topo de sua cabeça.
Yeonwoo esqueceu que segurava Seoyun e aproximou-se cautelosamente das escadas, como um homem possuído. Uma forte vontade de ver o rosto dele diretamente dominou seu corpo.
Assim que pisou na entrada, o cheiro de álcool atingiu seu nariz. A outra pessoa parecia estar completamente bêbada e estatelada.
Yeonwoo abriu os lábios para chamar o nome dele, mas os fechou novamente em seguida. Em vez disso, aproximou-se um pouco mais e conferiu o perfil do homem de cabeça baixa.
“…”
Logo, Yeonwoo estremeceu ao ver o perfil da outra pessoa. A visão da ponte de seu nariz elegantemente inclinada e de sua mandíbula tirou-lhe o fôlego. Suas pontas dos dedos tremeram. Ao mesmo tempo, seu corpo enrijeceu.
Ele achava que não era possível, mas era realmente Baek Chahyun.
O dono da churrascaria estava certo. Ele realmente se lembrava daquele lugar. Então, todas as memórias que ele havia perdido no acidente tinham retornado? Se sim, desde quando?
— …Cheiro de álcool.
Mesmo em meio ao choque, Yeonwoo franziu a testa diante do cheiro pungente de álcool. Imaginou o quanto ele havia bebido, já que o odor etílico impregnava os arredores. A cabeça de Yeonwoo estava girando só de estar perto dele.
Sabendo que ele costumava beber várias garrafas sem problema algum, a aparência de Chahyun, encolhido em um canto da escada daquele distrito comercial sujo, parecia estranha. Ao mesmo tempo, também se sobrepunha a uma cena familiar de seus dias de faculdade.
Yeonwoo apertou o peito, sentindo como se estivesse sem fôlego, como alguém que correra muito. Seu coração batia loucamente rápido. O latejar era tão alto que seus ouvidos estavam doendo.
A emoção que sentia agora era claramente medo. A ansiedade de que a outra pessoa o engolisse de novo…
— Eu realmente não sei por que as pessoas bebem cerveja misturada com soju.
Os olhos de Yeonwoo se arregalaram enquanto ele olhava para Chahyun. Os murmúrios repentinos de Chahyun dissiparam rapidamente os pensamentos sombrios que vinham nublando sua mente.
Ele pensou que Chahyun o havia notado, mas Chahyun ainda mantinha a cabeça baixa e os olhos fechados.
— Tem gosto de álcool barato.
“…”
Ele conseguiu entender a pronúncia truncada porque já ouvira aquelas palavras dele antes.
Yeonwoo decidiu instintivamente que não deveria ficar ali por mais tempo. Tinha que ir embora antes que ele percebesse. Caso contrário, se envolveria novamente.
O aviso soando em sua cabeça o deixou tenso. Ele estava prestes a se virar em silêncio quando uma força de puxão deteve os passos de Yeonwoo.
Por um momento, Yeonwoo pensou que Chahyun, tendo recuperado os sentidos, o havia agarrado. Yeonwoo engoliu um suspiro ao sentir seu coração despencar até os pés.
— Isto…
De repente, um punho pequeno e gordinho apareceu diante dos olhos de Yeonwoo, que estava prestes a dizer para ele soltar.
— Aung!
Seoyun, que já havia esticado o braço, agarrou um punhado do cabelo de Chahyun com o próprio punho.
— Se-Seoyun-ah. Solta isso.
Yeonwoo, constrangido, sussurrou uma ameaça a Seoyun. Mas Seoyun, ainda segurando o cabelo dele, chacoalhou o braço e sorriu abertamente para Yeonwoo.
— Hong Seoyun! Não. Solta agora!
Quando foi que ele agarrou o cabelo dele com esse braço curto? Yeonwoo bateu os pés no chão e abriu cuidadosamente os dedos de Seoyun. Chahyun nem sequer percebeu que seu cabelo estava sendo puxado e continuava apagado por causa do álcool.
— Solta! Shhh, você vai se meter em confusão.
— Eiiiing!
Ele devia puxar a alguém, porque estava sendo bastante teimoso naquele dia. Ele não sabia por que um bebê que nem sequer tinha um ano de idade tinha uma força tão forte nas mãos.
Sentia que estava queimando por dentro de desespero. E se o Chahyun acordar por causa disso…?! Só de imaginar, seus cabelos ficavam em pé.
Yeonwoo endureceu a expressão e lhe deu mais alguns avisos, e só então a mãozinha de Seoyun soltou-se do cabelo de Chahyun.
Yeonwoo saiu disparado do prédio correndo, sem olhar para trás. Ele estava tão aterrorizado que esqueceu seu tornozelo desconfortável e correu o caminho todo até o ponto de ônibus.
— Huk… Huk…
Yeonwoo, que mal havia chegado ao ponto de ônibus, ofegava por ar e checava ansiosamente para trás. Por sorte, Chahyun não estava à vista.
— Hong Seoyun, você realmente! O que estava pensando? O papai te disse para não puxar o cabelo dos outros assim… Hã?
Yeonwoo, que estava tão surpreso a ponto de dar bronca em um bebê que nem sequer podia entendê-lo, parou de falar ao descobrir que a mão de Seoyun estava cheia de algo preto.
— Hoo!
Seoyun olhou para Yeonwoo, que estava sem palavras, e sorriu como um anjo.
— Você… como pôde… arrancar assim…
Ele não podia viver daquele jeito. Yeonwoo estava pasmo ao olhar para o cabelo fino de Chahyun espalhado em sua palma.
******
Depois daquele dia, Yeonwoo nem sequer chegou perto da churrascaria. Agora era certo que Chahyun havia recuperado a memória, mas isso não significava que ele precisava encontrá-lo de novo.
Ficou tenso por dias, preocupado com a possibilidade de ele aparecer na cafeteria depois de ficar sóbrio, mas, por sorte, isso não aconteceu.
Por outro lado, agora que havia concluído que a memória de Chahyun havia retornado, ele se sentia mais à vontade.
Tinha certeza de que Baek Chahyun, que saíra com ele por quatro anos, não voltaria a lhe fazer mal. Embora ainda fosse verdade que ele tentara enganá-lo… Ainda assim, ele sentia menos medo de Chahyun do que quando sua memória estava completamente apagada.
Qual havia sido a primeira coisa que Chahyun pensara ao recuperar a memória? E ele se perguntava como havia aceitado o que acontecera entre eles. Será que ele sentira culpa por ter mentido para ele e tentado enganá-lo todo esse tempo? Pelo menos um pouquinho…
Não importa quantas suposições fizesse, o fato de ser tarde demais não mudava. Os dois já eram passado um para o outro. Aquela era a realidade.
Portanto, ele tinha que esquecer o fato de ter visto Chahyun nas escadas por acaso, mas, à medida que seu cotidiano tornava-se mais estável, as palavras que ele havia dito continuavam arranhando seus nervos.
— Eu realmente não sei por que as pessoas bebem cerveja misturada com soju.
— Tem gosto de álcool barato.
Por que aqueles murmúrios, proferidos quando ele estava inconsciente, persistiam em sua mente por tanto tempo?
Além disso, ele ficara tão surpreso com o fato de Seoyun ter agarrado o cabelo de Chahyun que estivera ocupado demais fugindo, mas sentia um certo desconforto por tê-lo deixado ali sem olhar para trás.
Perguntava-se se ele havia chegado bem em casa. Não importa o tamanho que tivesse, seria perigoso ficar do lado de fora sozinho naquele estado de embriaguez. Ele deveria ter dado ao dono da churrascaria o número do secretário. Deveria ter entrado em contato e mandado levá-lo. Esperava que nada de mal tivesse acontecido a ele.
Ele estava dividido entre querer saber e não querer saber.
— Certo, por que eu deveria me importar?
Yeonwoo disse em voz alta de propósito para dissipar os pensamentos complicados. Em seguida, terminou de lavar as jarras empilhadas na pia.
Outro dia comum, em que recuperara sua estabilidade, ia se passando. Yeonwoo, que havia chegado à cafeteria como de costume, só conseguiu recuperar o fôlego após algumas horas, depois que os clientes da manhã haviam ido embora.
Depois de limpar o lixo, os recibos e os suportes rolados pelo chão, checou o celular por hábito.
Então, recebeu uma mensagem de texto da cuidadora que cuidava de Seoyun todos os sábados.
[Papai do Seoyun-nim. Tenho um assunto pessoal para resolver neste sábado, então acho que não poderei ir. Teria problema se eu fosse trabalhar no domingo?]
⛧°. ⋆༺♱༻⋆. °⛧
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna