Toxic Affair (Novel) - Episódio 129
Capítulo 129── ⋆⋅☆⋅⋆
Yeonwoo largou o copo que segurava e interrompeu apressadamente o chefe que passava por ali.
— Chefe!
O chefe olhou para Yeonwoo com uma expressão séria, como se perguntasse por que ele estava fazendo aquilo.
— Alguém mais veio aqui além de mim?
— Veio. O estudante que sempre vinha com você.
O chefe lembrou-se de quem Yeonwoo estava falando e respondeu com naturalidade.
— …Ele veio aqui? Quando?
— Mais ou menos há uma semana.
“……”
— Ele estava sentado na mesa em que o estudante está sentado agora mesmo.
Yeonwoo já não era mais estudante, mas o chefe o chamava pelo mesmo título de antigamente. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa em resposta, o chefe passou depressa novamente.
O corpo de Yeonwoo congelou. Então, ele percebeu a carne queimando na grelha, deu por si e moveu os hashis.
Será que já estou bêbado se me surpreendo com algo tão banal? Como não houve contato nenhum esse tempo todo, ele provavelmente não veio me procurar agora… Certo, o Baek Chahyun também podia vir aqui.
Ele tentou descartar aquilo como nada, mas seu estômago, uma vez revirado, não se acalmou facilmente. Parecia que ele estava com areia áspera rolando em sua boca em vez de carne.
Yeonwoo examinou a churrascaria com os olhos, pegou seu copo e terminou o resto da bebida. E enquanto o álcool gelado descia por seu esôfago, uma constatação surgiu de repente como uma gota d’água.
— Espera um minuto…
Baek Chahyun veio aqui; será que isso significa que as memórias dele retornaram completamente?
Os olhos de Yeonwoo se arregalaram. Quando ele estivera internado meio ano atrás, pensara que as memórias de Chahyun poderiam ter voltado inconscientemente, mas aquilo era apenas especulação.
Mas o fato de ele saber daquele lugar e ter vindo ali, não importava de que maneira olhasse…
— Hyung.
Nesse momento, alguém arrancou o copo de bebida que Yeonwoo segurava. Assustado, ele ergueu a cabeça e viu um rosto familiar.
— Por que você está tão surpreso? O que te traz aqui? E vestido desse jeito.
Era Joo Younghwan, o dono do restaurante italiano. Yeonwoo encarou-o vagamente por um instante, depois respirou fundo para acalmar seu coração que batia acelerado.
— …Por acaso. Você não está trabalhando hoje?
— É meu horário de descanso. Tenho que voltar antes de fechar.
“……”
— Eu estava passando e vi o hyung na janela do segundo andar, então vim ver se era realmente o Yeonwoo-hyung.
Younghwan sorriu abertamente e sentou-se naturalmente em frente a ele. Era sempre o lugar em que Chahyun costumava sentar.
— O que está te incomodando?
— Quem não tem preocupações?
Yeonwoo fez um gesto para Younghwan, sem querer mandar embora alguém que viera de tão longe.
— Quer beber também?
— Com certeza.
Younghwan abriu um sorriso malicioso, levantou-se e tirou um copo ele mesmo.
Ele misturou cerveja e soju como se estivesse acostumado.
— Ah, isso é bom? Ah, é. Mas ainda estou trabalhando, então não deveria beber.
Yeonwoo sentiu-se um pouco desmotivado pela reação empolgada de Younghwan. Será que ele esperava que ele odiasse aquilo como Chahyun?
Mas logo Yeonwoo percebeu que estava decepcionado e envergonhou-se.
— Por que você está vestido assim?
— O casamento de um amigo.
— Ah. Você fica tão diferente de terno. Combina com o hyung.
O olhar de Younghwan grudou em Yeonwoo persistentemente. Ele já estava grelhando a carne para Yeonwoo. Yeonwoo pegou em silêncio a carne que o outro lhe dera e comeu.
— Yeonwoo-hyung.
— Ãh.
— Você sabe que eu gosto do hyung, né?
Younghwan devia ter achado que aquela oportunidade, sentado face a face, era propícia, então inclinou-se para a frente e abaixou a voz.
Os olhares deles se encontraram. Younghwan era quatro anos mais novo que Yeonwoo, confiante no que fazia e tinha bom senso de moda. De acordo com a dona da floricultura, ele tinha um bom número de clientes pedindo seu contato.
— Eu já saí com um ômega antes. Não estou me metendo nisso às cegas. Então, estou falando sério, que tal a gente…
— Eu tenho um filho.
Yeonwoo interrompeu Younghwan.
— Eu sei. Não me importo.
— Eu me importo.
— Não dá para namorar se você tem um filho? Você nem é casado.
— E eu não estou com uma perna boa. Também tenho dívidas. Tenho problemas por todo lado.
— …Isso me soa como um fora.
— Porque é um fora.
“……”
Ele vinha evitando as demonstrações de interesse de Younghwan, mas sentia a necessidade de traçar um limite adequado naquele ponto. Yeonwoo não tinha tempo para namorar agora. Ele já lutava o suficiente para cuidar de Seoyun e de si mesmo.
— E eu não gosto de caras mais novos… Desculpa.
— Como você sabe disso sem nem tentar?
Yeonwoo encarou Younghwan por um momento diante de suas palavras teimosas. Ele estava levemente bêbado, e sua aparência era bonita pelos padrões de qualquer um, mas era só isso.
Será que é porque não sinto nenhum feromônio? Ainda assim, quando o ciclo de cio se aproxima, eu deveria me sentir atraído por alguém adequado. Mesmo no casamento a que fui hoje, e mesmo para com o Younghwan, que se declarou para mim de forma tão direta, eu não senti nada.
Pensando bem, era estranho. O ciclo de cio sempre fora um incômodo para Yeonwoo. Um ciclo de cio que se inflamava rapidamente com apenas uma faísca, como um fusível, e engolia sua vida inteira. Mesmo que tomasse inibidores, eles rapidamente perdiam o efeito se houvesse oportunidade.
Eu acho que nunca estive tão indiferente antes… Seria por causa de a outra pessoa ter sido o Chahyun?
Um vinco fraco apareceu na testa de Yeonwoo quando uma suposição indesejada veio à mente.
Ele andava pensando demais nele hoje. Acho melhor parar por aqui.
— Vou indo primeiro. Até mais.
— Hyung.
— Chefe, a conta, por favor.
Yeonwoo levantou-se da mesa. Ele sentiu o olhar de Younghwan em suas costas, mas Yeonwoo não olhou para trás nem uma vez até terminar de pagar e sair do restaurante.
O ciclo de cio passou sem incidentes. O cotidiano de Yeonwoo seguiu como antes.
Ele abria a cafeteria cedo pela manhã, fechava cedo e passava o tempo com Seoyun à tarde. Recebia tratamento de reabilitação duas vezes por semana e ponderava sobre novos itens de menu sempre que tinha tempo.
Younghwan, sendo sociável, ainda vinha à cafeteria e comprava café como se nada tivesse acontecido. Yeonwoo o tratava normalmente porque era melhor do que ficar num clima esquisito.
“— Veio. O estudante que sempre vinha com você.”
“— …Ele veio aqui? Quando?”
“— Mais ou menos há uma semana. Ele estava sentado na mesa em que o estudante está sentado agora mesmo.”
Embora não houvesse nada de diferente em sua vida, Yeonwoo começou a pensar em Chahyun depois de visitar a churrascaria.
Antes, era apenas ocasionalmente, mas naqueles dias ele continuava remoendo aquilo na cabeça sempre que tinha chance. Era um fenômeno indesejado.
Se as memórias de Chahyun haviam retornado ou se ele tinha visitado a churrascaria. Mesmo que não estivesse mais relacionado a ele, ele não conseguia tirá-lo da cabeça.
Ele continuou vivendo com a mente meio ausente e, no fim, cometeu um grande erro.
— Eu estou enlouquecendo.
Ele havia pedido copos para viagem e suportes demais. Adicionara acidentalmente um zero a mais, e a cafeteria, que já era pequena, estava prestes a explodir. Não havia espaço na loja para guardar todos aqueles copos volumosos.
Ele pediu apressadamente à floricultura do outro lado da rua que ficasse com metade dos copos extras para viagem e começou o expediente.
Assim que Yeonwoo fechou a cafeteria à tarde, buscou Seoyun na creche e retornou ao estabelecimento. Carregou a criança nas costas e começou a organizar a bagagem de novo.
Como os copos tinham o logotipo da cafeteria e eram feitos de materiais ecológicos, eram caros, então era difícil doá-los ou jogá-los fora. No fim, ele não teve escolha a não ser revirar todos os armários e de alguma forma criar um novo espaço.
Conforme organizava a cafeteria, trocava a fralda de Seoyun, alimentava-o e depois voltava a trabalhar, o tempo voava. Quando deu por si, já estava escuro lá fora.
— Woong.
Seoyun, que estava sendo carregado nas costas de Yeonwoo havia horas, emitiu um som choroso quando sua paciência chegou ao limite.
— Me desculpe, Seoyun-ah. Já acabou tudo. Espere só mais um pouquinho. Tá bom?
Enquanto acalmava a criança, ele fechou a porta da cafeteria, e já passava das 20h. Ele deveria ir para casa hoje e fazer o resto cedo amanhã.
Sentindo pena de Seoyun, Yeonwoo prendeu o canguru na frente do corpo e ajeitou a criança. Seoyun sorriu abertamente quando ficou de frente para o papai.
— É, estamos indo para casa. O papai vai brincar com você quando chegarmos lá.
— Awoo.
Yeonwoo, que dava tapinhas nas costas de Seoyun enquanto caminhava pela rua, parou de repente.
“……”
…De novo. Aquela sensação de cócegas que faz seu estômago revirar outra vez. Yeonwoo levou um momento para recuperar o fôlego diante da sensação desconhecida que surgira após alguns dias.
O ciclo de cio já passou. Será que calculei a data errado? Não pode ser.
Yeonwoo hesitou por um momento, concluiu que não era por causa do ciclo de cio e começou a caminhar de novo. Havia muita gente na rua porque já era noite.
Ele tinha que ir ao ponto de ônibus para voltar para casa, mas os passos de Yeonwoo seguiam para outro lugar.
A churrascaria que estivera em sua mente o tempo todo. Eu não sei por que esse lugar continua vindo à minha mente. Antes que Yeonwoo pudesse formular um motivo adequado, seu corpo estava se movendo em direção a ela por vontade própria.
E quando chegou em frente à churrascaria que visitara dias antes, Yeonwoo avistou uma figura familiar na escada que levava ao segundo andar.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna