Toxic Affair (Novel) - Episódio 125
Capítulo 125── ⋆⋅☆⋅⋆
Ele encarou a porta como se quisesse abrir um buraco nela, e então abaixou a mão. Mudou de ideia e decidiu esperar pacientemente ali. Jurou voltar imediatamente se ouvisse sequer o menor som de Yeonwoo e Saebyeok lá de dentro.
Chahyun encostou-se na parede do corredor e matou o tempo.
O ar da noite estava frio. O ar gélido que cobria sua pele lembrou repentinamente a Chahyun de Yeonwoo, tremendo de frio em seus braços.
Como se as convulsões que haviam começado nas montanhas tivessem se tornado uma premonição, suas mãos tremiam incontrolavelmente sempre que pensava naquele dia.
Mesmo quando tentava afastar o pensamento, a imagem residual continuava piscando em sua mente. Era por isso que ele verificava compulsoriamente o bem-estar de Yeonwoo, embora soubesse que Yeonwoo odiava aquilo.
Chahyun massageou o pescoço por hábito, depois fechou o punho com força. Ele ficou parado ali por um longo tempo, repetindo a memória da qual não conseguia se livrar.
Mas, conforme a noite passou e o sol nasceu, nem um único choro de criança veio de dentro da porta.
Estava tão silencioso. Havia algo errado. Mesmo que tivessem adormecido com as luzes acesas, Saebyeok teria acordado pelo menos uma vez.
— Hong Yeonwoo. Sou eu. Abra a porta por um segundo.
No fim, Chahyun, vendo a luz do sol invadindo o exterior do prédio do officetel, não aguentou mais a situação e tocou a campainha.
— Você está aí dentro? Só me deixe ouvir sua voz. Eu não vou fazer nada.
Quando não houve resposta, ele bateu na porta, fazendo um som surdo.
— …Hong Yeonwoo? Hyung?
Mas, mesmo após alguns minutos, ainda não havia resposta. Ele tinha certeza de que as luzes estavam acesas quando olhara de fora.
Será que…
Chahyun agarrou a maçaneta apressadamente e a puxou para baixo. Clang, clang. A porta trancada não cedeu.
— Hong Yeonwoo! Você está aí dentro? Diga apenas uma palavra, e eu vou embora na mesma hora. Hã?
Saebyeok deveria ter acordado com todo aquele barulho. Ele não sabia por que não havia resposta.
Com o passar do tempo, a testa de Chahyun cobriu-se de suor frio, exausto pelas fantasias macabras e pela voz fraca de Yeonwoo que giravam em sua cabeça.
— Hyung. Você está só dormindo, certo? Por favor, só me deixe ouvir sua voz.
Mesmo que fosse uma praga. Ele agora agarrava a maçaneta e implorava.
— …10 segundos, vou entrar se não houver resposta em 10 segundos.
Ameaçou Chahyun, arfando. Em seguida, contou regressivamente de imediato.
Ele preferia ouvir um xingamento mandando-o sumir de uma vez. Ou até mesmo palavras duras dizendo que ele era nojento e detestável. Qualquer coisa, por favor.
Chahyun, que terminara de contar com a voz rouca, destrancou a porta com a mão gelada e a escancarou.
— Hong Yeonwoo!
Chahyun invadiu o quarto, mas seus passos pararam assim que entrou na sala de estar. Ele permaneceu ali estático, examinando o interior do officetel.
Estava vazio. Yeonwoo e Saebyeok não estavam em lugar nenhum.
— …Hyung?
Chahyun, recuperando os sentidos tardiamente, revistou minuciosamente a cama, o armário e o banheiro. A bagagem ainda estava lá, mas as duas pessoas que ele procurava desesperadamente não podiam ser encontradas.
Para onde eles foram a esta hora? Com todas as luzes acesas.
Preocupado com a possibilidade de alguém ter invadido o local, Chahyun examinou o quarto várias vezes, onde os feromônios de Yeonwoo estavam por toda parte. Mas não havia sinal de que alguém tivesse entrado à força.
Então, será que saíram por um instante? Se o fizeram, para onde? Ele não os havia visto sair, embora estivesse do lado de fora o tempo todo.
”……”
Chahyun, ponderando várias possibilidades, parou ao encontrar o berço do bebê. Ele naturalmente imaginou Saebyeok deitado ali, como vira no hospital. E Yeonwoo ao lado dele.
Mas era difícil imaginar o rosto de Yeonwoo em sua mente. Ele não conseguia adivinhar se estava chorando ou sorrindo ao olhar para Saebyeok ali.
”Então tudo o que você consegue fazer é colocar pessoas para me vigiar de novo? Só para se sentir confortável?”
”Eu já estou enlouquecendo…”
Não. Ele provavelmente estava chorando. Por causa dele.
Chahyun estendeu a mão com cuidado em direção ao berço do bebê. O lugar onde a criança estivera deitada já estava frio, mas parecia que ainda podia sentir a temperatura corporal.
— …É pequeno.
Era surpreendentemente pequeno para um lugar onde uma pessoa pudesse se deitar e dormir.
Somente então o cenário detalhado daquele lugar entrou no campo de visão de Chahyun.
O berço do bebê era mais baixo e com um acabamento mais rudimentar do que o que Chahyun e Yeonwoo haviam comprado juntos antes. Um recipiente de fórmula vazio, uma cozinha bagunçada, um boneco malfeito para Saebyeok. E até mesmo aquela casa.
Nada parecia melhor do que as coisas que eles haviam comprado uma a uma, dando a cada uma delas um motivo.
Aquilo não era o que ele queria. Ele nunca havia imaginado que Yeonwoo e Saebyeok viveriam em um officetel tão pequeno. É por isso que o espaço de vida deles, que ele via com os próprios olhos, parecia ainda mais estranho.
E não era outro senão o próprio Baek Chahyun quem havia dado a Yeonwoo e Saebyeok aquele lugar.
Chahyun pegou um lenço de bebê que havia caído na cama, examinou-o e depois o apertou com força. Quando o levou ao rosto, pôde sentir o cheiro de Yeonwoo e o cheiro doce exclusivo do bebê.
Mas o fraco odor que estava no lenço desapareceu rapidamente no momento em que veio parar em sua mão.
Talvez fosse hora de parar, pensou. Tudo no espaço em que estava pisando exortava Chahyun a ir embora. Não importava o quanto implorasse, só pioraria.
Chahyun colocou de volta em seu lugar o lenço que segurava. Sua expressão distorceu-se gradualmente. O interior de sua garganta estava quente. Como se contivesse chamas.
Ele não suportava olhar para os resultados que criara, espalhados tão nitidamente diante de seus olhos, e virou as costas.
Pelo menos ele não deveria ter posto os pés naquele lugar. Deveria ter esperado do lado de fora até o fim.
Chahyun moveu os pés pesadamente em direção à porta da frente, como se tivesse pesos presos às pernas. Ao agarrar a maçaneta para sair, ele fez uma promessa.
Apenas uma última vez. Ele precisava checar pela última vez para ver se Yeonwoo estava entrando com Saebyeok. E precisava soltar agora.
Yeonwoo ficaria enojado assim que visse seu rosto, mas se ele dissesse que nunca mais apareceria em sua frente ou ouviria sobre sua situação através de outras pessoas, talvez conseguisse suportá-lo pelo menos uma vez.
Mesmo em meio a tudo aquilo, ele estava tendo pensamentos tão egoístas enquanto estava prestes a sair pela porta da frente. Assim que abriu a porta, deu de cara com um homem que não conhecia.
— Quem é você?
Perguntou Chahyun com uma voz contida. Foi porque o estranho estava prestes a agarrar a maçaneta da casa de Yeonwoo por fora.
O homem levou um susto, depois virou a cabeça para conferir o número escrito na porta.
— Sou da empresa de mudanças.
— Empresa de mudanças?
— Sim. Eles entraram em contato conosco hoje para retirar a bagagem. O senhor é o dono desta casa?
— Quem fez isso?
— Sim?
— Quem pediu para você retirar a bagagem?
Diante da pergunta insistente de Chahyun, o homem o avaliou de cima a baixo com um olhar duvidoso.
— Bem, deve ter sido o dono desta casa. A pessoa que morava aqui entrou em contato conosco dizendo que precisava tirar toda a bagagem com urgência…
— Para onde você está levando a bagagem?
Chahyun franziu a testa e o interrompeu novamente de forma unilateral.
— Ah. Estritamente falando, não é uma mudança, mas um pedido de descarte. Mas quem é você? O senhor não parece ser o dono da casa.
— Descarte? O que você quer dizer… Então, para onde foi a pessoa que morava aqui?
— Eu não sei disso. Por favor, saia do caminho. Tenho que trabalhar.
Nesse momento, outro homem que parecia ser da mesma empresa entrou. O homem fuzilou Chahyun de forma estranha e deu um passo para dentro da casa.
— Tem certeza de que realmente não sabe? Vocês não estão no lugar errado?
Chahyun não se importou, aproximou-se do homem com quem estivera falando e o pressionou.
— Não, quem é você?
— Somos conhecidos. Eu não soube de nada sobre ele se mudar.
— Se ele quisesse te contar, teria contado. Por favor, saia da frente agora. É sério?
O homem virou as costas para Chahyun, incapaz de esconder sua irritação. O funcionário que acabara de entrar aproximou-se dele.
— Ei, quem é ele?
— Não sei. Ele parece ser um conhecimento da pessoa que morava aqui… Espera um minuto. Estas são todas as caixas que você trouxe?
— Sim. Precisa de mais?
— Haa, isso é uma pergunta? Vamos descer e pegar mais. Venha comigo.
— Sim.
— Ei, o senhor poderia se retirar enquanto vamos buscar as caixas?
O homem perguntou a Chahyun e deixou o officetel.
Chahyun ficou imóvel em frente à entrada, ouvindo as vozes que iam se apagando. Somente após encarar longamente as costas dos funcionários que se dirigiam para o final do corredor é que o olhar de Chahyun deslocou-se para o officetel de Yeonwoo.
Chahyun, que estivera encarando as grandes caixas de mudança espalhadas desordenadamente, voltou para dentro e começou a revistar cada canto do cômodo. Seus gestos estavam repletos de urgência.
Então, coisas que ele não havia notado antes vieram gradualmente à sua vista.
Os móveis ainda estavam lá, mas havia espaços vazios no armário, e pequenos itens, como lenços de bebê e meias, espalhados pelo chão.
Era como se tivessem feito as malas e partido às pressas, com itens variados espalhados por todo lado.
Será que eles realmente foram embora? Tão de repente?
— Mentira.
Chahyun negou a realidade diante de seus olhos, dizendo que aquilo não podia ser verdade. No fundo, estava convencido de que Yeonwoo não seria capaz de deixar aquele lugar facilmente. Havia motivos de sobra.
Ele não estava com boa saúde, tinha uma criança e não tinha outro lugar para ficar se não ali. Era por isso que pensava que, mesmo que não quisesse, Yeonwoo acabaria aceitando sua ajuda algum dia.
Mas como e para onde ele de repente partiu?
Assim que perdeu o paradeiro de Yeonwoo, seu estômago pareceu murchar num instante. Chahyun, que estivera parado ali estático por alguns segundos, recuperou os sentidos e pegou o celular apressadamente.
— Merda.
Ele estava tão desesperado que nem conseguiu colocar a mão no bolso direito e tateou várias vezes. Chahyun, que finalmente agarrou seu celular, buscou imediatamente em sua lista de chamadas para ligar para o secretário.
No entanto, mesmo ao ver o botão de chamada, ele não conseguiu mover a mão. Porque uma pergunta havia brotado em sua mente.
Qual é o próximo passo?
Se ele ligasse para o secretário e mandasse descobrir para onde Yeonwoo havia ido, e então Yeonwoo descobrisse esse fato, será que Yeonwoo partiria para outro lugar sem hesitar?
E mesmo que encontrasse Yeonwoo de novo, o resultado não seria diferente de agora.
Não importava o que fizesse, não importava o quanto implorasse para que o deixasse ajudar, Baek Chahyun já não era mais necessário para Yeonwoo.
⛧°. ⋆༺♱༻⋆. °⛧
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna