Toxic Affair (Novel) - Episódio 124
Capítulo 124── ⋆⋅☆⋅⋆
Chahyun soltou uma risada sem graça diante disso.
— Não é como se eu não soubesse que você estava obcecado nele de qualquer maneira. Até mesmo sua mãe concordou, então pare de ser teimoso.
Seus pais pareciam ter mudado de ideia depois de verem Chahyun ferido ao ir encontrar Yeonwoo. Eles o apaziguariam adequadamente e o colocariam de volta no salão de casamento.
Talvez seus pais pensassem que estavam tomando uma decisão muito grande. Desde que o casamento corresse bem, a família inteira estava disposta a fechar os olhos para um amante Ômega.
E se fosse o Chahyun de algumas semanas atrás, ele teria aceitado esta oferta sem hesitar. Sem nem sequer considerar a opinião de Yeonwoo.
Porque ele estava convencido de que aquilo era o melhor a se fazer. Para Yeonwoo, e para si mesmo.
Sem saber que tipo de consequências uma relação tão rasa traria.
— Certo, seu filho da puta. Você causou um grande acidente, então pare por aqui.
— Ah, oppa, fica quieto.
Mas para o Chahyun de agora, aquilo não soava como uma boa oferta de forma alguma. Apenas se contorcia como um verme e se cravava desagradavelmente em sua audição.
O resultado já era claro, e o preço que ele teve que pagar foi alto demais.
Embora um bom tempo já tivesse se passado desde o dia em que desceu da montanha, Chahyun ainda era atormentado pelas imagens residuais manchadas de sangue que se formavam vividamente em sua visão toda vez que piscava.
Desde aquele dia, ele não conseguia esquecer o rosto de Yeonwoo, que ficava cada vez mais frio. Nem por um único segundo.
“Eu, eu… acho que fui longe demais.”
“É por minha causa. Se o Saebyeok se machucar, é tudo… sob. Tudo por minha causa…”
As palavras de Yeonwoo, culpando a si mesmo mesmo naquela situação com uma voz que desaparecia como fumaça, tinham se tornado lâminas bem afiadas, esculpindo o interior de Chahyun todos os dias.
“O Saebyeok precisa… gasp, ser salvo, Chahyun-ah. …Tudo bem?”
“Ei, cumpra sua promessa.”
Várias vezes ao dia, Chahyun retornava àquele momento de impotência e era julgado.
Ele foi o primeiro a quebrar a promessa que fizera repetidamente, e não pôde nem mesmo proferir uma palavra para proteger Yeonwoo enquanto este perdia a consciência e entrava na sala de cirurgia.
— Mas ouvi dizer que ele teve um filho há pouco tempo? A Ha Hyun disse que não é seu filho…
— Tudo acabou entre mim e o Yeonwoo.
— O quê?
— Eu não me casar não tem nada a ver com o Yeonwoo. Então não há necessidade de trazer isso à tona. Tampouco é meu filho.
Chahyun respondeu cinicamente. Era algo que ele também dizia para si mesmo.
Saebyeok agora era filho de Yeonwoo. Não o nosso filho, mas o filho de Hong Yeonwoo.
Afinal, foi ele quem jogou a sinceridade de Yeonwoo no chão quando este lhe disse que o pai biológico de Saebyeok era Chahyun, de modo que ele não podia mais ter direito algum.
— Do que você está falando? Quanto tempo se passou desde que você cancelou o casamento por causa dele…?
— A propósito, sobre a família da Oh Yumin.
Chahyun esvaziou sua xícara de chá e interrompeu as palavras de seu pai.
— Eu me pergunto se vocês sabiam que eles tiveram muitos problemas recentemente? Ou vocês por acaso não sabiam?
Chahyun perguntou, olhando alternadamente para seu pai e sua mãe. Em seguida, recitou as informações que descobrira enquanto investigava separadamente Oh Yumin e o amante dela.
— A questão dos NPL e a taxa de tomadores de risco elevado estão anormalmente altas. Se isso continuar, o índice BIS vai cair, e problemas de liquidez são uma conclusão quase certa.
— E daí se cair? Assim que vocês dois se casarem e se fundirem, não haverá nada para transformar em problema. Você achou que nós prosseguiríamos com o seu casamento sem saber disso?
Seu pai disse indiferente, como se já soubesse.
De fato, suas palavras estavam corretas. Era um assunto trivial que passaria sem grandes problemas assim que se casassem. Por isso Chahyun nem se deu ao trabalho de trazer isso à tona quando viu esses dados pela primeira vez.
Mas agora que mudara de ideia sobre se casar, não havia mais motivo algum para fechar os olhos.
— Bem, teria sido ótimo porque o senhor usaria o risco como desculpa para tomar gradualmente as ações deles e administrar como bem entendesse, pai.
— Então, essa é a única desculpa que você conseguiu arranjar para não querer se casar?
Seu pai estalou a língua como se ele fosse patético.
— Não sei por que tenho que me associar com eles quando a Oh Yumin e o namorado dela estão se divertindo por aí sem saber o lugar deles.
— Você não precisa se preocupar com isso. Mesmo que você descubra algumas circunstâncias complicadas agora, nada vai mudar.
Chahyun bateu na mesa com o rosto indiferente e inclinou a cabeça.
Ele realmente tinha que convencê-los? De repente achou essa discussão tediosa.
— O senhor acha que nada vai mudar mesmo se virar manchete de jornal?
Os rostos de seus pais se contorceram com a menção das notícias. Seu pai fuzilou Chahyun com olhos afiados.
— Você, onde aprendeu um absurdo desses…?
— Mas será que a Oh Yumin ainda assim não vai cancelar? Então que tal isto? O filho caçula da Hui Seong, que tem histórico de tratamento psiquiátrico devido a um trauma de infância.
Esta tem mais apelo para manchete. Chahyun acrescentou como se falasse para si mesmo. Então seu pai não aguentou e se levantou da cadeira.
— Cale a boca!
Smack, a cabeça de Chahyun virou com o som de carne atingindo carne. Sua mãe, surpresa com o tapa de seu pai, cobriu a boca com a mão e congelou.
— …Querido!
Chahyun passou a língua pela boca ao sentir o leve gosto de sangue nos lábios. Quando limpou os lábios com a mão para checar, a pele estava rasgada, como esperado.
Conforme a imagem de Yeonwoo, que esteve pairando diante de seus olhos, desapareceu junto com a sensação de sua visão se inverter por um momento ao levar o tapa, ele sorriu sem perceber.
Ele até sentiu uma sensação de libertação diante da intensa estimulação. Por causa disso, não se sentiu mal. Não, estava mais para o lado bom.
Logo, os olhos de Chahyun examinaram os rostos de seus familiares congelados, um por um. Naquele quarto silencioso, Chahyun era o único com uma expressão oposta à deles.
Ele pensou que talvez estivesse louco. Talvez sua família, observando-o sorrir genuinamente, pensasse o mesmo.
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Ele esteve longe de seu lugar por tempo demais participando do jantar em família. Assim que Chahyun saiu do restaurante coreano, dirigiu-se direto para o officetel onde Yeonwoo morava.
Yeonwoo lhe disse para não aparecer mais, mas ele sentia que morreria se não o visse. Se não pudesse confirmar com seus próprios olhos que ele estava a salvo, sentia que sufocaria a cada momento.
Ele sabia que era seu egoísmo. As emoções que os dois tinham compartilhado antes não existiam mais em lugar nenhum deste mundo.
Os sentimentos afetuosos e calorosos tinham todos evaporados, e Yeonwoo agora era atormentado por sua própria existência. Sabendo disso, Chahyun não conseguiu abandonar sua presunção, no fim das contas. Apenas para salvar a si mesmo.
Chahyun rangeu os dentes diante do leve cheiro acre de sangue em sua boca. A dor e aquele cheiro rançoso, que lhe tinham dado uma sensação de libertação momentos atrás, agora tinham redespertado o medo inerente.
O cheiro pungente que sentira nas montanhas, e o sangue que encharcara o corpo de Yeonwoo. O corpo endurecendo que ele segurara na ponta dos dedos.
Tudo aquilo renasceu e arrastou Chahyun para um medo extremo.
Mas aquilo era apenas uma ilusão. Yeonwoo, coberto de sangue e morrendo, não estava mais lá. Ele não tinha confirmado isso com seus próprios olhos várias vezes?
Ele não tinha certeza disso, então ouviu repetidamente através dos olhos e ouvidos de muitas pessoas. Então ele não precisava mais ficar ansioso.
Chahyun repetiu isso, mas eventualmente chegou de volta em frente ao officetel de Yeonwoo.
Desta vez, estacionou seu carro ao lado do prédio para não ser visto de cima. Ele saiu do assento do motorista como se estivesse pulando para fora, e imediatamente olhou para cima em direção ao prédio.
Assim que confirmou que as luzes estavam acesas no quarto onde Yeonwoo estava hospedado, a respiração apertada finalmente aliviou.
— Uff.
Ele tentou por hábito coçar o pescoço, mas depois tirou um cigarro do bolso e o colocou na boca. Acendeu-o com uma mão trêmula, tragou profundamente no filtro e deu uma respiração funda. Então o fervor dentro de si gradualmente se acalmou.
Ele permaneceu imóvel no mesmo lugar por várias horas, nunca tirando os olhos da luz que escorria da janela do officetel de Yeonwoo.
Até que as luzes se apagassem. Ele só ficaria até lá.
Chahyun esperou que o dia de Yeonwoo terminasse em segurança até o sol se pôr e ficar tarde da noite.
Mas hoje, as luzes brilhantemente acesas não deram sinal de se apagar. As luzes, que geralmente desapareciam às 22h, ainda estavam brilhantemente acesas perto da meia-noite.
Será que algo estava errado?
A partir daí, Chahyun sentiu a ansiedade que estava apertando seu pescoço novamente e jogou o cabelo para trás.
Ele se encostou no carro, cruzou os braços e esperou ansiosamente por mais uma hora. Mesmo depois da 1h da manhã, as luzes ainda estavam brilhando.
Atormentado pela ilusão precária de Yeonwoo coberto de sangue, Chahyun não aguentou mais e deu passos para dentro do officetel.
Ele conseguiria encontrar o lugar onde Yeonwoo e Saebyeok moravam mesmo de olhos fechados. Chahyun, que estava parado em frente à porta em um instante, hesitou antes de estender a mão.
“Não te disse para não aparecer de novo? Não interfira em nada e vamos viver como se não existíssemos neste mundo!”
A voz de Yeonwoo, que tremia, segurou seu braço, que estava prestes a apertar a campainha com urgência.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna