Toxic Affair (Novel) - Episódio 123
Capítulo 123── ⋆⋅☆⋅⋆
Um breve silêncio se seguiu às palavras do síndico, que parecia expressar seu espanto. Após alguns segundos, Yeonwoo perguntou:
— Então, aquelas casas estão todas vazias agora?
— Bem, sim. Ouvi do presidente da imobiliária aqui da frente que alguém queria comprar o prédio inteiro.
“……”
— Mas algumas pessoas não queriam vender, e porque eles estavam pedindo com tanta urgência, espalharam-se boatos de que era um golpe. Não sei o quanto pressionaram, mas ouvi dizer que se acertaram em quatro quartos.
O síndico se reclinou na cadeira e suspirou.
— Não sei o que estão pensando. Há tantos golpes imobiliários hoje em dia. Se uma conversa fica longa demais, você deve sempre filtrar.
— Entendo…
Yeonwoo assentiu devagar, um compasso atrasado. Em seguida, disse que tinha algo urgente para fazer e encerrou a conversa rapidamente.
O síndico disse mais algumas palavras depois disso, mas Yeonwoo ouviu apenas pela metade, como se tivesse perdido a alma, e então voltou para casa.
Assim que Yeonwoo fechou a porta da frente, ele trancou cuidadosamente a trava de segurança. Então, checou compulsivamente se todas as janelas da casa estavam devidamente fechadas e abaixou as persianas.
Ainda assim, não conseguia espantar sua ansiedade. Seu coração estava batendo tão rápido que ele se sentia tonto.
Poderia o que o síndico disse ser verdade? Ninguém disse nada mesmo com Seoyun chorando tanto a noite toda.
Baek Chahyun era a única pessoa que vinha à mente que iria querer comprar o prédio inteiro nesse momento. Ao mesmo tempo, ele se sentiu enojado.
O quanto ele precisava controlar a ele e a Seoyun para ficar satisfeito? O que estava planejando fazer de novo?
— Haa, ha…
Yeonwoo esfregou o rosto com violência e abaixou a cabeça. Então, ouviu Seoyun resmungar atrás dele.
Ele se virou cuidadosamente para segurar a criança, perguntando-se se ela havia acordado, mas felizmente ela ainda estava dormindo, talvez tendo apenas um breve momento de agitação.
Porque quase não dormiram na noite passada, Seoyun ficou quieto o dia todo hoje. Yeonwoo acariciou suavemente suas bochechas brancas e gordinhas com as costas da mão e depois reajustou a criança em seus braços.
Seus olhos estavam ligeiramente inchados, e o jeito que ele respirava parecia cansado, o que o fez sentir pena dele.
Depois de pesquisar na internet na noite passada, descobriu que era comum bebês ficarem agitados a menos que tivessem febre… Ele não tinha experiência cuidando de uma criança, então não tinha ideia de como acalmá-lo sempre que ele chorava sem motivo.
Depois de checar Seoyun várias vezes, Yeonwoo finalmente se sentou no sofá e se encolheu. Seu corpo estava cansado, mas sua mente estava mais afiada e clara do que nunca.
Mesmo nessa situação, sentia-se frustrado porque não havia nada que pudesse fazer. E se sentia impotente.
Ele ficou sentado sem pensar em nada, nem dormindo nem totalmente acordado, até o cair da tarde.
Ele dava fórmula a Seoyun ou trocava sua fralda sempre que ele chorava, mas fora isso, ficava largado como uma boneca sem bateria, sem fazer nada.
Ele podia ver o exterior escurecendo além das persianas. Ele teria que ir ao supermercado em breve para comprar mais fórmula, mas não se atrevia a sair por causa de sua ansiedade. Sentia que se desse um único passo para fora, Chahyun aproveitaria a oportunidade quando ele estivesse desprevenido e tomaria Seoyun.
Yeonwoo esfregou seus olhos fundos e deitou a criança na cama antes de caminhar até a janela.
Ele abaixou ligeiramente as persianas para olhar para a entrada do officetel para observar os arredores, e viu um carro preto estacionado em frente ao prédio. Uma figura estava encostada no carro, e um cigarro queimava em tom vermelho. Os olhos de Yeonwoo se arregalaram.
Tudo era familiar. O carro, a figura, a luz.
Há quanto tempo ele estava ali? Por quê, e para quê?
— …Por que você está fazendo isso comigo?
Yeonwoo murmurou para si mesmo baixinho e finalmente se virou bruscamente. Sentiu nojo da raiva que sentia pelo homem que estava tentando deixar sua marca em sua vida de qualquer maneira.
Ele pegou o telefone e ligou para um número que nunca conseguiria esquecer.
Enquanto ouvia o tom de chamada, Yeonwoo se aproximou da janela novamente. Ele podia ver a figura lá embaixo checando o telefone, mas ele não atendeu a ligação.
“……”
Logo, o tom de chamada que vinha tocando há um tempo parou. Ele não havia atendido a ligação.
Yeonwoo apertou o botão de ligar novamente com raiva. Desta vez, a outra pessoa atendeu o telefone após pouco tempo.
— O que você é? Você é um perseguidor?
Ele falou rispidamente ao viva-voz, de forma abrupta e agressiva.
— Do que você está falando?
A voz seca e descarada fluiu para o ouvido de Yeonwoo, e seu estômago revirou.
— Não finja que não sabe. Por que você está vigiando as pessoas na frente da casa delas?
Yeonwoo rosnou ameaçadoramente, com os dentes trincados.
— Por que você está fazendo isso, Baek Chahyun?
— …Eu só queria ver se você estava bem.
— Você está realmente curioso? Você já sabe de tudo. Aquela mulher que você mandou deve ter te contado tudo.
As palavras de Yeonwoo foram acelerando gradualmente.
— Foi você quem fez as pessoas do lado, de cima e de baixo se mudarem, não foi?
Sua respiração se tornou cada vez mais trabalhosa. Ao mesmo tempo, seus olhos esquentaram de medo.
— Por que você está fazendo isso? Você tem que controlar e enganar as pessoas como bem entende para ficar satisfeito? Você ainda não sabe o que quase aconteceu com Saebyeok por sua causa? Você ainda está fazendo isso?
Chahyun, que vinha ouvindo as palavras de Yeonwoo em silêncio, deu uma desculpa tardiamente.
— Eu não estou tentando te enganar… Eu só. Eu só queria que você e Saebyeok fossem felizes…
— Se você quer que a gente seja feliz! Então não apareça nunca mais! Não interfira em nada, e vamos viver como se não existíssemos no mesmo mundo!
Yeonwoo não conseguiu se segurar e gritou.
— Isso é tão difícil de entender?
Por um momento, nenhum som pôde ser ouvido do outro lado do viva-voz. Somente após muito tempo Chahyun proferiu uma voz que soava como se tivesse sido espremida.
— Então o que eu devo fazer quando fico tão preocupado? Eu sinto que vou enlouquecer se não fizer isso… O que você quer que eu faça aqui?
— Então, o que você está fazendo é mandar pessoas me vigiarem de novo? Para o seu próprio conforto?
— Isso mesmo.
Desta vez, uma resposta direta veio de volta. Yeonwoo ficou tão surpreso que ficou momentaneamente sem fala. Sentia sua razão voando para longe a ponto de dar um soco na cara de Chahyun se ele estivesse à sua frente.
— Eu não queria que você me visse, então queria te ajudar de outra forma. Eu disse que não apareceria na sua frente. Sei que sou descarado, mas apenas finja que eu não estou aqui.
Naquele momento, Seoyun acordou, assustado com a voz de Yeonwoo, e começou a chorar. Yeonwoo, que havia fechado os punhos com força e estava tremendo, estremeceu.
— Apenas me deixe te ajudar sem aparecer na sua frente, como se eu não existisse.
A casa foi instantaneamente preenchida pelo som do choro da criança.
— Eu já estou passando por um momento tão difícil…
Yeonwoo olhou para onde Seoyun estava deitado e tardiamente abaixou a voz, murmurando como se estivesse exausto. Ele mal tinha dormido cuidando da criança sozinho, e sua cabeça estava nebulosa.
— Eu tentei não fazer nada também. Mas não consigo. Não importa o quanto eu tente… Eu ainda vejo você desmoronando toda vez que fecho os olhos, e sinto que vou enlouquecer.
A voz vinda do outro lado do receptor zumbia em sua cabeça. Yeonwoo piscou devagar. Junto com uma sensação de impotência que o fazia sentir que ia desmaiar, as palavras de Chahyun gradualmente se tornaram difíceis de entender.
— Você odeia até mesmo receber ajuda? É realmente impossível?
Ele não ouviu as palavras de Chahyun até o fim e encerrou a ligação unilateralmente. Só então o choro de Seoyun penetrou em seus ouvidos com mais clareza.
— Me desculpe, Seoyun-ah. Você ficou muito assustado?
Yeonwoo se virou, pegou Seoyun e acalmou a criança com uma voz contida. Ele se arrependeu de ter ligado para Chahyun à toa.
*********
Quando Chahyun entrou no restaurante, a funcionária o guiou para dentro como se estivesse esperando por ele. O tapete grosso no chão engoliu silenciosamente o som de seus passos.
Somente após passar por vários quartos alinhados em ambos os lados do longo corredor a funcionária parou.
— Apenas…
— Está tudo bem, pode ir agora.
Antes que a funcionária pudesse dizer qualquer coisa, Chahyun passou por ela e abriu a porta de correr. Então, os olhos da família que estava jantando se voltaram todos para Chahyun, que estava parado na entrada.
— Você está atrasado. Eu te disse para vir cedo.
Sua mãe o repreendeu com um tom descontente. Chahyun passou por seu hyung e sua noona e se sentou no assento vazio.
— O trânsito estava ruim.
Mesmo com a mentira óbvia, seu pai apenas suspirou e não disse mais nada.
— Como está sua saúde?
Baek Woohyun, o hyung de Chahyun e o mais velho dos três irmãos, perguntou casualmente.
— Mais ou menos.
— É um alívio.
— Nós estávamos falando de você, Chahyun-ah.
Seu pai foi direto ao ponto imediatamente. Chahyun bebeu o chá em sua xícara como se não tivesse ouvido nada. No entanto, essa era toda a margem que tinha para se fazer de desentendido.
— Nós decidimos remarcar a data do casamento.
Assim que o casamento foi mencionado, a testa de Chahyun se franziu como se ele nunca tivesse estado calmo.
— Eu não quero.
— Nós já terminamos de conversar com a família de Yu-min.
— Eu disse que não quero.
Chahyun disse firmemente de novo. No entanto, o rosto de seu pai estava inexpressivo.
— Nós abafamos isso como um problema de acidente de trânsito, então entre no jogo.
— Faça o que quiser com a remarcação da cerimônia. Eu não vou de qualquer jeito.
— Baek Chahyun.
Seu pai chamou o nome de Chahyun. Ele encarou seu filho caçula, que estava sentado torto na cadeira e batendo na xícara de chá.
Então, ele deu uma respiração lenta e profunda antes de abrir a boca novamente.
— Sobre aquele garoto Hong Yeonwoo.
Assim que o nome de Yeonwoo saiu da boca de seu pai, a mão de Chahyun, que estava levando a xícara de chá à boca, parou no ar.
— Se você gosta tanto dele, pode se encontrar com ele o quanto quiser depois que se casar. Eu não vou tentar separar vocês.
“……”
— Eu prometo.
Seu pai falou em um tom persuasivo, como se estivesse dando um pedaço de doce ao seu filho caçula.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna