Toxic Affair (Novel) - Episódio 119
Capítulo 119 ── ⋆⋅☆⋅⋆
Yeonwoo foi atingido por um choque como se tivesse levado uma pancada na nuca.
Ele estivera tão focado no fato de que Saebyeok nascera em segurança que havia se esquecido completamente da conversa que tivera com a enfermeira sobre o registro de nascimento dias antes. Mesmo não havendo nada mais importante para ele do que aquilo naquele momento.
Assim que recuperara a consciência, a primeira coisa que deveria ter feito era registrar o nascimento.
Será que Chahyun também sabia? Que ele ainda não havia registrado o nascimento de Saebyeok.
Ele dissera que queria consertar o que havia feito, mas talvez tivesse aparecido com outra intenção. Como tentar obter a guarda enquanto ele estava desprevenido…
Será que aquilo era pessimismo demais? Mas Chahyun tinha um histórico de enganá-lo sem pestanejar. Várias vezes, na verdade.
Se ele decidisse levar Saebyeok embora, não havia nada que não pudesse fazer.
Assim que esse pensamento cruzou sua mente, Yeonwoo sentiu-se mais ansioso do que nunca. Estava tão inquieto, como se fosse perder para sempre a criança que dormia além do vidro.
— Hum… Eu preciso voltar pro meu quarto.
Yeonwoo tateou o vidro e virou-se.
— O senhor gostaria? Por favor, sente-se devagar aqui.
A cuidadora trouxe uma cadeira de rodas por trás de Yeonwoo. Conforme seguiu as instruções dela e sentou-se devagar, Yeonwoo falou como se de repente tivesse se lembrado de algo.
— Hum, a propósito. E se eu quiser sair?
— Se quiser ir para fora do hospital, o senhor precisa passar por uma avaliação com o médico e conseguir autorização.
— Mesmo que eu vá sair só por um instante e volte logo?
— Claro. Isso ainda conta como sair.
— Entendo…
Yeonwoo engoliu em seco e ponderou.
Ele ouvira dizer que o registro de nascimento podia ser feito online, mas seria impossível com o celular que trouxera da vila. Como não estava em seu nome, ficava difícil registrar o nascimento de imediato.
Nesse caso, teria que ir pessoalmente à subprefeitura, mas o horário era desfavorável. Se seguisse o procedimento a partir dali, obtivesse a autorização do médico e seguisse para lá, chegaria após as 18h. Também era incerto se sequer permitiriam sua saída.
Por outro lado, se saísse imediatamente sem autorização, conseguiria chegar antes de o local fechar.
Deveria esperar até o dia seguinte ou deveria escapar sem permissão?
A resposta era simples. Ele precisava resolver aquilo o mais rápido possível.
Yeonwoo decidiu fazer o registro de nascimento silenciosamente por conta própria, sem avisar ninguém.
O principal motivo pelo qual fugira para o Templo da Nuvem Carmim para evitar Chahyun em primeiro lugar era conseguir registrar Saebyeok em segurança em seu próprio nome e obter a guarda. Temia que, se contasse a alguém, aquilo chegasse aos ouvidos de Chahyun e ele adulterasse os documentos.
Isso não deveria acontecer, mas só de imaginar Saebyeok sendo registrado no nome de Chahyun, sentia uma sensação horrível, como se seu coração despencasse até a sola dos pés.
— Enfermeira.
Yeonwoo abriu a boca para informar a cuidadora sobre sua saída assim que chegou ao quarto do hospital.
— Sim?
Contudo, arrependeu-se de imediato. Talvez ela também fosse alguém ligada a Chahyun.
Sentia-se patético só por pensar em confiar em outra pessoa depois de ter sido enganado daquela forma na vila.
— Hum… Desculpe, mas a senhorita poderia me trazer uma bebida isotônica na máquina de vendas lá fora? Senti sede de repente. Aqui está o dinheiro.
Yeonwoo tirou uma nota da carteira e entregou à cuidadora.
A distância do quarto VIP até a máquina de vendas levava cerca de um minuto. Se levasse três minutos para ir e voltar, incluindo o tempo de pegar a bebida, ele conseguiria escapar nesse meio-tempo.
— O senhor não precisa pedir desculpas. Já volto. Por favor, espere um momento.
— Obrigado. Ah, compre uma para você também.
— Sim, vou comprar.
A pedido de Yeonwoo, a cuidadora deixou o quarto sem nenhuma suspeita.
Após confirmar que estava sozinho no recinto, Yeonwoo removeu imediatamente a agulha do soro do braço. Depois, pegou a carteira, o documento de identidade e o dinheiro.
Não havia tempo para trocar de roupa, então vestiu uma jaqueta por cima das vestes que usava. Por sorte, havia uma jaqueta que a mãe deixara no armário. Tinha um tamanho generoso e serviu perfeitamente em Yeonwoo.
Apoiando-se nas muletas, Yeonwoo saiu para o corredor e olhou ao redor. A cuidadora não estava à vista e, por sorte, a enfermeira encontrava-se do lado oposto do corredor. Ele virou-se discretamente antes que ela pudesse notá-lo.
Misturou-se naturalmente com as outras pessoas e pegou a escada rolante para descer. Achou ótimo ter pesquisado detalhadamente os documentos necessários quando estava hospedado no Templo da Nuvem Carmim, já que precisava da certidão de nascimento original emitida pela administração do primeiro andar para fazer o registro na subprefeitura.
Yeonwoo falou com o atendente do balcão, pensando que fizera muito bem em pesquisar com antecedência os documentos exigidos enquanto estava no Templo da Nuvem Carmim.
— Olá. Gostaria de retirar uma certidão de nascimento.
— Qual é o seu nome?
Após alguns procedimentos, Yeonwoo confirmou sua identidade e recebeu a certidão de nascimento de Saebyeok. Era possível emiti-la sem o nome do bebê.
De posse dos documentos, deixou o hospital como estava e dirigiu-se à avenida principal. Estava impaciente por andar devagar com as muletas, mas, por sorte, havia muitos carros ao redor e ele conseguiu pegar um táxi rapidamente.
Assim que informou o destino, o carro partiu de imediato. A caminho da subprefeitura após deixar o hospital em segurança, Yeonwoo conferia ansioso o relógio digital no painel do carro.
A ansiedade não diminuía facilmente. Isso porque as piores possibilidades — aquelas que nem sequer havia cogitado até então — irrompiam todas de uma vez como ondas.
Pensando bem, tudo era suspeito. Por que Sang-gyun lhe designara um quarto VIP? E por que se oferecera para examinar as costas de sua mãe? Até mesmo visitá-lo pessoalmente para dar a notícia sobre Chahyun, de quem ele nem queria ouvir falar, parecia suspeito.
Olhando para trás, a visita de Chahyun também era perturbadora. Tanto Chahyun quanto Sang-gyun pareciam ter intenções de desviar sua atenção para outro lugar. Para tirar Saebyeok dele…
Isso não podia acontecer. Yeonwoo moveu os lábios inconscientemente e murmurou. Se perdesse Saebyeok ali, ele realmente…
— Chegamos.
Yeonwoo, sobressaltado pelas palavras do taxista, despertou de seus pensamentos sombrios.
Recuperando os sentidos, pagou a corrida e entrou na subprefeitura. Chegara um pouco antes do esperado. Faltavam cerca de 20 minutos para o fechamento.
Yeonwoo dirigiu-se ao local onde ficavam os formulários e pegou o requerimento de registro de nascimento. Ficou contente por ter decidido os nomes candidatos para Saebyeok com antecedência.
Após ler as instruções com atenção, preencheu rapidamente os campos em branco e dirigiu-se ao guichê.
— Gostaria de fazer um registro de nascimento.
— Por favor, entregue aqui.
O funcionário começou a digitar no computador os documentos e o documento de identidade que Yeonwoo lhe entregara com uma expressão entediada. Yeonwoo aguardava ansioso diante dele, mordendo o lábio inferior.
Após alguns instantes, o atendente devolveu o documento de identidade de Yeonwoo.
— Hum, já está tudo pronto?
— Sim.
— Não há nenhum problema, certo?
— Não.
— Então a criança já está registrada no meu nome, correto?
— Isso não é refletido em tempo real no sistema do tribunal. Está registrado por enquanto, e pode levar até sete dias para ser totalmente processado.
— Ah, entendi.
— Se houver algum problema, o senhor receberá uma mensagem de texto ou uma ligação. Este é um presente que oferecemos após a conclusão do registro de nascimento.
— …Obrigado.
O funcionário, que explicava tudo mecanicamente, entregou uma bolsa ecológica cheia de produtos para bebês. Yeonwoo, que a pegou sem perceber, curvou a cabeça em sinal de despedida.
No fim das contas, ele não saberia naquele dia se Saebyeok estava devidamente registrado em seu nome.
Mas pelo menos fizera o que podia. Agora restava apenas esperar.
Yeonwoo pegou um táxi de volta ao hospital. Preocupava-se com a possibilidade de a enfermeira ou a cuidadora estarem à sua procura por ter saído sem avisar, mas, para sua sorte, o corredor e o quarto estavam silenciosos.
Contudo, o travesseiro que estava sobre a cama quando saíra agora jazia no chão.
— Por que isso…
Yeonwoo inclinou-se com cuidado e apanhou o travesseiro.
Nesse exato instante, passos apressados ecoaram do lado de fora da porta. Aproximaram-se rapidamente do quarto antes que Yeonwoo pudesse entender o que estava acontecendo e pararam em frente à entrada num piscar de olhos.
— Ainda não há notícias do Yeonwoo? Precisamos descobrir para onde ele foi…!
Com uma voz esbaforida e familiar, a porta do quarto abriu-se com violência, e Chahyun invadiu o interior.
O olhar de Chahyun, que entrara sem bater ou pedir licença, recaiu sobre Yeonwoo, que estava estático no meio do recinto. Então, seus olhos arregalaram-se como se tivesse visto um fantasma.
— …O que você está fazendo aqui?
Perguntou Yeonwoo com uma expressão de confusão e desconfiança.
— Você… onde esteve esse tempo todo…?
Chahyun congelou com o telefone encostado na orelha.
Yeonwoo, que avaliava Chahyun de cima a baixo, descobriu que o celular dele estava na outra mão.
Por que o Baek Chahyun está com aquilo? A expressão de Yeonwoo contorceu-se ferozmente.
Pensando bem, percebeu tardiamente que saíra com tanta pressa que nem sequer levara o próprio telefone.
— Por que você está com isso? Devolve.
Assim que Yeonwoo estendeu a mão para arrancar o que Chahyun segurava, este levou um susto e puxou o braço de volta por reflexo. Como resultado, o celular caiu no chão.
— Humpf.
Yeonwoo encarou o telefone estirado no chão como se estivesse estupefato. Depois, abaixou-se contrariado. Mas Chahyun, movendo-se mais rápido do que ele, apanhou o aparelho e o estendeu a Yeonwoo.
— Quem mandou você pegar isso para mim? Por que você está aqui?
— Você não estava no quarto, então eu estava tentando descobrir para onde tinha ido…
— E daí se eu desaparecer! O que te importa!
Num instante, a raiva subiu até o topo de sua cabeça; Yeonwoo empurrou Chahyun e gritou. A ansiedade e a inquietação sentidas instantes antes também pareceram transformar-se em uma torrente e desabar de uma só vez.
Ele não sabia por que não conseguia controlar a ira ao ver Chahyun. Ao deparar-se com aquela fisionomia bem à sua frente, era incapaz de conter as emoções que irrompiam.
— Por que você está com o meu celular? Não basta ter levado ele da última vez?
Ele dissera claramente que não queria esbarrar nele, mas Chahyun violava a promessa descaradamente de novo. Quantos dias haviam se passado desde o compromisso assumido?
— Que direito você tem de entrar aqui sem permissão? Por que pega o meu celular sem a minha autorização? O que mais você está tentando me tirar…!?
Queria perguntar o que mais ele tentaria tomar se já não lhe restara nada. Queria encurralá-lo e espancá-lo.
Contudo, talvez por ter gritado demais, sua visão de repente girou e ele sentiu tontura.
Yeonwoo respirou fundo rapidamente e, cambaleando, acabou se sentando.
— Hong Yeonwoo!
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna