Toxic Affair (Novel) - Episódio 116
Capítulo 116 ── ⋆⋅☆⋅⋆
— Mãe?
— Yeonwoo!
A mãe de Yeonwoo, que estava cochilando em uma cadeira, acordou sobressaltada.
— Como está o seu corpo? Está doendo alguma coisa?
A mãe agarrou o braço de Yeonwoo e inclinou-se. Seus olhos avermelharam-se ao ver o rosto do filho depois de vários dias.
— Estou bem. Mas como a senhora soube… como chegou aqui?
— O médico entrou em contato comigo.
A mãe fitou atentamente o rosto machucado de Yeonwoo, incapaz de esconder sua angústia enquanto as lágrimas corriam por suas bochechas.
— Eu só tinha saído um pouco durante o dia, e você acordou bem nesse meio-tempo.
— Ah, é.
— A mãe ficou aqui o tempo todo…
A mãe acariciou cuidadosamente a bochecha de Yeonwoo. Yeonwoo fechou os olhos devagar com o calor que sentiu em seu rosto. E, quando olhou para a mãe novamente, seu peito apertou-se.
— O que diabos aconteceu? Você tem noção de quão chocada eu fiquei quando recebi a ligação pela primeira vez?
— Isso… teve motivos.
Yeonwoo hesitou, incapaz de explicar.
— Não bastava você estar ferido, mas de repente você me aparece com uma criança! O Chahyun não para de dizer que a culpa é toda dele. Você me envelheceu dez anos em poucos dias.
— Pois é, eu ia te contar com antecedência, mas a situação não era favorável.
— Eu nem consegui falar com você esse tempo todo. Juro por Deus, por sua causa…!
A respiração da mãe tornou-se gradualmente áspera. Toc, toc. Ouviu-se uma batida, e a porta do quarto do hospital abriu-se.
— Posso entrar um momento?
— Ah, sim. Claro.
Ao ver a enfermeira segurando uma bandeja, a mãe enxugou as lágrimas e pigarreou. Yeonwoo também abaixou a cabeça para esconder suas emoções avassaladoras.
Os movimentos da enfermeira foram eficientes enquanto ela trocava o soro e administrava a injeção. Após terminar suas tarefas rapidamente, a enfermeira retirou-se, e os dois ficaram sozinhos no quarto de novo.
Só então a mãe, que mantinha a boca firmemente fechada, soltou um longo suspiro. Em seguida, continuou com um tom mais calmo do que antes.
A mãe contou que deduzira vagamente que algo estava errado porque Yeonwoo estivera inacessível por vários meses e, mesmo quando conversavam, ele parecia querer evitar o assunto. Sendo assim, confessou que já estava meio preparada.
— Mas eu nunca pensei que você fosse causar um acidente tão grande…
— Me desculpe por não ter contado antes. Não foi minha intenção, e sinto muito por ter feito a senhora se preocupar.
Yeonwoo, que achava que a mãe não sabia de nada, sentiu-se culpado por tê-la feito sofrer sozinha todo esse tempo.
— Não posso te contar tudo em detalhes agora, mas eu também não sei o que fazer…
— Responda apenas uma coisa, Yeonwoo.
“……”
Yeonwoo engoliu em seco enquanto a mãe interrompia e abaixava a voz.
— O que você vai fazer com a criança? O pai deve estar por perto.
A mãe parecia já adivinhar quem era o pai biológico de Saebyeok, mas não pronunciou o nome dele levianamente.
Yeonwoo desviou o olhar, fingindo não saber o que ela estava pensando.
— O pai do Saebyeok não está por perto. Vou criá-lo sozinho.
— O que eu vou fazer com essa situação?
A mãe suspirou, tocando a própria testa. Yeonwoo já conhecia a compaixão e a tristeza que ela sentia.
A mãe, que sabia melhor do que ninguém que tipo de coisas ele ouvira ao crescer como um filho ilegítimo, talvez não aceitasse aquela decisão facilmente. Contudo, Yeonwoo achava que não havia outro jeito.
— Me desculpe, mãe.
“……”
A mãe não respondeu por um bom tempo.
Ele achou que ela pelo menos bateria boca, mas, surpreendentemente, ela estava calma. Depois de um tempo, a mãe assentiu lentamente.
— Eu entendo. Se é isso o que você quer, então que seja assim.
Em seguida, ela mudou de assunto. Ele achou estranho que ela tivesse superado aquilo com tanta facilidade, mas era um problema espinhoso demais para apontar, então Yeonwoo preferiu não dizer nada.
Depois de colocar em dia muitas conversas atrasadas, a mãe conferiu uma chamada recebida e levantou-se. Ela foi saindo, dizendo que atenderia a ligação lá fora e passaria no berçário para ver Saebyeok.
Ela havia voltado a trabalhar recentemente como cuidadora, e parecia que o lar de idosos tinha ligado. Yeonwoo encarou vagamente a figura dela se afastando, com o coração pesado. O passo da mãe parecia um tanto desconfortável, como se as costas ainda doessem naqueles dias.
Ele sabia que, quando aquele ser humano chamado de pai estava vivo, ela nunca tivera um descanso digno porque vivia pagando dívidas e ganhando o sustento.
Quando administrava o café, ele costuma dar-lhe uma mesada fixa separadamente, mas, desde a última vez em que o dinheiro em espécie fora roubado pelos agiotas, nem sequer conseguira cuidar disso.
Agora que Saebyeok estava ali, ele teria que dar um jeito de arrumar um trabalho novamente. Além disso, o custo do quarto particular no Hospital Universitário Juseok, onde estava internado no momento, era pura dívida se parasse para pensar. Deveria perguntar à enfermeira mais tarde se podia mudar para uma enfermaria coletiva.
Era uma sorte que Saebyeok tivesse nascido saudável, mas, conforme a realidade desabava sobre ele, havia tantas coisas com que se preocupar.
Pensando em Saebyeok, ele de repente imaginou se a criança estava dormindo bem no berçário. Pensando melhor, Yeonwoo pegou o controle remoto para checar Saebyeok pelo monitor.
Contudo, antes que pudesse ligar a tela direito, a porta abriu-se com uma batida.
— Quem…
Yeonwoo, que estava prestes a perguntar quem era, congelou com o controle remoto na mão ao ver a pessoa que entrava no quarto.
Sua testa franziu-se involuntariamente.
— …Baek Chahyun.
A visita dele não era tão surpreendente assim. Ele já esperava esbarrar nele algum dia.
Chahyun estava com roupas casuais, mas havia grandes curativos de gaze colados em várias partes do corpo.
— O Chahyun visitou o quarto do hospital várias vezes enquanto você estava inconsciente. Parecia que ele também estava gravemente ferido.
Lembrando-se do que a mãe dissera antes de deixar o quarto, a boca de Yeonwoo secou ao olhar para Chahyun. Ao mesmo tempo, muitos pensamentos inundaram a mente de Yeonwoo como uma tempestade.
O corpo dele está bem? Por que ele veio? Será que finalmente veio me pegar? Não, será que ele está tentando levar o Saebyeok, e não a mim?
Assim que ficou cara a cara com ele, sentiu-se ansioso por não saber o motivo de sua presença ali, para além de esperar por um reencontro.
— Hyung.
Chahyun chamou por Yeonwoo. Estranhamente, assim que ouviu aquela voz, uma onda de tristeza brotou em seu interior. Ele sabia que era impossível, mas parecia que Chahyun o estava chamando do tempo de antes de perder a memória.
Yeonwoo racionalizou que talvez ainda estivesse tonto por ter ficado deitado por tempo demais.
Ele trocou olhares em silêncio com Chahyun, que estava erguido na porta sem conseguir entrar por completo, e então abriu a boca primeiro.
— Entra.
Então Chahyun aproximou-se lentamente da cama onde Yeonwoo estava.
— Senta.
Ele apontou para a cadeira onde sua mãe estivera sentada poucos minutos antes. Chahyun sentou-se na cadeira conforme Yeonwoo indicou.
Ainda bem que ele não parece pálido. Pensou, sentindo-se aliviado.
Mesmo naquela situação, sentia-se frustrado e com raiva de si mesmo por não conseguir odiá-lo por completo e ainda tentar verificar o quão gravemente ferido ele estava, mas era impossível extinguir de vez o coração preocupado. Talvez fosse uma tarefa impossível para o resto da vida.
Mas não era apenas preocupação.
Yeonwoo olhou para Chahyun, que se aproximava cada vez mais, e então ergueu a mão e desferiu-lhe um tapa na bochecha.
— Slap!
O som da pele colidindo ecoou alto no quarto do hospital. A cabeça de Chahyun virou para o lado, mas ele não disse nada.
— Que direito você tem de agir como meu responsável?
Yeonwoo fuzilou Chahyun com o olhar, recordando a lembrança momentos antes de desmaiar.
— E se algo tivesse acontecido com o Saebyeok por sua culpa?
Até pouco tempo atrás, ele não sentia muita emoção em relação a Chahyun além de uma leve preocupação, mas, assim que ficou cara a cara com ele, a raiva ferveu lentamente.
Ele já o havia atingido forte uma vez, mas sua raiva não diminuiu, então Yeonwoo ergueu a mão novamente.
Bem quando estava prestes a estapeá-lo de novo, Chahyun agarrou o braço de Yeonwoo.
— Você…!
Yeonwoo sacudiu o braço que estava preso, frustrado.
— Me bate com a outra mão.
— O quê?
— Me bate com a mão que não está com o soro. Eu aguento quantos tapas você quiser.
Só então Yeonwoo percebeu que havia batido em Chahyun com a mão que estava com a agulha do soro. Como se mexera muito e fizera muita força, o sangue já estava retornando pelo tubinho.
Yeonwoo olhou para aquilo e riu sem perceber. A razão pela qual mal conseguia se conter estilhaçou-se ao ver as manchas de sangue vermelho vivo.
— Eu não quero.
Então a expressão no rosto de Chahyun, que estava inexpressivo, rachou. Yeonwoo contorceu o braço para puxá-lo e acertou-lhe a bochecha de novo, como se quisesse desafiá-lo.
— Hong Yeonwoo!
Gritou Chahyun ao ver o sangue escorrendo pela pele de seu braço como resultado do impacto. Ele imediatamente segurou ambos os braços de Yeonwoo para impedi-lo de se mover. Quanto mais ele fazia isso, mais Yeonwoo resistia.
— Sai! Vai embora. Que direito você tem de aparecer na minha frente de novo?
Quanto mais falava, mais alto sua voz ia ficando. Não era o que pretendia fazer, mas, estranhamente, ele não conseguia controlar a raiva.
⛧°. ⋆༺♱༻⋆. °⛧
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna