Toxic Affair (Novel) - Episódio 115
Capítulo 115── ⋆⋅☆⋅⋆
Yeonwoo ficou momentaneamente surpreso com sua própria voz rouca, mas logo recuperou a compostura. A enfermeira sorriu para Yeonwoo, como se quisesse tranquilizá-lo.
— O senhor está falando da criança, não é? Ele está bem. Não se preocupe.
— S-sério?
— Sim. Ele nasceu saudável e está no berçário agora mesmo.
— Ah…
Diante das palavras calmas da enfermeira, Yeonwoo relaxou, liberando a tensão que vinha acumulando no corpo. Só então começou a sentir uma dor surda no abdômen. Ele estava suando frio.
— O senhor se lembra de ter sido transferido de Gangwon-do para Seul?
— …Não.
Ele mal conseguiu balançar a cabeça em resposta.
— Como está a dor? Vou checar sua pressão arterial e temperatura rapidinho antes de o médico chegar, então não se assuste e apenas…
— Eu estou bem, mas quero ver se o Saebyeok está bem. O bebê.
Yeonwoo engoliu a dor e agarrou a manga da enfermeira. A profissional, que estava tirando os equipamentos médicos que trouxera, parou.
— O monitor no quarto está conectado ao berçário, então o senhor pode verificar em tempo real. Quer que eu ligue para o senhor agora?
— Não. Eu quero ir vê-lo. Por favor.
Disse Yeonwoo desesperadamente. Ele sabia que estava sendo irracional, mas achava que aquela ansiedade não desapareceria até que visse com os próprios olhos que Saebyeok estava a salvo.
Quando caiu da montanha, ele teve certeza de que os movimentos fetais tinham desaparecido por completo. A terrível dor abdominal que o invadira naquele momento parecera o grito de Saebyeok, e só de pensar nisso agora suas palmas suavam.
Enquanto a enfermeira ponderava o que dizer diante do pedido insistente de Yeonwoo para ver a criança, o médico entrou no quarto bem a tempo.
— Sr. Hong Yeonwoo, o senhor acordou? Como está se sentindo?
O médico, que caminhara até a beira da leito, olhou para a enfermeira como se perguntasse o que havia de errado, vendo a expressão lacrimejante de Yeonwoo.
— O que foi? Está sentindo desconforto em algum lugar?
— Ele acabou de recuperar a consciência e diz que quer ver o bebê.
— Por favor, só me deixe ver o rosto dele, nem que seja por um instante, Doutor. Tudo bem?
— Humm… Eu compreendo a sua preocupação, mas por favor, espere um pouco. Vamos verificar seus sinais vitais rapidamente primeiro. Vai ser bem rápido.
Como ele não recusou de imediato, Yeonwoo decidiu esperar até que o exame básico terminasse.
O médico examinou cuidadosamente a condição de Yeonwoo, prescrevendo e administrando vários medicamentos, incluindo analgésicos, de acordo com os sintomas dele.
De fato, Yeonwoo tinha muitos problemas no momento. Sua saúde não estava boa devido à hemorragia, e seu tornozelo havia fraturado novamente, danificando o tecido mole.
Durante o exame, Yeonwoo soube que havia estado dormindo por nada menos que quatro dias. Ele ficara na unidade de terapia intensiva por dois dias e fora transferido para a enfermaria geral ontem, após apresentar melhora.
O médico deu uma longa explicação sobre as várias cirurgias de grande porte e as dificuldades, mas nenhuma dessas palavras chegou aos ouvidos de Yeonwoo. Ele só queria encontrar Saebyeok.
— Então, eu posso ver o bebê?
Perguntou Yeonwoo assim que o médico terminou de falar. Como se esperasse por isso, ele fechou o prontuário e respondeu:
— É difícil para a mãe se locomover, então traremos a criança até o quarto. Por favor, espere um pouco aqui.
— Obrigado.
Yeonwoo assentiu rapidamente. Por sorte, com a notícia de que logo poderia encontrar Saebyeok, um sorriso espalhou-se por seu rosto pela primeira vez desde que abrira os olhos.
O médico deu algumas instruções à enfermeira e deixou o quarto, dizendo a Yeonwoo para deitar-se por um momento.
Enquanto estava deitado na cama esperando Saebyeok chegar, Yeonwoo percebeu que aquele era o Hospital Universitário Juseok ao ver sua camisola de paciente. Chahyun ou Sang-gyun certamente haviam tomado providências para transferi-lo para lá.
Pouco depois, a porta se abriu e um berço portátil foi trazido para dentro.
A enfermeira colocou o berço com o bebê deitado bem ao lado da cama de Yeonwoo. Yeonwoo esqueceu que estava sentindo dor e levantou-se bruscamente.
— Cuidado ao se mover.
Disse a enfermeira, surpresa. Yeonwoo assentiu mecanicamente, incapaz de tirar os olhos de Saebyeok.
— Nossa…
Saebyeok, a quem via pela primeira vez, era tão pequeno e fofo que ele não conseguia fechar a boca. Era incrível que seus olhos, nariz e boca estivessem todos ali reunidos em seu rostinho minúsculo.
Ele havia crescido em sua barriga como uma bola de basquete e se mexido tão ativamente que o fizera passar mal a noite inteira, mas, quando o encarou de verdade, ele era muito menor do que imaginara.
— O senhor gostaria de segurá-lo?
— Tudo bem?
— Tudo bem por um instante.
A enfermeira sorriu, pegou Saebyeok e o entregou a Yeonwoo. Yeonwoo encarou vagamente o bebê que vinha parar em seus braços, antes de tardiamente apoiá-lo com cuidado usando as mãos.
Ele estava quente. E macio, e pequeno. Realmente pequeno.
— Ele consegue respirar sozinho, então, mesmo sendo prematuro, está sendo cuidado diretamente no berçário geral, sem precisar passar por uma incubadora.
— Que alívio. De verdade… de verdade.
Yeonwoo sentiu os olhos esquentarem por algum motivo. Antes de perder a consciência, ele havia desejado desesperadamente que pelo menos Saebyeok pudesse ser salvo, e sentiu uma alegria imensa ao ver seu desejo realizado. Era aquilo o que se sentia ao ter o mundo inteiro?
Mesmo dormindo, Saebyeok não parava de se mexer, franzindo os lábios ou dobrando e esticando as pernas.
Ele esperava ver um bebê com o rosto avermelhado e enrugado, como vira na mídia, mas, talvez por já terem passado alguns dias desde o seu nascimento, Saebyeok tinha uma boa cor e a pele lisa. Era incrível ver seu narizinho arrebitado e fofo com tanta clareza em um recém-nascido.
— Eu ainda não decidi um nome para o bebê. Quanto tempo eu tenho para decidir?
Yeonwoo, que observava Saebyeok havia um bom tempo, descobriu tardiamente a etiqueta enrolada no tornozelo da criança. Ao ver que nela constava apenas “Bebê de Hong Yeonwoo”, lembrou-se de que ainda não o havia batizado.
— O hospital usa uma etiqueta separada para distingui-lo de outros bebês, então o senhor não precisa decidir o nome com pressa. Só precisa resolver isso até o prazo limite para o registro de nascimento.
Apesar da explicação da enfermeira, incomodava Yeonwoo o fato de a etiqueta de Saebyeok não ter um nome. Percebendo isso, ela continuou:
— Algumas pessoas escrevem o apelido de gravidez até que o nome seja definido.
— Então, por favor, escreva o apelido. Saebyeok.
— Saebyeok. Certo. A propósito, o Saebyeok já tem traços bem marcantes.
Disse a enfermeira maravilhada enquanto pegava uma caneta e escrevia na etiqueta.
Yeonwoo pensava algo semelhante. Ele não havia dito nada porque se perguntava se era apenas por achá-le lindo, mas a arcada superciliar e a ponte nasal de Saebyeok pareciam bem nítidas para um bebê.
Toda vez que ele semicerrava um pouco os olhos, eles se mostravam límpidos, e seus cílios já haviam crescido bastante, fazendo-o continuar a fitá-los.
“……”
Ele não sabia se era coisa da sua imaginação, mas, além do fato de Saebyeok ser fofo, ele não conseguia afastar a sensação de que o bebê se parecia com Baek Chahyun quanto mais o olhava.
Perguntava-se se era natural, já que o pai biológico era Chahyun, mas questionava-se, se era normal parecer tanto logo ao nascer.
Seria possível que ele estivesse consciente demais de Baek Chahyun, fazendo com que as partes semelhantes se destacassem mais?
Yeonwoo observou cuidadosamente Saebyeok de novo para encontrar semelhanças consigo mesmo. Mas ainda não sabia dizer.
Ficava um pouco frustrado por não haver ninguém a quem pudesse pedir uma resposta objetiva naquele momento, mesmo que quisesse perguntar a alguém.
Como aquele era o hospital onde Sang-gyun trabalhava, pensou se deveria pedir a opinião dele caso o encontrasse. Mas ele era cirurgião, então provavelmente não viria àquela ala.
Ainda assim, não importava a quem se parecesse, continuava sendo verdade que Saebyeok era adorável.
— Agora, descanse um pouco.
A enfermeira, que havia olhado as horas, estendeu a mão como se fosse levar Saebyeok de volta.
— Tudo bem segurá-lo mais um pouco…
— O monitoramento em tempo real é possível, e a imunidade da criança ainda precisa de cuidados, então não é bom que ele fique fora por muito tempo.
Yeonwoo ficou desapontado, mas concordou rapidamente, dizendo que aquilo poderia fazer mal à saúde de Saebyeok.
A enfermeira colocou Saebyeok de volta no berço. Em seguida, consolou-o dizendo que ele próprio poderia visitar o berçário assim que seus exames melhorassem.
Depois que ela retirou Saebyeok e ele ficou sozinho no quarto particular, Yeonwoo de repente perguntou-se sobre o paradeiro de Chahyun.
Antes de perder a consciência, lembrava vagamente de Chahyun gritando que ele devia ser salvo primeiro em vez de Saebyeok. A imagem de seu corpo inteiro coberto de sangue vermelho continuava vívida em sua mente.
Será que ele recebera tratamento direito? E se estivesse gravemente ferido? E… o que havia acontecido com o casamento?
Ele tinha muitas perguntas, mas, novamente, não havia a quem perguntar.
Seus pensamentos sobre Chahyun não duraram muito. Talvez por se sentir aliviado após ver Saebyeok pessoalmente, foi tomado por um cansaço repentino.
As pálpepras de Yeonwoo pesaram drasticamente e, em pouco tempo, ele adormeceu tão rápido como se nunca tivesse estado acordado.
Quando acordou novamente, alguém estava sentado ao lado da cama. Yeonwoo piscou rapidamente, como quem via um fantasma, diante da figura familiar em sua visão embaçada.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna