Toxic Affair (Novel) - Episódio 114
Capítulo 114── ⋆⋅☆⋅⋆
O pomo de Adão de Chahyun moveu-se violentamente para cima e para baixo. Ele trincou os dentes contra a dor esmagadora em seu peito.
— A família do Yeonwoo não está em Seul agora, no entanto.
Mesmo ao pronunciar as palavras, Chahyun achava difícil aceitar que não pertencia àquela “família”.
Era ridículo. Ele tinha sido o único a jogar fora essa qualificação, ninguém mais.
— Eu liguei para a mãe do Yeonwoo, e ela está a caminho de Seul agora. Mal consegui contatá-la usando o número do obituário do seu pai que recebi antes. De qualquer forma, apenas membros da família são permitidos durante o horário de visitas regulamentar.
— Só por um momento. De verdade, só um momento. Eu só vou checar se ele está bem e saio na mesma hora.
A respiração de Chahyun tornou-se instável enquanto ele agarrava Sang-gyun. Vendo o peito dele subir e descer rapidamente, Sang-gyun suspirou.
— Sente-se primeiro, Baek Chahyun. Não fique agitado.
O casamento estava causando um verdadeiro alvoroço lá fora, mas dizer a verdade a Chahyun não traria nenhum benefício em seu estado atual.
— Cinco minutos, não, só me deixe verificar por um minuto.
— Não é que você não possa vê-lo de jeito nenhum. Assim que ele sair da unidade de terapia intensiva e for transferido para um quarto comum, você poderá visitá-lo.
— Quando vai ser isso?
— Isso depende da taxa de recuperação do paciente.
— Hyung, você é médico neste hospital, não é?
— Se houver algo em que eu possa ajudar pessoalmente, eu ajudarei, mas os regulamentos do hospital devem ser seguidos sem exceção. E este caso está sendo tratado pelo departamento de obstetrícia e ginecologia, então o Yeonwoo nem é meu paciente no momento.
“……”
— Então, espere até que ele se recupere e seja transferido para um quarto comum.
Enquanto Sang-gyun pensava no que fazer caso ele insistisse, a força foi deixando gradualmente a mão de Chahyun, que segurava Sang-gyun.
— Eu apreciaria se você pudesse deitar de volta na cama ou pelo menos se sentar.
Uma enfermeira que estava por perto, observando-os, ouviu as palavras de Sang-gyun e tentou ajudar Chahyun em direção à cama. Contudo, Chahyun sentou-se na cama por conta própria.
— …Então, ele está a salvo, de qualquer forma.
Perguntou Chahyun, como se precisasse confirmar pelo menos aquilo. Ele parecia mais desesperado do que nunca.
— Certo?
“……”
Os olhos de Sang-gyun se arregalaram ligeiramente em surpresa, pois ele estava prestes a pressionar Chahyun ainda mais por ter levado as coisas àquele ponto. O rosto de Chahyun estava pálido. Parecia que desmaiaria a qualquer segundo se ouvisse que ele não estava a salvo.
Sang-gyun não teve escolha senão reprimir as palavras que estava prestes a proferir, perguntando sobre o casamento, a saúde de Yeonwoo e o que pretendia fazer em relação à criança.
O corpo de Chahyun também estava danificado de várias maneiras, ainda que não tanto quanto o de Yeonwoo.
— Sim. Ele está vivo.
— Haa.
Só então Chahyun expirou o ar que vinha prendendo. Em seguida, acenou levemente com a cabeça.
— Obrigado.
Sang-gyun achava difícil entender aquela situação. Ele prezava Yeonwoo tanto antes quanto depois de perder a memória, então por que insistia em se casar?
Naquela sociedade, era especialmente comum ter um caso amoroso mesmo depois de casado, mas ele nunca tinha visto ninguém paparicar o parceiro tanto quanto Chahyun fazia.
Se uma criança havia nascido naquele estado, ele deveria ter cortado claramente ou o casamento ou o Yeonwoo.
O acidente de carro de Chahyun provavelmente teve um papel em como as coisas terminaram. O acidente aconteceu bem antes do casamento, e Chahyun perdeu todas as memórias relacionadas a Yeonwoo. Alguma coisa teria sido diferente se fosse o Chahyun de antes de perder a memória?
Sang-gyun também era um daqueles que compreendiam que o casamento arranjado de Chahyun era uma escolha inevitável. Portanto, sabia que não estava em posição de julgar a situação atual levianamente, mas, ainda assim, não conseguia afastar facilmente o amargor.
— Eu disse que temos os registros do exame do tornozelo de Yeonwoo e mais equipe médica em nosso hospital, então o trouxemos para Seul junto com você.
Julgando que Chahyun havia se acalmado até certo ponto, Sang-gyun explicou como Chahyun e Yeonwoo tinham ido parar ali.
— Ah. Se o paciente está inconsciente, uma transferência exige o consentimento de um responsável, mas eu não consegui entrar em contato com a mãe dele imediatamente. Enquanto eu estava preocupado, um monge do templo onde Yeonwoo estava hospedado apareceu e deu o consentimento dele. Bem, eu não sei os detalhes…
Com isso, o foco retornou gradualmente aos olhos de Chahyun, que estavam vagos fitando o nada. Ele estava falando do monge que vira antes de desmaiar?
Chahyun assentiu lentamente. Então, de repente, lembrou-se de algo e arregalou os olhos.
— A criança. Saebyeok?
Ele estivera tão focado na condição de Yeonwoo que havia se esquecido da criança.
Pensando bem, algo estava estranho. Por que Sang-gyun não havia mencionado a criança até agora? Havia algum problema?
Inúmeras ideias negativas passaram por sua mente em um breve instante. Chahyun sentiu a tensão que havia relaxado por um momento se contrair novamente num piscar de olhos, pressionando seus nervos.
— A condição da criança é muito melhor do que a de Yeonwoo.
— Ah.
— Isso é um alívio, pelo menos.
— Eu vou lá vê-lo.
Disse Chahyun com urgência.
— Você disse que o Saebyeok está bem. Então me deixe ver o rosto dele.
Chahyun parecia mais desesperado do que nunca. Sang-gyun encarou aquele Chahyun como se ele fosse um estranho. Talvez por ser Baek Chahyun, justamente ele, seu desespero tocou ainda mais o fundo de seu coração.
Sang-gyun observou os olhos escuros de Chahyun tremerem diante de seu silêncio.
Poucos segundos depois, Chahyun abriu os lábios.
— Por que… droga, eu não posso nem fazer isso? O Saebyeok é meu filho.
Perguntou ele com uma voz contida, como se até aquilo fosse impossível.
Sang-gyun hesitou por um momento. Ele teria que se registrar como membro direto da família para ver e segurar a criança, mas isso seria impossível na situação atual de Chahyun. Contudo, estaria tudo bem vê-lo brevemente do lado de fora da janela de vidro.
Ao contrário da unidade de terapia intensiva, onde as condições de visitas eram rigorosas devido à imunidade do paciente e a questões de segurança, ele sabia que na UTI neonatal comum era possível verificar a criança através da janela de visitantes após passar por vários procedimentos de registro.
— Não é que você não possa, mas provavelmente há um horário de visitas estabelecido. Vou verificar com o departamento de obstetrícia e ginecologia, então espere um momento.
Diante disso, Chahyun balançou a cabeça vigorosamente.
— Tudo bem. Eu sou bom em esperar.
— É, sei. Ah, antes disso, vamos reexaminar sua cabeça…
— Isso pode ser feito depois.
— …Você tem noção de quantos pontos levou na cabeça?
— Eu fico sabendo disso depois, então vá logo descobrir quando posso ir ver o Saebyeok.
Sang-gyun estava prestes a dizer algo mais, mas fechou a boca e saiu do quarto particular. Seu rosto parecia um tanto quanto complexo ao deixar o aposento.
Chahyun não conseguia tirar os olhos da criança atrás do vidro. Saebyeok, que ostentava apenas uma etiqueta com os dizeres ‘Bebê da obstetrícia e ginecologia de Hong Yeonwoo’ por ainda não ter um nome, parecia menor e mais frágil do que a palma de sua mão.
Saebyeok, que não estava no mundo havia muito tempo, estatelava-se e fazia movimentos típicos de recém-nascido. Cada uma daquelas pequenas ações era tão adorável que era difícil descrever.
De certa forma, era natural. Ele havia saído da barriga de Hong Yeonwoo, então seria mais estranho se não fosse adorável.
— …Ele se parece com Yeonwoo.
As orelhas dele lembravam as de Yeonwoo. Os lábios bicosos também. O formato do rosto, redondo mas delicado, também lembrava Yeonwoo. Ele ainda não havia aberto os olhos, então não podia verificar suas pupilas, mas provavelmente seriam semelhantes às de Yeonwoo também.
Chahyun prendeu a respiração e encarou a pequena forma de vida atrás do vidro por um longo tempo. Em seguida, a ponta de seus dedos curvou-se gradualmente e começou a cravar-se na palma da mão.
Com o passar do tempo após recuperar a memória e recobrar a consciência, tornou-se difícil perdoar a si mesmo por ter negado até pouco tempo atrás que Saebyeok fosse seu filho.
Naquela época, a deficiência causada pela lacuna de memória manifestava-se apenas como uma obsessão para manter Yeonwoo ao seu lado.
Agora que todas as suas memórias haviam retornado e ele sabia que era seu filho, ficava claro quanta dor havia causado a Yeonwoo.
— Você já deu um nome à criança?
Perguntou Sang-gyun, que observava Chahyun a alguns passos de distância. Chahyun balançou a cabeça.
— Não, ainda não.
Ao mesmo tempo, todos os erros que cometera contra Yeonwoo e Saebyeok cruzaram sua mente.
Como tratara Yeonwoo quando ele fora ao hospital após saber de seu acidente de carro.
Que tipo de proposta fizera a Yeonwoo, que estava sendo perseguido por agiotas.
Como desconfiara constantemente de que Yeonwoo havia dormido com outro alfa, chegando a negar Saebyeok, e como julgara e distorcera arbitrariamente o tempo que haviam passado juntos.
Ele também se lembrava de negligenciar o tornozelo de Yeonwoo por sua própria conveniência, apenas porque estava desconfiado.
Acima de tudo, percebeu o quão absurdo e ridículo era manter Yeonwoo ao seu lado enquanto se casava com outra pessoa.
Mas Chahyun sabia que era tarde demais para voltar atrás em qualquer coisa agora.
Apesar de tudo, apesar de todos os erros que cometeu, Yeonwoo estava vivo e Saebyeok havia nascido a salvo.
— É verdade. Seu… casamento não foi cancelado hoje, foi?
Chahyun assentiu, mantendo o olhar fixo em Saebyeok.
— Você provavelmente não vai conseguir escapar disso facilmente. Seja da sua família ou do lado da Yu-min.
— Eu sei. Me dê meu telefone, hyung.
Ele desviou o olhar de Saebyeok com uma expressão de pesar e virou-se para Sang-gyun.
— O que você vai fazer?
— Eu tenho que consertar as coisas.
Parecia que havia passado muito tempo. A cabeça de Yeonwoo estava cheia de cenas fragmentadas.
Alguém abriu suas pálpebras e incidiu uma luz sobre ele, sacudiu seu corpo e perguntou seu nome, ou continuava gritando palavras que ele não conseguia entender.
Pessoas segurando seus membros com força e o pressionando contra a cama, ar frio, o cheiro pungente e gélido de álcool, além de ruídos mecânicos desagradáveis, atormentavam Yeonwoo. Ele achou que ouviu uma criança chorando à distância.
Após perder e recuperar a consciência repetidamente enquanto sofria com um frio intenso e uma dor que fazia seu corpo inteiro tremer, Yeonwoo abriu os olhos.
Ao mesmo tempo, percebeu que seu estômago estava excessivamente leve.
— Heok…!
Enquanto ele arfava e se contorcia, a enfermeira que veio trocar o soro olhou para Yeonwoo surpresa.
— Sr. Hong Yeonwoo. O senhor está acordado?
A voz estava mais clara do que nunca. Logo, os lábios ressecados de Yeonwoo se abriram.
— Onde está o Saebyeok?
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna