Toxic Affair (Novel) - Episódio 113
Capítulo 113── ⋆⋅☆⋅⋆
Algumas horas depois. Chahyun levantou-se da cama, sentindo alguém perto da entrada da vila. O movimento repentino fez seu estômago revirar um pouco, mas ele já conseguia suportar aquilo.
Seria Yeonwoo voltando? Ele concentrou toda a sua atenção na entrada, e o som de passos aproximou-se do quarto. Deleitado com isso, o ressentimento inexplicável que sentira por Yeonwoo derreteu-se como neve.
Chahyun decidiu pedir desculpas a Yeonwoo por ter se irritado de repente mais cedo. Ele abriu a porta do quarto, apenas para encontrar outra pessoa em pé ali em vez de Yeonwoo.
— Chahyun-ah. Como você tem passado? Definitivamente está mais fresco aqui do que em Seul.
— Mãe?
Era sua mãe, a quem ele não via havia dias.
— Ouvi dizer que seu progresso tem sido muito bom. Vamos primeiro ao hospital quando formos para Seul amanhã. É capaz de você conseguir voltar para a escola depois que o semestre começar…
— Espera. Do que você está falando? Ir para Seul amanhã?
Chahyun franziu a testa, parecendo confuso. Sua mãe estalou a língua com uma expressão desamparada.
— As férias estão quase acabando, querido.
“……”
— Você tem que voltar para casa.
Só então Chahyun percebeu que eram as férias de verão. Ele havia se acostumado tanto com a vida na vila que tinha esquecido que logo teria que voltar para a escola.
Chahyun olhou em volta com avidez, imaginando se Yeonwoo poderia estar perto de sua mãe.
Mas a vila estava incomumente silenciosa hoje. Nem mesmo o cuidador que sempre andava por perto de Chahyun estava à vista.
— Onde está o Yeonwoo hyung?
— Ah, o filho da Sra. Kim Soon-young? Eu o mandei de volta para casa.
Sua mãe acariciou o cabelo de Chahyun e respondeu gentilmente. Chahyun olhou para a mãe com uma expressão perplexa.
— Eu ainda não estou totalmente recuperado.
— Não exagere. Você melhorou muito. E acontece que aquela família tem alguns… problemas.
Sua mãe hesitou, escolhendo as palavras com cuidado.
— Eles parecem ter muitos problemas com dinheiro. Descobri recentemente que estão sendo perseguidos por agiotas.
Sua mãe foi até a cozinha, serviu água e suspirou.
— Eles não pareciam ser de boa índole. Ele ainda tinha mais um dia de trabalho, mas eu disse que ele não precisava vir mais.
“……”
— De qualquer forma, fique com a mamãe hoje e vamos para Seul amanhã.
Chahyun ficou congelado no lugar, sem palavras.
— Por quê? O que foi? Ah, você disse que você e o Yeonwoo ficaram bem próximos.
Sua mãe percebeu que o filho estava agindo de forma diferente do habitual e pareceu intrigada.
— …É.
Mas ele havia partido sem dizer adeus.
Sua mãe soltou uma risadinha, como se tivesse ouvido o murmúrio de Chahyun.
— Acho que ele não se dava muito bem com um garoto mais novo.
Essas palavras lembraram-no das mensagens de texto que Yeonwoo havia trocado com sua namorada mais velha. Sentiu sua cabeça esquentar novamente.
Ele realmente tinha ido embora? Não importava o que acontecesse, Chahyun não conseguia acreditar que Yeonwoo tivesse partido sem se despedir.
— Empacote suas coisas de forma simples se tiver algo para levar. Se for muito difícil, deixe com a tia da cozinha.
— Meu quebra-cabeça… isto. Eu tenho que devolver.
Chahyun mal conseguiu inventar uma desculpa para entrar em contato com Yeonwoo, olhando para o quebra-cabeça que havia espalhado pelo chão.
Sua mãe balançou a cabeça diante das peças do quebra-cabeça espalhadas desordenadamente pelo quarto e disse, como se lembrasse de algo:
— Ele disse que tudo bem você ficar com ele, Chahyun.
— O Yeonwoo hyung disse isso?
— Sim. A Sra. Kim Soon-young disse que vocês dois costumavam montar quebra-cabeças juntos.
“……”
— Mas o que você está fazendo, espalhando tudo assim? Deixe a tia limpar e nós compramos um novo.
— Ele realmente disse que me daria tudo isso?
Parecia que ele prezava bastante aquilo.
— Acho que sim. Além do mais, é longe demais para ele voltar até aqui.
Chahyun sentiu-se esvaziado quando a desculpa para entrar em contato com Yeonwoo desapareceu.
Chahyun havia assumido implicitamente que continuaria em contato com ele mesmo após o fim daquelas férias. Mas parecia que Yeonwoo pensava diferente.
Ainda assim, seu orgulho não lhe permitiria ir atrás de alguém que havia partido sem dizer uma palavra.
Partir só porque ele disse algo desagradável. Chahyun decidiu não perdoar Yeonwoo.
E repetiu para si mesmo, tentando agir como se não fosse nada. Eles viviam em lugares diferentes e cresceram em ambientes diferentes, então de qualquer forma não estavam destinados a ficar juntos por muito tempo. Aquilo aconteceria mais cedo ou mais tarde, assim que sua doença estivesse curada.
Pensar daquela forma fazia seu orgulho doer um pouco menos. Mas, por alguma razão, seu sentimento de traição em relação a Yeonwoo não diminuiu por um bom tempo.
Após retornar à escola, Chahyun naturalmente esqueceu Yeonwoo.
Eles não se conheciam há tempo suficiente para deixar uma impressão profunda, nem mantinham uma relação particularmente especial, por isso foi fácil retornar a uma vida sem Yeonwoo.
Ele claramente estava bem, mas de vez em quando havia momentos em que a presença dele agitava os nervos de Chahyun. De maneiras completamente inesperadas.
Em primeiro lugar, o fato de a primeira pessoa com quem sonhou ter sido Yeonwoo. Uma ou duas vezes por ano, Chahyun sonhava em montar quebra-cabeças com ele na vila em Gangwon-do.
Quando cruzava na rua com alguém de rosto pálido, moletom cinza e jeans, ele inconscientemente olhava de soslaio.
O primeiro Ômega de quem Chahyun aceitou uma confissão também foi um homem mais velho com rosto alvo como a neve, olhos castanhos claros e uma expressão redonda e gentil. Ele não percebeu a princípio, mas só se deu conta de a quem ele se assemelhava muito tempo depois de terem terminado.
Como resultado, houve momentos em que foi forçado a se lembrar das férias de verão que passara em Gangwon-do, mas foi apenas por um breve instante. Com o passar do tempo, as memórias em que Chahyun estava preso tornaram-se gradualmente mais superficiais, e ele pôde retornar à realidade com mais facilidade.
Mas o dia em que esbarrou em Yeonwoo novamente na faculdade foi diferente.
Ao contrário das pequenas ondas que haviam sido agitadas pelos remanescentes da memória e rapidamente se dissipado, o Yeonwoo que reencontrou abalou a vida inteira de Chahyun.
— Hong Yeonwoo?
As memórias tendem a ser embelezadas com o tempo. Como não havia uma única foto deles juntos, o Yeonwoo em sua memória tinha uma qualidade irrealmente bonita que Chahyun havia imaginado livremente.
Mas Hong Yeonwoo, a quem encontrou após nove anos, correspondia perfeitamente à imagem vagamente idealizada criada por memórias embebidas em verde exuberante, fazendo-o parar de respirar no momento em que se cruzaram.
Chahyun franziu a testa diante do som mecânico que perfurava constantemente seus ouvidos. No início era suportável, mas, com o passar do tempo, o ruído regular tornou-se insuportavelmente irritante.
Suas pálpepras firmemente fechadas abriram-se lentamente. Ele viu um teto familiar. Virando a cabeça para o lado, avistou o logotipo conhecido do Hospital Universitário Juseok na parede.
Hospital Universitário Juseok, então estou em Seul?
Ele se sentou e olhou ao redor. Reconheceu a estrutura do quarto particular em que esteve antes.
Mas por que estou em Seul?
— Onde está o Yeonwoo?
Chahyun procurou por Yeonwoo assim que recuperou a consciência. Sua voz, rouca por ter dormido tanto, escapou.
— Ah, você acordou. Só um momento, o médico já vem.
A enfermeira por perto assustou-se e apertou o botão de chamada para a equipe médica.
Mas Chahyun não tinha a menor intenção de ficar quieto. Precisava saber por que ele, que deveria estar em Gangwon-do, havia acordado em Seul.
Ele lembrava de Yeonwoo entrando na sala de cirurgia, mas não chegara a vê-lo sair em segurança. Tinha perdido a consciência na entrada do pronto-socorro.
— Onde está o Yeonwoo? Hong Yeonwoo.
— Eu não sei…
A enfermeira estava confusa, tentando impedir que Chahyun se levantasse de forma imprudente. Então ela ficou horrorizada ao ver Chahyun arrancar o acesso do soro de seu pulso.
— V-você não deve tirar isso agora. Por favor, acalme-se, ok?
Ele calçou os sapatos, pronto para sair do quarto de imediato.
— Traga meu telefone.
Disse Chahyun, tateando a cama e as gavetas.
— Está aqui, seu desgraçado.
Então uma voz familiar veio da entrada do quarto. Virando a cabeça, ele viu Sang-gyun, que chegou após ser chamado, parado na porta.
— Causando confusão de novo assim que abre os olhos?
— Onde está o Yeonwoo hyung? Por que estou em Seul? Eu definitivamente estava na entrada do hospital. O que aconteceu?
— O que mais eu poderia fazer a não ser carregar um imbecil que estava sangrando copiosamente e desmaiou na porta do hospital?
— Então, como está o Yeonwoo? A cirurgia correu bem?
— Respire fundo antes de falar.
Chahyun, que vinha falando rapidamente, percebeu que estava sem fôlego após a reprimenda de Sang-gyun e inalou o ar.
— Eu preciso trocar o curativo na sua cabeça. Está meio malfeito porque foi feito às pressas…
— Hong Yeonwoo!
“……”
Sang-gyun fechou a boca diante do grito de Chahyun, com a paciência esgotada. Apoiado no batente da porta, Sang-gyun o encarou em silêncio.
O silêncio era particularmente pesado. Parecia sufocante. Após alguns segundos, suor frio brotou na testa de Chahyun.
Ele sabia que precisava perguntar como Yeonwoo estava, se a cirurgia correra bem, mas, por alguma razão, seus lábios não se abriam com facilidade.
Seu corpo, coberto de medo, começou a congelar a partir da ponta dos dedos.
— …Oh Sang-gyun. Como está o Yeonwoo?
Sua voz soturna estava quebrada e fragmentada. Justo quando os ombros de Chahyun começaram a tremer, Sang-gyun abriu a boca.
— Ele está na UTI do nosso hospital.
— Do que você está falando?
Pelo menos estar na UTI significava que ele ainda estava vivo. Mas isso não significava que ele pudesse relaxar completamente.
— Por que ele está na UTI?
— Ele perdeu mais sangue do que o esperado. O principal hospital geral determinou que ele precisava de cuidados intensivos, e ele foi transferido para cá de Gangwon-do esta manhã, logo após a cirurgia.
— Eu vou lá ver com meus próprios olhos.
— Não.
Sang-gyun o bloqueou com firmeza. Chahyun fuzilou o homem à sua frente com olhos injetados de sangue.
— Sai da frente.
— A UTI não permite visitantes.
— Só me deixe ver o rosto dele, ter certeza de que ele está bem.
— Familiares são permitidos, mas…
Chahyun parou diante daquelas palavras.
— Os regulamentos não permitem que você entre.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna