The Hunter’s Gonna Lay Low (Novel) - ↫─☫ Episódio 107
𓆰𓆪 Episódio 107 – Dias Bons 𓆰𓆪
J examinou o menino novamente com cuidado. Seu rosto estava pálido, e seus lábios rachados estavam firmemente fechados. Ele parecia bastante descontente.
Como ele conseguia expressar seus sentimentos apenas com o formato da boca? Apesar de estar à beira de desmaiar de dor, ainda conseguia expressar suas intenções com firmeza, mesmo em situações extremas.
“Dizem que as pessoas ficam más quando estão com dor.”
Esse menino estava ficando difícil por causa da dor, ou era sua personalidade original? A curiosidade de J foi despertada. Perdido em pensamentos enquanto examinava o menino, J perguntou de repente,
— Você se lembra de mim?
— …
— Fui eu quem te trouxe de volta de lá.
Embora a história fosse vaga, o menino pareceu entender, pois seus lábios firmemente fechados relaxaram um pouco. Sua cabeça se virou um pouco mais em direção a J, como se lembrasse daquela época.
“Seria melhor que ele não se lembre disso.”
Se a figura derretida que havia protegido o menino era realmente seu pai, sua mãe ou sua família… J mordeu o interior da bochecha. A memória humana não se move como se deseja, e as memórias que se quer esquecer só ficam mais nítidas com o tempo. Fitando o rosto enfaixado do menino, J disse:
— Ouvi que você ainda não consegue falar… consegue mover os dedos?
Em resposta, as pontas dos dedos do menino se contraíram. J apoiou o queixo e murmurou:
— Então apenas mova os dedos. Vou fazer o meu melhor para entender.
— …
— Sou bom em falar sozinho e em ler as pessoas.
— …
— Entendido? Você consegue mover a mão?
As pontas dos dedos do menino se mexeram e J sorriu amplamente.
— É, assim.
Bip, bip, bip… Em meio à respiração um tanto difícil e trabalhosa, também havia uma respiração mais suave misturada. O quarto do hospital, que normalmente só ecoaria a respiração de uma pessoa, parecia um pouco mais cheio. Era um raro momento de paz. Com os olhos fechados, J sussurrou:
— Eu sou J.
— …
— Não é meu nome real, mas me chame assim. Sou um caçador, com classificação bastante alta, e afiliado ao Departamento de Gestão de Despertos… É basicamente isso. Ah, droga… Realmente não tenho muito mais a dizer.
Os dedos do menino se contraíram. J observou diligentemente aquele movimento. Ele havia afirmado com ousadia que entenderia tudo, mas, na verdade…
“Não faço a menor ideia do que ele está dizendo.”
Era completamente incompreensível. J torceu os lábios sem jeito.
Bom, o tempo resolveria isso também. Quanto mais tempo passassem juntos, melhor ele ficaria em entender os pequenos movimentos do menino. Afinal, ele era muito bom em aprender. Batendo o dedo na máscara, J disse distraidamente:
— Você não vai ver meu rosto real mesmo quando estiver saudável. Estou usando uma máscara. Então não fique tão triste com seus olhos machucados… Eles podem ser tratados.
— …
— A voz que está ouvindo agora também não é a minha. A máscara altera minha voz.
— …
— Ah, quer tocar uma vez? Você consegue mover o braço?
J se aproximou mais da cama e gentilmente arregaçou a manga do menino.
Mas o braço enfaixado estava coberto de tubos e agulhas, sem espaço livre. Parecia que os pesquisadores ou médicos entrariam correndo a qualquer momento se ele o movesse, nem que fosse um pouco.
J relutantemente colocou as mãos atrás das costas e ficou fitando o ar.
— …Acho que isso não é possível.
— …
— Seu braço não está em condições de ser tocado. Desculpa.
Os dedos ocupados do menino pararam abruptamente. Seus lábios fizeram bico de novo. Tossindo levemente, J virou a cabeça um pouco.
— Vou deixar você tocar quando estiver mais saudável.
— …
A cabeça do menino, que estava se virando para o outro lado, começou a se voltar lentamente de volta para J, que falou rapidamente:
— Sério, prometo. Vou te deixar me tocar.
J estendeu apressadamente a mão e tocou levemente o dedo mindinho do menino com o seu. Apertar as mãos era impossível no estado atual. Por mais cuidadoso que fosse, o menino era um civil gravemente debilitado, e J era um Desperto de primeira linha.
Felizmente, pareceu funcionar. O menino virou a cabeça de volta para ele. Aliviado, J começou a mexer gentilmente nos dedos do menino, como se manuseasse uma porcelana preciosa.
— Arranha minha mão se doer.
— …
— Mas não arranha forte demais, seus dedos podem quebrar.
Em cada lugar que tocava, a mão enfaixada se contraía. Era divertido de assistir, como uma planta mimosa. J, mexendo nas bandagens e nos dedos, murmurou:
— Você deve estar entediado ficando sozinho.
Justo nesse momento, seu relógio emitiu um longo bip. Era uma chamada.
— Oh!
Quanto tempo havia passado? Enquanto J rapidamente recobrava os sentidos e soltava a mão do menino, os frágeis dedos roçaram as costas da sua mão e seus olhos se arregalaram. Os dedos do menino estavam se estendendo para ele. Surpreso, J segurou a mão do garoto.
— O que foi? Está doendo?
— …
Os dedos se moveram levemente, como se respondessem que sim.
— …Mas preciso ir por causa dessa chamada… Realmente preciso ir. Vou chamar a enfermeira para você. — Disse com um ar de preocupação.
— …
Os lábios do menino fizeram um bico e, sem pensar, J deixou escapar:
— Volto outra vez.
— …
Os lábios continuaram em um bico. Gemendo, J olhou para o teto e continuou:
— …Vou tentar vir o mais frequente que puder. Mas não sei com que frequência isso será.
— …
Os lábios pareciam fazer um bico ainda maior. Droga, ele não deveria ter sido tão honesto. J nunca foi bom em mentir. Então ele suspirou.
— Desculpa. Só espera um pouco.
— …
— Vou voltar o mais rápido possível. Tudo bem?
Finalmente, os dedos do menino cutucaram levemente a palma de J e se retiraram. Porém, ele ainda não parecia feliz. J tocou levemente a bochecha enfaixada e então recuou a mão.
— Até a próxima.
Ele se virou e caminhou em direção à porta. Ao abri-la, Ga-young, que estava sentada em uma cadeira com os braços cruzados, abriu rapidamente os olhos. Ela devia ter cochilado. Esfregando a boca, se levantou às pressas.
— Já saiu? Podia ter ficado mais tempo.
— Não, recebi uma chamada do Departamento.
— Você não está ocupado demais? Masmorras, fendas… E ainda nos traz materiais.
— Bem… não tem como evitar.
Fechando a porta com um clique, ele deu de ombros. Eles caminharam em silêncio enquanto refaziam o caminho. Ao se aproximarem da sala de pesquisa, J falou:
— Por falar nisso.
— Sim! Por favor, pode falar.
— Você pode me fazer um cartão de acesso ao quarto do hospital? Um cartão meu.
— Hã?
Ga-young o olhou com a boca aberta. J, com as mãos atrás das costas, falou com um sorriso na voz:
— Doei bastante… Isso deve ser possível, não é?
***
O tempo passou rapidamente de novo. Pelo menos desta vez, parecia mais leve do que antes.
Ping, ping, ping, gotas de sangue caíam como chuva enquanto ele balançava a lança pelo ar. J sacudiu o sangue da lança e caminhou em direção à saída da masmorra. Enquanto seu corpo era puxado, cenários familiares apareceram diante de seus olhos.
Ele estava de pé diante do portão de uma casa dilapidada. Era um caso raro de uma casa se transformar em masmorra, então J havia entrado pessoalmente. Felizmente, era um lugar relativamente tranquilo. Um caçador esperando na entrada lhe entregou uma toalha branca, úmida com água. J pegou a toalha, limpou o sangue das mãos e pressionou o fone de ouvido.
— Aqui é J.
— Como foi a masmorra? — Uma voz gentil perguntou.
— Foi bem. Era em forma de floresta, e havia muitas coisas úteis. Matei todos os monstros e o mestre da masmorra… Então, que tal enviar uma equipe de investigação e pesquisa?
— Certo. Mas…
Houve um momento de silêncio. J verificou o fone de ouvido com um olhar confuso. A conexão não havia caído. Ham Seok-jeong estava estranhamente hesitante. Após um breve silêncio, ela perguntou:
— Aconteceu alguma coisa boa com você recentemente?
— …Como assim?
J parou no caminho e verificou distraidamente o relógio. Ele pensou que podia estar falando com a tia em vez da diretora, mas ainda era a diretora. Por que ela perguntaria algo assim? Justo quando J estava prestes a ficar confuso, Ham Seok-jeong continuou rapidamente:
— Não, você parece mais feliz esses dias, só isso.
— …
— …Não é uma reclamação. Acho que disse algo desnecessário. Só esqueça.
— Ah, não.
J respondeu com a voz aturdida.
— Hum… Obrigado pela sua preocupação.
— …Tudo bem. Está relativamente tranquilo hoje, então descanse um pouco.
— Sim…
A chamada terminou. Não havia mudado muita coisa, mas seria suficiente para Ham Seok-jeong perguntar sobre isso? J coçou a cabeça e gesticulou para o caçador que esperava ao seu lado.
— Obrigado. Você também pode voltar.
— Não vai voltar ao Departamento conosco?
— Ah, não. Tenho outro lugar para ir.
— Entendido. Obrigado pelo seu trabalho.
O caçador se curvou e desapareceu. J caminhou devagar. Seus passos, inicialmente normais, aceleraram ao chegar a um beco familiar, e ele estava quase correndo quando avistou o prédio branco.
Entrando pela porta dos funcionários, pegou o elevador, subiu as escadas, caminhou pelo corredor e passou o cartão de identificação. Bip, um som mecânico alegre acompanhou a familiar porta do quarto do hospital. O sorriso de J se alargou enquanto ele abria a porta branca.
A cama no centro do imaculado quarto do hospital ainda estava cercada de máquinas. No entanto, não estava mais tão quieto e sombrio como antes.
O menino, que estava reclinado na cama, virou lentamente a cabeça. Seu rosto, ainda envolto em bandagens, estava diferente. Antes, apenas seu nariz e boca estavam expostos, mas agora seu rosto inteiro, incluindo olhos, nariz e boca, estava visível. Embora seus olhos estivessem turvos e embaçados devido ao veneno, estavam claramente focados em J.
J abriu os braços amplamente.
— Hyung chegou!
Os olhos embaçados do menino se estreitaram, quase como se estivesse sorrindo.
↫。。⛧ Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna, Othello&Yuki