The Hunter’s Gonna Lay Low (Novel) - ↫─☫ Episódio 106
𓆰𓆪 Episódio 106 – Dias Bons 𓆰𓆪
O fraco som de um batimento cardíaco. J o seguiu como se estivesse enfeitiçado. Ele andava sem perceber que seus pés afundavam na lama de vez em quando.
Quanto tempo havia caminhado? Um prédio relativamente intacto, embora parcialmente destruído, apareceu à vista. O som vinha de lá. J começou a vasculhar os destroços.
“Por quê?”
A razão o questionava. De que adianta resgatar alguém que vai morrer logo de qualquer jeito? Você quer experimentar novamente alguém morrendo em seus braços? Mas suas mãos não paravam de peneirar os escombros. Na verdade, seu ritmo acelerou.
Mesmo que fosse esse o caso, ele não conseguia ignorar esse som.
— Oh.
Uma pequena exclamação escapou. Sob os destroços sobrepostos havia um pequeno espaço onde uma ou duas pessoas mal conseguiam se encolher. E lá…
Havia um menino, envolto pelo que devia ter sido seus pais, todos derretidos.
Seus olhos, turvos de veneno, fitavam J. Seus lábios se moviam em silêncio.
— Por favor, me salve.
J rangeu os dentes. Ele apressadamente tirou um antídoto do inventário e estendeu a mão ao menino.
— Está tudo bem.
Uma mentira que havia dito incontáveis vezes…
— Agora vai ficar tudo bem.
…na esperança de que desta vez não fosse mentira.
***
O tempo passou rapidamente.
Matar donos de masmorras, matar donos de fendas, matar donos de masmorras, matar donos de fendas, matar donos de masmorras… Em algum momento, ele só recebia tarefas de matar monstros em vez de resgatar pessoas. Repetição sem fim. A rotina de J não mudava facilmente.
Mas, raramente, uma nova tarefa era acrescentada à sua rotina.
Clom, clom, clom. Suas botas pretas cortavam o corredor sem hesitação. Os olhares dos transeuntes estavam fixos no jovem alto, vestido completamente de preto. Alguém reuniu coragem para cumprimentá-lo. Sua máscara preta se virou para eles.
Ele assentiu levemente e abriu a porta de ferro no fim do corredor. As pessoas em trajes de segurança se movendo apressadamente indicavam que era um laboratório montado em um hospital.
J cruzou o laboratório com familiaridade e abriu outra porta de ferro. Desta vez era uma porta mais grossa. Lá dentro, pessoas vestidas ainda mais pesadamente do que as do laboratório observavam o líquido roxo em frascos. Um pesquisador de pé à porta se curvou profundamente.
— Ah, J! Faz um tempo. Obrigado por vir apesar da agenda agitada!
O pesquisador o cumprimentou calorosamente e entregou uma caixa de metal. J colocou uma bolsa pesada dentro dela. Um cheiro pungente se desprendeu enquanto o líquido negro escorria da bolsa. O pesquisador, movendo-se com grande cautela, dirigiu-se para a sala de armazenamento nos fundos. J perguntou:
— Vocês estão com falta de veneno?
— Ainda temos um pouco da última vez, então é o suficiente.
— A pesquisa está indo bem?
— Sim, está indo bem. Você vai ver o menino hoje também?
— Sim.
— Ah, J!
Outro pesquisador se aproximou em passos rápidos. J parou e virou a cabeça. Ele a reconheceu como a Desperta fabricante de poções apresentada a ele pelo diretor do hospital.
Uma mulher de óculos, jaleco branco e cabelo castanho preso com um grampo grande, Ga-young, parecia bastante animada. Ela sussurrou suavemente enquanto se aproximava:
— A condição do menino está melhorando gradualmente. O antídoto que desenvolvemos parece estar surtindo efeito. É tudo graças a você, J!
— …
J a fitou em silêncio, fazendo-a tossir sem jeito.
— Uh, fui longe demais? Temos nos concentrado na desintoxicação, então outros tratamentos têm sido adiados… Mas ele não está mais em um ponto onde as visitas são totalmente impossíveis.
Ga-young lançou um olhar para a reação de J antes de falar novamente.
— A partir de hoje, que tal você visitar o quarto do menino diretamente? Você sempre ficou olhando pelo vidro.
— …Está tudo bem?
— Claro. Toda essa pesquisa é possível graças a você, J.
Ga-young dispensou o comentário com um gesto. Se era um breve ato de curiosidade, um capricho ou auto satisfação, ele não conseguia dizer. Não importava muito.
J seguiu a liderança de Ga-young. O quarto do menino ficava fundo dentro do hospital. Enquanto caminhavam em silêncio, Ga-young falou:
— Para que saiba… Como você pode ter visto pelo vidro, o menino está, na maior parte do tempo, inconsciente. Às vezes ele acorda, mas não permanece assim por muito tempo. Estamos administrando analgésicos e anestesia regularmente.
— Isso é necessário?
— Não é por escolha! Nós também não queremos, mas… — Ga-young suspirou fundo. — Sem isso, o menino desmaiaria de dor. Da última vez, ele desmaiou, e tem sido assim desde então. Infelizmente, até o veneno ser completamente desintoxicado… Ah, chegamos.
Ela pressionou um cartão-chave contra um dispositivo e abriu a porta. Além dela havia um corredor branco e uma porta também branca, firmemente fechada. Ela abriu a porta e lá dentro havia um quarto branco e espaçoso. No centro estava um menino deitado, envolto em bandagens brancas e conectado a inúmeras máquinas.
Ga-young recuou.
— Vou esperar lá fora. Fique à vontade.
— Certo. Já saio.
— Ah, sem pressa! Fique o tempo que precisar.
Baque, a porta se fechou atrás dele. J olhou lentamente ao redor do quarto.
Bip, bip, bip… O bip regular das máquinas parecia substituir o som do batimento cardíaco do menino. Ele se aproximou lentamente da cama.
O nariz e a boca mal visíveis entre as bandagens, o peito subindo e descendo lentamente, e um gemido horroroso escapava de vez em quando. Seus olhos frios vasculharam o menino.
— Então é isso que chamam de melhora…
Bem, eles haviam removido a máscara de oxigênio, então poderia ser considerado uma melhora. J sorriu friamente. Mesmo assim, o menino ainda parecia um cadáver.
J puxou uma cadeira dobrável redonda para mais perto e sentou a uma distância moderada da cama. Em silêncio, ele observou o menino respirar, acompanhando os fracos movimentos.
— …
Quanto tempo havia se passado? Eventualmente, J apoiou os cotovelos nos joelhos e o queixo nas mãos. Ele mordeu o lábio ao lembrar da questão fundamental que o havia atormentado desde o momento em que segurou a mão do menino.
“Salvar esse garoto foi realmente a coisa certa a fazer?”
O menino havia pedido para ser salvo, mas ele não saberia que a sobrevivência vinha com o preço de ser consumido pelo veneno, incapaz de se mover, sentindo seu corpo se deteriorar.
Era certo deixá-lo suportar essa dor, que era tão insuportável que ele até desmaiava? Tudo isso era apenas seu egoísmo?
“O menino estava sofrendo por causa do meu desejo egoísta de salvar alguém? Seria melhor simplesmente encerrar sua vida…”
Naquele momento, as pontas dos dedos do menino se contraíram ligeiramente. J momentaneamente relaxou o aperto. Ele endireitou as costas e fixou o olhar na mão do menino. Em meio ao bip regular da máquina, os dedos do menino se moveram novamente. O movimento era maior do que antes.
— Você.
As palavras escaparam involuntariamente. Os dedos, como se respondessem à sua voz, se curvaram ligeiramente. J arregalou os olhos e bateu o dedo no joelho. Seria possível que a audição do menino estivesse intacta? Ele perguntou de novo.
— Você está acordado?
A cabeça, que estava voltada para o teto, se virou lentamente em direção a ele. Os olhos cobertos por bandagens pareciam olhar para J. Podia ser imaginação sua. Os lábios rasgados e pálidos se abriram lentamente. O que saiu foi um pequeno sopro, mas…
Parecia uma resposta.
— Você está acordado. — J disse em voz alta.
Naquele momento, uma sensação que ele não havia experimentado por muito tempo o invadiu. Ele conhecia o nome dessa emoção.
Alegria!
Apressadamente, J pegou a cadeira dobrável e se aproximou mais da cama. A cabeça do menino ainda estava voltada para ele. Os movimentos, que mal eram perceptíveis, tornaram-se mais pronunciados. J perguntou:
— Há quanto tempo você está acordado?
— …
— Como está se sentindo? Está com muita dor? Você está bem?
A voz de J ficou estranhamente alta. Apesar da ausência de resposta verbal, os dedos do menino continuaram a se mover ligeiramente.
Parecia que ele não estava escrevendo letras com os dedos, mas simplesmente provando que estava acordado. Um pequeno gemido escapou dos seus lábios. O rosto de J, escondido sob a máscara, se contraiu levemente.
— Você precisa de analgésicos? Devo pedir para que te deem?
Naquele momento, ao ouvir a palavra “analgésicos”, o menino virou a cabeça para o outro lado com uma velocidade visivelmente mais rápida do que antes. Podia ter sido seu melhor esforço. Ainda era lento, mas…
— …Hah.
J, que estivera observando atentamente, deixou escapar uma risada. A cabeça se virou lentamente de volta para ele. Os cantos dos lábios de J tinham se curvado em um sorriso sem que ele percebesse.
As preocupações incessantes e torturantes, a fadiga que corroía seu corpo, a sensação de afundar das profundezas — tudo havia evaporado.
Seus olhos brincalhões agora estavam cheios apenas da imagem menino. J se inclinou mais perto da cama, apoiando o queixo com a mão e sorrindo.
— Ei, você é engraçado.
Aparentemente, o menino que ele havia salvado…
— …
…tinha uma vontade forte.
Bastante forte, de fato.
↫。。⛧ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna, Othello&Yuki