The Hunter’s Gonna Lay Low (Novel) - ↫─☫ Episódio 108
𓆰𓆪 Episódio 108 – Dias Bons 𓆰𓆪
— Hyung chegou!
J abaixou os braços abertos, fechou a porta atrás de si e caminhou até a cama a passos largos. O ar estagnado girou ao seu redor. Trazendo consigo o vento de fora, ele se inclinou ligeiramente e perguntou:
— O que você estava fazendo?
— …
Não houve resposta. A única reação foram os olhos levemente estreitados e opacos e os cantos da boca ligeiramente erguidos sob as bandagens, que logo desapareceram. Sob o rosto inexpressivo, os dedos sobre o cobertor se contraíram levemente. A essa altura, J havia aprendido a entender a maioria dos significados escondidos nos pequenos gestos do menino.
— Você estava me esperando.
J puxou uma cadeirinha para mais perto da cama e sentou. O menino recuou ligeiramente a parte superior do corpo quando ele inclinou o rosto mascarado para mais perto. Com uma voz tingida de risada, J perguntou:
— Sentiu minha falta, não foi?
O menino piscou lentamente e virou a cabeça para o outro lado. A julgar pelos lábios firmemente fechados, ele parecia chateado de novo. O garoto, que J havia observado até agora, era determinado e frequentemente mudava de humor com a rapidez com que se vira uma moeda. Embora desta vez J tivesse uma ideia.
Ele cruzou os braços e suspirou.
— …Sinto muito, de verdade. Queria ter vindo mais cedo, mas tinha muita coisa a fazer.
Desde que o menino havia recobrado a consciência, J vinha visitando o hospital regularmente. Depois de receber o cartão-chave, às vezes aparecia em silêncio como um fantasma. Apesar de sua agenda irregular, de alguma forma arranjava tempo para obter o antídoto, ver o menino e ter conversas sem resposta. Vários meses se passaram assim.
A cabeça do menino estava voltada para ele, mas seus olhos estavam direcionados ao espaço vazio ao lado de J.
— …
— Recentemente, o número de fendas…
Ops. J parou de falar no meio da frase, cobriu a boca mascarada com o punho e discretamente examinou os arredores. Uma câmera de segurança preta no canto do teto os observava. Ele confirmou que era um modelo que não gravava áudio, mas mesmo assim não podia falar descuidadamente sem ter certeza.
“Ainda não está confirmado…”
O número de fendas repentinas havia aumentado recentemente. Era tão sutil que apenas pouquíssimos caçadores trabalhando no campo conseguiam notar. Mas ele não podia agir com base em mera suspeita. Suas palavras carregavam mais peso do que as dos outros.
“Devo discutir isso com Jung Bin.”
O menino inclinou a cabeça como se perguntasse por que ele não estava falando. Então, cerrando o punho com firmeza, J disse:
— Senti sua falta também.
Talvez porque falou com pressa, seus verdadeiros sentimentos enterrados irromperam inesperadamente. Alguém que tinha que esconder o rosto, a voz e o coração raramente expressava sentimentos honestos. Os dedos do menino agarraram levemente o cobertor.
Agora, em vez do bip das máquinas, o som da respiração e do batimento cardíaco do garoto eram mais altos. Muitos dos fios que conectavam seu corpo aos aparelhos haviam sido removidos. Comparado aos dias em que ele ficava deitado como um cadáver, era uma melhora significativa.
“Ele consegue se sentar agora.”
Embora ainda precisasse de ajuda das pessoas e ficasse deitado na cama, sua condição melhorava dia a dia. Ao ponto em que J estava pensando em um futuro muito além do amanhã.
— …
Depois de mexer no cobertor por muito tempo, o menino lentamente estendeu a mão. J, sem hesitação, a pegou. Suas mãos robustas cobriram completamente aquela pequena mão. Enquanto J esfregava gentilmente as costas da mão do menino, ele perguntou:
— Como você está se sentindo? Sente dor? Ouvi que mudaram um pouco a mistura do remédio.
O garoto assentiu muito levemente.
— Que bom.
— …
— Te ver sentado assim… você pode ser capaz de caminhar algum dia.
Algum dia, talvez ele conseguisse escrever algo para se expressar, caminhar para fora da cama e sair desse quarto por conta própria.
“Quem sabe, talvez ele consiga falar.”
O pensamento cruzou sua mente de repente. Desde que se tornou caçador, J nunca havia pensado no futuro distante. Ele estava ocupado demais, sobrevivendo dia a dia.
Deixando os pensamentos para os outros, assegurando-se de que estava bem e balançando a lança, acreditando que a paz chegaria eventualmente, e que uma casa de paz seria construída sobre os alicerces que ele lançou.
Mas esse menino fez J sonhar com um futuro diferente. Não um futuro grandioso onde a paz chega, mas um mais pessoal. J olhou para a pequena mão se movendo em seu aperto e abriu a boca.
— Você já viu o mar?
Os olhos turvos rolaram para olhar J. Os lábios do menino fizeram um bico, como se questionassem que tipo de pergunta era aquela. Ou talvez ele achasse que o homem estava zombando dele. J sorriu.
— Não estou zombando de você. Estava pensando que poderíamos ir ao mar quando você melhorar.
— …
— Fui uma vez a Gangneung para capturar um Kraken ou uma lula gigante… Enfim, a ventosa dela era realmente grande. Mas não é esse o ponto…
— …
J limpou a garganta e deu um tapinha na mão do menino.
— O mar era lindo lá. Vamos juntos quando você melhorar.
— …
— Se gostar da ideia, pisque.
As pessoas precisam piscar por necessidades fisiológicas, mas era uma sugestão de qualquer maneira. No entanto, o menino piscou sem hesitação. J estava totalmente refletido em seus olhos turvos, que fecharam e abriram. Os cantos de seus lábios se curvaram.
— É uma promessa. Mesmo que você não queira ir depois, vou te carregar até lá.
J estendeu o dedo mindinho. Então, cuidadosamente, pegou a mão enfaixada do menino e entrelaçou os dedos. O garoto deu um pequeno suspiro e J deu uma risadinha.
— Ah, você consegue suspirar agora.
Os cantos da boca do menino se curvaram sob as bandagens.
Qual era a origem das fendas? Ao que as dungeons se conectavam? De onde vinham os monstros? Qual era o sistema que escolhia humanos e lhes emprestava poder?
O mundo ficou de cabeça para baixo desde o Dia da Fenda e estava cheio de incógnitas. Os dias eram tão bagunçados que era difícil julgar o que era certo e errado. Mas esse mundo bagunçado era o cotidiano de J.
A única constante nas mudanças infinitas era aquele que esperava por ele. O lugar para o qual ele tinha que voltar. J fechou os olhos e abaixou a cabeça.
“É estranho. Parecia que você me mostrava o caminho. Que eu não estava errado.”
O que acontece quando pessoas solitárias se encontram? Ele sabia a resposta agora. Quando pessoas solitárias se encontram, tornam-se o único ser uma da outra. O menino havia se tornado uma presença tão significativa que nenhuma palavra especial era suficiente para descrevê-lo.
Quanto tempo havia se passado? O menino adormeceu enquanto ouvia as histórias aleatórias de J. Sua respiração se regularizou e o aperto relaxou. Observando seu peito subir e descer fracamente, J se levantou. Sem soltar a mão do menino, ele se inclinou e gentilmente curvou a outra mão em sua bochecha. Roçando as bandagens, ele sussurrou suavemente.
— Você sabe?
— …
— Você é meu único sucesso.
J retirou a mão da bochecha do menino. Uma atmosfera serena os envolvia. O pequeno som da respiração e do batimento cardíaco. Seria bom continuar assim juntos. Como uma família.
Ele havia pensado assim uma vez.
***
Depois de ficar ao lado do menino por muito tempo, J percebeu uma pequena presença e saiu do quarto do hospital. Ga-young, segurando um arquivo contra o peito, esperava por ele com a outra mão no bolso do jaleco. Curvando a cabeça, ela sussurrou.
— Olá, J! Tenho algo a lhe dizer.
— O que é?
— É sobre o antídoto e a condição do menino, uh… Posso dar uma breve explicação?
Ga-young lançou um olhar para o pulso de J. A tela do relógio estava piscando. Parecia que o Departamento de Gestão de Despertos estava entrando em contato com ele. O remetente era…
Jung Bin.
— Só um momento.
— Certo.
J se virou pela metade e manipulou o relógio. A mensagem exibida na pequena tela era breve.
[Jung Bin: Gostaria de me encontrar com você. Me avise se estiver disponível à tarde.]
O que ele queria discutir? J estava um pouco confuso, mas podia ser de fato algo bom. Precisava de alguém discreto para falar sobre as mudanças nas fendas. Ele baixou os olhos e, perdido em pensamentos, respondeu:
— Tenho um pouco de tempo. Por favor, me diga brevemente.
— Ah, certo! Então vou reportar. A recuperação está progredindo tranquilamente. Ainda precisamos administrar o antídoto regularmente, mas o processo de desintoxicação está quase completo. Após a desintoxicação, planejamos iniciar pesquisas sobre a restauração do corpo danificado.
— Ele poderá caminhar algum dia?
— Bem, acho que é possível. Honestamente, não tenho certeza sobre os olhos e as cordas vocais. Hm, mas faremos o nosso melhor.
J soltou um suspiro profundo. Ga-young, que havia estado com a cabeça abaixada, lançou um olhar para ele e perguntou:
— Mas você vai continuar chamando-o de “aquele menino”?
— …O quê?
J arregalou os olhos. Segurando o arquivo sob o braço, Ga-young falou de forma um pouco constrangida.
— A gente ainda não sabe o nome dele, certo? Ele não consegue escrever e não consegue falar… E também não conseguimos encontrar sua família.
— …
Ele lembrou das ruínas cobertas de veneno. Os dois cadáveres derretidos que haviam circundado o menino. Identificar pessoas em um lugar onde tudo estava engolfado pelo veneno era impossível. Não havia nem tempo nem mão de obra para investir nisso. Era uma realidade dura. Ga-young murmurou:
— Enfim, já que foi você quem o trouxe, J… Que tal dar um nome a ele?
— Um nome.
— Sim. Um nome é importante para uma pessoa. Acho que o menino também gostaria.
— …Não.
J lançou um olhar para dentro do quarto do hospital e murmurou.
— Está tudo bem. Ele deve ter seu próprio nome.
— …
— Um dia, ele mesmo nos dirá qual é.
— …E se ele não puder?
— O quê?
Surpreso com a pergunta repentina, J olhou para Ga-young. Recebendo seu olhar, ela se endireitou e respondeu.
— Ah, quero dizer… não em nenhum outro sentido, mas suas cordas vocais podem não se recuperar. Ele pode ter esquecido como escrever.
J deu de ombros com descontração, como se perguntasse: “Por que você está me pedindo isso?”
— Aí eu mesmo darei um nome a ele.
↫。。⛧ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna, Othello&Yuki