The Hound Behind The Mask (Novel) - ↫─Capítulo 03
↫─Capítulo 03
Jaeha teve que se ajoelhar na entrada do anexo. Quando tudo terminou, seus joelhos estavam levemente dormentes e seu corpo, aquecido. Lee Jaeha ia esfregar as bochechas coradas, mas parou ao perceber que suas mãos estavam sujas de sêmen.
Sua mandíbula doía. Seria melhor se pudesse pressionar a região da articulação temporomandibular com o polegar, mas não tinha nenhuma mão limpa. Pensando no tamanho do que estivera contido ali até poucos instantes, aquela dor era natural.
Fora ele mesmo quem dissera que faria com a boca, com medo de que o outro realmente avançasse sem se conter.
— Está com mais fome na boca de cima? Dei um bom café da manhã, que estranho.
Jang Taegun riu baixo e acariciou com a mão a bochecha de Lee Jaeha, que estava ajoelhado diante dele. O gesto afetuoso, contrastando com as palavras que não o eram, queimou rapidamente algo dentro do peito de Lee Jaeha.
Foi por isso que se ajoelhou, esquecendo até que o chão da entrada estava frio. Pensando bem, era uma loucura. Lee Jaeha ficou um pouco constrangido com suas bochechas que não esfriavam.
Jang Taegun soltou um riso nasalado, pegou a mão de Lee Jaeha e a limpou com a própria gravata que havia afrouxado.
— Você sempre franze a testa quando se suja com alguma coisa.
— Não é nada disso.
— Como não? Você até carrega um lenço sem falta por aí.
O tom de Jang Taegun estava estranhamente leve. Seu rosto, que ainda mantinha um sorriso, parecia extremamente bonito. Desde que se reencontraram, Jang Taegun parecia estar de muito bom humor.
Mesmo quando começaram a morar juntos, ele já tinha parecido tão bem-humorado assim? Vasculhando a memória, não achava que ele costumasse cantarolar a todo momento ou sorrir sem segundas intenções como agora.
O líquido esbranquiçado misturado com saliva sujou a gravata preta dele. Jang Taegun, após limpar a mão de Lee Jaeha, jogou-a no chão sem hesitar. O canto dos lábios dele parecia levemente cortado. Lee Jaeha ajeitou a gravata desalinhada e tentou acalmar o semblante corado.
Foi inútil. Além de as duas bochechas estarem vermelhas e quentes, seus lábios estavam completamente molhados e brilhantes, uma aparência que de forma alguma combinava com uma casa de luto.
Jang Taegun cantarolava enquanto puxava o zíper e, após arrumar as próprias roupas, deu tapinhas no paletó de Lee Jaeha, que não precisava de mais nenhum ajuste. Em vez de parecer afetuoso, parecia mais um adulto imitando de forma exagerada uma brincadeira de casinha, o que fez Lee Jaeha soltar um riso abafado.
Os joelhos em que se apoiara para chupá-lo estavam levemente dormentes. O pênis ereto dele estava diminuindo aos poucos. Lee Jaeha esperava que o outro não tivesse percebido que ele havia ficado excitado enquanto o chupava.
Pensando bem, era um absurdo. Deixando de lado o tempo passado em que não procuraram um pelo outro, há três dias os dois agiam como se nada tivesse acontecido.
— Quer que eu chupe ou você quer chupar?
Essa fora a primeira frase que ele dissera ao entrar no anexo e afrouxar a gravata. No momento em que ouviu aquelas palavras, o fato de estarem em período de luto e de haver pessoas procurando por ele e por Jang Taegun deixou de ser importante.
Nem se lembrava do que havia respondido, mas, quando deu por si, já estava de joelhos. Perto o suficiente para enterrar o rosto na braguilha dele. A razão o alertava sobre o que diabos estava fazendo, mas algo dentro de seu corpo fervia loucamente.
A ponto de, no instante em que ouviu as palavras dele, pensar que era exatamente aquilo o que queria.
A entrada do anexo estava transbordando com os feromônios dos dois Alfas. Como a porta estava fechada e não havia ventilação, se ficasse parado, sentiria que ia sufocar com aquele aroma, a ponto de sua respiração se tornar curta.
Por causa disso, seu rosto aquecido não se acalmava facilmente. Por ter a pele clara, incomodava-se bastante com o fato de seu corpo inteiro ficar vermelho após exercícios intensos e, parando para pensar, embora não tivesse feito nenhuma atividade física especial, a quentura em suas bochechas não passava, deixando-o constrangido.
Lee Jaeha também não conseguiu rejeitar as mãos de Jang Taegun que, sob o pretexto de ajeitar suas roupas após tocar na gravata, apalpavam-no aqui e ali com segundas intenções. Em vez disso, mudou de assunto.
— Preciso ir agora.
— Vai sair com esse rosto?
— Meu rosto… está feio?
— Como seu rosto estaria feio? Às vezes você diz umas coisas estranhas. Eu cuido da matilha de cães que veio morder alguma coisa na casa de luto, então a patroa fica aqui.
Patroa. Era uma palavra que o deixava tonto só de ouvir. Jang Taegun deixou um beijo leve estalado nos lábios dele e se afastou.
— Não saia até o rosto esfriar.
Ficou pensando se realmente parecia tão feio assim. A mão grande dele tocou sua testa. Só então percebeu que seu cabelo, que estava arrumado, havia se desalinhado.
Ele cantarolou mais uma nota desconhecida e, quando ia se virar, de repente curvou a cintura. E então, acariciou de leve o tornozelo de Lee Jaeha. Assustado com o toque repentino, Lee Jaeha perguntou:
— O que… O que é isso?
— Você está pisando na minha braçadeira de luto.
Lee Jaeha se assustou e afastou o pé rapidamente. Como Jang Taegun dissera, ele realmente estava pisando na braçadeira de luto feita de cânhamo.
Jang Taegun recolheu a braçadeira, levantou-se, tirou a poeira dela com as mãos e soltou um riso nasalado. Como aquele riso parecia estar zombando dele, Lee Jaeha soltou um suspiro curto.
Jang Taegun abriu a porta da entrada do anexo daquele jeito e saiu. Assim que ele saiu, a expressão de Lee Jaeha desmoronou mais uma vez ao se lembrar do que acabara de acontecer.
A sensação do mamilo roçando na camisa não era boa. Parecia que o sangue havia se concentrado ali novamente, fazendo a ponta inchar. Antes de conhecer Jang Taegun, era uma região com a qual nem se importava se existia, mas ultimamente a sensação ficava cada vez mais estranha.
Lee Jaeha suspirou e entrou na casa. Pensou que deveria pelo menos lavar o rosto antes de sair. Também queria lavar as mãos adequadamente. Pensando assim, parecia que a frase de Jang Taegun sobre ele não suportar ficar sujo estava certa. Ficou se perguntando como ele sabia de algo assim.
Após lavar o rosto rapidamente, verificou o alinhamento das roupas novamente e saiu do anexo.
O caminho em direção à casa principal ficava cada vez mais barulhento à medida que caminhava. Era algo que sentira desde que as oportunidades de ir a funerais por causa da vida social aumentaram, mas as casas de luto eram, surpreendentemente, barulhentas e não tão solenes.
A menos que a pessoa falecida fosse jovem ou tivesse um futuro brilhante pela frente, o ambiente ficava barulhento como uma casa de festas. O funeral de Jang Changsik era a mesma coisa. Haviam dito que a causa da morte fora um ataque cardíaco. Lee Jaeha não havia se encontrado diretamente com o médico particular dele.
Para perguntar sobre várias coisas, tentou entrar em contato com o secretário Ko, que era o braço direito de Jang Changsik, mas ele não atendeu o telefone. Foi a mesma coisa mesmo ligando várias vezes.
Estava caminhando enquanto pensava no motivo de ele não aparecer nem no funeral de Jang Changsik, a quem servia como se fosse o próprio céu, quando ouviu:
— Diretor!
Era Myungsoon. Seu rosto, que sorria como se estivesse feliz em vê-lo, parecia dócil. Como também fazia tempo que não via Myungsoon, Lee Jaeha sorriu de leve, mas logo abaixou os cantos dos lábios. Por ser o cônjuge do enlutado principal, achou que não devia mostrar um rosto sorridente demais.
— Há quanto tempo.
— É bom vê-lo, Diretor. Já fez sua refeição?
Myungsoon perguntou casualmente sobre seu bem-estar. O que Lee Jaeha lembrou com aquela frase foi outra coisa.
— Como você comeu muito do meu, fique aí sem morder mais nada de outros.
Fora o que Jang Taegun dissera enquanto brincava com o lóbulo da orelha de Lee Jaeha, que estava ajoelhado diante de sua braguilha. Não sabia por que se lembrou daquilo, mas Lee Jaeha, que mal conseguira acalmar o semblante que ameaçava corar, balançou a cabeça.
— Não fiz a refeição. Posso fazer um lanche simples mais tarde. …Onde está o Diretor Jang?
— Ele está conversando um momento com os detetives.
Assustado com aquela frase, Lee Jaeha ergueu uma expressão sombria. Ao ver o rosto de Lee Jaeha, Myungsoon disse calmamente:
— Não é nada demais, parece que vieram por causa do motivo da morte do Presidente, mas como o hospital deu o veredito claro de ataque cardíaco, não há motivo para perigo.
Lee Jaeha assentiu. Não que pudesse ficar completamente tranquilo, mas queria encontrá-lo primeiro para ouvir o que os detetives haviam perguntado. O que ele dissera também fora significativo.
Não era uma questão de não confiar nele, mas se surgisse algum problema, queria resolvê-lo para ele.
Myungsoon, como se entendesse aquele sentimento, guiou Lee Jaeha. No quintal da casa principal, que não ficava longe, Jang Taegun estava de pé com as mãos enfiadas nos bolsos, conversando. Lee Jaeha foi em direção a eles, tentando caminhar nem muito devagar, nem muito rápido.
Aos poucos, o som das vozes se aproximou.
— Olha só como se aglomeraram. Sentem o cheiro de uma casa de luto perfeitamente, não é?
A voz desinteressada de Jang Taegun foi ouvida. Jang Taegun pronunciava as palavras de forma bastante clara, mesmo segurando entre os lábios um cigarro apagado.
Um detetive, que nem sequer usava roupas pretas, expressou irritação com a fala de Jang Taegun, mostrando um rosto cansado:
— Seu moleque, você fala de forma um pouco pesada. Seu rosto ficou bem polido no tempo em que não nos vimos. Diretor Jang, você tem a cara perfeita de quem vai comer a comida do governo na prisão.
O cigarro que não soltava fumaça foi preso entre seus dedos médio e indicador e depois colocado atrás da orelha. Com as mãos livres, Jang Taegun cruzou os braços e disse:
— Se prendem as pessoas olhando a fisionomia, o senhor detetive não deveria entrar primeiro? Contratam funcionários públicos por ordem de feiura?
Com a fala dele, outro detetive, que não o primeiro com quem conversara, abriu a boca:
— …Por que está criticando a aparência? Nós também não viemos por não ter o que fazer, viemos para fazer o que é necessário formalmente, então coopere um pouco.
Entre os três detetives parados diante de Jang Taegun, o mais velho parecia conhecê-lo. Estava nítido o seu desagrado com Jang Taegun, que exibia uma expressão indiferente. Diante de sua fala, Jang Taegun respondeu com desdém:
— O que é isso com alguém que acabou de ficar órfão? Tinha que ser justamente hoje?
— Se não for hoje, o Diretor de Divisão da Construtora Janghan daria atenção a estes humildes servos? Vamos apenas perguntar algumas coisas e terminar, então não há necessidade de chamar advogado…
— Então por que o senhor detetive decide isso? É em momentos assim que eu enfio umas 10 ou 20 mil pratas na mão de um advogado sem achar ruim, para ele responder no meu lugar.
Jang Taegun tirou um isqueiro do bolso com uma atitude indolente. Olhando de relance para Lee Jaeha que se aproximava, ele girou a pedra do isqueiro duas vezes e quebrou ao meio o cigarro que havia colocado atrás da orelha novamente.
— Vai ser mesmo assim, Diretor de Divisão Jang?
Quando o detetive mais velho falou colocando a mão na cintura, Jang Taegun rebateu com desdém, sem sequer sorrir:
— Mas por que fica me tratando com tanta intimidade? Eu pareço tão jovem assim? Por que fica agindo como se fôssemos iguais, que porra é essa?
— Não, faz quantos anos que nos conhecemos…
Os detetives exibiam, sem exceção, expressões irritadas. Como se algo não estivesse dando certo, um deles coçava a nuca com a caneta que segurava. Parecia que tinham suspeitas e correram até ali, mas estavam sofrendo por falta de provas materiais.
Jang Taegun também parecia saber disso, mantendo uma atitude relaxada. Myungsoon, que estava atrás de Lee Jaeha, avançou de repente e empurrou as costas dos detetives de forma sutil, mas aplicando uma força firme.
— Senhores detetives, não façam assim, seria bom se aceitassem uma colherada de comida antes de ir. Colocamos cebolinha de Jindo aos potes para ferver, e o sabor do gukbap de carne está excelente.
— Ei, ei, o que é isso? Não empurre!
Eram três homens, mas não conseguiram vencer Myungsoon, que os empurrava por trás sozinho. Quando eles desapareceram pelo jardim em direção ao lugar onde os convidados faziam as refeições, Jang Taegun, que estava com as mãos enfiadas nos bolsos, girou o corpo.
Ele disse a Lee Jaeha com uma atitude malemolente. O tom de voz solto era impressionante.
— Seu rosto ainda está um pouco obsceno.
— …Se ficar longe do lugar por muito tempo, os visitantes vão se sentir desconfortáveis. Como você é o enlutado principal, deveria entrar e ficar lá.
A última frase foi direcionada a Jang Taegun. Como ele deveria guardar o lugar para receber os visitantes, Lee Jaeha ficou preocupado com o altar por ele estar do lado de fora. Jang Taegun assentiu com a cabeça sem nenhum empenho.
— Vamos juntos. Não tem graça nenhuma ficar em pé sozinho.
— Graça…
Ia dizer que o lugar do enlutado principal não é algo que se faz por graça, mas fechou a boca. O Jang Taegun com quem se reencontrara exalava uma atmosfera que não existia antes.
O fato de sorrir estranhamente sem formalidades ou de puxar assunto de forma íntima era um reflexo disso. Lee Jaeha achava aquilo curioso. Parecia entender o motivo de Jang Taegun agir assim de repente, mas ao mesmo tempo achava que não sabia de nada.
De qualquer forma, não podia recusar o pedido dele para irem juntos. Quando Lee Jaeha assentiu lentamente com a cabeça, Jang Taegun fez um gesto com o queixo. Significava para ele ir para o seu lado e caminharem juntos.
Lee Jaeha recolheu os lábios para dentro e parou lentamente ao lado dele. Como a geada ainda não havia derretido completamente, ela estalava sob as solas dos sapatos ao ser pisada. A grama que perdera a cor estava estendida sob os pés dos dois. Lee Jaeha pensou nas estações que mudaram até voltar àquele ponto e olhou de relance para Jang Taegun, acabando por cruzar os olhos com os dele.
Não sabia desde quando, mas parecia que ele estivera olhando para si o tempo todo.
— …Por que me olha assim?
— Você sabe que eu passei por um luto, não sabe?
Era outra fala do nada. Se ele não tivesse que comparecer ao funeral no lugar do enlutado principal, os dois não teriam se encontrado na província de Gangwon na madrugada de hoje e vindo juntos até Seul. Pensando que era uma pergunta sem sentido, respondeu lentamente:
— Sim, eu sei.
— Não tem pena de mim? Eu fiquei órfão.
Sobre aquilo, teve que pensar na resposta por um longo tempo enquanto olhava para o retrato fúnebre de Jang Changsik. Não dava para considerar digno de pena, mas, com certeza, em relação a Jang Taegun, não havia ninguém nesta terra que ele pudesse chamar de parente de sangue.
No entanto, com medo de que pudesse parecer compaixão se falasse algo, manteve-se em silêncio, fazendo Jang Taegun dizer com os olhos estreitados:
— Tem pena ou não tem pena?
— …Não tenho pe—
— Não tem pena? De um órfão absoluto? O senhor Lee Jaeha é um psicopata?
…Psicopata. Como era a primeira vez que ouvia uma palavra daquelas na cara, balançou a cabeça com uma expressão estarrecida.
Então, Jang Taegun aproximou o rosto de repente e perguntou mais uma vez, a uma distância em que as testas quase se tocavam:
— Tem pena ou não tem pena?
Parecia que a resposta desejada já estava definida. Lee Jaeha recolheu os lábios para dentro. Sentiu o olhar de Jang Taegun, cujo fundo era impossível de decifrar, descer para os seus lábios, como um predador carnívoro avaliando o oponente.
— …Tenho pena?
Não teve escolha a não ser colocar um ponto de interrogação no final. Como um aluno exemplar que ouviu que aquela era a resposta certa mesmo achando que não era, Lee Jaeha respondeu com uma expressão intrigada.
Só então Jang Taegun, parecendo satisfeito, afastou o rosto que havia aproximado de repente e deu um sorriso largo. Os cantos de seus lábios subiram de forma revigorante. Ficou pensando que ele também era uma pessoa que sabia sorrir daquele jeito. Era a primeira vez que o via sorrir sem nenhuma preocupação.
Lee Jaeha, que ficara um pouco abobado com o sorriso dele, estava piscando os olhos quando Jang Taegun o abraçou pela cintura, trazendo-o para bem perto de seu flanco.
Assustado com o contato repentino, Lee Jaeha olhou ao redor. Não que houvesse empregados passando, mas ficou sem jeito. Mesmo nesse ínterim, Jang Taegun olhava para o Lee Jaeha em seus braços com um leve sorriso nos lábios.
— Isso, resposta certa. Então, o que deveria fazer por esse pobre órfão?
— …O quê?
— Nem toque no assunto de divórcio. Imagine passar por um luto e ainda ser divorciado. O coração do órfão fica despedaçado.
Era uma lógica absurda. Mesmo com Lee Jaeha exibindo uma expressão um pouco estupefata, Jang Taegun não se rendeu e continuou a falar. Disse emitindo um som de advertência, como se estivesse ameaçando:
— Você é humano? Por que age de forma tão cruel? Apenas diga que entendeu.
Lee Jaeha, que sofreu críticas consecutivas que nunca ouvira na vida inteira, fechou os olhos de leve, abriu-os e simplesmente caminhou. Porque sentia que devia ignorar de alguma forma.
Jang Taegun o seguiu facilmente e colou-se ao lado de Lee Jaeha novamente, despejando críticas cruas com uma voz sem altos e baixos, de forma indiferente.
As críticas não pareciam críticas, mas, como não sentia vontade de responder por causa disso, Lee Jaeha entrou na casa principal direto. Por trás, sentiu o sinal de Jang Taegun vindo atrás dele enquanto chutava aqueles chinelos cor-de-rosa de qualquer jeito. No final, Lee Jaeha também não pôde deixar de soltar um riso abafado.
Passou a manhã no altar dessa forma. A dor dormente na mandíbula foi se acalmando aos poucos. Também ficou ocupado preparando várias coisas para receber os visitantes. Pelo portão escancarado, as caixas de bebida que vieram de Jongno eram carregadas.
Enquanto cuidava disso, com medo de que Jang Taegun saísse para procurá-lo novamente, também precisava dar uma olhada no altar de vez em quando. Quando parava o trabalho e voltava para ficar ao lado do enlutado principal que estava em silêncio, Jang Taegun olhava de relance para Lee Jaeha.
E então, apenas com o formato da boca, dizia: “Estou morrendo de sono”. Seria natural estar cansado, já que havia dirigido da província de Gangwon até Seul na madrugada para ir procurá-lo.
Lee Jaeha também sentia o corpo mole, apesar de ter dormido o tempo todo no hotel por alguns dias. Parecia estar com um pouco de febre baixa e, ao ficar de pé ao lado dele, sempre que o via bocejar, sentia que ia fazer o mesmo, precisando virar o rosto rapidamente.
O altar estava cheio de bandeiras de condolências. Eram bandeiras de fulano, presidente de tal grupo, de ciclano, deputado, de figuras bastante conhecidas. Como ficou com medo de que o pátio ficasse alinhado com coroas de flores, a partir de certo ponto teve que postar um aviso de recusa no site da Construtora Janghan, dizendo que não receberiam coroas de condolências.
Era uma cena que também pudera ver nos funerais de seu avô e de sua mãe, mas, a julgar pela origem de Jang Changsik, parecia que eram bandeiras de condolências enviadas por causa de Jang Taegun, e não para homenagear o falecido.
Pareciam querer fazer fila antecipadamente para o Alfa que elevara a posição no mundo dos negócios até a faixa dos trinta melhores em poucos anos. Ver aquilo o deixou um pouco orgulhoso.
Diziam que no funeral de um ministro nem os mendigos aparecem, mas se o cachorro que o ministro cria morre, os visitantes se aglomeram como enxames de abelhas. O fato de o funeral de Jang Changsik estar lotado de coroas de condolências antes mesmo de começar não era porque ele era incrível, mas significava que estavam prestando atenção em Taegun, seu único herdeiro consanguíneo.
Na época em que Lee Jaeha se casou com Jang Taegun, ele não era nada. O cargo de chefe de gerenciamento de canteiro de obras da Construtora Janghan era algo que seria melhor nem ter.
Ele nem era o chefe do departamento de gerenciamento de canteiro formalmente contratado. O trabalho que ele fazia não era gerenciar o canteiro, mas ir realmente para o canteiro de obras.
A julgar pelo estado em que ele voltava às vezes após o casamento, com sangue escorrido, seria correto considerar que não havia nada nas mãos de Jang Taegun.
No entanto, depois disso, Jang Taegun se tornou a figura de poder da Janghan. E isso em apenas quatro anos. Lee Jaeha sentiu o peito inflar com uma sensação de orgulho e ergueu levemente os cantos dos lábios, mas logo os abaixou. Afinal de contas, não era algo para se sorrir com frequência em uma casa de luto. Mesmo que fosse um funeral considerado o fim de uma longa e plena vida para o enlutado principal.
Lee Jaeha, preocupado com o fato de Taegun ter dito que estava com sono, sussurrou baixinho:
— Mais tarde, quando o movimento diminuir um pouco à noite, vá fechar os olhos nem que seja no anexo.
— Vai me dar o braço de travesseiro?
Parecia que ele entendera de uma forma totalmente diferente. Lee Jaeha fechou os olhos de leve e balançou a cabeça. Taegun lamentou mais uma vez sua situação de ter perdido seu único parente de sangue de um dia para o outro.
Mesmo assim, precisava de alguém para guardar o altar. Para que Taegun pudesse fechar os olhos por algumas horas que fossem, Lee Jaeha precisava guardar o lugar durante esse tempo. Taegun pareceu pensar em algo, colou os lábios no lóbulo da orelha de Lee Jaeha e sussurrou:
— No anexo? Posso usar a cama que você usava?
Assustado com o contato repentino, Lee Jaeha assentiu sem jeito, fazendo Taegun sorrir de canto e sussurrar novamente:
— Você já bateu punheta naquela cama?
Lee Jaeha não respondeu. Mesmo com Taegun perguntando de novo: — Hein? Estou perguntando se já bateu punheta —, manteve os lábios firmemente fechados.
E foi nesse momento.
Myungsoon entrou no altar com um rosto um pouco tenso e disse a Taegun e Lee Jaeha, com uma voz baixa:
— …A senhora Kim Ranhee, da Yooshin, e o Diretor Lee Jaeho vieram prestar condolências.
Lee Jaeha olhou para Taegun sem perceber. Porque Jang Taegun, que até agora exibia uma expressão de quem não se importava com quem havia morrido, estava direcionando o olhar para fora do altar.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna