The Hound Behind The Mask (Novel) - ↫─Capítulo 03.2
↫─Capítulo 03.2
Kim Ranhee vestia um hanbok cor de marfim por baixo de um casaco de seda preta e estava com o cabelo preso em um coque baixo. O grampo de prata simples fazia com que suas feições delicadas parecessem ainda mais radiantes.
Como viera prestar condolências à família dos sogros, eram lábios sem nada passado, mas pareciam muito bonitos. Ao lado dela, Lee Jaeho estava de pé com um rosto um pouco sem jeito. Lee Jaeha olhou de relance para Lee Jaeho e abaixou levemente a cabeça, cumprimentando Kim Ranhee:
— Vocês vieram.
— Como você pôde acabar sendo um garoto que… Deixa para lá. Guie-nos.
O enlutado principal, Jang Taegun, esperava no altar para receber Kim Ranhee. Lee Jaeha, que saíra sozinho para recebê-los, percebeu de repente que a pessoa parada ao seu lado não era Myungsoon, que trouxera a notícia, mas sim Junggil, e controlou a expressão após o susto.
Kim Ranhee não desfazia o rosto descontente. Como ela sempre exibia aquele rosto ao vê-lo nos últimos anos, ele não se importou.
Provavelmente queria fazer aquela expressão desde o primeiro momento em que se conheceram. Por ele ser o Alfa dominante da próxima geração e receber a total confiança do avô, ela vinha controlando a expressão por não poder fazer um rosto daqueles, mas, com a posição de Lee Jaeha despencando nos últimos anos a ponto de ser agredido por Lee Ikhyung, parecia achar que não precisava mais esconder.
Para Lee Jaeha, era algo que tanto fazia. Sabendo muito bem que, mesmo quando ela sorria, estava zombando dele por dentro, que diferença faria a expressão?
Apenas ficou preocupado caso ela dissesse alguma palavra que faltasse com o respeito a Jang Taegun. Embora pensasse assim por dentro, Lee Jaeha guiou o par de mãe e filho para o altar montado na parte interna da casa principal com movimentos fluidos e elegantes.
Junggil os seguia silenciosamente por trás, como se estivesse escoltando o grupo. Lee Jaeha, que viu Lee Jaeho olhar de relance para trás algumas vezes, inclinou a cabeça para o lado. Os dois tinham alguma proximidade? Parecia lembrar vagamente de algo, mas virou a cabeça e caminhou por enquanto. O grupo entrou silenciosamente no altar daquele jeito.
Pelas características do funeral, parecia entender o motivo de terem visitado no início da tarde, quando não havia pessoas. Mesmo sendo a Yooshin totalmente arruinada, parecia que não queriam espalhar que eram parentes por afinidade da Construtora Janghan.
Como sentiu que ia soltar um riso de escárnio, Lee Jaeha firmou ainda mais a expressão e guiou os dois para o altar. Kim Ranhee, apesar de não ser exatamente cristã, não fez as reverências diante do retrato fúnebre; após oferecer a flor, manteve as duas mãos unidas em uma postura de oração.
Lee Jaeho, que ia fazer a reverência, hesitou ao ver a atitude da mãe e também ofereceu a flor. Ele estalou a língua pensando que a atitude deles parecia uma comédia. Lee Jaeha estava pensando se os dois sairiam do altar para comer algo antes de ir.
— Diretor, como vai?
— Ah, senhor Junggil. Há quanto tempo.
Como alguém falou baixo com ele, virou-se e viu Junggil de pé com um sorriso largo. O olhar um pouco afiado continuava o mesmo. Como ele sorria de forma aberta, aquela impressão parecia ser atenuada.
— Vou guiar a senhora e o Diretor Lee Jaeho para o quintal dos fundos. Lá é silencioso.
— Poderia fazer isso por mim?
Pensando que seria bom assim, assentiu com a cabeça. Junggil deu uma olhada de relance para Lee Jaeha, que ainda estava no altar, e desapareceu rapidamente. Parecia estar indo preparar o lugar.
Viu-se o perfil de Kim Ranhee cumprimentando o enlutado principal com a cabeça baixa. A mãe e o filho saíram lentamente do altar. Lee Jaeha esperou e, quando eles estavam suficientemente longe do altar, perguntou:
— Aceitam pelo menos uma refeição antes de ir?
— Dê-me um chá.
Os olhos dela indicavam a expectativa de que trariam um chá que estivesse à altura de seu nível. O rosto que mal conseguia suportar a vontade de franzir a testa estava minimamente distorcido.
Originalmente, ela não era uma mulher que demonstrava os sentimentos no rosto dessa forma. Como rival política de Lee Jaeha, não era uma oponente tão ruim assim.
Não dava para considerar que ela jogava limpo, mas também não provocava situações de nível totalmente baixo. Porque o orgulho próprio dela era extremamente forte e, à sua maneira, ela também era inteligente.
No entanto, hoje ela estava demonstrando a expressão sem filtros de forma muito incomum. Lee Jaeha olhou de relance para ela e a guiou para o quintal dos fundos da casa principal.
Como havia uma pequena estufa de vidro em formato de pavilhão octogonal, achou que seria bom montar a mesa de chá ali. Talvez Junggil tivesse preparado com antecedência, pois dentro da estufa havia um aquecedor elétrico e uma mesa posta com chás e doces.
Ao entrar, Lee Jaeha puxou a cadeira para Kim Ranhee e sentou-se na cadeira em frente. Lee Jaeho, que até então não conseguira abrir a boca nenhuma vez e apenas avaliava o ambiente timidamente, também se sentou ao lado de Kim Ranhee.
— Jaeho, saia.
Kim Ranhee disse direcionando-se a Lee Jaeho. O corpo de Lee Jaeho tremeu de forma perceptível. Lee Jaeha olhou para aquela cena, pegou o bule e serviu o chá na xícara dela.
Não conseguia imaginar o que ela tinha para falar a ponto de pedir uma conversa a sós. Porque por volta do ano passado ela o chamara para despejar insultos, mas pouco tempo depois pareceu achar que era uma atitude inútil e se acalmara.
Lee Jaeha olhou de relance para Lee Jaeho, que não conseguia deixar o lugar e avaliava o ambiente, e se levantou. Pretendia pedir a Junggil para lhe mostrar a residência. Assim que saiu da estufa e antes mesmo de dar um passo, viu Junggil de pé, posicionado como se estivesse fazendo a segurança.
— Senhor Junggil, poderia mostrar a residência ao Diretor Lee?
— Acho que não será possível, Diretor.
Como já fazia tempo que deixara o cargo de diretor e a pessoa ao lado havia assumido aquele lugar de diretor, era um tratamento constrangedor. Além disso, não conseguia imaginar o motivo de não ser possível. Olhou para ele desejando uma explicação, e Junggil disse com um rosto estranhamente sem expressão:
— O Diretor de Divisão ordenou a segurança do Diretor. Não posso me afastar do posto.
Lee Jaeha olhou sem perceber para Kim Ranhee, que permanecera na estufa de vidro. Ordenar a segurança deixando a si, um Alfa dominante, e Kim Ranhee, uma Ômega fêmea.
Embora achasse um pouco difícil de compreender, Lee Jaeha, que não queria contestar o que ele fazia diante de seu funcionário subordinado, mal conseguiu assentir com a cabeça. E então, disse a Jaeho:
— Você terá que dar uma olhada por conta própria e voltar.
— …Entendi.
Lee Jaeho respondeu com um rosto rígido e olhou de relance para Junggil. Não houve troca de olhares entre os dois.
Junggil apenas fitava a frente com um rosto endurecido. Lee Jaeha olhou para trás para vê-los mesmo subindo uns dois degraus de pedra do pavilhão octogonal.
Quando abriu a porta novamente daquela forma, Kim Ranhee, que estava com o semblante pálido, tomava o chá. Pensando que todos pareciam estar em um estado estranho hoje, Lee Jaeha sentou-se novamente diante dela e pigarreou curto.
— …Como o chá está esfriando, beba primeiro.
— Sim.
A xícara de Lee Jaeha continha o chá que ainda não havia esfriado. Não se lembrava de ter servido o chá, mas parecia que Kim Ranhee o fizera enquanto ele estava fora.
Lee Jaeha levou a xícara à boca, bebeu e a colocou de volta. Diferente do vapor que subia por causa do dia frio, o chá estava um pouco morno. Não que tivesse demorado muito tempo conversando fora da estufa a ponto de justificar o resfriamento, o que era estranho. No entanto, o mais estranho era o semblante de Kim Ranhee. Foi quando pensou se deveria perguntar se ela estava bem.
— …Consigo entender o motivo de você ter escolhido este lugar.
— O que quer dizer com isso?
— Você sempre foi uma criança cheia de segundas intenções assim. Totalmente impossível de decifrar ao fundo…
Kim Ranhee parecia estar falando de uma história antiga. Lee Jaeha não conseguia entender o motivo de ela falar sobre aquilo de repente. Ela bebeu o chá novamente com um semblante pálido e então encarou Lee Jaeha fixamente até que veias azuladas saltassem em sua testa.
Diferente do semblante pálido, os dois olhos com vasos sanguíneos vermelhos saltados misturavam-se às suas feições bonitas, transmitindo uma sensação bizarra.
Lee Jaeha olhou para ela em silêncio.
— O motivo de ter escolhido a Janghan é este? Tudo bem para você viver bem sozinho, mesmo tendo arruinado a família?
— Veio falar isso, então. Fiquei me perguntando por que ofereceu até a flor mesmo exibindo um rosto tão cheio de aversão.
Lee Jaeha, que bebeu mais um gole do chá morno, inclinou a cabeça para o lado.
— No entanto, eu sempre tive uma dúvida, mãe.
— …Sujeito insuportável.
— Sim. Essa atitude era a minha dúvida. Pelo que vi, a ladra é a mãe, então como consegue ser tão confiante assim?
— O quê?
— Não chorou de luto confiantemente, agiu como a parte fraca confiantemente e não ficou indignada confiantemente? Eu tive que perder minha própria mãe por causa da mãe e até entregar a casa onde morava confortavelmente. Existe alguém que queira ter suas coisas roubadas por ter muito? Entraram para roubar tudo e dizem que não conseguiram roubar, que é injusto, que deveriam ter roubado mais, não ficaram indignados por isso?
— Pare…!
Kim Ranhee jogou a xícara de chá direto em Lee Jaeha. Como se esquivou de leve com medo de ser atingido no rosto, acabou recebendo a água do chá nos ombros. A xícara que rolou e caiu quebrou-se no chão.
— Você receberá a punição dos céus.
— A ladra é outra pessoa, então a punição dos céus também preciso receber eu?
Lee Jaeha perguntou por realmente ter surgido uma dúvida. Por que ela sempre mostrava as garras para ele? A atitude de “se você não existisse, tudo seria do meu filho” era incompreensível.
Ele mesmo, se não fosse por Kim Ranhee e Lee Jaeho, haveria muitas coisas que não precisaria compartilhar. O único motivo de não ter tomado a frente para falar nada com eles era um só.
Porque a pessoa mais repulsiva era o seu próprio pai. Por isso apenas não pensou em bater de frente de propósito. No entanto, em dias assim, acabava não conseguindo conter a curiosidade.
Kim Ranhee tentou se levantar da cadeira, mas cambaleou. A mesa foi empurrada de leve e o som de xícara quebrando foi ouvido mais uma vez. Lee Jaeha estendeu a mão e a amparou. A expressão de Kim Ranhee agora demonstrava repulsa total.
— Entregou tudo para a Janghan e acha que não sei que você arruinou a Yooshin também?! Ficou com tanta pressa assim de não dar para o seu irmão?
— Mesmo se eu disser que não fui eu, não vai acreditar de qualquer forma, então perguntar de propósito não vai adiantar nada.
Lee Jaeha respondeu com um rosto sem expressão. Sabia que as pessoas que se enfureciam diante dele tinham o rosto que ficava ainda mais irritado.
— Solte-me!
— …Mãe!
Lee Jaeho, que entrara em algum momento, puxou Kim Ranhee, que cambaleava bastante, protegendo-a em seus braços ao afastá-la de Lee Jaeha que a amparava.
Era complicado ser tratado como ladrão sem ter feito nada e ainda levar a culpa de filho ingrato sendo que a outra parte começara a provocação. Lee Jaeho olhou de relance para Lee Jaeha e virou a cabeça.
Nos últimos anos, sempre que se encontravam, ele exibia aquele olhar. Um rosto ambíguo. Uma expressão que não conseguia definir se devia ficar com raiva ou perguntar algo. Lee Jaeha pensou mais uma vez que o meio-irmão era frouxo e abriu a porta da estufa de vidro do pavilhão octogonal.
— Senhor Junggil, por favor, avise ao motorista da mãe que eles já estão indo.
— Sim, Diretor.
— …Tanto este sujeito quanto aquele. Faz quanto tempo que esse traste desceu do cargo de diretor?
Ao ouvir o tratamento que Junggil usou para Lee Jaeha, Kim Ranhee murmurou enquanto arrumava o cabelo desalinhado na confusão. Nos dedos dela que alisavam os fios rebeldes, havia um anel de prata grosso enfiado.
Lee Jaeha ficou olhando fixamente a mãe e o filho deixarem a residência de Pyeongchang-dong. E então, logo em seguida, também girou o corpo e voltou para a casa principal onde Jang Taegun estaria esperando.
Jang Taegun exibia um rosto que, de tão entediado, parecia que ia morrer, enquanto fazia a reverência mútua com alguém. Como já havia deixado o lugar, pensou em dar uma olhada na região da cozinha.
Entrou, perguntou aos empregados o que estava faltando, fez com que pedissem imediatamente e depois voltou para o altar, postando-se ao lado de Taegun. Taegun, que estava bocejando há um tempo, olhou de relance para Lee Jaeha e sussurrou:
— Estou cansado.
— É porque dirigiu de manhã cedo. Como eu vou guardar o lugar, vá fechar os olhos um pouco primeiro se—
— Se o senhor Lee Jaeha chupar mais uma vez, acho que vou acordar um pouco do sono.
Lee Jaeha firmou o rosto sem perceber e balançou a cabeça. Porque ficou sem jeito.
— Isso não pode.
— Por que não pode?
Jang Taegun, como se já tivesse percebido aquele constrangimento há muito tempo, riu baixo e bateu com o ombro no braço de Lee Jaeha. Parecia ter batido devagar à sua maneira, mas a sensação que Lee Jaeha teve foi de um peso maciço.
— …Eu já fiz para você ainda há pouco.
— Parece que duas vezes por dia não pode. Então, eu chupar o do senhor Lee Jaeha?
— Eu não estou com sono.
Enquanto tentava escapar desesperadamente, de repente achou um absurdo e olhou para o homem. O rosto que ria baixo parecia ser, afinal de contas, uma brincadeira.
Só então Lee Jaeha também acabou soltando um riso frouxo. No entanto, os dois logo ficaram ocupados sem tempo sequer para uma pausa devido aos visitantes que chegavam como uma maré. Mesmo tendo chamado ajudantes suficientes, os visitantes transbordavam. Teve uma lembrança vaga de que os funerais de seu avô e de sua mãe também haviam sido assim.
A bebida acabou rápido e a comida esgotou ainda mais rápido. Enquanto entrava em contato com o Hanmyung-gwan para preparar carne de porco prensada e salada de arraia picante, as bebidas pedidas em Jongno foram entregues mais uma vez em caixas.
Foi por volta de quando a noite avançava que os passos dos visitantes foram diminuindo aos poucos. Lee Jaeha, que não havia jantado, foi em direção ao altar com a intenção de fazer Taegun comer. Era para fazer o revezamento.
Nesse momento, Lee Jaeha sentiu algo estranho. Porque a parte de baixo estava úmida.
Achou estranho. Começou a ter a sensação de que a região que não tinha motivos para se molhar estava úmida.
Pensou que deveria ir ao banheiro para verificar, mas, como ficou repentinamente ocupado de novo, não conseguiu encontrar tempo. Como não aconteceu novamente depois disso, esqueceu-se completamente.
Graças aos visitantes que chegaram como uma maré, Taegun também parecia ocupado. Não, na verdade, não parecia tão ocupado assim.
Ele cumprimentava as pessoas com uma atitude indiferente, às vezes apertava as mãos e fazia a reverência mútua de forma desleixada com os que vinham. Mantendo aquele rosto desinteressado o tempo todo sem apagar. Lee Jaeha olhou para aquele lado, soltou um riso nasalado e voltou a cuidar dos assuntos.
Quando finalmente conseguiu um tempo, já passava da meia-noite. Felizmente, assim que a bebida acabou, os passos dos visitantes cessaram.
Vieram muitos rostos conhecidos. Graças ao comparecimento em massa de figuras do mundo político e empresarial, Lee Jaeha também ficara ocupado circulando para cumprimentar no lado oposto ao de Taegun. O corpo que estivera com uma febre baixa já havia se acalmado em algum momento. Após pensar que devia ser apenas um breve mal-estar, Lee Jaeha fez com que os empregados arrumassem as coisas por alto, entrassem e fizessem o revezamento com a próxima equipe para descansar.
Como a organização estava razoavelmente concluída, Lee Jaeha disse para todos irem descansar sem necessidade de fazer o revezamento. Porque, com a noite avançada, não parecia que viriam mais visitantes.
Como sabia por experiência que em ocasiões assim a pessoa que fica em pé em um lugar por muito tempo sofre, foi em direção ao altar. Taegun exibia exatamente o mesmo rosto de manhã, mas, como continuara dizendo que o sono vinha vindo, a fadiga poderia estar ainda mais acumulada a esta altura.
Lee Jaeha aproximou-se lentamente e perguntou a Taegun:
— Vamos revezar?
Taegun, que exibia um rosto que demonstrava tédio extremo, olhou para Lee Jaeha e respondeu. O tom era de quem achava um absurdo.
— Quem trabalhou o dia inteiro foi você, como pode falar em revezar?
Jang Taegun segurou o pulso de Lee Jaeha e sentou-se no chão, fazendo o outro se sentar junto seguindo-o.
Se quisesse resistir, conseguiria, mas Lee Jaeha, não encontrando motivos para isso, sentou-se mansamente ao lado de Jang Taegun. Lee Jaeha, que colou o quadril ao lado de Taegun, ergueu os joelhos e apoiou os braços sobre eles, olhou para a frente mantendo os dedos entrelaçados daquele jeito.
Como sentou-se bem colado ao lado dele, o aroma dos feromônios de Taegun parecia mais forte hoje. Normalmente, o cheiro de sal marinho era forte e o cheiro de pétalas de rosa-rugosa vinha de forma leve como se caísse sobre as ondas, mas hoje vinha forte exatamente como o aroma que sentira sobre a cama.
Com a mente aérea, achou estranho e pensou se talvez Taegun não estaria no rut. Olhou de relance para ele, e Jang Taegun já olhava primeiro para Lee Jaeha com a testa franzida.
— Por que me olha assim?
Quando olhou exibindo olhos cheios de dúvida, ele de repente abaixou a cabeça, enterrou o rosto perto da nuca de Lee Jaeha e soltou uma respiração pesada.
— O que…
Lee Jaeha assustou-se um pouco e empurrou o peito dele. Jang Taegun, diferente das outras vezes, deixou-se empurrar mansamente.
E então, olhou fixamente para Lee Jaeha antes de abrir a boca:
— Que estranho. Estou sentindo um cheiro doce.
Lee Jaeha assustou-se um pouco com aquela frase. Ficou cauteloso pelo desejo de ser atencioso com o cônjuge que não demonstrara sinais sobre o rut diante dele nenhuma única vez.
Após mover os lábios algumas vezes, disse-lhe com uma voz baixa:
— Por acaso não é o período de rut do senhor Jang Taegun?
Hesitou até ao falar o nome. Porque fazia muito tempo que não chamava pelo nome diante dele.
Taegun olhou para Lee Jaeha em silêncio. O olhar era obsessivo. Sentindo-se sem jeito, desviou os olhos e, pensando que a esta altura ele já estaria olhando para outro lugar, voltou-se e viu que ele ainda olhava para si.
— …Por que me olha assim?
— Não vai gastar se olhar, o que tem demais?
O homem respondeu descaradamente. O tom de voz continuava indiferente, mas algo quente estava acumulado naquele olhar. A partir daquele momento, pelo contrário, não conseguiu desviar o olhar.
O olhar de Jang Taegun vagou por vários pontos do rosto de Lee Jaeha. Parou com aquela obsessão nas têmporas brancas e brilhantes, no contorno profundo dos olhos, no nariz empinado de traços masculinos e nos lábios que, comparados às outras feições, eram um pouco graciosos.
— Senhor Lee Jaeha, abra a boca.
Taegun veio e uniu os lábios aos dele. Ao ser levemente pressionado pelos lábios macios, Lee Jaeha arregalou os olhos, mas percebeu que ninguém se aproximaria do altar, já que enviara os empregados para descansar antes do revezamento e também mandara Myungsoon e Junggil descansarem.
O beijo, apesar de estar sendo compartilhado às escondidas em uma casa de luto, foi bastante afetuoso. Lee Jaeha fechou os dois olhos progressivamente. Os lábios de Taegun eram, contra as expectativas, do tipo macio. Quando os lábios que pareciam ter uma boa textura por serem um pouco cheios tocavam os seus, uma moleza como se o corpo inteiro estivesse envolvido por um cobertor fofinho e uma tensão que ecoava no baixo ventre surgiam juntas.
Lembrou-se também da memória de ele ter tocado os lábios como uma brincadeira de criança logo cedo pela manhã. Aquela memória fez Lee Jaeha abrir levemente os lábios.
— Hah…
O motivo de o gemido ter escapado sem perceber fora o pedaço de carne que, apesar de ter unido os lábios com uma atitude bastante cortês, empurrou para dentro assim que os lábios se abriram, como um salteador.
Taegun estendeu a mão e agarrou a nuca de Lee Jaeha. O cheiro de rosa-rugosa exalou forte. Um aroma fraco de jasmim fluiu. O aroma que mudara sutilmente após o casamento com ele era o de Lee Jaeha.
No entanto, havia um ponto estranho. Mesmo que o aroma mudasse, até então isso só acontecia nos períodos de rut que ocorreram. Porém, o período de rut nem estava próximo e o cheiro de jasmim estava surgindo.
Felizmente, por ser fraco a ponto de pensar ser um engano, aquela sensação estranha logo desapareceu, empurrada pelo beijo. Lee Jaeha contraiu a parte interna das coxas com firmeza sem perceber. Parecia que a parte de baixo estava um pouco úmida novamente.
Sentiu a região do períneo ficar úmida e, pensando que não havia motivos para ter suor ali, teve uma sensação de desconformidade, mas, desta vez também, por causa do que empurrara para dentro de sua boca com avidez, os pensamentos que estavam normais dissiparam-se de uma vez só.
Ouviu-se o som de lábios se sugando. A mão que segurava a nuca era firme. A ponto de não conseguir impedir-se de ser sugado para aquele peito.
Os dois homens vestindo roupas de luto estavam concentrados demais misturando as línguas. A mão de Lee Jaeha apoiava-se ao lado da coxa de Taegun, mas, como perdeu o equilíbrio, acabou apoiando firmemente sobre a coxa dele.
Como tocou levemente na região que estava guardada, houve um movimento de algo se erguendo sob a palma da mão. Ao afastar a mão assustado, Jang Taegun retirou a língua e expressou irritação mantendo apenas os lábios colados:
— Faça o que ia fazer. Por que parou?
— …Não é que eu ia fazer nada, mgh—
As palavras que soltara para negar foram sugadas novamente daquela forma pelos lábios de Taegun. Sempre que a língua dele entrava e raspava o céu da boca, sua cabeça inclinava-se para trás sem perceber.
Então Taegun firmava a força do punho que amparava a nuca e agitava à vontade a língua que estava dentro da boca de Lee Jaeha. Ouviu-se o som de carnes molhadas se batendo, como se estivessem penetrando. A mucosa dos lábios dele era macia, de um jeito que não combinava com Jang Taegun.
Aquele intervalo parecia de enlouquecer. Lee Jaeha mantinha os dois olhos firmemente fechados sem saber que o contorno de seus olhos estava vermelho e aquecido.
Como Jang Taegun segurara sua mão à força, sob a palma da mão ainda era pressionado o membro dele firmemente ereto. Como tentava ao máximo não tocar, acabou cometendo a tolice de esticar totalmente os dedos. Estava sem rumo a esse ponto.
Não queria se excitar, mas não era fácil. Não queria unir os lábios com Taegun no lugar onde estava o retrato fúnebre de Jang Changsik. Não por se importar com o fato de estar profanando o falecido, mas porque surgira um ciúme descabido.
O neto que o senhor abandonou tanto assim não está nem aí para o senhor morto. Tendo hoje como o último dia, o senhor será esquecido para sempre.
Queria dizer isso. Queria que Jang Changsik se arrependesse de ter negligenciado e maltratado Taegun mesmo no subsolo.
Jang Taegun era uma pessoa incrível. Não era alguém para receber aquele tipo de tratamento de um sujeito como Jang Changsik. Segurar uma gema bruta nas mãos e usá-la como se fosse uma faca de pedra comum. Se fosse ele, teria sido diferente.
A diferença de idade com Taegun não era grande, mas, de qualquer forma, se tivesse descoberto Taegun primeiro, não o teria deixado assim. Lee Jaeha achava aquele tempo um desperdício. O fato de a vida de Taegun ter corrido de forma objetivamente miserável enquanto ele a perdera de vista.
Como se soubesse que ele pensava em outra coisa, Taegun puxou a cintura de Lee Jaeha com firmeza e fez com que ele se sentasse direto sobre a sua coxa. Era em cima do pênis ereto.
Como a calça social do terno de luto era feita de seda fina, permitia sentir claramente o que estava guardado ali embaixo. De qualquer forma, incomodava-se com o fato de a região do períneo ter ficado levemente úmida. Porque ficou pensando se não acabaria molhando a cueca e a própria calça, criando uma marca na coxa dele.
Não sabia o motivo de ter molhado ali, mas, o que quer que fosse, não queria ver aquilo sujando a coxa de Taegun. Além disso, era difícil estimar de onde o que estava saindo para ficar pegajoso.
Lee Jaeha percebeu de repente que, na relação com Taegun, nunca recebera a ajuda de gel ou óleo nenhuma única vez. Não sabia por que aquilo veio à mente de repente.
De qualquer forma, não podia deixar o líquido de identidade desconhecida sujar a calça social de Jang Taegun. Por causa disso, Lee Jaeha não teve escolha senão mover o quadril por si só. Mesmo assim, logo era agarrado e trazido de volta para se sentar sobre a coxa dele novamente.
O beijo continuou mesmo em meio ao constrangimento. Até que Taegun retirou totalmente a língua, afastou os lábios e enterrou a testa na clavícula de Lee Jaeha, que estava sentado em cima dele.
Ele abraçou forte a cintura de Lee Jaeha. Foi difícil por ser pressionado por uma força que não dava espaço para respirar, mas, mais do que isso, o fato de estar sentado sobre a coxa incomodava mais. Teve que mover o quadril mais uma vez.
— …Você realmente me transforma em um filho da puta.
Não conseguiu entender o que ele queria dizer. Enquanto achava intrigante o motivo de aquela frase surgir ali, a respiração quente de Taegun colou-se na nuca.
— Eu disse claramente que tenho fetiche em transar em casa de luto. Você nunca escuta o que eu digo.
— ……
Queria dizer que não era aquilo, mas as palavras não saíam bem. Porque uma veia havia saltado na testa de Taegun. Parecia estar aguentando algo, mas não entendia o que ele estava aguentando.
Como não era algo que pudesse perguntar, apenas fechou a boca.
Jang Taegun ficou arfando com a testa apoiada na clavícula de Lee Jaeha por mais um tempo. Como sua respiração quente era sentida de muito perto, o membro de Lee Jaeha que estava guardado também recebeu força, fazendo a parte de baixo doer de forma latejante.
Jang Taegun agora estava com o rosto totalmente enterrado na nuca de Lee Jaeha, soltando respirações arfantes. A nuca ficou quente e com cócegas. Queria encolher os ombros, mas não conseguiu.
— Ah, espera…
Foi nesse momento que Lee Jaeha levantou-se assustado. Mesmo com a pessoa que estava sobre seus joelhos levantando-se de repente, Taegun apenas olhava para Lee Jaeha com os olhos caídos.
Lee Jaeha virou-se com o rosto totalmente vermelho e quente. Tinha que apressar os passos para encontrar o banheiro. Como fora raro vir à casa principal durante o tempo em que viveu no anexo, a estrutura não era familiar.
Mesmo assim encontrou rápido, mas para Lee Jaeha aquele tempo pareceu uma eternidade. Entrou rapidamente e trancou a porta primeiro.
Antes de se sentar em qualquer lugar, afrouxou o cinto e abaixou o zíper. Quando abaixou e despiu a cueca e a calça de uma vez só no lugar onde estava de pé, algo viscoso estendeu-se como um fio de prata e algo frio grudou na coxa como se estivesse escorrendo.
— …O que é isso…
Lee Jaeha murmurou sem chão. Porque sua parte de trás estava completamente molhada. A cueca estava molhada de forma pegajosa, exibindo uma cor escura. Lee Jaeha cobriu a boca com as duas mãos sem perceber.
Entre as pernas, exalava um aroma forte de jasmim. Embora pensasse que não podia ser, Lee Jaeha passou as mãos no rosto seco.
Foi nesse momento. Toc, toc. Alguém bateu na porta. Lee Jaeha assustou-se e olhou para o lado da porta por reflexo.
Uma voz foi ouvida do lado de fora da porta.
— Você não está batendo punheta sozinho de forma mesquinha, está?
Lee Jaeha fechou os dois olhos com força, recolheu os lábios para dentro e respondeu. Mesquinha. Não era uma palavra que queria ouvir nesta situação.
— …Não é isso.
— Então o que é? Está passando mal em algum lugar?
— Não, não é isso. É que de repente o estômago ficou um pouco ruim. Já vou sair.
Taegun não respondeu mais nada após aquela fala de Lee Jaeha. Sentindo que o sinal de presença sumira do lado de fora da porta, Lee Jaeha respirou um pouco mais aliviado, puxou várias folhas de papel toalha ao lado da pia e limpou o vão das pernas.
O períneo estava completamente molhado e, como o vão estava pegajoso de forma viscosa, chegou a fazer um som de líquido estalando. Lee Jaeha não estava em perfeito juízo por causa do pensamento de não saber o que era aquilo.
Não havia motivos para sair algo assim de trás, o que era apenas estranho. Como o secretário Im não cuidara separadamente de exames de saúde nos últimos anos, também achou incômodo procurar um hospital e adiara os exames.
Se fosse a um hospital ligado à Yooshin, o resultado de seu exame cairia direto nas mãos de Kim Ranhee, o que também não agradava. Ir por causa dos feromônios recentemente fora tudo. Mesmo assim, apenas disseram palavras mornas de que não sabiam dizer.
Lee Jaeha pensou que, assim que o funeral terminasse, deveria agendar imediatamente um hospital confiável através do encarregado Im.
Ficava sem jeito por receber ajuda frequentemente, mas como esse tipo de gerenciamento vinha sendo feito através da secretaria do grupo, havia partes que ficavam sutilmente travadas por questões de segurança se Lee Jaeha fizesse sozinho.
Pensando que deveria entrar em contato imediatamente após o cortejo fúnebre e não agora, caso ela prestasse atenção ao funeral de Jang Changsik, limpou o vão das pernas e ajeitou o alinhamento das roupas.
Nesse ínterim, sem saber de onde grudara, um líquido transparente e com um pouco de viscosidade havia caído nas costas de sua mão. Enquanto lavava limpando com sabonete, Lee Jaeha ficou sem jeito sem motivo.
Justo em um momento assim o corpo também dar problema. Um suspiro escapou. No espelho, um homem de semblante pálido soltava suspiros várias vezes.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna