The Hound Behind The Mask (Novel) - ↫─Capítulo 07
↫─Capítulo 07
— Felizmente, não havia nada entre nós…
Quando ele proferiu aquelas palavras, pensou que sua respiração iria parar. Mas não parou. Lee Jaeha ainda estava respirando, o ponteiro dos segundos tiquetaqueava diligentemente e a Terra continuava a girar. O fim do mundo parecia distante.
Portanto, era uma infelicidade pessoal de Lee Jaeha. Mas Jang Taegun tinha que permanecer alheio à infelicidade dele.
O Alfa de Jaeha falou com uma ferocidade que ele nunca tinha visto antes. A chama que sempre parecia queimar calmamente agora se espalhava como um incêndio florestal. Como uma fera rosnando, ele cuspiu as palavras.
— Então que porra foi tudo aquilo?
— …Acho que seria melhor evitar xingamentos.
Jaeha respondeu com uma expressão atordoada. Ele não sabia o que mais dizer.
Parecia que um zumbido ecoava por todo o mundo. Parecia que o chão estava se erguendo bem diante de seus olhos. Terremotos pareciam estar inundando todos os lugares, ameaçando sugá-lo diretamente para dentro da terra.
Foi difícil assim para Lee Jaeha proferir aquelas palavras. Aquelas palavras para Jang Taegun: para viverem como estranhos. Mas palavras lançadas da boca como flechas não podem ser recuperadas.
Ele não tinha arrependimentos. No entanto, não podia deixar de se perguntar se este momento era inevitável, ou se tinha que acontecer precisamente agora.
A expressão de Jaeha endureceu como gesso. Como se dissesse que não havia nada entre eles.
— Não vamos fazer rodeios. Estou bastante puto.
— ……
— Estou te perguntando. O que exatamente foi tudo o que o Sr. Lee Jaeha me mostrou?
O rosto de Jang Taegun estava contorcido de raiva como nunca antes. Algo viscoso e desconhecido emanava de seus olhos escuros e penetrantes. Jaeha não conseguia desviar o olhar.
— Acho que você pensou que este gângster era uma piada.
— ……
— Você sabe do que sou capaz. Não tenho intenção de agir como um cavalheiro na sua frente, Sr. Lee Jaeha. Especialmente em uma situação como esta.
O cheiro das hortênsias foi quase afogado pelo odor feroz das ondas.
Parecia quase vivo, fazendo Jaeha inconscientemente se perguntar se Jang Taegun poderia esmagar um de seus membros e trancá-lo em um quarto.
Mas aquilo não podia estar certo. Ele não tinha razão para ter tanto trabalho. Apenas Jaeha sentia emoções entre eles; Jang Taegun havia meramente mostrado seu próprio tipo de afeto.
No entanto, sua fúria era intensa, alimentada pela humilhação de ter seu afeto rejeitado. Os feromônios do homem alfa prenderam Jaeha como correntes de ferro. Parado em um penhasco costeiro açoitado pela tempestade, a expressão de Jaeha endureceu.
Ele tinha que dizer o que precisava ser dito. Para alcançar o que havia resolvido, Lee Jaeha estava preparado para desistir de qualquer coisa. Se ele não soubesse, não teria dito tais coisas.
Mas, Lee Jaeha nunca havia vivido uma vida fingindo não saber o que sabia. Ele não queria fazer isso em relação a Jang Taegun também.
— …Não posso te responder.
Era a verdade. Lee Jaeha podia dizer muito pouco. Embora incontáveis palavras que ele queria cuspir enchessem sua mente, tão poucas podiam realmente ser ditas que era melhor apenas manter a boca fechada.
— Então o que você era para mim Sr. Jang Taegun?
Ele lembrou que Taegun ja tinha pedido a ele para chamá-lo por seu nome várias vezes. Naquela época, ele era apenas tímido demais, então o chamava por seu título.
Ele nunca tinha sequer o chamado de Taegun-ssi, e agora, ter que dizer o nome dele nesta situação fazia suas entranhas parecerem derreter.
— A única coisa que sei é… não havia nada de especial entre nós.
Ele se lembrava de sua expressão quando disse aquilo.
Aquele dia foi extraordináriamente vívido. Lee Jaeha varreu o rosto de Jang Taegun com os olhos como se fosse pela última vez.
Era como o desespero de alguém abrindo sua garganta ressequida, sabendo que assim que esta chuva parar, nunca mais conseguirá outra gota de água.
Ele queria vê-lo apenas um pouco mais. Queria segurá-lo um pouco mais. Para lembrar de cada palavra que ele falou. Se ao menos ele pudesse esculpir isso em algum lugar e carregar com ele.
No entanto, ele não consegue se lembrar da expressão no rosto de Lee Jaeha no momento em que proferiu aquelas palavras.
— Parece que eles só trazem vinho americano aqui.
Jaeha despertou de seu devaneio graças ao Alfa, que se aproximou e colocou uma taça de vinho na longa mesa com tampo de mármore ao lado dele.
Seus ouvidos, entorpecidos pela profunda reflexão, de repente voltaram à vida, e o clamor ao redor o atingiu como uma onda gigante.
Ele brevemente fechou e abriu os olhos diante da sensação. Isso acontecia frequentemente ultimamente. Mesmo parado, ele divagava como se perdesse a consciência, apenas para voltar de repente.
Recuperando a postura calmamente, Jaeha abriu a boca devagar, em um ritmo que seu interlocutor não notaria.
— …Dizem que ganhou o primeiro lugar na degustação às cegas do ano passado na França. Suponho que o solo no continente americano seja apenas melhor para a produção de uvas.
Ele levantou apenas os cantos da boca. Seus olhos não estavam sorrindo, mas aquilo era suficiente para a ocasião. Seu interlocutor parecia alheio, perdido em pensamentos antes de falar.
— Você não disse que estava recém-casado Diretor Lee? Por que se dar ao trabalho de participar de cada evento como este?
— …Eu tenho que trabalhar.
Sua resposta foi breve, como se desviasse de uma piada maldosa, mas sua boca tinha um gosto amargo. Ele realmente estivera imerso nos doces sonhos da felicidade de recém-casado. Acontece que aquilo havia se tornado completamente irrelevante para ele agora.
O leve deboche em seu tom sugeria que ele pretendia ridicularizar seu casamento com Jang Taegun. O Alfa diante de mim, um veterano da minha escola, era um membro da Assembleia Nacional que mal havia conquistado seu primeiro mandato no ano passado por uma margem mínima.
Não era uma conexão particularmente importante, mas a reunião de hoje era organizada pelo protegido de meu avô, tornando estranho faltar.
Meus negócios haviam sido concluídos com o almoço, mas fui arrastado o dia todo.
Não era difícil, mas era incômodo. Ele parecia determinado em enfatizar a amizade deles para estabelecer firmemente a percepção de que a Yooshin, um grande conglomerado, o estava apoiando.
Como ele não se dava bem com seu pai, Lee Ikhyeong, ele estava usando Jaeha, um forte candidato para a próxima geração. Mesmo tendo deixado o conselho, Lee Jaeha ainda era chamado por aquele título em atividades públicas.
No passado, ele poderia ter desencorajado isso deliberadamente, mas não agora. Lee Jaeha ainda tinha trabalho a fazer.
— Este diretor é o único que cuida dos negócios na Coreia do Sul? Só estou curioso. Gostaria de saber por que ele veio a um lugar onde seu ex-noivo também está presente.
O veterano riu baixinho. Jaeha olhou para ele, depois examinou brevemente o ômega esguio encostado no bar atrás dele. Era Kim Sumin, a quem ele não via fazia muito tempo.
— É estranho falar com ele a sós? Seria o mesmo se eu estivesse aqui.
Jaeha disse com um tom ligeiramente desinteressado. Ele se perguntava por que ele estava arrumando briga, mas parecia ser por causa de seu histórico de seguir Kim Sumin.
Esta reunião era organizada diretamente pelo protegido de seu avô, e todas as despesas para comparecer vinham da Yooshin. Então não havia como Kim Sumin não saber sobre isso.
O Alfa diante dele parecia quase desesperado. Talvez estivesse preocupado que ainda houvesse uma faísca entre Kim Sumin e Jaeha.
Já fazia algum tempo desde que ele havia se casado, e bastante tempo desde que se separara de Jang Taegun. O primeiro aniversário de casamento deles estava logo ali, mas esse homem ainda não tinha dito uma palavra a Kim Sumin e estava incomodando-o em vez disso.
Ele sentia tanto simpatia quanto total repulsa por este tolo apaixonado. O cansaço que vinha seguindo Jaeha obstinadamente ultimamente apegou-se à parte de trás de seus calcanhares mais uma vez, subindo por sua espinha.
Então, inevitavelmente, ele se viu ruminando como um animal selvagem.
— Entre nós… não há nada… de especial?
A voz fazendo aquela pergunta voltou a mim. Eu não conseguia lembrar o rosto, mas a voz era cristalina. Uma voz baixa, contida, densa de raiva.
Mas aquilo poderia ser apenas um delírio de Jaeha. Poderia não ter havido raiva nenhuma, apenas total perplexidade. Ele poderia ter sentido fúria diante da audácia de alguém que ele havia salvado por um senso de dever, apenas para vê-lo falar sobre divórcio. O que quer que tenha sido, não poderia ter sido o mesmo que os sentimentos de Lee Jaeha.
…De qualquer forma, era passado. Lembrar mais era impossível.
— O quê? Eu não quis dizer isso…
— Me diga.
Bem quando o Alfa, com o rosto corado de vermelho até o pescoço, estava prestes a dizer algo, Kim Sumin de repente entrou e agarrou o pulso de Jaeha.
Sempre em guarda, Jaeha quase puxou seu braço para se livrar por reflexo, franzindo a testa.
— Sr. Kim Sumin, por que você está fazendo isso?
— Ha, até o fim… Preciso falar sobre Jang Taegun — não, Diretor Jang.
O Alfa, que estava por perto, estava ajustando a gravata quando viu Sumin. Percebendo que ele queria falar com Jaeha, fez uma careta azeda.
Alguém como Kim Sumin era mais do que suficiente como parceiro de casamento para um deputado de primeiro mandato. Seria um grande exagero até mesmo sonhar com ele, mas o rosto dele mostrava expectativa. Quando o ômega se dirigiu a Jaeha, a expressão dele se tornou insultuosa.
Então por que você? Então por que você também. Esse era o sentimento que Lee Jaeha tinha em relação a ambos.
Mas por enquanto, com tantas pessoas ao redor, ele não podia entrar em outra discussão com Kim Sumin. Incapaz de se livrar daquele sentimento persistente e irritante de antes, Jaeha assentiu.
— Sumbae, volto logo após uma conversa rápida. Se o Deputado vier, diga a ele que saí para fumar.
— O quê? Eu sou seu mensageiro? Por que eu deveria…
Achando o falatório adicional do Alfa irritante, ele imediatamente virou as costas. Kim Sumin, apesar de sua aparência, não era exatamente bem-comportado também, então ele manteve distância e saiu primeiro.
Afinal, se corressem boatos de que um Alfa casado havia desaparecido do local do evento de braços dados com um Ômega, seria o Ômega quem enfrentaria a reação negativa. Julgando ser prudente, ele seguiu lentamente atrás.
Kim Sumin parou após caminhar uma curta distância. Ao lado do grande salão de festas do hotel havia vários espaços pequenos e privados para descanso. Observando Kim Sumin entrar em um deles, Jaeha relutantemente deu um passo à frente.
Abrindo a porta e entrando, ele viu Sumin parado sob luzes mais brilhantes do que as do salão de banquetes.
— …….
O rosto dele estava gravemente machucado. Não por fadiga, exaustão ou por dificuldades físicas, mas…..
— Não se preocupe. Estou na reabilitação.
Diante das palavras de Sumin, Jaeha deu um leve aceno com a cabeça e encostou as costas na parede ao lado da porta, cruzando os braços.
Seu gesto sinalizava que ele deixaria aquela sala a qualquer momento e não tinha nada profundo para compartilhar com ele, fazendo-o franzir a testa.
Como se seu orgulho estivesse ferido, o rosto fino de Sumin tremeu ligeiramente.
— Isso é ridículo. Estou tentando te ajudar, Jaeha.
— ……
— Você sabe por que meu rosto está assim? É por causa das drogas de Jang Taegun.
Não era uma notícia surpreendente. Sumin não tinha sido capaz de largar as drogas nem mesmo durante o noivado deles. Desde que não chegasse aos ouvidos de Kim Ranhee, Jaeha não se importava.
Sumin também parecia determinado a largar as drogas completamente após o casamento. Aquilo era bom o suficiente para ele. Não era uma falha, apenas algo para manter escondido do casal Lee.
A dosagem não era tão alta, e a frequência não era suficiente para ser considerada um vício. As drogas que ele tomava estavam apenas no nível de tranquilizantes nervosos, não algo como maconha.
Mas sua tez agora estava diferente de antes. Para quem olhasse, ele claramente parecia um viciado.
Olhos fundos e bochechas encovadas. Uma família como a de Kim Sumin não deixaria isso acontecer simplesmente; o fato de ter ficado tão ruim significava que era muito mais sério.
Sumin arregaçou a manga bem na frente de Jaeha. A veia estava coberta de marcas de agulha. Suas coxas provavelmente tinham marcas semelhantes por toda parte.
Jaeha franziu a testa involuntariamente. O fato de as drogas virem de Jang Construções o incomodava.
— O que você está tentando dizer?
— Você sequer sabe sob quais condições conseguiu essas drogas?
Kim Sumin deixou a manga cair e riu baixinho. Seus olhos continham um toque de superioridade. Jaeha não respondeu.
— Consegui este remédio com a condição de deixar você se encontrar com o Diretor Jang uma vez.
— …….
— Eu também não queria usar um remédio tão forte. Um bastardo que conheci em uma festa me forçou a tomar… Porra, eu também não queria fazer isso.
…Ultimamente, parecia que ele continuava conhecendo pessoas demais que não queriam fazer algo, mas não tinham escolha.
Para Jaeha, uma dessas pessoas, era uma história que guardava pouca emoção. Antes de separar os lábios com sua textura fina, Jaeha olhou discretamente para o relógio de pulso, sem que Sumin notasse.
Mas Sumin, com seus sentidos aguçados, foi rápido em notar as ações sutis de Jaeha.
Isso era algo com o qual ele já estava familiarizado desde os dias de noivado deles. Sumin olhou para Jaeha com olhos que estavam ligeiramente feridos, mas também queimando de raiva.
Jaeha cuspiu as palavras sem emoção.
— E daí.
— E daí? Isso é tudo o que você tem a dizer?! Aquele bastardo do Jang Taegun se aproximou de você deliberadamente!
Era uma história familiar, palavras que não despertavam emoção. Jaeha soltou um curto suspiro.
— Sumin.
— …….
Kim Sumin, com seu nome chamado, estremeceu ligeiramente. Seu olhar ficou turvo, como se estivesse se lembrando de algo, depois se encheu de umidade.
Jaeha não a deixou olhar por mais tempo e continuou.
— Você deveria ter dito isso naquela época.
Era como se ele estivesse dizendo isso para si mesmo. Palavras não ditas são piores do que palavra nenhuma. Kim Sumin e eu podemos ser parecidos nesse aspecto.
O rosto de Sumin desmoronou. Ela parecia querer negar o que tinha ouvido.
— Jaeha, até o fim… Como você pôde fazer isso comigo?
Vendo o desejo dele de culpar, Jaeha abriu a boca para tranquilizar a mente do ômega. Com uma postura fria.
— Então você não deveria ter me vendido por algumas pílulas. Quando foi que você virou cafetina? Agora você age como se estivesse injustiçado, Sumin.
— O quê? Agora, o que isso sequer significa…
Sumin estava tremendo de raiva. Parecia tristeza também.
Para Kim Sumin, parecia que ele estava agindo assim porque sentia que ninguém neste mundo o entendia. Mas Lee Jaeha entendia Kim Sumin completamente.
Aquelas coisas que ele não tinha escolha a não ser fazer, aquelas coisas que ele tinha que fazer, aqueles desejos que o faziam se lançar, queimando todo o seu corpo, embora fosse óbvio que o arruinariam.
Não havia diferença entre Kim Sumin intoxicado por drogas e Lee Jaeha consumido por alguma outra existência. Pensando que eles poderiam ter desfeito o noivado porque eram parecidos demais, Jaeha deixou Sumin sozinho naquela sala e saiu de fininho.
Dando mais alguns passos pelo tapete marrom-avermelhado, ele percebeu alguém olhando para ele da extremidade do corredor. O corpo inteiro de Jaeha enrijeceu com a tensão. Desde o sequestro, apenas sentir o olhar de alguém às vezes fazia seu corpo congelar assim.
Sobrecarregado por uma tensão extrema, sua espinha formigou, mas Jaeha inconscientemente relaxou os músculos. Era um dos homens de Taegun. Ele claramente o havia cumprimentado e saído de casa naquela manhã. Julgando pela forma como o estava observando aqui, ele parecia estar procurando algo para relatar à tarde.
Jaeha simplesmente acenou com a cabeça em direção a ele e retomou seu ritmo normal em direção ao grande salão de banquetes.
Seu trabalho ainda estava inacabado. Ele estava aqui para esse propósito, então a perfeição era essencial. Sem hesitação, Jaeha abriu as portas do grande salão de banquetes.
O protegido de seu avô estava lá, de braços abertos, com o rosto brilhante como se estivesse dando as boas-vindas ao próprio filho.
— Diretor Lee, onde você esteve?
— Minhas desculpas pela breve ausência. O que vocês estavam discutindo?
Jaeha deixou um sorriso ensaiado tocar seus lábios. O mundo das máscaras. Eu só faço o que posso. Não é por isso que deixei o lado dele? Porque eu podia fazer isso bem.
Então eu sou assim.
— Jaeha, até o fim… Como você pôde fazer isso comigo?
Eu não podia me tornar como Kim Sumin, ressentido com cada fibra de seu ser. Cada um tem seu lugar.
Este era o túmulo de Lee Jaeha.
— Vocês foram jogar golfe?
Taegun sentou-se em uma cadeira de metal enferrujada, vasculhando o bolso do peito esquerdo com a mão direita enquanto falava.
Ele logo puxou um maço de cigarros e colocou um na boca. Os gemidos abafados e os gritos contidos das pessoas amordaçadas continuaram.
Os humanos estendidos em linha no chão estavam todos de cueca. Eles haviam coberto apenas as partes necessárias, mas usavam relógios brilhantes nos pulsos.
Os corpos idosos jaziam em linha, tremendo e estremecendo. Um homem corpulento estava jogando as roupas de golfe que havia tirado deles em um latão, depois derramando gasolina sobre elas.
— Saia e queime isso. Está fedendo.
Diante das palavras de Taegun, Myeongsoon apontou silenciosamente em direção à porta para o grandalhão. O homem respondeu: “Sim, chefe”, então pegou o latão e saiu do armazém abandonado.
Taegun acendeu a ponta de seu cigarro. Ele deu apenas uma tragada, depois o colocou entre os dedos indicador e médio, girando-o enquanto o apoiava no joelho. Então ele bateu levemente no joelho com os dedos que seguravam o cigarro.
Manchas de sangue estavam espalhadas aqui e ali no chão. Alguns homens corpulentos varriam e limpavam o sangue com vassouras de plástico.
Jeonggil, que estivera nos fundos, mancava ligeiramente enquanto se aproximava e colocava uma bolsa de golfe ao lado de Taegun. Taegun olhou para Jeonggil e abriu a boca.
— Por que você saiu de novo? Você deveria estar em casa descansando.
— O osso está totalmente curado. Estou bem.
Jeonggil respondeu secamente. Ele não podia simplesmente sentar e descansar tranquilamente sem ter consciência, tendo sido liberado com apenas uma tíbia quebrada por colocar Lee Jaeha em perigo enquanto estava fora de si.
Embora o relacionamento dele com Lee Jaeha tivesse claramente azedado após aquele dia, Taegun não havia repreendido Jeonggil por nada além de claramente quebrar sua tíbia. Pelo contrário, fora o próprio Jeonggil quem não conseguiu suportar e tinha saído para trabalhar.
Por causa disso, seus ossos estavam cicatrizando lentamente. A inflamação significava que ele continuava correndo de um lado para o outro, às vezes tendo febre, mas ele não conseguia se livrar da sensação de que estava causando problemas para o trabalho de seu hyung.
— Deixe de ser tão teimoso. Ei, Myeongsoon. Eu te disse para mantê-lo amarrado até que o osso de Jeonggil se recupere completamente.
Taegun bateu a cinza do cigarro com uma mão enquanto revirava a bolsa de golfe que Jeonggil trouxera com a outra. Seu rosto sem expressão tornava impossível dizer se ele estava brincando ou falando sério, uma característica sua de longa data.
Mas como eles eram próximos como irmãos, eles simplesmente pensaram: “Bem, o hyung-nim parece estar em um humor razoavelmente decente hoje”. Comparado aos últimos meses, quando ele mal havia dormido, esmagando os remanescentes da Myeongwon e aqueles que conspiravam com eles, hoje estava apenas aceitável.
Taegun finalmente escolheu um taco de ferro e bateu a palma da mão contra a estrutura da haste. Então, com um cigarro pendurado na boca, ele resmungou com a fala arrastada.
— Aquele que conseguiu um hole-in-one hoje será poupado.
Os homens de meia-idade, com as bocas amordaçadas com fita adesiva, gemeram todos em uníssono. Jang Taegun disse indiferentemente.
— O quê? Nenhum? Se as habilidades de vocês são uma merda, vocês merecem uma surra.
Então ele atingiu os homens alinhados em uma fileira em suas nádegas com um taco de golfe. O ferro cortou o ar com um som agudo de assobio. Baque! O taco, atingindo apenas músculo, começou a entortar após golpear mais alguns homens.
Os homens espancados tremeram violentamente. Exatamente quando estavam prestes a desabar, Jeonggil os chutou com o pé, então gritou com eles para se levantarem.
Taegun tirou o cigarro da boca e bateu a cinza.
— Eu avisei a vocês, velhos, eu disse para se moverem mais rápido. Este é o momento para se jogar golfe? O que vocês acharam que conseguiriam permanecendo sob o comando de Jang Changsik?
— Ugh, hmph, ugh…
Lamentos vinham de aqui e ali. Eles eram os irmãos mais novos de Jang Changsik. Esses eram os homens a quem Jang Taegun se referia como seus tios-avós .
Na época em que eram jovens, Jang Taegun não era diferente de um cachorro criado na casa de Jang Changsik. Então, que diferença faz se esses homens o ensinaram a chamá-los de tio?
Uma fera, grande ou pequena, que foi abusada nunca esquece as memórias de sua juventude. As feridas apegadas à alma inevitavelmente deixam uma marca em algum lugar.
Mas Jang Taegun não tinha nenhuma. Significando que ele não tinha nada que pudesse ser chamado de trauma.
É por isso que, embora o tratassem como um animal de estimação jovem em casa, ele podia balançar um taco de golfe contra eles tão livremente, sem qualquer hesitação.
Mesmo enquanto golpeava aqueles que o haviam tratado como um animal, o rosto de Jang Taegun não mostrava nenhuma mudança perceptível na expressão. Era simplesmente o rosto impassível de alguém fazendo seu trabalho.
— Meus tios-avós me viam como alguém que tem algum senso de propriedade? Eu os avisei que se não ouvissem, eu os arrastaria para cá e os espancaria como cachorros. Que espetáculo é esse agora no final da sua vida miserável.
Os homens, tendo recebido cada um alguns golpes por sua vez, jaziam estendidos no chão, gemendo. Ainda assim, ele tinha sido incrivelmente preciso, visando apenas as camadas musculares, de modo que nenhum osso provavelmente foi quebrado.
Taegun jogou seu cigarro fora com uma mão, sua expressão claramente irritada pelos lamentos exagerados. Ele caiu em uma poça de sangue coagulado, sibilou enquanto as brasas restantes se apagavam.
— Ah, que chato.
Taegun disse em um tom entediado enquanto enfiava os tacos em sua bolsa de golfe.
Então ele desabou de volta na cadeira em que estivera sentado e cruzou as pernas. Ele revirou o bolso, puxou outro cigarro, colocou-o na boca, encostou-se na cadeira e inclinou a cabeça para trás.
Seu pescoço exposto era grosso e longo, parecendo quase o de uma fera. Os pequenos músculos presos à sua mandíbula pareciam tão sólidos que parecia que até mesmo uma faca cravada em sua garganta não penetraria.
Naquele estado, Jang Taegun acendeu o cigarro, deu algumas tragadas, depois endireitou a cabeça. Ele descruzou as pernas, apoiou os cotovelos nos joelhos e inclinou o tronco para a frente.
Como se estivesse examinando peixes expostos em um mercado.
— Com o que o Changsik comprou vocês? A lealdade de homens velhos é provavelmente tão impotente quanto seus próprios paus, então não tentem me enganar.
Seu rosto não mostrava emoção enquanto ele tragava a ponta do cigarro novamente com um tom ranzinza, com os olhos estreitados.
Em vez de Taegun, Myeongsoon arrastou-se até os homens caídos. O tremor deles era uma verdadeira cena. Suas bochechas sujas de imundície estavam brilhantes de lágrimas e suor.
Myeongsoon arrancou a fita azul de suas bocas. Gritos espalhados irromperam daqui e dali.
— Jang, Jang, Diretor Jang, não vamos fazer isso. Precisamos ser racionais…
— O quê? Então você está dizendo que perdi o juízo agora? Tratar uma pessoa sã como um bastardo louco.
— Não, não é isso…!
Taegun pressionou a ponta do polegar, aquele que segurava o cigarro, firmemente contra a osso da testa. Recentemente, a insônia de Jang Taegun havia surgido novamente, então Jeonggil e Myeongsoon olharam para o seu rosto.
Estava claro que ele não havia dormido nada, mas no dia seguinte, ele entraria no carro de Myeongsoon esperando do lado de fora de sua casa com um rosto perfeitamente normal. Jeonggil e Myeongsoon sabiam exatamente quando a insônia de Taegun havia começado.
Um pedacinho de cinza agarrava-se precariamente à ponta do cigarro em sua mão. Como se todo o interesse tivesse realmente sumido dele, Taegun falou em uma voz seca.
— Sei que todos vocês, velhos caquéticos, têm vazado informações para a Myeongwon. Abram o bico sobre quem é, rápido. O primeiro a falar ganha desconto na surra.
A sala ficou em silêncio instantaneamente. Então, um deles debateu-se como um peixe puxado para a terra seca e gritou.
— Tudo bem, Diretor Jang! Eu te conto tudo, eu te conto tudo…!
Assim que um rompeu a represa, todos começaram a tagarelar. Jang Taegun jogou o cigarro, mal tragado algumas vezes, no chão novamente.
— Myeongsoon, o que você está fazendo? Livre-se do primeiro. Lealdade, uma ova. Que porra de piada.
— Sim, chefe.
— Diretor Jang, que porra isso significa?! Você disse que nos deixaria ir!
— Quando eu disse? Eu disse que enviaria você primeiro encurtando sua punição. O resto de vocês assista com cuidado. Se vocês abrirem o bico errado, vão acabar como ele.
Taegun, com as mãos enfiadas nos bolsos da calça do terno, acenou com a mão desdenhosamente para Myeongsoon.
— Vou esperar no carro primeiro. Termine isso e volte.
Jeonggil aproximou-se com um leve mancar, curvando rapidamente a cabeça.
— Hyung, eu cuido disso. Você vai para dentro primeiro.
— Com uma perna quebrada?
— Os garotos estão aqui, estou bem. Myeongsoon, escolte rapidamente nosso hyung-nim.
Myeongsoon, que estava segurando a faca de peixe manchada de sangue, entregou-a ao seu irmão mais novo ao lado dele e o seguiu imediatamente. Taegun olhou para a cabeça de Jeonggil, ainda curvada, depois moveu os pés e saiu do armazém abandonado.
Era o armazém onde Lee Jaeha havia sido sequestrado. Mesmo trabalhando diligentemente, levou meio ano para arrastar cada um dos bastardos conectados e esquartejá-los membro por membro.
Vários membros curvaram-se profundamente atrás das costas de Taegun antes de fechar a porta do armazém. Os gritos que ecoavam de trás, abafados pelas paredes, tornaram-se ligeiramente mais opacos.
Enquanto Myeongsoon se aproximava silenciosamente por trás, Taegun perguntou casualmente, como quem não quer nada.
— O que ele fez hoje?
— Ele compareceu ao evento de arrecadação de fundos do Deputado Jo Daecheol. Ficou durante o jantar e voltou para casa há cerca de uma hora.
— …… .
Taegun caminhou sem responder. Conforme seus passos se dirigiam para o carro estacionado, Myeongsoon, que o havia seguido discretamente, abriu a porta traseira primeiro.
Taegun entrou e disse a Myeongsoon, que estava prestes a fechar a porta:
— Me leve para Pyeongchang-dong.
— …Você realmente deveria dormir um pouco, hyung.
— Quem disse que vou passar a noite acordado? Só vou dar uma olhada ao redor.
Com isso, Taegun encostou-se no assento, cruzou os braços e fechou os olhos. Myeongsoon fechou a porta com uma expressão preocupada e entrou no banco do motorista.
Como se sentisse a hesitação dele, Taegun bateu no banco do motorista com o pé.
— Vamos logo.
— …Sim, senhor.
Era óbvio que ele estaria lá de pé a noite toda novamente. Quando Myeongsoon hesitou, querendo dar a Taegun pelo menos um dia de descanso, ele estalou a língua em exasperação. Não havia espaço para mais hesitação. Myeongsoon pisou no acelerador.
* * *
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna