The Hound Behind The Mask (Novel) - ↫─Capítulo 10
↫─Capítulo 10
— O que aconteceu com o caso Myeongwon Park?
— Nós recebemos os materiais do Escritório de Estratégia. Preparamos comunicados de imprensa, mas o Escritório de Estratégia acredita que seria melhor distribuí-los online primeiro.
— Então proceda dessa forma. Por favor, envie-me os materiais relevantes novamente.
Lee Jaeha transmitiu as tarefas de hoje para a Gerente Lim, achando aquilo cansativo.
Ele resolveu abalar as coisas até as raízes enquanto estava nisso.
Esses foram os que haviam feito um buraco no abdômen de Jang Taegun. Deveria o seu cônjuge, ele mesmo, perdoá-los? Lee Jaeha tinha seu próprio estilo de caça.
Como ele já havia cravado os dentes, queria cortar a artéria carótida em vez de recuar suas presas de forma hesitante. O método de Lee Jaeha não era de matar com um único golpe.
Sua especialidade era drenar lentamente sua presa até a morte, não importa quem fosse. Era um hábito bagunçado que não combinava com sua personalidade limpa e aparência polida, um hábito que ele considerava um traço herdado de seu pai.
Ele foi direto para o escritório da secretaria assim que chegou ao trabalho, então pensou em pegar um café no caminho. Seu apetite estava tão ruim que ele preferia pular o café da manhã completamente, mas cafeína e apetite eram assuntos não relacionados.
Antes que a Gerente Lim pudesse se levantar e se oferecer para preparar ela mesma, Jaeha dirigiu-se silenciosamente para a despensa. Mas ela segurou seu braço por trás.
— Gerente.
— …Sim.
Jaeha respondeu sem expressão, mas sobressaltou-se internamente. Ela o havia repreendido várias vezes antes sobre por que ele insistia em preparar seu próprio café.
Lee Jaeha tendia a ser brando com pessoas como a Sra. Jeong Mihee, que trabalhava na casa de sua família, ou a Gerente Lim Yujin.
Eles o tratavam com sinceridade, e para Jaeha, que estava acostumado apenas a fazer e manter relacionamentos por meio de um treinamento estruturado, responder a esse cuidado e afeto genuínos era um pouco difícil.
Mas Yujin disse algo completamente inesperado.
— …Bem, há uma visita aqui no escritório.
— Uma visita?
Ninguém viria a esta hora. Ele se lembrou de um colega de classe da indústria de jornais entrando em contato com ele ontem, pedindo que lhe pagasse uma refeição, mas descartou o pensamento de que eles apareceriam tão cedo pela manhã como algum vagabundo desempregado.
Lee Jaeha, que havia voltado distraidamente seu olhar para a entrada do escritório, congelou lentamente.
O Alfa estava encostado no batente de metal simples da porta, encarando-o fixamente.
— Vocês dois são grudados para caralho, não são? Eu tive que vir em pessoa só para ver a sua cara.
Ele disse isso com um sorriso de escárnio. Jaeha pensou ter ouvido um som de chocalho em meio à sua voz baixa, e viu uma bala dura de cor limão enfiada dentro de sua bochecha.
Jaeha olhou fixamente para aquilo, esquecendo a situação atual.
Notando seu olhar, Jang Taegun dobrou os cotovelos com sua expressão indiferente de sempre e apontou para trás de si, para o escritório interno.
— Vi uma cesta de doces na mesa e comi alguns. Por quê? Eu tenho que pagar por isso?
— …Não.
Jaeha negou aquela afirmação primeiro. Ele poderia ter comprado uma fábrica inteira daqueles pirulitos.
Não era que ele fosse pão-duro; era apenas absurdamente divertido perceber que Taegun estava chupando uma bala destinada aos convidados, mesmo neste momento.
E no instante em que ele negou, Jang Taegun aproximou-se a passos largos, agarrou o pulso de Jaeha e rosnou.
— Oh? Já que o doce foi de graça, que tal pagar com outra coisa? Eu realmente gostaria que você apreciasse o tempo e o esforço que gastei rolando por aí como um cachorro procurando pelo meu marido fujão.
Depois de dizer isso, ele arrastou Jaeha para dentro do escritório.
A Gerente Lim, assustada, deu um pulo de sua cadeira e foi vislumbrada através da porta do escritório que se fechava.
Jang Taegun parou diante dele, e a porta do escritório se fechou. Lee Jaeha estava agora experimentando em primeira mão o que significava estar entre a cruz e a caldeirinha.
Os feromônios de Taegun estavam preenchendo cada canto do escritório, não deixando escapatória. Embora ele mesmo olhasse de cima para Jaeha com uma expressão entediada, os feromônios que cobriam o chão eram intensamente afiados.
A diferença de altura entre eles era de cerca de 10 cm, quase imperceptível normalmente, mas agora que estavam tão próximos, ficava escancaradamente clara.
Se Lee Jaeha abaixasse a cabeça apenas um pouco, sua testa tocaria a clavícula de Taegun. Era uma sensação que ele nunca havia sentido com nenhum outro Ômega.
Jang Taegun pressionou-se tão perto de Jaeha que a sombra de seu nariz arrogante, tão proeminente quanto sua personalidade, caiu sobre ele. Um aroma espesso de flores de rosa flutuou no ar. Quanto mais doce a fragrância daquelas pétalas, mais a raiva de Taegun podia ser deduzida.
Mesmo assim, a sensação era boa. Ver o rosto dele depois de dez dias o fez se perguntar se o ferimento em seu abdômen havia cicatrizado completamente.
As leves cavidades em suas bochechas pareciam revelar os dias difíceis que ele havia suportado, fazendo seu coração doer. O ferimento tinha sido profundo, a perda de sangue significativa; não importa o quão habilidoso ele fosse, acordar deve ter exigido um esforço considerável.
Ele queria perguntar se ele estava bem agora. As palavras que indagavam sobre o seu bem-estar não conseguiram passar por seus lábios firmemente pressionados; elas simplesmente afundaram de volta em sua boca.
Como se fosse indiferente aos pensamentos de Jaeha, Taegun mastigou a bala em sua boca e perguntou.
Uma leve doçura misturou-se com um leve aroma de limão. …Será que ele gosta de bala de limão? Eu deveria comprar apenas isso da próxima vez, pensou ele.
A sobrancelha de Jang Taegun tremeu.
— Você está viajando de novo. Isso é irritante. Você foge de casa, você me ignora quando eu venho atrás de você. Você realmente sabe como fazer um bastardo como eu perder o controle.
— ……
— Ou o quê? Você por acaso praticou com o pau de todos os gangster da cidade? Estou curioso para saber como você consegue ser tão provocante. Estou viciado nesse tipo de coisa. Como você sabia? Sou tão óbvio assim?
Ele rosnou bem ao lado dele. O palavreado era pesado demais, a maioria apenas palavras insultuosas, tornando difícil de entender.
Tudo o que Jaeha conseguia notar era que Taegun estava furioso. Ele colocou a língua para fora e lambeu o lábio inferior.
A língua, recém-saída de lamber a bala, estava pegajosa e molhada. Jaeha deu por si encarando-a antes de voltar à realidade.
Mesmo naquela situação, ele não conseguia acreditar que estava encarando os lábios de Taegun.
Felizmente, Taegun não pareceu notar o olhar de Jaeha quando falou novamente, suas palavras saindo mastigadas.
— Gerente, estou com tanto tesão que meu pau dói. Minha febre está ruidosa para caralho. Você acha que pode simplesmente fugir, deixando um cara com um ferimento de faca? Você parece inocente, mas está lentamente esfolando as pessoas vivas, seu bastardo.
…Aparência inocente? Quem? Jaeha se perguntou, mas sua atenção foi atraída mais para a menção de um ferimento de faca.
Ele já parecia mais pálido do que o habitual. O ferimento havia sido bastante profundo; ele se perguntava como tinha cicatrizado. Um ferimento daqueles teria causado uma febre alta. Embora tivesse muitas perguntas, temendo ser um incômodo, ele perguntou apenas uma coisa.
— …O ferimento está bem?
— Não. Estou tão puto da vida que sinto que minha barriga vai se rasgar.
— Está… sangrando? Vamos ao hospital primeiro.
Quando ele perguntou surpreso, Taegun riu baixinho. Não foi uma risada de felicidade ou diversão, mas um sorriso sarcástico do tipo “olha só para isso”.
— Escuta aqui. Se você estivesse tão preocupado, deveria ter ficado quieto no seu canto, chupado meus lábios e feito a desinfecção que você sabe que eu gosto. Por que você teve que sair de casa e me irritar?
— …Eu tive os meus motivos.
— Que motivos? Seguindo aqueles bastardos da Myeongwon?
Jang Taegun voltou à sua expressão indiferente de sempre, envolvendo os braços ao redor da cintura de Jaeha enquanto perguntava.
Lembrando-se de que aquele era o escritório, Jaeha instintivamente se contorceu. Parecia estar tirando uma vantagem muito privada em um espaço público.
Jang Taegun apertou o abraço ao redor de Jaeha, fazendo um som suave de “ah-ham” como se estivesse acalmando uma criança.
— Fique parado. Antes que os pontos estourem.
— ……
Jaeha estenou com aquelas palavras. Depois de segurá-lo em silêncio por um tempo, Taegun perguntou em uma voz contida, como se estivesse avaliando algo.
— Mas por que você mexeu nisso? Tentando vingar seu cônjuge ou algo assim?
Por estar no abraço de Taegun, Jaeha sentia a vibração reverberando toda vez que Taegun falava. A vibração de sua voz, transmitida através de seus ossos, fazia Jaeha sentir como se seu corpo e mente estivessem derretendo.
Mas ainda não era hora de baixar a guarda. Taegun não havia pedido uma razão clara.
Com certeza, Taegun, que vinha segurando Jaeha parado, afastou-se um pouco e olhou para ele de cima.
— Só estou perguntando por garantia. O nosso gerente tinha algum rancor pessoal contra a Myeongwon?
O olhar de Jaeha, que estivera direcionado para cima dele, endireitou-se imediatamente. Ele sabia que tinha que responder bem.
Lee Jaeha tivera tempo de sobra para imaginar e ensaiar a situação atual incontáveis vezes. Ele só precisava responder de forma direta.
De repente, o dia em que ele havia proposto casamento a ele veio à mente. O que ele havia dito em resposta ao pedido de Jaeha para se casar com ele?
— Eu não entendo essa porra.
— ….
— Você por acaso gosta de mim?
Naquele dia, Jaeha não conseguiu se forçar a dizer “Sim”.
Naquela época, tudo o que importava era o que ele podia mostrar a Jang Taegun. Ele acreditava que Taegun precisava de uma razão para aceitar sua proposta.
Então ele só conseguia pensar em expor suas condições. Ele queria dizer: “Eu tenho isso, posso te dar aquilo, e estes são os benefícios que você ganhará ao se casar comigo”.
Achei que Taegun entenderia meus verdadeiros sentimentos então. Eu queria explicar por que eu deveria estar ao seu lado, mas o que realmente saiu da minha boca foi nada além de uma lista da riqueza e do poder de Lee Jaeha.
Esse foi o problema, eu acho. Jang Taegun acertou em cheio.
— Então, esqueça o que eu vou ganhar. Me diga o que você vai ganhar.
Eu deveria ter dito isso então? Que o que eu queria era o próprio Jang Taegun, o alfa. Era por isso que eu estava fazendo essa proposta absurda ao amante do meu noivo.
— Você disse que nem gosta de mim. Então, em que você está baseando este casamento? Você sabe ler rostos, Sr. Lee? O que faz você confiar sua vida a um bastardo de um gângster?
— …Não é nada disso.
— Então o que é? Por que agir como se o casamento fosse fácil?
Jang Taegun recostou-se, apoiando-se folgadamente na cadeira, estalando a língua como se estivesse aconselhando alguém que vivia a vida de qualquer jeito. Seu comportamento natural quase me fez esquecer que eu era seu sênior, e que o que estávamos discutindo era o casamento entre nós.
Mas aquelas palavras sozinhas ficaram cravadas em seus ouvidos. O casamento é fácil? Mesmo se cada casamento for fácil, casar com você seria incrivelmente difícil.
Quem foi que pensou que o casamento era fácil, para começo de conversa? Jaeha, que só havia pensado em persuadi-lo e nunca sonhara que ele perguntaria por que eles deveriam se casar, lambeu os lábios secos.
— O que eu ganho é…
Ele não conseguia dizer aquilo ali. Ele não conseguia dizer que gostava de Taegun, que não tinha sido capaz de apagar os pensamentos sobre ele desde o primeiro encontro, que Taegun havia aparecido em seus sonhos e ele nem sequer sabia o que aquilo significava.
Ele não tinha a coragem de confessar que havia sido consumido pelo desejo de arrancar o amante do noivo dele primeiro.
Jang Taegun provavelmente pensaria que ele era estranho. Mesmo se ele dissesse, não achava que Taegun acreditaria em seus sentimentos.
Não era apenas que suas palavras careciam de credibilidade. A partir do momento em que me tornei consciente dos meus sentimentos por ele, eu também achei difícil confiar nessas emoções.
Nós só tínhamos nos encontrado um par de vezes. A primeira vez que o vi, me senti estranho. Naquela noite, o rut havia chegado, então pensei que aquela sensação estranha era uma mudança causada pela oscilação dos feromônios.
Depois havia Jang Taegun, sentado na posição de amante de seu noivo. Pelos padrões de Lee Jaeha, aquilo não fazia sentido.
Encontrar-se com outra pessoa quando as coisas não haviam terminado com a pessoa anterior. Se era um noivado estratégico ou o quão profundamente Sumin estivera envolvido com Taegun não importava.
Não havia amor por seu noivo, mas havia confiança. Mesmo se Sumin fosse quem o quebrou primeiro, o Lee Jaeha de antigamente teria se aproximado de Taegun com pelo menos algum tempo entre os acontecimentos.
Ele sempre teve discernimento suficiente para julgar o certo do errado. Se a pessoa que Sumin trouxe naquele dia como seu amante não tivesse sido Taegun, Jaeha teria feito um julgamento racional como costumava fazer.
Não importa o quanto gostasse do amante de seu noivo, ele teria rompido o noivado, tirado um tempo para resolver as coisas e só então entrado em contato com ele. Não que ele fosse gostar do amante de seu noivo para começo de conversa, é claro.
Mas ele não conseguiu fazer isso. Antes mesmo de perceber que havia algo de errado consigo mesmo, ele foi consumido por Taegun.
Ele era como um cavalo de corrida com antolhos. Foi a primeira vez na vida de Lee Jaeha que ele experimentou algo assim. Todas aquelas emoções correndo para a frente sem sequer saber o que seu próprio coração realmente sentia. Era estonteante. O fato de ele não conseguir parar tornava tudo ainda pior.
É por isso que ele também não tinha a confiança para persuadir Taegun. O que Lee Jaeha estava experimentando era precisamente a emoção que ele havia passado a vida inteira negando.
Ele sempre acreditara vagamente que, se o amor existisse, se tal coisa como o amor realmente existisse, sua mãe não teria sofrido tão terrivelmente.
Porque o que ele vira em livros ou filmes não era assim. Era pegajoso e apegado, às vezes úmido, na maior parte do tempo sombrio. Lee Jaeha passara a vida inteira negando que esse era o outro lado do amor.
Então, mesmo quando seu desejo por Jang Taegun submergiu todos os hábitos e noções com os quais vivera até aquele dia, ele não havia percebido.
Até eu sentia que essa emoção era totalmente vaga. Minha natureza, que confiava em distinções claras — certo e errado, 0 e 1, luz e escuridão —, aplicava a mesma rigidez ao julgar meus próprios sentimentos.
É por isso que eu não tinha confiança de que poderia persuadir Jang Taegun. Se eu não conseguia sequer entender a mim mesmo, como poderia convencer aquela montanha de homem a concordar com o casamento? Parecia totalmente sem esperança.
Eu não tinha a confiança para confessar que havia gostado dele em apenas um único dia, que havia sonhado com ele desde aquele dia, que o amava desde então, e fazer com que ele aceitasse.
Para Lee Jaeha, meus sentimentos não eram diferentes de um plano de negócios com bases totalmente frágeis.
A pessoa diante de mim era a que havia se tornado mais importante para mim. Eu não poderia apresentar algo tão confuso e desorganizado para alguém assim.
Em momentos como esse, uma pequena mentira às vezes é melhor. Lee Jaeha expressou sua opinião com a mesma expressão que usava ao lidar com compradores, seu rosto fixo em uma expressão rígida. Era um olhar endurecido por um longo hábito.
— …Casar com o Diretor Jang é uma fuga para mim. Eu lutei para viver todo esse tempo, mas agora sinto vontade de desistir. Casar com o Diretor Jang seria uma expressão direta ou indireta desse desejo.
— Não, Lee Jaeha.
Taegun cortou aquela justificativa frágil de um só golpe. O nome que ele usou, apesar do sufixo honorífico, pareceu um termo depreciativo.
Jaeha mordeu o lábio. Jang Taegun estava estreitando os olhos, encarando-o como se quisesse devorá-lo.
Será que ele havia sido pego? Na verdade, Taegun já poderia ter sentido os sentimentos de Jaeha. Ele acreditava que, neste mundo, casamentos envolvendo a troca de bens materiais podiam existir, mas casamentos envolvendo a troca de corações careciam de credibilidade.
Ele apenas esperava que Taegun não tivesse percebido. Não os seus próprios sentimentos, mas a forma como olhava para Taegun.
Os feromônios, baixos o suficiente para se envolverem nos tornozelos de Jaeha, expressavam a raiva de seu dono em vez disso.
— Deve haver muitas outras opções além de mim. Como se eu fosse o único bandido em toda a Coreia do Sul.
Taegun parecia zangado. Até seus feromônios estavam dizendo isso a ele. …Por que ele estava zangado? Jaeha se perguntou vagamente.
— Apenas me diga diretamente por que você quis se casar comigo. Por que eu, dentre todos os bandidos que espalham lixo pelas ruas?
O olhar de Jang Taegun parecia que o queimaria vivo. Jaeha não teve escolha senão falar, como um traidor finalmente quebrando sob tortura.
— …O Diretor Jang não namorou Kim Sumin?
— Quem? …Ah, aquele Ômega.
Jang Taegun, que estivera avaliando algo com uma sobrancelha erguida, logo riu baixinho e empurrou o interior de sua bochecha com a língua.
Uma selvageria repentina piscou em sua bochecha arredondada. Entre os associados de Jaeha, Taegun era uma raça rara.
— Esta é a primeira vez que ouço uma resposta tão emocionante. Então. Você está dizendo que se casou comigo apenas para me foder, com medo de que eu possa me tornar o amante daquele Ômega?
Seus feromônios surgiram como uma inundação repentina. Era estranho como seus feromônios haviam se afiado de repente. Jang Taegun cuspiu suas palavras como se as estivesse mastigando.
— Que porra é essa? De quem você está com ciúmes para ter inventado um esquema tão bonitinho? Me conte em detalhes. Estou prestes a ficar puto da vida aqui.
— Não…. Não é isso… Se for descoberto que me casei com o alfa que estava namorando Kim Sumin, minha família vai desistir de mim. O que eu quero é liberdade da minha família.
Não. Eu nunca havia pensado sobre liberdade uma única vez. Mas a maioria dos herdeiros de terceira geração soltava esse tipo de conversa. Que queriam viver livremente também.
Até Jaeho havia soltado esse tipo de conversa. Então minha própria conversa sobre liberdade provavelmente não soou estranha. Jaeha estava tentando com todas as suas forças persuadir a outra pessoa pela primeira vez. O suor estava se acumulando nas palmas de suas mãos.
Os olhos de Taegun se estreitaram novamente, como se estivesse julgando a veracidade das palavras de Jaeha. Seu olhar gélido fez o coração de Jaeha bater como se fosse pular para fora do peito.
Ele tinha mais algumas desculpas preparadas, mas tinha que fazer Taegun ver que este casamento era benéfico para Jaeha.
Ele tinha que apagar as dúvidas de Taegun e aumentar o que podia oferecer a ele, mesmo que apenas um pouco. Era verdade que ele estava se casando por ganância, mas essa ganância também continha o desejo de realizar tudo o que Taegun desejasse.
Portanto, ele tinha que fazer Taegun reconhecer que este casamento era para seu próprio benefício, e que o que Taegun receberia era um preço justo. Exceto por aquele único motivo claro: seu próprio coração.
— Eu quero apenas uma coisa deste casamento com o senhor, Diretor.
— Venha, abandone tudo sobre a Yooshin. Então, quem sabe? Talvez mesmo que você seja um alfa, não importe.
Mas a resposta de Jang Taegun foi apenas ambígua. “Venha, abandone tudo?” Se não for isso, então não tenho nada para te dar.
Este casamento era um em que Taegun receberia mais do que o suficiente, e tudo o que eu precisava receber era o próprio Taegun.
Então hoje, se Taegun perguntasse novamente, Jaeha tinha que dar a mesma resposta. Ele não devia falar sobre seus sentimentos.
Ele não entenderia. Ele poderia zombar em seu tom insolente de sempre: “Sr. Lee, você se envolve em coisas tão infantis?”
Ele tinha que responder como se tivesse um motivo claro para lidar com a Myeongwon, não porque o amava. Jaeha moveu os lábios várias vezes, esperando que suas palavras parecessem verdadeiras, antes de finalmente conseguir falar.
— …O lado da Myeongwon uma vez fez uma oferta para a construção do shopping center da Yuseon. Naquela época, ele liderou o suborno e a solicitação de executivos relacionados. Usando isso como alavanca, ele chantageou um desses executivos, que mais tarde cometeu suicídio.
— Mas.
— …O sobrinho daquele executivo é Lee Jaeho, meu meio-irmão.
Era verdade. Não foi suicídio; ele havia sido esmagado por dívidas de jogo, entrou em uma espiral de alcoolismo e, por fim, morreu devido a uma queda acidental.
Ele era mais ou menos o hyung do primo de Kim Ranhee. Lee Ikhyeong chegou a criticar Kim Ranhee por colocar aquele homem incompetente naquela posição.
Para Lee Jaeho, ele provavelmente era apenas um primo distante que mal conhecera, mas Jaeha nunca hesitava em usar o nome de seu irmão em tais assuntos.
Era uma das desculpas que ele havia usado inúmeras vezes, então parecia totalmente crível. Embora não fosse um encrenqueiro, mesmo erros menores eram frequentemente atribuídos a Lee Jaeho.
Lee Jaeho ainda acreditava que havia quebrado a estimada porcelana branca de Joseon de seu avô Lee Wonwoong enquanto brincava na sala de estar durante as férias de inverno da sexta série. Foi isso o que Lee Jaeha lhe dissera. Ele chegou a engasgar olhando para o seu meio-irmão, que o repreendeu com um rosto severo, perguntando por que ele não havia sido mais cuidadoso.
Mas mesmo considerando tudo isso, estava tudo bem porque Lee Jaeha encobria os vários erros de Lee Jaeho com muito mais frequência.
— …Você era realmente tão próximo assim do meu cunhado? Isso é surpreendente.
Jang Taegun olhou para Jaeha com uma expressão que parecia estar avaliando algo. Lee Jaeha suportou aquele olhar silenciosamente.
Contando os segundos em sua mente, ele acrescentou mais uma mentira crível.
— Além disso… O vovô também me pediu.
Era uma mentira que ele havia operado na Myeongwon por esse motivo, mas não era uma mentira que Jang Changsik não tivesse feito tal pedido.
Uma mentira perfeita exige misturar a verdade com a falsidade. Lee Jaeha escrutinou-se silenciosamente, esperando que o fio oculto de seus verdadeiros sentimentos não tivesse escapado, e então esperou pela reação de Jang Taegun.
Ele pensou que era inevitável se Taegun ficasse zangado. Ele havia lhe dito repetidamente para ignorar o pedido de Jang Changsik, mas ele próprio não dera ouvidos. Ele não tinha defesa para essa parte.
No entanto, Taegun não limpou aquela expressão indiferente de seu rosto mesmo depois de ouvir as palavras de Jaeha.
Em vez disso, ele encarou intensamente os olhos de Jaeha. Eles ainda permaneciam próximos, não tendo aumentado a distância entre eles.
Mais tocados do que não tocados. Jaeha suportou o olhar de Taegun derramando-se sobre seu rosto, esperando pelas palavras que Taegun falaria.
— Ha. Então você vai mastigar o pouco de vida que me resta, é?
Taegun cerrou a mandíbula enquanto falava, mas não foi direcionado a Jaeha. Olhando para a mandíbula inferior proeminente e os músculos masseteres definidos por sua mandíbula cerrada, Jaeha saiu de seu torpor e disse.
— …Então não foi sem motivo.
Ele queria dizer aquilo. O maior motivo, na verdade, era que você estava ferido e eu estava fervendo por dentro. Não era como se eu fosse um estudante do ensino fundamental na puberdade, mas eu não podia simplesmente ficar parado com os olhos revirados.
Então, sim, havia um motivo. Apenas um que Jaeha não podia expressar em voz alta.
— É mesmo?
Taegun perguntou de volta. Desta vez também, sua voz vibrou através do espaço entre eles.
A sensação era incrivelmente boa. Mesmo naquela situação. Taegun pigarreou com um zumbido e disse.
— Eu não entendo.
— …O que o senhor quer dizer?
— Eu pensei que você tinha se vingado daqueles bastardos porque gosta de mim.
Jang Taegun disse com indiferença, puxando Jaeha para mais perto. Aquilo parecia bom, mas ele se preocupou que pudesse tocar em seu ferimento.
— O ferimento…
— Graças ao casamento, meus problemas foram resolvidos, então vim servir. Eu até tomei um banho, passei colônia e arrumei camisinhas.
— …Hã?
— Pare de fingir, você realmente não entende. Eu vim agir de forma fofa.
Jang Taegun disse isso com uma expressão amarga. Jaeha parecia atordoado, mas o outro cara não recuou, apenas continuou tagarelando.
— Esta sala é à prova de som?
* * *
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna