Salt Society (Novel) - — Capítulo 65
↫─Capítulo 65
Gi-hyeon teve outro sonho bizarro naquela noite e acordou com a cueca arruinada, úmida e desconfortável.
Reconhecendo os sinais inconfundíveis de uma polução noturna, ele só pôde balançar a cabeça em profunda e vazia descrença. Resignado, forçou-se a se masturbar no momento em que saiu da cama.
Tragicamente, seu único material de fantasia continuava sendo Jo Yeon-oh, ou mais precisamente, a memória da única noite que passaram juntos. Depender do próprio homem de quem ele estava desesperadamente fugindo parecia patético, mas sua mente simplesmente se recusava a conjurar qualquer outra pessoa. Parecia menos desejo e mais um hábito físico inescapável, muito parecido com o modo como o uso exclusivo da mão esquerda para se masturbar fez com que seu pênis se curvasse levemente para a esquerda ao longo dos anos.
…Além disso, quem mais ele poderia imaginar? Enquanto seus colegas eram obcecados por pornografia, Gi-hyeon se sentia muito mais excitado pela memória de um dia de verão escaldante em que Yeon-oh casualmente levantou a camiseta para enxugar a testa suada, exibindo sem querer o baixo-ventre duro como pedra.
No entanto, ele também não era inteiramente homossexual. Cenas explícitas em filmes com mulheres ainda podiam provocar uma resposta física. Contudo, faltava-lhe fundamentalmente a dedicação para procurar ativamente por pornografia apenas para facilitar uma punheta rápida. Consequentemente, seu banco de memórias sexuais permanecia inteiramente monopolizado pela memória de seu primeiro e único encontro sexual.
Ele não sentia culpa nenhuma. Yeon-oh estava bêbado a ponto de apagar e não se lembrava de absolutamente nada. Mesmo que o bastardo magicamente se lembrasse do evento, sua única reação seria um vômito violento. Embora a memória inegavelmente horrorizasse Yeon-oh, sua amnésia atual tornava o evento funcionalmente sem vítimas. Gi-hyeon racionalizava aquilo como catar lixo: ele apenas resgatou um item descartado e perfeitamente utilizável do lixo e o trouxe para casa para seu próprio uso.
Se algum crime ocorreu, a culpa recaía diretamente sobre o bastardo que não sabia beber. Por que Gi-hyeon deveria carregar qualquer culpa?
Embaixo do chuveiro, ele achou fácil invocar a memória de Yeon-oh flexionando os antebraços. Como sua primeira experiência sexual, a intensa estimulação física havia se gravado permanentemente em suas vias neurais, tornando impossível esquecer. Tendo terminado a tarefa, ele viu a evidência de seu clímax descer em espiral pelo ralo. Enquanto se movia para passar xampu no cabelo e lavar o corpo, sentiu uma inegável umidade escorregadia entre as nádegas.
— Puta merda…
Quando essa umidade perpétua terminaria? O fluido misterioso, que começara como um incômodo menor, agora parecia fluir constantemente. Ser Ômega estava se revelando um pesadelo logístico.
O médico da clínica de Medicina Interna de Feromônios, a quem ele consultara imediatamente após descobrir a gravidez, tinha feito um alerta parecido.
— Seu ciclo de cio será suprimido temporariamente devido à gravidez, mas você deve se preparar para o retorno dele logo após o parto. Tendo vivido toda a sua vida como um homem Beta, você precisa se preparar mentalmente para um estilo de vida completamente estranho a tudo o que já experimentou.
Naquela época, ele, por ignorância, havia equiparado ser um Ômega a contrair uma doença crônica ou uma deficiência permanente. Ele presumiu que o médico estava apenas aconselhando-o a suportar os desconfortos inevitáveis associados a uma condição médica.
Ele estava espetacularmente errado. Ser um Ômega não significava perder funções físicas existentes; significava que seu corpo de repente executava protocolos autônomos e aterrorizantes completamente fora de seu controle.
Essa secreção humilhante era um excelente exemplo. O fato de que ficar sexualmente excitado fazia com que seu corpo literalmente encharcasse a parte de trás de sua roupa íntima era horrível.
— Porra, vou acabar fazendo xixi na cama na minha idade.
Ele suspirou pesadamente, arrependendo-se instantaneamente do palavrão. Pressionando ambas as palmas das mãos firmemente contra o abdômen inferior, ele pediu desculpas silenciosamente ao feto, como se estivesse protegendo seus ouvidos. O completo absurdo do gesto provocou uma risada oca. Engolindo sua diversão, Gi-hyeon desligou o chuveiro e saiu do banheiro.
Hoje era seu dia de folga. Jisu, surpreendentemente, ofereceu-se para cobrir o turno no antro de apostas. Vestindo as roupas mais apresentáveis que tinha levado, Gi-hyeon dirigiu a scooter até a cidade para relatar seu progresso à clínica.
— Tenho tomado a medicação consistentemente, mas estou sentindo uma leve náusea — relatou Gi-hyeon.
O médico apenas murmurou um “hum”, avaliando brevemente a postura impecável e ereta de Gi-hyeon.
— Entendo… Parece que você é um pouco propenso aos efeitos colaterais. O feto está perfeitamente seguro, mas você pode sofrer algumas complicações, Sr. An. Não é nada que ameace a vida, mas você pode sofrer de tonturas cada vez mais graves acompanhadas de anemia. Vou prescrever alguns suplementos de ferro; certifique-se de tomá-los religiosamente.
Gi-hyeon lembrou-se de ter lido que, embora as gestações masculinas envolvessem partos extenuantes, sua massa muscular e óssea superior geralmente anulava a necessidade de ferro adicional. Claramente, os estabilizadores artificiais de feromônios estavam causando estragos em seu sistema.
Tranquilizado por saber que a criança estava bem, ele acenou e seguiu para a farmácia. Entregando a receita, esperou que o farmacêutico separasse os comprimidos. Quando ele colocou uma nota de 50.000 won no balcão, o farmacêutico perguntou, como esperado, se ele queria o comprovante fiscal para dedução no imposto. Sabendo que deixar um rastro financeiro era uma sentença de morte garantida, ele recusou prontamente.
Caminhando de volta para sua scooter no estacionamento público, viu uma criança do ensino fundamental correndo, devorando agressivamente um espetinho de bolinho de arroz frito coberto com molho picante. A visão desencadeou instantaneamente uma fome feroz e ofuscante. O desejo desesperado por tteok-kkochi sequestrou completamente seu cérebro, obliterando todos os outros pensamentos.
— Vou virar um porco, porra — murmurou ele em descrença enquanto procurava a lanchonete mais próxima.
Como esperado, a barraca vendia exatamente os espetinhos que a criança estava devorando. Quando a dona o cumprimentou calorosamente, Gi-hyeon disparou seu pedido: quatro espetinhos de tteok-kkochi, uma porção de tteokbokki picante, uma porção de linguiça de sangue misturada com miúdos, dois rolinhos de algas fritos e dois bolinhos fritos, tudo completamente coberto com o molho de tteokbokki.
— Ah, meu Deus, está um calor escaldante hoje. Entre e coma — ofereceu a dona.
— Não precisa. Vou ser rápido — respondeu Gi-hyeon, acrescentando um refrigerante de limão ao pedido.
Fiel à sua palavra, o tteokbokki, a linguiça de sangue e os lanches fritos desapareceram em tempo recorde. Tendo já destruído três dos espetinhos antes mesmo de a dona terminar de fatiar a linguiça, ele pegou o último. A súbita sensação de estar sendo observado o fez olhar para baixo. Duas crianças do ensino fundamental estavam olhando para ele, seus olhos arregalados de admiração.
— Com licença, moço, você está gravando um mukbang? — perguntou uma delas.
— Não — respondeu Gi-hyeon simplesmente, arrancando três bolinhos de arroz do espeto com uma única mordida.
As crianças permaneceram altamente céticas.
— Então por que você está comendo tanto? Se você comer tanta besteira antes do jantar, vai levar a maior bronca.
Puxando o último bolinho de arroz do palito, Gi-hyeon rebateu sem esforço.
— Sou um adulto. Posso comer tudo isso e ainda comer um jantar enorme sem levar bronca.
— Ah, não é justo… — as crianças choramingaram, claramente convencidas de que ele estava mentindo.
Ignorando sua descrença, Gi-hyeon jogou os palitos vazios no lixo e aproximou-se do balcão para pagar a conta.
— Senhora, por favor, dê a esses dois uma raspadinha cada — pediu ele, pagando por uma raspadinha de cola e uma de Fanta para as crianças.
— Uau! — as crianças ofegaram.
— Minha mãe disse para nunca aceitar comida de estranhos! — uma protestou bravamente.
— Vocês conhecem a dona daqui? — perguntou Gi-hyeon.
— Sim!
— Então é a dona que está dando para vocês, não eu. Vocês estão ganhando de alguém que conhecem.
Sorrindo, ele aceitou seu troco da dona, que ria, enfiou as moedas no bolso e seguiu de volta para o estacionamento.
O caminho de volta foi o mesmo de sempre. As chuvas recentes tinham intensificado o verde vibrante das copas das árvores, desencadeando inesperadamente uma memória dos jardins extensos e impecavelmente cuidados da propriedade da família de Yeon-oh. …Por falar nisso, ele tinha fugido sem nem mesmo oferecer uma despedida adequada à mãe de Yeon-oh, Yeong-won. Apesar das tensões subjacentes, ela lhe mandava kimchi da estação todos os anos, sem falta, e ele sempre fazia questão de lhe agradecer formalmente. Ele sabia que ela ficaria com o coração partido quando inevitavelmente descobrisse que o número dele estava desativado, mas não havia como evitar.
Vruuum.
A scooter, engasgando, seguiu pela estrada rural, a linha central amarela desbotada passando como uma memória esquecida.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna