Salt Society (Novel) - — Capítulo 64
↫─Capítulo 64
— O Diretor está?
A casa estava surpreendentemente fria, apesar de o controle climático certamente estar definido para uma temperatura ideal. O Gerente Yoo concluiu consigo mesmo que o frio emanava mais do único ocupante da residência do que do próprio termostato.
Quando nenhuma resposta ecoou do interior, não que ele tivesse realmente esperado uma, Yoo atravessou lentamente a sala de estar escura. Contra a parede brilhava um enorme aquário de luz verde-água. O aquário, muito maior do que o que Yoo lembrava, abrigava apenas dois peixes dourados solitários deslizando pela água. Ele os observou por um breve momento antes de voltar sua atenção para o banheiro, onde uma luz brilhante se espalhava pelo corredor.
— Diretor…
Apoiando a mão no batente da porta do banheiro, Yoo engoliu suas palavras ao ver a cena. O som rítmico e áspero da escova misturava-se ao odor pungente e cáustico de água sanitária, e ele se viu completamente sem palavras.
Dentro do banheiro, Jo Yeon-oh estava de joelhos, esfregando a banheira. Ele usava uma camisa social completamente desabotoada, deixando ambíguo se estava no processo de vestir-se ou despir-se, combinada com meias sociais pretas mantidas por ligas. Sem calça, vestia apenas uma cueca boxer preta. Testemunhar seu superior nesse estado de ambígua seminudez era chocante, mas dificilmente justificava pânico.
Afinal, este era um espetáculo que Yoo encontrava quase toda vez que chegava para acompanhar Yeon-oh na ida ao trabalho nos últimos dias. A visão do homem ajoelhado sobre pernas musculosas, suas coxas flexionando-se bruscamente a cada passagem agressiva da escova enquanto ele esfregava obsessivamente uma banheira já impecável, tinha se tornado rotina. Durante esses episódios, Yeon-oh normalmente usava apenas uma camisa desabotoada ou despia-se completamente até ficar de cueca boxer. Não era que ele se vestisse intencionalmente dessa maneira para limpar; em vez disso, ao chegar em casa ou se preparar para tomar banho, alguma imperfeição microscópica desencadeava violentamente suas compulsões, forçando-o a abandonar o ato de se despir e higienizar o espaço com intensidade selvagem.
Interromper Yeon-oh durante esses episódios maníacos era altamente perigoso, o que exigia silêncio absoluto do gerente. Yoo pretendia retirar-se silenciosamente e cancelar as reuniões matinais. Hoje, no entanto, foi uma rara exceção. Yeon-oh quebrou o silêncio primeiro.
— Alguma novidade?
— …Não tenho desculpas, senhor.
A esfregação frenética recomeçou instantaneamente. Embora Yeon-oh não tivesse irrompido explicitamente em raiva por causa da falha em localizar So Gi-hyeon, seu descontentamento se manifestava de maneiras muito mais aterrorizantes do que antes. O raspar rítmico preenchia o silêncio sufocante. Enquanto Yoo se retirava com um suspiro pesado, Yeon-oh entrou no box do chuveiro e começou a atacar violentamente os azulejos ao redor do ralo. Era o epicentro de sua sujeira, exigindo a higienização mais cruel.
Gi-hyeon tinha invadido seus sonhos de novo na noite anterior. Exibindo um sorriso impossivelmente radiante que lhe franzia os olhos, uma expressão que Yeon-oh nunca tinha visto na realidade, ele montara nos quadris de Yeon-oh.
E então ele se moveu. Cada detalhe queimava vividamente na mente de Yeon-oh: a cintura que parecia impossivelmente fina em suas mãos, embora tivesse um aspecto robusto, a curva firme da bunda, que parecia massa fermentada, fruto de exercícios implacáveis, o rubor subindo pelo pescoço e pontas das orelhas, e a expressão de tirar o fôlego em seu rosto enquanto ele o montava, olhando de cima.
Quando o sonho parecia tão agonizantemente real, Yeon-oh não tinha escolha a não ser empurrar seus quadris em resposta, plenamente consciente de que era uma alucinação. Toda vez que ele empurrava para dentro dele, o olhar de Gi-hyeon, desafiando-o a ir mais fundo, com mais força, arranhava seu peito como um arrepio físico.
O Gi-hyeon fantasma se movia, beijava e ria com a familiaridade agonizante de um amante que conhecia cada centímetro do corpo de Yeon-oh, antes de finalmente se levantar e se dissolver no éter.
E então Yeon-oh acordava com um sobressalto, oco e devastado, sentindo-se tão completamente profanado como se tivesse acabado de ejacular em um completo estranho. Ele carregaria aquela sujeira vil e sufocante consigo pelo resto do dia.
A parte mais irritante era que, apesar de sua mente racional saber que era apenas um sonho, sua excitação física se recusava a diminuir. Normalmente, ele dependeria de sua consciência fria e desperta para suprimir a dor latejante em sua virilha enquanto se preparava para o trabalho. Mas hoje, sua metade inferior provou ser excepcionalmente teimosa.
No fim, foi forçado a se masturbar no chuveiro. Olhando fixamente enquanto a evidência física de sua luxúria grotesca descia em espiral pelo ralo, ele bateu a cabeça contra a parede de azulejos, uma risada súbita e perturbada escapando de seus lábios.
Naturalmente, a risada se transformou em ânsias de vômito violentas. O autodesprezo era insuportável. Talvez seja natural, ponderou ele sombriamente. Drenar cada gota de sangue do meu corpo e substituí-lo consertaria isso? Mas ele sabia que uma transfusão de sangue não poderia sobrescrever a patética degeneração codificada em seu DNA. Parecia que cada célula em seu corpo era fundamentalmente incapaz de existir sem ansiar por So Gi-hyeon.
—
Os sonhos, que começaram a assombrá-lo desde a puberdade no momento em que tomou consciência dos próprios desejos, atingiram seu auge quando ele entrou no ensino médio e reencontrou Gi-hyeon. O catalisador foi risivelmente mundano: ele testemunhou acidentalmente Gi-hyeon, sem camisa e suado de jogar futebol, rindo alto com outros bastardos enquanto se lavava nas torneiras externas.
Naquele instante, algo dentro de Yeon-oh se partiu violentamente. Eu deveria tê-lo descartado ali mesmo, percebeu Yeon-oh amargamente. Assim como ele me descartou. No entanto, sua genética irremediavelmente patética ditava o contrário. Apesar de ter ignorado agressivamente Gi-hyeon desde que se matricularam na mesma escola, Yeon-oh se viu procurando ativamente pelo garoto.
Mais precisamente, ele o procurava porque a visão de Gi-hyeon brincando com Lee Beom-hee fazia seu sangue ferver. Ele não suportava ver Beom-hee rindo enquanto ela bagunçava agressivamente o cabelo encharcado de Gi-hyeon antes de jogar uma toalha nele. Não, não era bem isso. Era porque Yeon-oh queria desesperadamente ser aquele que segurava a toalha.
Assim, apesar de ser aquele que arquitetou o afastamento, Yeon-oh foi quem abriu caminho teimosamente de volta à órbita de Gi-hyeon.
— Por que você é tão íntimo da Lee Beom-hee? — Yeon-oh exigiu, a pergunta saindo em um tom sombrio e hostil. O ressentimento parecia tão incompreensível então quanto agora.
Ver Gi-hyeon rir tão facilmente ao lado de Beom-hee, depois de abandonar Yeon-oh com tal facilidade enfurecedora, parecia uma injustiça grotesca.
Foi a primeira vez que Jo Yeon-oh provou a derrota. Ele nasceu com o mundo a seus pés. Apesar de seus pais desastrosos, ele nunca entendeu realmente o conceito de privação até o dia em que o So Gi-hyeon de dez anos saiu de sua vida.
Portanto, testemunhar Gi-hyeon tendo uma conversa perfeitamente normal com Beom-hee acendeu uma raiva violenta e indecifrável dentro dele.
— Hã… a gente só anda muito junto — Gi-hyeon respondeu. Ele tinha crescido desde a última vez que ficaram lado a lado. Com base nas observações secretas de Yeon-oh durante a cerimônia de boas-vindas, Gi-hyeon estava aproximadamente da mesma altura que Beom-hee agora, mas ainda visivelmente mais baixo do que o próprio Yeon-oh.
Yeon-oh lutou contra o desejo avassalador de pressionar seu queixo firmemente contra o topo da cabeça perfeitamente redonda de Gi-hyeon. Ele queria ser aquele a sacudir a camisa de uniforme meio molhada de Gi-hyeon para refrescá-lo após uma partida. Ele queria repreendê-lo: “Você vive perdendo a bola porque olha para os pés quando dribla.” Queria desesperadamente perguntar se ele ainda preferia o Screw Bar aos outros sorvetes. Sentia falta de Gi-hyeon flagrando-o de olho em seus lanches e perguntando: “Quer um pouco?”
Mas Yeon-oh enterrou esses desejos à força. Ele pegou seu voto de nunca perdoar, dobrou-o cuidadosamente e empurrou-o para debaixo da cama para acumular poeira.
— Então anda comigo. Não, anda só comigo.
E assim, ele recuperou seu lugar ao lado de Gi-hyeon.
Por um tempo, as coisas ficaram bem. Gi-hyeon era excepcionalmente atlético e igualmente brilhante academicamente. Um dia, reclamando que lavar o cabelo era muito trabalhoso, Gi-hyeon apareceu na escola tendo raspado toda a cabeça com uma máquina. Foi a primeira vez que o queridinho dos professores foi chamado à sala dos professores para receber uma medida disciplinar.
— Você está se rebelando? Como você pode aparecer com a cabeça raspada desse jeito?
— Não parece fofo, tipo o Crayon Shin-chan? Parece uma pedrinha. Professor, alivia só dessa vez.
Yeon-oh interveio, implorando ao coordenador por clemência em nome de Gi-hyeon antes de agarrar seu pulso e arrastá-lo para fora do escritório.
— Realmente parece tão estranho? — Gi-hyeon perguntou. Yeon-oh, recusando-se a olhar para trás, mentiu e disse que não.
— Seu bastardo louco, por que você raspou o seu? — Gi-hyeon perguntou no dia seguinte.
— Ficou estiloso em você — Yeon-oh respondeu, exibindo um sorriso largo. Gi-hyeon simplesmente olhou para ele antes de balançar a cabeça em descrença. Por um bom tempo, os dois atravessaram o ensino médio como uma dupla de carecas.
— Ei, você vai raspar ainda mais curto quando se alistar? Isso significa que você vai viver como um monge careca por anos? — Gi-hyeon provocou.
— Cala a boca, vai se foder. — Yeon-oh esfregava constantemente o topo da cabeça raspada de Gi-hyeon, viciado na sensação espinhosa. — Se você quer tanto esfregar uma cabeça, vá massagear seu próprio crânio, porra! Por que você está me assediando? — Gi-hyeon retrucava.
Toda vez, o riso borbulhava no peito de Yeon-oh. Ele ainda sonhava ocasionalmente com esses momentos. Nesses sonhos, Gi-hyeon simplesmente aparecia, ria, passava a mão pelo antebraço de Yeon-oh e casualmente dava dois tapinhas na coxa dele. Naquelas noites, Yeon-oh acordava no meio da noite, forçado a limpar as consequências pegajosas de sua traição inconsciente. A rotina era inescapável, e o autodesprezo era absoluto.
— …Afinal, por que você anda comigo? — Gi-hyeon perguntou uma vez.
— Foi você que exigiu que a gente andasse junto, seu bastardo louco. — Eles tinham ido a um PC bang pela primeira vez em muito tempo, e Yeon-oh estava esfregando agressivamente a cabeça de Gi-hyeon enquanto o outro garoto jogava KartRider como um aluno do ensino fundamental. Seu cabelo tinha crescido significativamente, perdendo aquela textura viciante de ouriço de castanha. A perda só fez Yeon-oh esfregar com mais força.
Gi-hyeon reclamava, irritado, afastando sua mão talvez uma em cada três tentativas, mas na maioria das vezes ele apenas deixava Yeon-oh fazer o que queria. Yeon-oh era profundamente grato por essa tolerância. Apesar de Yeon-oh cometer atos grotescos e imundos contra sua imagem todas as noites, Gi-hyeon consistentemente o tratava com amizade genuína e inabalável.
Por volta dessa época, uma faísca perigosa de esperança se acendeu dentro dele. Yeon-oh começou a acreditar que poderia passar o resto de sua vida ao lado de Gi-hyeon. Se permanecessem melhores amigos, poderiam ser inseparáveis para sempre. Se a futura esposa de Gi-hyeon ocupasse o lado direito de seu túmulo, Yeon-oh aceitaria alegremente o esquerdo. Compartilhar o mesmo jazigo tornou-se sua ambição distorcida e definitiva.
— Ei, você quer visitar o cemitério da minha família mais tarde?
— Onde diabos é isso?
— Naju.
— Que papo furado. — Gi-hyeon riu, descartando completamente a oferta, mas ele não tinha dito explicitamente não. Só isso já era suficiente para Yeon-oh. Ele racionalizou que nutrir essas fantasias patéticas era inofensivo, desde que Gi-hyeon nunca as descobrisse.
E como ele poderia? Gi-hyeon era notavelmente alheio ao estado interno de Yeon-oh. Enquanto Yeon-oh o escondesse ativamente, a verdade permaneceria enterrada em segurança.
Assim, Yeon-oh se prendeu em um ciclo agonizante de duplicidade. Ele amaldiçoava violentamente os sonhos molhados ao amanhecer, apenas para chegar à escola, gravitar imediatamente em direção a Gi-hyeon, esfregar agressivamente a nuca dele e puxá-lo para um abraço bruto de um braço só. Ele justificava a farsa exaustiva; ele tinha que proteger ferozmente o vínculo frágil que florescia sobre sua montanha de mentiras e enganos.
Se você ficar ao meu lado assim, eu vou garantir que nada disso toque em você. Então fique comigo, So Gi-hyeon. Canalizando esses pensamentos desesperados, ele apoiou o queixo na carteira e cutucou a bochecha do garoto que estava inocentemente resolvendo um caderno de exercícios.
— Você realmente quer morrer? — Gi-hyeon sibilou.
— Existe alguém que realmente quer morrer? — Yeon-oh retrucou.
Ele riu enquanto Gi-hyeon suspirava de exasperação, sinalizando claramente que não ia mais dar corda. A carranca séria no rosto de Gi-hyeon ao repreendê-lo, “Fica quieto, tem gente tentando estudar”, era inegavelmente cativante. Yeon-oh assentiu, concordando, antes de se inclinar para sussurrar: “Vamos fazer lámen na sua casa mais tarde.” Ele modulou a voz perfeitamente, baixo o suficiente para satisfazer Gi-hyeon, garantindo que não perturbassem os outros bastardos que se matavam nos livros. Gi-hyeon o encarou por um longo momento antes de finalmente acenar.
Sim. Isso é tudo de que eu preciso, decidiu Yeon-oh, selando sua decisão.
No entanto, ao entrarem no terceiro ano, Gi-hyeon começou a evitá-lo ativamente. Supondo que a preparação extenuante para os exames de admissão da Academia Militar estava cobrando seu preço, Yeon-oh abordou secretamente a mãe notoriamente amorosa de Gi-hyeon e lhe entregou tônicos de ervas caros.
Só muito mais tarde Yeon-oh descobriu que o pai de Gi-hyeon havia arremessado fisicamente a caixa inteira de remédios no lixo bem na frente de seu filho. Yeon-oh passou dias planejando precisamente como assassinar o homem antes de finalmente conceder-lhe um perdão, puramente por respeito ao seu título como pai de Gi-hyeon. Afinal, o homem devia amar o filho. Era fundamentalmente impossível para qualquer um não amar So Gi-hyeon.
Apesar do início difícil de seu primeiro ano, agarrar-se a Gi-hyeon por dois anos e meio sólidos tornou a vida tolerável. No momento em que fizeram vinte anos, eles foram aos bares em Sinchon. Deixando Beom-hee no meio da celebração, eles foram para a casa de Gi-hyeon e beberam até o amanhecer.
Na manhã seguinte, Yeon-oh pediu ao seu motorista que entregasse sopa de escamudo seco para curar suas ressacas, testemunhando finalmente em primeira mão o quanto o rosto de Gi-hyeon inchava após uma noite de bebedeira.
Quando Gi-hyeon se matriculou na Academia Militar, seus encontros tornaram-se dolorosamente infrequentes, levando Yeon-oh a se alistar também. Após as atrocidades movidas a drogas de Seong-heon, Yeon-oh ocasionalmente dependia de medicação psiquiátrica, tecnicamente garantindo-lhe uma isenção médica. Ele pretendia aproveitar o imenso poder de sua família para garantir uma vaga confortável no serviço alternativo, mas, surpreendentemente, passou no exame físico para o serviço ativo.
Quando seu avô e sua mãe perguntaram histericamente por que ele se alistaria voluntariamente, ele os lembrou friamente de que escândalos de evasão ao recrutamento militar danificavam irremediavelmente a imagem pública de um conglomerado hoje em dia, e prontamente partiu para o campo de treinamento.
Ele foi enviado para uma base em Cheorwon. Durante todo o seu serviço, ele viu Gi-hyeon exatamente uma vez. Gi-hyeon o visitou em uniforme de gala, trazendo presentes de frango frito e pizza. Ele estava tão incrivelmente bonito que Yeon-oh queria desesperadamente uma foto, mas a proibição rigorosa de telefones celulares na época frustrou a tentativa.
Após sua baixa, Yeon-oh dedicou-se à vida universitária. Por volta dessa época, seu avô começou a colocar os primos agressivamente uns contra os outros. O patriarca ameaçava ferozmente Yeon-oh, alertando-o para não assumir que a sucessão era garantida, mas o orgulho avassalador que irradiava de seu rosto, gritando silenciosamente: “Você é meu único verdadeiro neto”, tornava a farsa inteira hilária. No entanto, como o relacionamento deles não era terrível, Yeon-oh entrou no jogo, vendo-o como sua própria marca distorcida de piedade filial.
Depois de resolver a papelada da contratação, ele começou um estágio na Haeseong Logistics. Coincidindo com esse marco, Gi-hyeon se formou.
Comparecer à cerimônia de nomeação dos novos oficiais era inegociável. Antecipando o puro e visceral nojo que contorceria o rosto de Gi-hyeon, Yeon-oh encomendou deliberadamente um buquê obscenamente extravagante, enfeitando as flores luxuosas com cristais Swarovski.
E então ele ouviu as palavras que destruíram seu mundo.
— É realmente tudo o que você tem a dizer? — Yeon-oh exigiu, incapaz de processar a confissão.
Gi-hyeon simplesmente fechou os lábios como uma ostra. Aqueles lábios de aparência macia permaneceram obstinadamente pressionados juntos, recusando-se a ceder mais uma sílaba.
O vento cortante de março pintou as bochechas pálidas de Gi-hyeon de um vermelho vibrante e nítido. Yeon-oh não se iludiu em interpretar isso como um rubor de afeição direcionado a ele. A verdade agonizante jazia no distanciamento congelante nos olhos de Gi-hyeon.
Gi-hyeon pretendia abandoná-lo novamente, não deixando nada além do dano colateral de sua confissão egoísta. Essa percepção atingiu Yeon-oh muito mais forte do que a declaração real de amor.
— Seu bastardo maluco. Esqueceu que é um Beta?
Como você pôde me dizer isso? Você sabe exatamente o quanto eu desprezo isso. …Sim, essa era a tragédia central. Gi-hyeon sabia. Ele estava confessando apesar de saber exatamente o quanto Yeon-oh detestava o próprio conceito de um amante Beta. Era uma sabotagem intencional. Ele entregou a confissão como se a rejeição de Yeon-oh fosse o resultado desejado, como se dar a Yeon-oh a desculpa perfeita para bani-lo para sempre fosse todo o objetivo.
Enquanto o xingamento lhe escapava dos lábios, uma onda violenta de náusea surgiu em sua garganta. Mas a traição mais grotesca e imperdoável veio de seu próprio corpo: o Alfa Jo Yeon-oh endureceu instantaneamente ao perceber que o Beta So Gi-hyeon o amava.
Uau, perfeito pra caralho, maravilhava-se Yeon-oh internamente, sua mente se partindo.
Você venceu, Seong-heon. Ele sentiu o desejo perturbado de aplaudir seu pai lixo. No entanto, simultaneamente, sua boca se moveu sozinha.
— Tudo bem.
— …
— Vamos namorar.
Seu pedaço de merda egoísta e inacreditável, Yeon-oh amaldiçoou Gi-hyeon com cada fibra de seu ser.
Eu queria te dar algo melhor do que isso. Não essa dinâmica imunda e corrompida. Eu queria escolher a dedo apenas as coisas mais puras e belas, espanar cuidadosamente a poeira, secá-las ao sol quente e embrulhá-las perfeitamente apenas para você. E foi você quem rejeitou. Não, foi você quem arrastou isso direto para a sarjeta.
Mas Gi-hyeon, como diabos eu devo te amar desse jeito?
Eu te disse, eu só queria te dar o melhor. Não a podridão, não o lixo. Apenas as coisas brilhantes e belas.
So Gi-hyeon tinha descartado Jo Yeon-oh mais uma vez.
E Yeon-oh foi totalmente incapaz de impedi-lo.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna