Salt Society (Novel) - — Capítulo 123
↫─Capítulo 123
— O Surim está chorando.
Ele estava mentindo descaradamente; nenhum resmungo sequer ecoou no quarto, e a babá eletrônica permanecia em completo silêncio. Aquela mentira deslavada apenas fez o pau de Yeon-oh pulsar involuntariamente bem fundo dentro das paredes apertadas e sôfregas. Talvez percebendo que seu blefe ridículo havia falhado, So Gi-hyeon simplesmente agarrou os lençóis da cama e começou a gemer.
Esparramado pela metade sobre a cama, Yeon-oh encarava as costas lisas de Gi-hyeon, com as mãos travadas em um aperto punitivo ao redor dos quadris de seu marido. Ele cravou os dentes na omoplata proeminente, chupando com força suficiente para deixar uma marca, e as paredes internas instantaneamente se fecharam em resposta ao redor de seu membro totalmente ingurgitado.
Tudo havia começado de forma simples. Ao acordar, Yeon-oh havia flagrado Gi-hyeon, com o cabelo parecendo um ninho de passarinho e os olhos mal abertos, levantando a camiseta para pressionar uma bomba tira-leite contra o peito matinal inchado. Sabendo da fixação obsessiva de seu parceiro pelo seu corpo, Gi-hyeon costumava se esconder para usar o aparelho, mas meio adormecido e incapaz de suportar a plenitude dolorida, ele havia começado a extrair o leite ali mesmo na cama. Alheio aos olhos predatórios que devoravam cada movimento seu, Gi-hyeon não teve a menor chance.
Como um crocodilo emboscando uma gazela na margem do rio, Jo Yeon-oh avançou sem hesitação, agarrando Gi-hyeon pela cintura. Algumas gotas de leite transbordaram da bomba, espirrando úmidas pelo peito e pelo abdômen de Gi-hyeon. Quando Yeon-oh avidamente lambeu cada gota, Gi-hyeon puxou o cabelo dele em uma tentativa desesperada de afastá-lo. Mas Yeon-oh já estava muito além da razão; ele não dava a mínima se seu cabelo fosse arrancado pela raiz, contanto que pudesse se fartar com aquele leite doce.
— Seu desgraçado louco… Ah, hah… Eu disse que o Surim está acordado… Ngh, mnh…
— Querido, hah… O Surim está dormindo profundamente, ngh… — Yeon-oh falou com a voz rouca. — Vai continuar mentindo para mim?
Gi-hyeon costumava dar broncas em Yeon-oh por ser um pai superprotetor, insistindo: “Não fica mimando ele só porque está fazendo birra.” Ouvi-lo usar o bebê como desculpa agora era ao mesmo tempo absurdo e profundamente cativante. Além do mais, Surim raramente chorava; de acordo com Yeong-won, o bebê era exatamente como Gi-hyeon tinha sido quando criança.
— Hng, ah, espera, mnh…
As costas de Gi-hyeon estavam inteiramente expostas sob a camiseta amontoada. Yeon-oh havia se oferecido para chupar o peito dele, mas Gi-hyeon recusou obstinadamente e se virou de bruços, despertando o lado implicante de Yeon-oh. Puxando os quadris de Gi-hyeon para a beirada do colchão, ele o forçou a se ajoelhar sobre o tapete do chão, arrancando um tremor violento do Ômega. Antes que Gi-hyeon pudesse soltar outro protesto, Yeon-oh enterrou seu pau impiedosamente no buraco úmido e complacente.
— Ah, hah… Não, para… Está molhando tudo! Meu leite está vazando…
— Continua falando sacanagem para mim.
Delirando de prazer, Gi-hyeon balbuciava sobre seu peito estar vazando por ser pressionado contra o colchão. O mero tesão daquilo fez as veias saltarem na testa de Yeon-oh e, incapaz de se segurar, ele desceu a palma da mão com força contra a bunda de Gi-hyeon em um tapa ardido. Assustado, Gi-hyeon contraiu as nádegas de forma tão violenta que Yeon-oh arquejou, meio convencido de que seu pau seria partido em dois.
— Ah, porra… Gi-hyeon, quando os preservativos acabarem, vou fazer vasectomia. Você vai aceitar meu pau sem nada então, não vai?
— Cortar o quê, seu louco… hng, hah…
Gi-hyeon tremia incontrolavelmente. O motivo para a vasectomia era claro como cristal: ele não podia deixar Gi-hyeon engravidar de novo. Gerar um filho em So Gi-hyeon era uma fonte de êxtase intenso, mas o desgaste físico que aquilo trazia para o homem era totalmente inaceitável. No entanto, Gi-hyeon adorava receber o pau de seu marido sem proteção. Ele tentava esconder, mas suas reações internas sempre o traíam. Dar ao seu marido o prazer sexual que ele tanto desejava era a maior alegria de Yeon-oh; ele queria eliminar o risco de gravidez unicamente para cobrir Gi-hyeon de um contentamento sem amarras. Ver o buraco de seu marido vazar quantidades copiosas de sêmen e ficar tão duro a ponto de sentir que seu membro iria explodir era apenas uma vantagem secundária.
A busca frenética por um preservativo na mesa de cabeceira havia feito objetos caírem pelo chão, mas Yeon-oh havia selecionado infalivelmente a versão texturizada. Gi-hyeon nunca admitia, mas Yeon-oh sabia exatamente o quanto seu marido adorava aquela textura estriada.
— Ah, hah, ngh… Hah, mnh, só espera, hng—!
Qual desculpa ele inventaria desesperadamente a seguir para fazê-lo parar? Yeon-oh esperou pelo protesto, mas Gi-hyeon parecia inteiramente desprovido de seus sentidos. O quarto estava completamente saturado com os feromônios de Gi-hyeon, uma mistura de rum e baunilha inebriante demais para se inalar de estômago vazio sob a luz clara da manhã.
Uma gota de suor se acumulou sob o queixo de Gi-hyeon e escorreu pelo vale da fenda de sua bunda. Antes que pudesse deslizar para a conexão escorregadia deles, Yeon-oh a limpou com o polegar, arrancando um sobressalto agudo de todo o corpo do Ômega. Ele era, sem sombra de dúvida, a criatura mais obscenamente erótica viva.
— Quem no mundo olharia para você e pensaria que é um homem que deu à luz? Hã?
Pressionando o peito colado contra as costas de Gi-hyeon para imobilizá-lo no lugar, Yeon-oh bombeou os quadris implacavelmente. O tapa úmido do músculo escorregadio de suor encontrando a carne complacente ecoava ritmadamente pelo quarto. Esticando o braço, Yeon-oh deslizou a mão entre o peito de Gi-hyeon e o colchão. Como era de se esperar, os lençóis estavam encharcados; seu leite devia estar jorrando. Yeon-oh massageou avidamente o peito pesado que enchia sua palma. Ele estava imensamente satisfeito com os gemidos desesperados e indefesos de Gi-hyeon, sem conseguir distinguir se vinham da dor ou do prazer avassalador.
Quando retirou a mão, sua palma estava pingando leite materno. Ele a levou à boca, lambendo até limpar, antes de desferir outro tapa estalado na bunda de Gi-hyeon, fazendo o leite espirrar úmido contra a pele dele. O som molhado do impacto era absolutamente sublime.
— De agora em diante, hng, me acorda imediatamente. Eu chupo para você.
— Hng, ah… Sim, mnh…
Definitivamente não era um consentimento, mas Yeon-oh preferiu ouvir aquilo como um sim, com seu pau latejando violentamente por conta própria bem no fundo. Entre o tesão matinal e uma necessidade urgente de urinar, Gi-hyeon estremeceu violentamente. Yeon-oh agarrou o pau do Ômega, que começava a amolecer, com a mão escorregadia de leite, ordenhando-o em movimentos longos e firmes. Gi-hyeon ficou completamente rígido, incapaz até de vocalizar seu prazer, e aquilo mandou uma descarga de pura eletricidade direto para o âmago de Yeon-oh.
— Ah, ugh…
Um flash ofuscante de luz explodiu atrás dos olhos de Yeon-oh, como o filamento de uma lâmpada se partindo. Ele estocou às cegas, totalmente entregue à sensação de possuir Gi-hyeon como um cachorro no cio. Mesmo descarregando sua carga em jatos grossos e pulsantes, ele não parou de investir contra ele. Gi-hyeon tremia violentamente, com a pele tingida de um vermelho profundo e febril. Despejar seu sêmen naquele calor sôfrego e sugador era loucamente perfeito. Embora So Gi-hyeon se envergonhasse facilmente, seu buraco sem pudores era brutalmente honesto, contraindo-se para espremer até a última gota que cobiçava.
As paredes internas amolecidas sofriam espasmos com os tremores residuais do orgasmo. Yeon-oh não estava inteiramente saciado, mas o silêncio inquietante vindo do berçário começava a pesar em sua consciência. A babá não chegaria tão cedo, e ele sabia perfeitamente bem que, se começasse outra rodada agora, não deixaria Gi-hyeon ir até o meio-dia.
Roçando os quadris naquele calor apertado mais algumas vezes para saborear a sensação, ele relutantemente se retirou. Seu pau ainda estava meio duro, então sair dali claramente causou sua própria fricção; os quadris de Gi-hyeon estremeceram em resposta. Yeon-oh riu baixinho, pressionando os lábios contra o lóbulo da orelha de Gi-hyeon.
— Vamos dar uma mijada?
— Sério, vai se foder… Estou exausto…
Esvaziado de toda a energia, Gi-hyeon mal conseguiu arfar o insulto. A intensidade do ápice o havia deixado tremendo incontrolavelmente. Seu buraco permanecia firmemente fechado, recusando-se a liberar o preservativo frouxo e cheio de sêmen, forçando Yeon-oh a beliscar o anel de borracha e puxá-lo manualmente. Era um buraco voraz e devasso, em forte contraste com seu dono recatado. Sorrindo, Yeon-oh deu um tapinha gentil e consolador na bunda de Gi-hyeon.
— Toma um banho e descansa. Vou dar uma olhada no Surim.
Gi-hyeon ofereceu um aceno fraco, ainda atordoado pelas sensações fantasmas persistentes, uma visão que trouxe um sorriso satisfeito ao rosto de Yeon-oh. Ele ajudou seu marido a se levantar e o conduziu para o banheiro da suíte.
— Vai logo ver o bebê — resmungou Gi-hyeon. — Ele provavelmente está acordado.
— Entendido. Toma seu banho e vem, que eu deixo o café pronto.
O monitor ainda estava em completo silêncio, mas Gi-hyeon insistia teimosamente para que ele checasse o berçário. Dando uma arrumada superficial no quarto, Yeon-oh saiu.
— Surim-ah. Quando você acordou?
Para sua surpresa, Gi-hyeon estava certo. O bebê de cem dias de vida estava bem acordado, encarando sem piscar o móbile acima de seu berço, com suas bochechas gordinhas em plena exibição. Acordado, mas sem chorar. Um anjo absoluto. Ele claramente estivera chupando suas luvinhas, visto o quão encharcado o tecido estava. Sempre que Yeon-oh tentava tirá-las da boca do bebê, Gi-hyeon o repreendia para deixá-las em paz. Ele soltava algumas bobagens sobre ser a fase de desenvolvimento em que os bebês se distinguem de seu ambiente, e que um pouco de sujeira criava imunidade.
Yeon-oh olhou para a criança, uma miniatura perfeita de Gi-hyeon, e um sorriso involuntário se espalhou por seu rosto. Embora tivesse lavado as mãos antes de entrar, ele se sentia indigno demais para tocar no bebê imaculado. Ele pairou sobre o berço por um longo tempo, fazendo gracinhas sem parar: “Olá, Surim. Sentiu falta do papai? O papai também sentiu sua falta.”
— Para de enrolar e traz o bebê. Ele precisa comer.
Tendo terminado seu banho, Gi-hyeon passou pela porta aberta, soltando o comentário por cima do ombro com uma familiaridade exasperada. Yeon-oh sabia que precisava trocar a fralda e preparar a mamadeira, mas estava completamente paralisado diante da visão do bebê adorável chupando sua luvinha ensopada, olhando para ele com olhos imensos e redondos.
— Eu disse para parar.
Só quando Gi-hyeon entrou marchando e desferiu um tapa estalado nas costas de Yeon-oh é que o pai hipnotizado finalmente saiu do transe e pegou o bebê nos braços.
—
Ultimamente, Gi-hyeon vinha praticando incansavelmente como ocultar seus feromônios.
— Imagina pegar a barreira espessa que envolve seu corpo e esticá-la incrivelmente fina, como se estivesse vestindo uma peça de roupa colada à pele — explicou Jo Yeon-oh de forma simples.
No entanto, o progresso de Gi-hyeon não podia se equiparar ao de Alfas e Ômegas que haviam recebido treinamento especializado muito antes de se manifestarem. Não era uma questão de talento inato. Aqueles que se manifestavam tardiamente, como Gi-hyeon, invariavelmente tinham dificuldades; pesquisas confirmavam que a manifestação após a idade adulta tornava a supressão de feromônios significativamente mais difícil. Apesar de seus esforços constantes, seu controle permanecia lamentavelmente inadequado.
— Mmm, não está funcionando muito bem…
Gi-hyeon lançou um olhar hesitante para Yeon-oh. Essa era a décima segunda vez que lhe ensinavam essa técnica específica, e ele ainda estava falhando miseravelmente. Se tivesse aprendido isso durante seus anos de formação, seria algo natural, mas Gi-hyeon era um adulto totalmente formado que tinha literalmente acabado de dar à luz.
— Vamos tentar de novo. Você está cansado?
O tom de Yeon-oh foi instantaneamente gentil, fazendo Gi-hyeon balançar a cabeça lentamente. Mesmo exausto após um longo dia de trabalho, Yeon-oh o orientava pacientemente sem um pingo de irritação, enchendo Gi-hyeon de um profundo sentimento de gratidão misturado com culpa.
Naquele momento, Yeon-oh estava atolado com o processo de sucessão corporativa, abandonando sua galeria para se deslocar até a sede da Haeseong. O Gerente Yoo havia naturalmente sugerido que ele ficasse em um hotel perto do escritório durante esse período caótico, mas Yeon-oh o repreendeu furiosamente, declarando que o lugar de um Alfa com família era em casa, com seu Ômega. Quando Gi-hyeon apontou gentilmente o trajeto exaustivo, Yeon-oh simplesmente rebateu dizendo para ele parar de atender às ligações do Gerente Yoo. O fato de um homem tão ridiculamente ocupado dedicar seu precioso tempo livre para ajudar Gi-hyeon a dominar seus feromônios era profundamente tocante.
Yeon-oh devia ter sofrido imensamente durante a gravidez de Gi-hyeon, quando seu controle de feromônios tinha sido inexistente. Incapaz de exigir sexo de seu parceiro em estágio avançado de gravidez e fisicamente desconfortável, Yeon-oh fora forçado a dividir a cama com um Ômega que exalava constantemente aromas inebriantes, testando os limites de sua contenção monástica a cada noite. Nem uma única vez Yeon-oh havia reclamado ou implorado por alívio, tampouco criticara a falta de controle de Gi-hyeon, mas Gi-hyeon muitas vezes o ouvia saindo da cama de madrugada para tomar banhos gelados.
Ele mal podia fingir ignorância quando seu marido retornava para a cama irradiando um frio congelante. Sendo homem, Gi-hyeon compreendia perfeitamente aquele imperativo biológico. A culpa de dormir profundamente ao lado de um Yeon-oh agonizante havia inclusive desencadeado uma crise de insônia. Sentindo pena dele, Gi-hyeon uma vez ofereceu cautelosamente uma alternativa.
— Devo… pelo menos usar a boca?
— Ah, com certeza. Vou foder a sua garganta até você engasgar e encher seu estômago vazio com nada além da minha porra. Continua soltando essa boca para ver o que acontece.
Yeon-oh havia cuspido casualmente a ameaça vulgar, rejeitando a oferta de imediato. Ele então puxou Gi-hyeon para um abraço esmagador, resmungando: “Você acha que sou algum lixo patético que só se importa em molhar o pau quando você está exausto? Não é assim que eu vivo.” Gi-hyeon não tinha total certeza do que “viver assim” envolvia, mas simplesmente assentiu, sentindo a sinceridade absoluta por trás das palavras agressivas.
Se ele pudesse ter controlado seus feromônios durante a gravidez, Yeon-oh não teria sofrido tanto. Esse pensamento impulsionou Gi-hyeon a se lançar no treinamento atual. Havia, no entanto, outra razão para dominar essa habilidade.
— Não me importo que você trabalhe, mas quero que domine completamente o controle de seus feromônios antes de voltar para a clínica.
Era raro Yeon-oh impor uma regra de forma tão séria, então Gi-hyeon concordou apesar de sua surpresa. Desde que se tornou Ômega, Gi-hyeon havia morado no campo e, posteriormente, passado meses grávido, isolando-o em grande parte dos contratos sociais estritos que governavam Alfas e Ômegas na cidade. A vida rural não exigia supressão de feromônios, e Ômegas grávidos emitiam naturalmente odores que supostamente desestimulavam a agressão de Alfas. Essencialmente, sua vida não havia mudado drasticamente após a transição, levando-o a suspeitar que Yeon-oh estava apenas exagerando. Yeon-oh, perceptivo como sempre, leu instantaneamente sua mente.
— Você não faz ideia de que aqueles Alfas desgraçados não têm nada além de sêmen chacoalhando em seus cérebros.
Ele não fazia, e francamente, discordava. Os Alfas que conhecia, como o nadador Cheol-jin ou Damon, a quem conhecera em um quase acidente de trânsito, comportavam-se de maneira idêntica a qualquer outra pessoa. Pareciam caras normais, e até mesmo Lee Beom-hee, uma Alfa mulher, não era marcadamente diferente, embora sua loucura habitual pudesse distorcer os dados.
Durante seu serviço militar, a divisão nítida entre Alfas e homens Betas como ele parecia insignificante. Yang Ji-soo, um Alfa que conhecera no exército, era na verdade incrivelmente dócil. Além disso, Yeon-oh, o Alfa com quem tinha maior intimidade, raramente exalava a dominância estereotipada de um Alfa. Os feromônios que o esmagavam durante o sexo eram puramente prazerosos. Ele podia sentir a profundidade avassaladora do amor e da devoção de Yeon-oh, mas aquilo parecia traço pessoal em vez de imperativos biológicos de Alfa.
Rindo abafado, Gi-hyeon rebateu gentilmente:
— Você sempre se preocupa demais comigo de qualquer forma. Isso não é apenas mais do mesmo?
— Escuta aqui, pai de um filho. Hora de crescer. Eu nasci em uma família onde esse tipo de treinamento rigoroso de supressão é obrigatório, mas aqueles outros idiotas? Eles não nasceram.
Gi-hyeon assentiu com desdém. Ele sabia melhor do que ninguém o quanto Yeon-oh era da elite, e aceitou a súbita gabolice sem pestanejar, como um fato objetivo. Realisticamente, Alfas e Ômegas eram uma fração minúscula da população. Ele só os encontrava com frequência porque trabalhava em uma clínica de reabilitação esportiva; em um hospital padrão, deparar-se com um Alfa como Cheol-jin ou Damon seria uma anomalia anual. Era realmente necessário alcançar um controle perfeito antes de retornar ao trabalho?
Ele nem sequer estava voltando para uma ala lotada de atletas; ele iria apenas cobrir a fisioterapia de Cheol-jin por um mês. Beom-hee havia solicitado especificamente a ele porque o terapeuta designado estava de licença, e Gi-hyeon era o único familiarizado com a condição de Cheol-jin. Cheol-jin era uma figura conhecida, um Alfa seguro. Além disso, quem em sã consciência olharia para o porte alto e de ombros largos de Gi-hyeon e pensaria de cara que ele era Ômega?
Assim, embora praticasse diligentemente para a paz de espírito de Yeon-oh, faltava-lhe convicção real. O treinamento era em grande parte uma tática de apaziguamento. Talvez devido a esse compromisso morno, seu controle permanecia lamentavelmente inadequado, mesmo com a volta ao trabalho a poucos dias de distância. Ele estava melhor do que antes, mas um pânico repentino ainda desencadeava picos incontroláveis de feromônios.
Sempre que isso acontecia, Yeon-oh o disciplinava com a rigidez implacável de um diretor severo lidando com um delinquente.
— Você chegou? Ngh…
No momento em que Gi-hyeon passou pela porta, Yeon-oh o puxou pela nuca, enterrou o nariz em sua clavícula e inspirou profundamente. Gi-hyeon soltou um gemido baixo. Era sem dúvida um teste surpresa de seu controle de feromônios. Ele se apressou para ocultar seu cheiro, tentando desesperadamente evocar a sensação de “roupa colada à pele” que Yeon-oh havia descrito, sem sucesso.
Enquanto isso, o nariz de Yeon-oh se arrastava implacavelmente pela nuca de Gi-hyeon. O choque repentino da pele fria de Yeon-oh, resfriada pelo vento, contra seu próprio pescoço sensível fez Gi-hyeon se sobressaltar, com a respiração úmida de seu marido provocando calafrios em sua espinha.
— E-Espera…
Gi-hyeon agarrou o pulso dele, mas Yeon-oh o ignorou, deslizando a mão para baixo para capturar um mamilo em um beliscão dolorido. O solavanco abrupto de dor e prazer fez a cabeça de Gi-hyeon pender para trás, com um suspiro áspero rasgando sua garganta. O polegar de Yeon-oh cavava implacavelmente no pico proeminente, ameaçando arrancar leite, embora ele tivesse esvaziado tudo com a bomba havia apenas três horas.
— Espera, estamos bem na entrada. Hah, ngh…
Uma mão se enfiou descaradamente entre suas pernas.
Gi-hyeon sequer havia percebido que estava meio duro, mas conforme aqueles dedos habilmente acariciavam seu pau pesado, seu períneo, ainda hipersensível depois das estocadas brutais da noite passada, deu uma pulsação violenta e dolorida.
A lembrança de ter seu peito sugado até secar exatamente nessa posição inundou sua mente, obliterando instantaneamente seu controle frágil. Uma onda massiva de feromônios irrompeu dele em um dilúvio descontrolado.
— Ah—!
De repente, um empurrão firme no peito o fez cambalear para trás. Não foi um empurrão poderoso, mas pego completamente de surpresa, Gi-hyeon deslizou para trás, piscando em puro espanto. Ele não conseguia processar direito que Jo Yeon-oh tinha acabado de empurrá-lo para longe. Yeon-oh o encarava de cima, com a testa franzida em profunda irritação.
— Achei que estivesse praticando. Você volta ao trabalho depois de amanhã e não melhorou nada.
— …O quê?
Atordoado, Gi-hyeon pôde apenas murmurar uma pergunta confusa, falhando em computar a reprimenda repentina. Yeon-oh estalou a língua em desgosto e começou a afrouxar violentamente a gravata.
— Você ficou seletivamente surdo quando eu te disse para dominar seus feromônios antes de pisar naquela clínica? Como planeja sobreviver lá fora se ainda está desse jeito?
— Ei…
A garganta de Gi-hyeon se apertou defensivamente. Ser emboscado e testado no exato segundo em que entrava pela porta não era exatamente um jogo justo. Não importava o quanto estivesse lutando com o treinamento, cair numa armadilha desse jeito doía amargamente.
Ele abriu a boca para rebater, mas rapidamente engoliu seu orgulho. Ele se forçou a enxergar o panorama geral. Pela perspectiva de Yeon-oh, sua ansiedade era completamente justificada. Ele sabia que Yeon-oh o tratava com a paranoia superprotetora geralmente reservada a uma criança caminhando perto da beira de um penhasco, mas Gi-hyeon reconhecia aquilo como uma manifestação de amor profundo. Ele sabia exatamente o quão assustadoramente indiferente Yeon-oh podia ser com aqueles com quem não se importava.
Engolindo sua indignação, Gi-hyeon soltou um longo suspiro e acariciou gentilmente o antebraço de seu marido.
— Eu sei. Se eu fosse melhor nisso, você não teria que se preocupar tanto. Vamos fazer um intensivão de última hora hoje à noite?
Diante das palavras apaziguadoras de Gi-hyeon, Yeon-oh mordeu o lábio, com a língua saindo para molhar a curva inferior à medida que a culpa pura tomava conta de suas feições. Ele claramente estava se culpando por ter explodido desnecessariamente. Gi-hyeon deu outro tapinha em seu braço, uma garantia silenciosa de que tudo estava perdoado.
— Estou morrendo de fome. Anda logo e faz o jantar, Chef.
— …O que você quer comer? — Yeon-oh respondeu lentamente à bandeira branca.
— Não sei, algo apimentado? — Gi-hyeon disparou de volta imediatamente para poupar seu marido de qualquer constrangimento remanescente.
Com um suspiro pesado, Yeon-oh entrou de vez no hall, envolveu um braço ao redor da cintura de Gi-hyeon e o puxou para um abraço de quebrar ossos.
— O que deu em você?
— Desculpa. Eu só estava ansioso.
As palavras murmuradas no pescoço de Gi-hyeon estavam carregadas de emoção. A umidade inesperada pressionando sua pele era surpreendentemente reconfortante. Os feromônios de Yeon-oh o envolveram em um abraço caloroso e arrependido, apegando-se a ele como um apelo físico por perdão. Tocado pela sinceridade absoluta das desculpas, Gi-hyeon envolveu seus braços ao redor das costas largas de Yeon-oh e deu tapinhas consoladores nele.
— Eu te perdoo se você me fizer algo apimentado, então me dá um desconto no meu progresso lento, só dessa vez.
— Tá bom.
Yeon-oh respondeu simplesmente, mas com imensa gravidade. O estrondo de sua voz vibrando contra o pescoço de Gi-hyeon lhe provocou um arrepio. Apertando Gi-hyeon com tanta força que arrancou um grunhido de seu peito, Yeon-oh finalmente o soltou.
— E o Surim?
— O que exatamente você acha que um bebê de cem dias faz? Ele está dormindo.
— Então preciso ir encarar a cara dele dormindo.
Com isso, ele praticamente correu para o banheiro para lavar as mãos. Gi-hyeon riu baixinho. A rotina noturna deles havia começado em segurança mais uma vez.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna