Salt Society (Novel) - — Capítulo 124
↫─Capítulo 124
Gi-hyeon ergueu o anelar esquerdo, atraindo o olhar distraído do homem mais jovem direto para sua mão.
— Doutor, você fez o que com quem agora? — Cheol-jin perguntou, absolutamente estupefato.
Gi-hyeon compreendia completamente o choque do nadador. Cheol-jin exibia todas as reações típicas de manual de quem descobre que um conhecido de longa data, sempre Beta, havia se manifestado repentinamente como um Ômega.
— Espera, como isso é sequer possível…? Não, isso não faz sentido. Como você pôde… — o atleta murmurou, pego em um turbilhão de negação e confusão. Ele encarou Gi-hyeon intensamente antes de balançar a cabeça, claramente incapaz de processar a revelação. No entanto, a negação de Cheol-jin não apagava magicamente o status de Ômega de Gi-hyeon, então ele apenas deu de ombros com indiferença.
Gi-hyeon havia se apresentado ao Centro de Treinamento Nacional naquela manhã, assumindo um período temporário como preparador físico antes de Cheol-jin partir para treinar na Austrália. Isso servia a um propósito duplo: uma ponte revigorante antes de seu retorno oficial à Clínica do Centro de Reabilitação Haeseong no início do próximo ano, e uma chance de recuperar seu ritmo profissional enquanto gerenciava o condicionamento do nadador.
É claro que o pedido pessoal de Lee Beom-hee havia desempenhado um papel. O fisioterapeuta enviado pela Reabilitação Haeseong havia tirado uma licença abrupta, deixando Cheol-jin sem supervisão adequada. Gi-hyeon simplesmente precisava segurar as pontas e supervisionar o treinamento até que o terapeuta original resolvesse seus assuntos pessoais e retornasse para acompanhar o atleta à Austrália.
Seu humor estava excepcionalmente leve, em grande parte porque Yeon-oh havia concedido a contragosto uma nota quase de aprovação ao seu controle de feromônios na noite anterior. “Quase de aprovação” não era exatamente uma pontuação perfeita, mas como Gi-hyeon carecia do perfeccionismo sufocante de seu marido, isso mal o incomodava. O mero fato de o impossivelmente estrito Jo Yeon-oh ter quase aprovado já era uma vitória em si; pelos padrões de qualquer pessoa normal, seu controle teria sido considerado impecável.
Aproveitando esse momento de alta, ele havia chegado ao trabalho, apenas para ser imediatamente interrogado por Cheol-jin sobre seu longo sumiço. Gi-hyeon havia respondido com honestidade nua e crua: “O Doutor é um Ômega agora. E casado.” Ele só não esperava que o jovem atleta ficasse pálido como a morte e gaguejasse em puro pânico.
Enquanto isso, o olhar de Cheol-jin caiu para o anelar esquerdo de Gi-hyeon, fixando-se na aliança de casamento.
— …Então esse anel é…
— Uma aliança de casamento, sim — Gi-hyeon confirmou. — Se você vai continuar encarando e provocando seu professor, faz isso na posição do cavaleiro.
Fingindo severidade, ele estendeu a mão e bagunçou o topo do cabelo de Cheol-jin. Tecnicamente, eles não haviam realizado uma cerimônia formal, mas Gi-hyeon era cônjuge perante a lei. Usar a aliança era apenas natural.
— Mas… — Cheol-jin gaguejou, ainda completamente sem rumo.
Se perguntando por quanto tempo o homem planejava agir como um estudante de ensino médio atordoado ao descobrir que o professor de sua turma estava se casando, Gi-hyeon desferiu um tapa firme em suas costas.
— Isso não está funcionando. Quando você ficou tão frouxo? Acorda e vai pros agachamentos sumô. Agora.
Mesmo com a repreensão, o nadador manteve uma expressão vaga e de olhos vítreos. Gi-hyeon passou a maior parte da manhã persuadindo e domando o rapaz só para conseguir completar o circuito de membros inferiores, até acabar ficando genuinamente preocupado de que algo mais estivesse errado.
Enquanto supervisionava o condicionamento de força, Gi-hyeon discretamente puxou o treinador de Cheol-jin de lado, perguntando o que havia de errado com o garoto. O treinador encarou Gi-hyeon por um longo momento antes de dar de ombros levemente.
— Dizem que ele teve o coração partido.
— Quem neste mundo daria um fora em um atleta nacional? — Gi-hyeon murmurou, lançando ao nadador um olhar de pena. — Cheol-jin é um ótimo partido, que pena.
O treinador soltou uma risada seca ao seu lado, ofereceu uma breve reverência e se afastou. Já tendo instruído Cheol-jin sobre seus alongamentos de relaxamento, Gi-hyeon achou que não precisava ficar em cima até o fim e pescou o telefone do bolso.
Exatamente como esperado, várias fotos de Jo Yeon-oh estavam esperando em suas mensagens. Eram todas fotos de Surim, com seus olhos imensos arregalados e brilhantes. Tendo acabado de passar da marca dos cem dias, o bebê ostentava bochechas incrivelmente fofas e imaculadas. Nas fotos, ele encarava fixamente alguém fora do enquadramento — sem dúvida Yeon-oh, que estava tirando as fotos.
Dizer que o pai e o filho tinham um ótimo relacionamento seria um exagero; no momento, era inteiramente o amor não correspondido de Yeon-oh. Embora Yeon-oh dominasse os cuidados com o bebê durante todo o fim de semana, Surim preferia, de longe, Gi-hyeon, provavelmente acostumado com o pai que passava mais tempo com ele durante a semana. Embora Yeon-oh não nutrisse exatamente um ciúme cruel por esse favoritismo flagrante, isso certamente o deixava inquieto e ansioso.
Consequentemente, ele se opunha veementemente a visitas de Cho Gyu-deok ou Yeong-won. Por causa dessa veia territorial, Cho Gyu-deok havia presenteado o bebê com um imóvel lucrativo pelo seu marco de cem dias, apenas para ser forçado a implorar por fotos em troca. Se Gi-hyeon não tivesse selecionado discretamente algumas e as encaminhado, o velho Cho poderia nunca ter recebido uma única foto. Surim não era particularmente tímido e podia facilmente ser exibido, mas Yeon-oh se recusava obstinadamente, paranoico com a ideia de que sua classificação de segundo lugar já precária no coração de seu filho despencasse para terceiro ou quarto se outros entrassem na disputa.
Apesar dos melhores esforços de Yeon-oh, a atenção de Surim permanecia inteiramente monopolizada por Gi-hyeon. Mesmo quando aninhado nos braços de Yeon-oh, o bebê fixava o olhar em Gi-hyeon com olhos surpreendentemente lúcidos, exigindo silenciosamente ser resgatado.
Ver Surim encarar Yeon-oh tão intensamente nessas fotos significava apenas uma coisa: seu marido estava agitando freneticamente um chocalho atrás da lente para capturar sua atenção. Gi-hyeon deu zoom nas pupilas brilhantes e semelhantes a ônix do bebê. Dito e feito: o reflexo de um brinquedo de plástico de cor brilhante era claramente visível nas íris escuras. A percepção trouxe uma risada suave aos seus lábios.
Sem hesitar, Gi-hyeon discou o número dele. A chamada conectou antes mesmo que o primeiro toque terminasse.
— Sim, marido?
— Põe o Surim no telefone.
— Ei… Você não tem nada para me dizer?
— Você comeu? Põe o Surim.
Lançando a pergunta obrigatória sem esperar por uma resposta, Gi-hyeon imediatamente reiterou sua exigência, arrancando um deboche incrédulo do outro lado. Achando a reação de Yeon-oh igualmente hilária e adorável, Gi-hyeon engoliu uma risada. Sem mais reclamações, Yeon-oh entregou o telefone, deixando apenas silêncio na linha. Aos cem dias de vida, o bebê era jovem demais para balbuciar adequadamente, mas às vezes emitia sons suaves e cantarolados quando estavam sozinhos, e Gi-hyeon sentia falta desse som enquanto estava fora.
— Surim-ah, é o papai.
— Os olhos do Surim acabaram de ficar enormes. Ele com certeza reconhece a sua voz — Yeon-oh relatou, rindo ao fundo enquanto descrevia o bebê mexendo os olhinhos de um lado para o outro, confuso. Gi-hyeon sorriu radiante.
— O papai vai ganhar muito dinheiro e voltar para casa logo.
— Fala: “Papai, ganha muito dinheiro e compra um apartamento em Gangnam pra mim.” Fala pra ele, Surim.
— Como eu deveria comprar um apartamento em Gangnam com este salário? — Gi-hyeon debochou da sugestão absurda. — Você é o rico, compra um pra mim. — Ele podia ouvir a voz de Yeon-oh claramente agora, indicando que ele havia afastado o telefone do ouvido do bebê.
— Sério? Só espera. Vou deixar a escritura pronta até hoje à noite. Você sabe que eu amo jogar dinheiro em você.
— Deixa de ser ridículo — Gi-hyeon repreendeu. — Vou jantar fora hoje à noite, então não me espera, come sem mim.
— Você está trabalhando até tão tarde no seu primeiro dia? — O tom de Yeon-oh despencou visivelmente, mas Gi-hyeon manteve a voz deliberadamente casual.
— A equipe vai fazer um jantar de boas-vindas. Eles me pediram para participar, então só vou comer e voltar.
— Fala pro papai vir correndo pra casa, Surim. Você terminou sua corrida de 50 metros mais cedo. Você precisa mostrar a ele.
Um bebê de cem dias fazendo tiro de corrida? O absurdo completo fez Gi-hyeon rir alto. Ele não se importava nem um pouco com as lamúrias de Yeon-oh. A maneira desavergonhada com que ele transferia sua própria decepção pelo retorno tardio de Gi-hyeon para o filho bebê deles era inegavelmente fofa.
A tentativa de recomeçar com um namoro padrão havia falhado espetacularmente, mas Gi-hyeon preferia infinitamente esta realidade. A profunda satisfação de ter Jo Yeon-oh como sua família era imensurável; parecia que luzes estavam finalmente se acendendo, uma por uma, na ilha isolada onde ele havia vivido sozinho por tanto tempo. Talvez tanto ele quanto Yeon-oh tivessem lutado com unhas e dentes por todo aquele caos precisamente para garantir essa estabilidade absoluta.
— Eu só vou comer e vir direto para casa. Eu prometo. Eu também sinto sua falta — ele acrescentou suavemente.
— …O quê? Ei, fala isso de novo. O que você acabou de—
— O treinador principal está chamando. Até logo.
Usando como desculpa um jovem atleta que, ao longe, perguntava ao treinador sobre um efeito de foto de perfil num aplicativo de mensagens, Gi-hyeon desligou apressadamente. Ele ainda podia imaginar a voz atordoada de Yeon-oh saindo do telefone já desligado, trazendo outro sorriso ao seu rosto.
Tendo terminado seus alongamentos, Cheol-jin veio marchando até ele, com o pescoço tingido de um vermelho profundo e um bico ressentido no rosto.
— …Doutor, você é mau demais. Me forçando a malhar enquanto você fica aí parado.
— Mau uma ova. Você é quem vai para as Olimpíadas. Eu deveria fazer os circuitos no seu lugar?
Achando as lamúrias incomuns do nadador totalmente bizarras, Gi-hyeon desferiu um chute rápido em suas nádegas e varreu a sala com o olhar à procura do treinador; ele precisava discutir sobre bandagem elástica e inventário de equipamentos. Avistando o homem se aproximando do treinador principal, Gi-hyeon jogou a camisa para Cheol-jin.
— Não perde o calor do corpo que a gente acabou de acumular. Veste mais umas camadas.
Com isso, ele girou nos calcanhares para interceptar o treinador. Um suspiro pesado e baixo flutuou vindo de trás dele. …Tem algo seriamente errado com ele? O estado mental de um atleta era tão crítico quanto seu condicionamento físico, levando Gi-hyeon a decidir que precisava de uma consulta mais profunda com a equipe técnica.
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↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna