Love Me More (Novel) - • Capítulo 10
• Capítulo 10
Depois de andar o dia inteiro, cada osso do corpo doía. Siyul ficou um bom tempo sob a água quente antes de terminar o banho. A condição de Kwon Yuwon estava exatamente igual a quando Siyul saíra do quarto. Provavelmente tinha passado o dia inteiro deitado, enrolado no cobertor feito um casulo, sem comer nada. Mesmo sem ficar observando, era dolorosamente óbvio.
Quando Siyul se sentou por perto e ligou o ventilador, Yuwon colocou só a cabeça para fora para olhar. Seus olhos estavam completamente sem vida. Bom, como teria energia se não havia nada no estômago? Siyul estalou a língua e, como mãe de novela, deu um tapa estalado no traseiro de Yuwon antes de tirar da bolsa kimbap triangular e macarrão instantâneo de copo. Tinha comprado sacrificando a passagem de ônibus e fazendo as pernas trabalharem dobrado.
— Come um pouco disso.
— Não estou com apetite…
— Come mesmo assim. Precisa comer para viver.
Siyul desembrulhou ele mesmo o kimbap triangular e o levou até a boca de Yuwon. Com uma expressão relutante, Yuwon abriu a boca e deu uma mordida. Siyul então colocou o kimbap na mão dele. Só então Yuwon começou a mastigar e engolir direito.
— Yuwon, eu arrumei um emprego.
Yuwon parou de comer e ergueu rapidamente a cabeça. Encarou Siyul com os olhos arregalados, como se tivesse ouvido algo inacreditável.
— Por que você está trabalhando?! Eu te falei, se a gente esperar só mais um pouco…
Enquanto gritava com comida na boca, grãos de arroz voaram por toda parte, grudando na bochecha de Siyul. Siyul tapou a boca de Yuwon com uma das mãos e tirou os grãos de arroz com a outra.
— Não estou largando a entrega de vez. Só peguei isso para apagar o incêndio imediato. A gente não sabe quando eles vão nos aceitar de volta, então não dá para ficar sentado de braços cruzados.
— Mesmo assim… Você também sabe. Por mais que a gente trabalhe, não dá para ganhar o que a gente ganhava com as entregas.
A voz de Yuwon baixou. A mão que segurava o kimbap caiu sem força. Siyul deu de ombros e colocou água na chaleira.
— É só por enquanto. Até a gente poder voltar a entregar.
Ele omitiu que precisava pagar Woo Hyunse, ou que fora aquele homem assustador quem o indicara para o emprego. Se contasse a Yuwon, já conseguia imaginá-lo sacudindo-o com vigor, perguntando se ele não sabia que Yuwon era a única pessoa no mundo em quem podia confiar, e insistindo para que largasse na hora.
— Onde você vai trabalhar?
— Num bar. Só como garçom. Não é o que você está imaginando. Eles só vendem bebida, é um lugar decente. Tem até um palco e um piano.
Vendo Yuwon prestes a encher a paciência de novo, Siyul o cortou rápido. Yuwon ainda parecia não convencido. Quando é que já esteve? Para Yuwon, Siyul sempre foi alguém em quem não dava para confiar totalmente.
— É verdade. Se não acredita em mim, vem ver com os próprios olhos depois.
Yuwon resmungou, aparentemente insatisfeito com Siyul trabalhando, depois se enrolou feito uma lagarta e se enfiou de volta no cobertor. A culpa era toda dele, porque não conseguiu resolver as coisas direito, Siyul acabou pegando no meio do fogo cruzado, ele era o lixo mais inútil do mundo… Ele parecia determinado a cavar até o outro lado da Terra.
Achando que precisava interromper aquilo em algum momento, Siyul jogou o corpo por cima do cobertor abaulado. Um gemido longo emergiu debaixo do cobertor com o peso.
— Você está pesado…
— Kwon Yuwon, eu não consigo viver sem você.
— …
— Então para de falar coisa estranha e vamos comer o miojo. A água está fervendo.
Bem na deixa, a chaleira apitou. Quando Siyul se levantou, Yuwon permaneceu encolhido por um tempo antes de se erguer com preguiça. Ele podia ter chorado um pouco nesse meio-tempo, já que o branco dos olhos visível através do cobertor que lhe cobria a cabeça estava tingido de vermelho pelos vasos.
— Quero me lavar antes de comer.
— Ainda bem que eu não coloquei a água. Vai se lavar. Vamos comer juntos.
Finalmente parecendo cair em si, Yuwon assentiu e cambaleou até o banheiro. Siyul ligou a TV enquanto esperava Yuwon sair. Estava passando uma novela que ele já tinha assistido em partes, então deixou naquele canal e desembrulhou o macarrão de copo.
O zumbido da vibração de um celular cortou o diálogo da novela. Se perguntando quem poderia estar ligando àquela hora, ele pegou o aparelho rápido. Ao ver o nome na tela, arfou e deslizou o dedo às pressas para rejeitar a chamada.
Era Woo Hyunse. Por que aquele cara estava ligando de novo? Siyul olhou na direção do banheiro, pressionando o coração acelerado como se tivesse cometido um crime. Não houve reação; Kwon Yuwon provavelmente não tinha ouvido. Se fosse toque, Yuwon com certeza teria colocado a cabeça para fora da porta para perguntar quem era.
— Vou sair um pouco!
— Onde você vai?
— Só comprar alguma coisa para beber!
Siyul deu um pulo, enfiou os pés nos tênis às pressas e saiu da pensão. Era um beco estreito, iluminado fracamente pelos postes e pelo letreiro de neon da pensão. Ele abaixou o volume do celular e o ergueu até a altura dos olhos. Ainda que não conhecesse bem Woo Hyunse, tinha a forte sensação de que ele ligaria de novo.
Como esperado, a tela se acendeu com o nome dele. Siyul apressou o passo para fora do beco, até a rua principal. Só então apertou o botão de atender.
— Alô?
— Por que você nunca atende a primeira ligação?
Woo Hyunse nunca se dava ao trabalho de cumprimentar. Ia direto ao ponto. Ele nunca daria certo como arremessador. Só jogaria retas, nada de curvas nem nada.
— Eu ia atender, mas caiu.
— Como foi a entrevista?
— Terminou rápido. A gerente disse para eu começar amanhã.
— O trabalho parece que dá para fazer?
Caminhando, ele tinha chegado a uma loja de conveniência. Siyul se sentou numa cadeira e apertou o celular contra a orelha. Talvez por ser noite, o som estava mais forte. Como antes, conversar com Woo Hyunse era como jogar uma pedrinha numa poça: as ondas chegavam até o outro ouvido. Siyul mexeu no lóbulo da orelha, sentindo cócegas.
— Ainda nem tentei… Mas por que você está perguntando isso?
— Fui eu que te indiquei para a vaga, então é claro que eu devo perguntar. Se tiver algo errado com você, isso vai pegar mal para mim.
— Você podia ter perguntado por mensagem…
— Dá muito trabalho.
Ao contrário dele, Siyul se sentia mais confortável com mensagens. Exceto por Kwon Yuwon, falar ao telefone com outras pessoas fazia suas palmas suarem. Mesmo agora, sua palma estava ficando úmida, então ele passou o celular para a outra mão e enxugou a mão livre na coxa.
— Trabalhe direito. Você precisa pagar o dinheiro.
— Então eu devo te dar o primeiro salário inteiro?
— Bem…
— Hum… A gente não pode parcelar?
Afinal, ele e Kwon Yuwon precisavam comer. Apesar do apelo desesperado, tudo o que recebeu em resposta foi uma risadinha baixa.
— Vamos ver como você se sai.
— Sim…
O que havia para esperar? Depois da resposta abatida de Siyul, o outro lado deixou apenas um riso persistente antes de desligar. Nenhum cumprimento ao atender, nenhum aviso de que a ligação ia terminar. Resmungando sobre como aquela pessoa era arbitrária, Siyul entrou arrastando os pés na loja de conveniência.
Pensando que precisava comprar alguma coisa para não levantar suspeita em Yuwon, escolheu, depois de alguma deliberação, uma bebida barata na promoção de leve dois, pague um. Enquanto a colocava no balcão, um “ding” sinalizou uma mensagem recebida. Esperando que fosse Yuwon perguntando onde ele estava e mandando voltar logo, ele tocou na notificação.
[Parcelado em 6 vezes. Com juros]
No começo, achou que fosse spam. Depois viu o nome no topo. Até o nome que Woo Hyunse tinha salvado para si mesmo era simplesmente “Woo Hyunse”, e a foto de perfil era a padrão. Apesar de terem se encontrado só um punhado de vezes, a personalidade dele era evidente até no perfil.
Os lábios de Siyul se curvaram num sorriso. Antes que ele pudesse responder perguntando por que não fazia sem juros, já que estava nessa, o funcionário que esperava no caixa passou o código de barras. O bipe o trouxe de volta à realidade, e ele terminou de pagar.
[Obrigado]
[Mas hoje em dia 6 vezes sem juros é o padrão, não é?]
[E será que dá para mudar para 24 vezes?]
Ele enviou as respostas logo depois de sair da loja de conveniência, mas o número 1 ao lado da mensagem não desapareceu de imediato. Siyul colocou as bebidas no bolso canguru do moletom e caminhou com passos ligeiros. Seus lábios insistiam em se curvar num sorriso, mas, pensando bem, aquela pessoa era bem peculiar.
No começo, ele estava com medo. Achou que fosse morrer. O segundo e o terceiro encontros também não foram exatamente agradáveis. Além disso, mesmo Siyul mal conseguindo manter a cabeça fora d’água, o homem exigia o pagamento. Dar um emprego era como oferecer remédio depois de causar a doença.
E, ainda assim.
— Que estranho.
A cabeça de Siyul pendeu para um lado e para o outro. Talvez o estranho não fosse Woo Hyunse, mas ele mesmo. Ainda que continuasse assustador e indecifrável, ele já não sentia a mesma aversão de antes. Na verdade, sua opinião não parava de se deslocar na direção de achar que talvez, só talvez, aquela pudesse ser uma pessoa okay.
°🥂⋆.ೃ🍾࿔*:・°🥂⋆.ೃ🍾࿔*:・
O trabalho no bar não era difícil. No início, ele penou um pouco para decorar o cardápio, mas sua memória não era das piores, e ele logo se familiarizou. Ainda que a lista de bebidas estrangeiras que embolavam sua língua às vezes lhe desse tontura, ele não tinha cometido nenhum erro grave nos últimos dias.
Era um bom lugar de trabalho. As pessoas eram gentis e, acima de tudo, não havia hierarquia opressiva. Comparado a quando trabalhara num restaurante antes, onde suportou todo tipo de maus-tratos até pedir as contas, aquele lugar era o paraíso. Além disso, forneciam o jantar. O chef Park, da cozinha, tinha um talento excepcional para engordar as pessoas.
O trabalho de Siyul era simples. Varrer, limpar, anotar pedidos, lançá-los no sistema, servir a comida e, quando a cozinha estava cheia, ajudar por lá também. Só tarefas menores que qualquer um faria, como preparar ervas ou lavar louça.
Seu corpo ficava muito mais cansado do que quando fazia entregas, mas sua mente estava tranquila. Ele não estava sendo perseguido nem preocupado em ser pego. Afinal, era trabalho legal. Se possível, Siyul queria trabalhar ali por muito tempo. Mesmo que Kwon Yuwon estreitasse os olhos ou ficasse emburrado toda vez que Siyul saía para o serviço.
Naquele dia, talvez por ser dia de semana e estar chovendo, não havia muitos clientes. Até a única mesa que tinham acabara de ir embora. Conforme o salão esvaziou, a melodia do piano parou abruptamente. Yang Hye-na, que tinha acabado de tirar as mãos das teclas, esticou os braços bem para o alto com um bocejo longo. Chegou a acrescentar um gemido de “ugh” para dar ênfase.
— Está quieto hoje.
— Deve ser por causa da chuva.
Era uma pena, porque o som da chuva combinava bem com a melodia do piano. Siyul voltou depois de limpar a mesa bagunçada. Yang Hye-na já tinha se mudado para o balcão e conversava de brincadeira com o bartender. A gerente, que estava debruçada sobre o caixa com os ombros curvados, olhou ao redor do salão vazio e se aproximou do balcão.
— Pois é. Confere a previsão. Quando a chuva deve parar?
— Já conferi mais cedo. Dizem que não para até de madrugada.
O bartender respondeu rápido enquanto secava a água de um copo. Siyul terminou de organizar a louça e saiu. A chuva que caía lá fora só tinha ficado mais forte desde que ele chegara ao trabalho, sem sinal de trégua. A força com que batia nas janelas era feroz — quantos clientes enfrentariam aquele temporal? Parecia que o expediente do dia estava encerrado.
— Será que a gente fecha mais cedo?
A gerente coçou o queixo, revirando os olhos. O chef Park, que estava preparando ingredientes na cozinha, de repente colocou a cabeça para fora. Seus olhos normalmente severos brilharam como os de uma criança diante da possibilidade de sair mais cedo.
— A gente vai para casa mais cedo hoje?
— Estou pensando nisso… Não parece que vai vir mais cliente.
Todos começaram a se animar com a perspectiva de sair mais cedo. Siyul não foi exceção. Enquanto observava o rosto da gerente, aguardando ansioso por uma decisão rápida, tlim, o sininho da porta tocou. O olhar de todos se voltou para a porta, imaginando quem poderia estar destruindo suas esperanças.
°🥂⋆.ೃ🍾࿔*:・°🥂⋆.ೃ🍾࿔*:・
Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna