Love Me More (Novel) - • Capítulo 09
• Capítulo 9
Siyul abriu e fechou a boca, depois ficou em silêncio. Não tinha o que dizer. No fim das contas, até ele acharia difícil confiar em alguém como ele mesmo. Um zé-ninguém vendendo droga em pequenas quantidades — era natural que não inspirasse confiança alguma.
— É verdade. Eu juro pelas minhas bolas.
Era tudo o que ele tinha: nem dinheiro, nem carro, nem casa. Era uma declaração séria, feita para mostrar sua determinação, mas o outro lado caiu numa gargalhada que ressoou pelo telefone. O “hahaha” soou ao mesmo tempo caloroso e estranho, como o próprio homem. De algum jeito, aquilo fez o outro ouvido de Siyul coçar, e ele puxou o próprio lóbulo.
— Deixa isso para lá. Se você não tem dinheiro, o que a gente pode fazer? Então vai ter que pagar com o corpo.
— …Como é?
Um arrepio percorreu a espinha de Siyul, e ele se perguntou se o homem seria da mesma laia do porco. Ciente ou não do mal-entendido de Siyul, o homem acrescentou, ainda com riso na voz:
— Você gosta de beber?
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Mesmo depois de desligar, Woo Hyunse riu feito criança por um tempo, aparentemente divertindo-se. Aquilo trouxe brevemente vida ao escritório silencioso. Ainda que só estivessem ali Woo Hyunse e Park Hae-jeong.
— Você vai abrir uma instituição de caridade?
Park Hae-jeong, que vinha escutando a conversa em silêncio, se manifestou. Woo Hyunse olhou para o celular e depois ergueu os olhos com um “hmm”. Um sorriso brincava em seu belo rosto. A julgar apenas pelos lábios curvados para cima e pelos olhos em meia-lua, ele parecia tão gentil e benevolente quanto um santo de pintura.
Woo Hyunse era uma pessoa peculiar. Além da aparência marcante, que faria qualquer um virar a cabeça, havia uma disparidade significativa entre seu rosto inexpressivo e seu rosto sorridente. Quando seus lábios estavam retos, ele parecia incrivelmente frio; quando sorria, parecia gentil. Por isso sua primeira impressão era geralmente boa, mas, bem… Park Hae-jeong, tendo visto sua verdadeira natureza ao longo dos anos, se orgulhava de conhecer um pouco do que havia por dentro.
— Caridade, você diz.
Woo Hyunse respondeu depois de uma pausa. Suas sobrancelhas estavam franzidas, mas um leve sorriso ainda insistia em seus lábios. Ele continuou, dizendo “como adulto…”.
— Digamos que seja guiar uma ovelha perdida de volta ao caminho certo.
Park Hae-jeong riu em silêncio consigo mesmo. Aquele homem, que arrancaria minuciosamente carne, ossos, pele e lã de uma ovelha perdida antes que o dono conseguisse encontrá-la, tinha uma lábia incrível. Era um talento que deveria ter seguido o pai adotivo na política cedo, em vez de desperdiçar suas habilidades inatas em negócio próprio.
— Esse amigo não é o que vomitou na sua calça da última vez, chefe?
Ele era um personagem notável em muitos aspectos. Um Beta bonito que vendia droga em clubes pertencentes ao chefe. A droga se chamava “Herma”, abreviação de Hermaphroditos, um indutor de cio de Ômega. Independentemente do sexo, fazia o usuário vazar como um Ômega no cio, então tinha bastante demanda.
Mas, sendo uma droga sintética, sua qualidade era ruim. Quando um dos VVIPs do clube quase morreu por causa dela, o chefe teve alguns problemas. Enquanto tentava erradicá-la por completo, pegaram aquele moleque. Com o temperamento habitual do chefe, ele o teria levado para um galpão e o esmagado metodicamente, começando pelas unhas das mãos e dos pés, e depois caçado o fornecedor. Mas, por algum capricho, deixou-o ir.
Bom, era só um garoto, novo demais para ser espancado. Aqueles olhos grandes transbordando de lágrimas e o ranho escorrendo pelo rosto — era uma imagem lamentável, capaz de comover até o mais insensível. Seu rosto sujo e manchado de lágrimas lembrava um filhote de cachorro encharcado de chuva ou um gatinho com os olhos inchados de tanto chorar.
Claro, o chefe não teria se comovido com lágrimas tão banais. É que a sorte do garoto estava extraordinariamente boa naquele dia.
Em vez de agradecer aos ancestrais, o moleque teve a ousadia de mostrar a cara em outro clube. E então mentiu, dizendo que não era ele — uma mentira que não enganava ninguém. Achei que ali a sorte dele tinha acabado de vez. Mas o chefe só suspirou fundo e ficou apenas com a identidade do garoto.
E a terceira vez. Mesmo quando o moleque vomitou nos pés do chefe, em vez de castigá-lo, ele apenas pegou o número dele e o deixou ir. Não havia explicação além de o garoto ter salvado um país em vida passada.
— O senhor gosta desse moleque, chefe?
— Você não ouviu? Ele está apostando as bolas. É homem, não tem essa de gostar ou não gostar.
— Parece que você está sendo gentil com ele.
— Eu?
— Sim, você, chefe.
— Hmm — Woo Hyunse cruzou as pernas e tirou de uma gaveta a identidade do garoto.
A foto do documento parecia ainda mais nova que o rosto que ele vira recentemente. Os olhos espiando por entre a franja pareciam sonolentos e perdidos, e as bochechas eram rechonchudas de gordura infantil.
— Bom, talvez esteja na hora de ele crescer. Como você disse, caridade não parece tão ruim.
Mesmo com a foto borrada, a pinta embaixo do olho era claramente visível. Woo Hyunse pensou em cutucá-la com o indicador na próxima vez que visse o garoto. Bateu de leve na foto com a ponta do dedo. Pretendia apenas tocar a pinta, mas seu dedo era tão grosso que cobriu o rosto pequeno inteiro da foto.
Park Hae-jeong encarou Woo Hyunse sem expressão alguma. Aqueles olhos brilhantes lhe pareciam familiares. Depois de vasculhar a memória atrás de onde já os tinha visto antes, finalmente lembrou.
Os olhos de Woo Hyunse lembravam os do sobrinho dele quando descobria um brinquedo novo. Parecia que o homem à sua frente tinha encontrado um novo brinquedo para aliviar o tédio e a monotonia.
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Siyul alternava o olhar entre o endereço que recebera e a placa. O endereço que Woo Hyunse tinha passado estava certo. Enquanto ele tremia, sem saber quais eram as intenções por trás da pergunta sobre gostar de bebida, foi informado de que trabalharia num lugar que o outro conhecia.
Para Siyul, aquilo era uma bênção. Ele vinha fracassando consistentemente nas entrevistas para bicos. Independentemente dos verdadeiros motivos do homem, Siyul tinha conseguido emprego.
O estabelecimento ficava no sexto andar do prédio. A porta estava trancada, provavelmente por causa do horário cedo. Siyul espiou pelo vidro da porta para examinar o interior. Ainda que o clima da entrada fosse parecido com o do lugar onde bebera com o porco, a decoração interna era diferente. Mais notavelmente, havia um pequeno palco encostado na parede. Ao lado de um piano grande, daqueles vistos em filmes, havia um microfone de pedestal e uma cadeira.
Enquanto ele se aproximava mais para enxergar melhor, sua respiração embaçou o vidro. Enquanto limpava com a manga para olhar de novo, alguém apareceu de repente lá dentro.
— Aah! — Siyul se assustou e deu um passo para trás.
A mulher do outro lado do vidro também arregalou os olhos de surpresa antes de abrir rapidamente a porta.
— Ainda não é hora de abrir… Ah, você é o Kwon Siyul?
— Ah, sim. Sou o Kwon Siyul. Hum, o Woo Hyunse…
Ele teve dificuldade em como se referir a ele. Parecia que o homem administrava um clube, mas também era dono de um bar. Enquanto Siyul hesitava entre chamá-lo de Diretor, chefe ou Executivo, a mulher se afastou, convidando-o a entrar. Siyul entrou hesitante.
A mulher ofereceu um assento a Siyul. Ele se sentou, endireitando as costas com rigidez.
— O diretor me avisou que você viria. Já trabalhou em bar antes?
— Não.
Depois de deixar o orfanato, tinha trabalhado em lojas de conveniência e feito diárias, mas nunca em um bar. Siyul olhou de relance para o balcão por cima do ombro da mulher. Uma parede inteira estava lotada de garrafas desconhecidas. As únicas bebidas que ele conhecia eram cerveja, soju e os uísques baratos que os conhecidos mais velhos exibiam quando bebiam.
— Bom, de qualquer forma você não veio para ser bartender. É só ajudar com trabalhos avulsos. Tem muita coisa para fazer. Você tem força?
— Tenho. Já fiz bicos de carga e descarga.
Siyul respondeu com educação. Seus punhos cerrados descansavam sobre as coxas, a postura reta como a de um candidato em entrevista.
— Sou a gerente daqui. Meu nome é Kang Jiwon. Prazer.
Kang Jiwon estendeu a mão. Siyul se levantou de supetão, curvando o tronco a noventa graus e apertando a mão dela com as duas suas.
— A propósito, qual é a sua relação com o diretor? Só um conhecido mais novo? Ele não costuma indicar pessoas, então fiquei curiosa.
Kang Jiwon, que vinha rindo abertamente do cumprimento formal de Siyul, perguntou com um sorriso. Siyul não soube como responder. Deveria dizer que eram devedor e credor, ou que não tinham relação nenhuma?
— De algum jeito… a gente se conheceu de passagem.
Ele soltou o que julgou ser a resposta mais segura, mas Kang Jiwon não pareceu satisfeita, balançou a mão e perguntou o que aquilo queria dizer. Ainda assim, não insistiu no assunto.
— Siyul, você pode começar a vir a partir de amanhã. Amanhã eu te passo a escala detalhada. Qual é o seu tamanho de camisa?
— Ah, eu uso tamanho G.
— Sério? Você parece mais magro que isso.
— Eu costumo usar as coisas um pouco folgadas.
Quando ele respondeu formalmente como um recruta, Kang Jiwon riu com gosto. Depois disso, disse que estavam encerrados e mandou que ele fosse. Mencionou que já tinha recebido o número dele do diretor. Depois de pegar o número de Kang Jiwon, Siyul deixou o estabelecimento.
Mesmo depois de descer no elevador e sair do prédio, ele se sentiu atordoado. Era como se tivesse sido sugado para um mundo estranho e devolvido ao original. Siyul inclinou a cabeça, pensando que aquilo tinha sido, no mínimo, curioso. Quando olhou para trás, o prédio continuava lá, grudado no seu lugar.
De todo modo, começaria a trabalhar no dia seguinte. Siyul puxou o capuz bem para baixo e apertou firme os cordões dos dois lados. Não tinha certeza se conseguiria se sair bem. Mas tinha dependentes e dívida.
Siyul logo bufou. Que se dane, não havia nada que ele não pudesse fazer.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna