Love Me More (Novel) - • Capítulo 08
• Capítulo 8
— Eu também preciso ir ao banheiro.
— Você vai quando o chefe voltar.
— Sinto que minha bexiga vai estourar.
— Então mija aqui. O pinto de Ômega não é minúsculo? Já aproveita e deixa a gente dar uma olhada.
Um deles riu com escárnio, segurando uma garrafa vazia junto à parte de baixo do corpo de Yuwon. O outro tinha, de algum jeito, sacado uma faca desembainhada. Temendo problemas se mexesse sem cuidado, Yuwon apenas cerrou os punhos com força.
Ele tentou fazer uma ligação, mas um dos homens tomou seu celular à força e bateu a quina do aparelho na mesa. O celular rachado foi então jogado num balde de gelo. Os olhos brilhantes deles avisavam que aproveitariam qualquer desculpa para espancá-lo se ele apenas abrisse a boca.
Yuwon manteve a boca fechada e examinou o ambiente. Estava pronto para rachar os crânios deles com uma garrafa de bebida se preciso. Marcou a posição das garrafas e da saída, esperando uma oportunidade.
O tempo passou com angústia. Sua preocupação chegou ao ápice, com a sensação de que, se demorasse mais, algo terrível poderia acontecer com Siyul. Justo quando estava decidindo escapar mesmo que fosse preciso matar aqueles desgraçados, veio uma batida milagrosa na porta. Um homem grande como a própria porta entrou.
— Desculpe, senhor, mas o tempo da sua reserva acabou. Por favor, desocupem para os próximos clientes.
A voz era educada, mas a mensagem era clara: saiam. Naturalmente, os homens não levaram bem.
— Que porra é essa?
— Tem alguém chamado Kwon Yuwon aqui?
Kwon Yuwon se levantou hesitante. O homem pareceu confirmar o rosto de Yuwon e então ficou de mãos para trás.
— Peço desculpas novamente, mas o tempo de vocês acabou. Por favor, saiam agora.
Sua voz, desprovida de qualquer desculpa real, era mais uma ordem do que um pedido. Os homens se levantaram, com caretas ferozes. Um agarrou uma garrafa de bebida, o outro segurou sua faca. O homem grande suspirou baixinho, inaudível para os outros, e deixou as mãos caírem ao lado do corpo.
Houve um estrondo quando todos os pratos da mesa caíram no chão, mas a comoção foi breve. O homem grande dominou os dois com a mesma facilidade com que se torce o pulso de uma criança. Deixou os homens se contorcendo para outros homens grandes que haviam aparecido e então olhou para Yuwon.
— Aguarde um momento, por favor. Em breve vamos conduzi-lo para fora pela porta dos fundos.
Os olhos de Siyul brilharam enquanto ele ouvia a história de Yuwon. O homem, Woo Hyunse, não tinha mentido. Ele tinha mantido Yuwon em segurança.
— Então eu saí em segurança. Passei a noite toda perambulando por aí, com medo de que aqueles desgraçados estivessem me seguindo; por isso não consegui voltar para casa. E não consegui te contatar porque meu celular estava quebrado.
Agora tudo fazia sentido. Siyul abriu um sorriso largo depois de ouvir a história inteira. Estava grato ao homem e aliviado por nada ter acontecido com Yuwon.
— Então está tudo bem agora?
Vendo o sorriso radiante de Siyul, Yuwon não conseguiu deixar de sorrir de volta. Sabia que havia montanhas de problemas a resolver, mas não queria demonstrar isso na frente de Siyul.
— É. Então não se preocupa. E não fica perambulando por aí por um tempo, se cuida.
— Tá bom.
Achando Siyul fofo, Yuwon bagunçou completamente seu cabelo. Siyul não se importou de ficar com um ninho de passarinho na cabeça e se aninhou no abraço de Yuwon. Estava apenas imensamente aliviado por Yuwon ter voltado ileso.
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Depois daquele incidente, o negócio deles parou por completo. O porco desprezível ignorava os contatos de Yuwon, como se buscasse vingança. Yuwon se esforçou muito para consertar a relação, mas era impossível. Um dia, voltou para casa com o rosto vermelho e roxo, tendo virado uma garrafa inteira de soju forte, apesar de seu limite habitual ser meia garrafa.
— Um dia eu ainda planto uma granada nas tripas daquele desgraçado.
Ele cuspiu as palavras, ardendo de raiva. Mesmo quando Siyul perguntou o que tinha acontecido, Yuwon só resmungou palavrões e manteve a boca fechada sobre a pergunta. Siyul só podia supor. O porco devia ter proposto condições muito desfavoráveis, pensou.
A paralisação dos negócios, que parecia que acabaria rápido, durou mais do que o esperado. Como eles vinham enviando uma parte significativa da renda para o orfanato, o dinheiro logo raspou o fundo do poço. O aluguel do mês seguinte agora era uma questão urgente.
Siyul olhou de relance para Yuwon. Ele estava encolhido num canto como um recluso, encarando o celular baratinho que tinha acabado de comprar. Não vinha dormindo direito, então seus olhos estavam fundos, e o cabelo normalmente arrumado estava oleoso por falta de banho.
A julgar pelo estado dele, demoraria um tempo até voltar ao normal. Desde a infância, Yuwon ocasionalmente se recolhia nesse estado por dias quando as coisas não saíam do seu jeito. Sabendo que ele acabaria rastejando para fora sozinho, Siyul não se preocupou demais.
No entanto, a situação era grave demais para ficar de braços cruzados. Se esperassem mais, os dois acabariam em trapos. Agora, Siyul era o único em quem se apoiar. Pelo menos até Yuwon voltar a si, Siyul teria de ser o chefe daquela casa.
Ele mergulhou imediatamente no mercado de bicos. Mas o mundo não foi gentil. Como se estivesse escrito “incompetente” na testa dele, foi rejeitado em todas as entrevistas a que compareceu. Os lugares que diziam que entrariam em contato nunca ligavam, e, quando ele cobrava, todos diziam que tinham encontrado candidatos mais adequados.
A realidade era fria com um beta que tinha apenas o diploma do ensino médio, passado de órfão e mal uma ou duas linhas de experiência no currículo.
Depois de mais uma entrevista fracassada, Siyul parou num parque no caminho de volta. Enquanto nuvens escuras enchiam sua mente, o tempo estava cruelmente bonito. O céu estava sem nuvens, uma brisa fresca tocava sua nuca. As árvores dando as boas-vindas ao outono tinham trocado de roupa para vermelho e amarelo, deixando o mundo colorido e bonito. Só a vida dele, diferente do tempo, era miserável.
— Ah, a vida…
Ele lamentou, mas não podia desistir ali. Sentado num banco, Siyul esfregou o rosto para clarear a mente e pegou o celular. Estava prestes a se candidatar a um bico de carga e descarga por diária. Seria trabalho pesado, mas certamente um jovem saudável daria conta de trabalho braçal.
Justo quando ia enviar o formulário, a tela mudou de repente, e um nome apareceu no topo. Assustado como se uma lagarta tivesse caído em sua mão, Siyul jogou o celular para o alto. Ainda que tenha caído no chão, o aparelho continuou tocando, com o nome ainda visível na tela.
Ainda que fosse um modelo antigo, continuava precioso, já que as parcelas não estavam quitadas. Siyul pegou o celular às pressas, soprou a poeira e limpou a tela com a manga. Torceu desesperadamente para ter lido errado, mas “Woo Hyunse”, aquele nome inesquecível que tinha ouvido uma única vez, continuava firme ali.
— Ah, merda…
Ele achava que o homem não entraria em contato.
Talvez, se não atendesse, a ligação simplesmente terminasse. Talvez fosse número errado. A perna de Siyul balançava enquanto ele esperava a chamada acabar sozinha. O toque finalmente parou, trazendo um ar de alívio ao seu rosto, mas, quando recomeçou poucos segundos depois, ele baixou a cabeça, sombrio.
Não tinha escolha a não ser atender. Com a identidade confiscada, estava na palma da mão do homem, fizesse o que fizesse.
— Alô.
Sua voz saiu murcha e tensa. Por que tinha de ser uma ligação? Não podia mandar uma mensagem? Resmungando internamente, Siyul chutou o chão com o tênis.
— Ah, você atendeu? Achei que não fosse.
O homem, que tinha ligado duas vezes, falou de um jeito irritante.
— Por quê? — respondeu Siyul, seco, deixando o fim da palavra se arrastar.
— Você precisa pagar a lavagem a seco.
— Quanto é?
— A calça está bem, mas os sapatos… Dizem que não têm mais recuperação.
— Ah… — Siyul cobriu o rosto com uma das mãos.
Ele tinha vomitado uma quantidade extraordinária naquele dia. Tendo esvaziado o estômago por completo, era compreensível que o couro dos sapatos estivesse além da salvação. Lembrando dos sapatos particularmente lustrosos, os ombros de Siyul murcharam.
— Então…
— Vou ter que comprar novos. Quanto eram mesmo? Se bem me lembro, uns…
O queixo de Siyul caiu com o preço dos sapatos. Para alguém que sempre usava tênis de camelô que não custavam mais que três notas, era um valor inalcançável.
— Você está mentindo — soltou ele, sem pensar.
O homem respondeu que não estava e se ofereceu para mandar comprovante se Siyul não acreditasse.
— Sério?
— Por que eu me daria ao trabalho de mentir para você?
O homem enfatizou. Mesmo que fosse mentira, Siyul teria de pagar por culpa e por medo do que o homem poderia fazer. Ainda que estivessem conversando normalmente agora, Siyul se lembrava vividamente das palavras e das atitudes do homem no primeiro encontro deles.
Seu estômago já parecia ter recebido uma colherada de concreto despejada pelo homem. Esfregando a barriga em círculos, Siyul implorou pelo telefone.
— Não dá para pegar leve comigo? Eu não tenho um centavo agora.
— Isso também é um problema para mim. Eram os meus favoritos.
— Não estou dizendo que não vou pagar, só está difícil agora. Perdi o emprego e nem dinheiro para comida eu tenho. Mas eu vou te pagar com certeza, nem que eu tenha que trabalhar numa fábrica.
— E o que eu tenho para confiar em você? E se você disser que vai trabalhar numa fábrica e depois fugir?
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna