Love Me More (Novel) - • Capítulo 07
• Capítulo 7
Fugiu do lobo e caiu na boca do leão — depois de se livrar do porco, agora era um tigre. Mas o problema imediato de Siyul não era esse. A bile que vinha subindo desde que o homem-porco o agarrara agora forçava passagem pelo esôfago e batia na ponta da sua língua.
Sabendo que vomitar ali poderia significar morte, e não apenas violência, ele tentou engolir de volta com força, mas a bile continuava subindo. A liberação repentina da tensão também tinha afrouxado os músculos que vinham segurando seus órgãos com firmeza.
Tentou inflar as bochechas, mas foi inútil. O álcool que tinha bebido continuamente para agradar o homem-porco agora voltava como ondas. A bile revolta batia contra seu pomo de adão.
— Parece que você precisa aprender como o mundo pode ser assustador…
Siyul cobriu a boca com a mão e ergueu a palma para o homem, sinalizando para que parasse um instante. Enquanto o homem hesitava, Siyul se curvou, com a mão no chão. Não conseguia mais segurar. Com um som grosso de “uéééc”, o vômito que vinha reprimindo jorrou sobre os sapatos lustrosos do homem.
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Siyul se sentou de repente, ofegante. Seus olhos estavam tão inchados que era difícil enxergar direito. Forçando a abertura das pálpebras, grudadas como ovas de peixe, procurou o celular ao redor. Achou que o estivesse segurando, mas, depois de acordar, ele tinha rolado para o lado. Rápido, engatinhou até lá e o pegou.
Nenhuma chamada perdida.
Ligou a tela e entrou na conversa. O chat com o contato salvo como “Yuwonie” — Yuwon tinha mudado o nome para isso — estava cheio de mensagens de Siyul: onde você está agora, por que não responde, você está bem? Não aconteceu nada, né? Estou morrendo de preocupação, me liga, por favor.
Apesar da enxurrada de mensagens ansiosas, não havia resposta. Ele tentou ligar de novo, mas só recebeu a mensagem automática: o telefone para o qual você ligou está desligado.
Os braços de Siyul amoleceram. Ele tinha ligado e mandado mensagens freneticamente na volta, na noite anterior, e depois de chegar ao motel, mas não havia notícia do outro lado. Preocupado que algo pudesse estar errado, chegou a calçar os sapatos para voltar, mas parou na porta, incapaz de dar o passo.
— Só me promete uma coisa. Se acontecer qualquer coisa, foge sem olhar para trás. Não pensa em mim.
Antes de entrarem, Yuwon tinha insistido, dizendo que, se algo acontecesse com Siyul, ele também correria e se esconderia em algum lugar, então Siyul não deveria se sentir culpado.
Ainda que Siyul duvidasse que Yuwon realmente fizesse isso, ficar parado no quarto parecia melhor do que ser possivelmente pego de novo pelo homem-porco durante a busca e acabar como refém, ou coisa pior.
Ele apenas segurou o celular, pensando que Yuwon voltaria se esperasse, que, diferente dele, Yuwon era inteligente e astuto o bastante para escapar daqueles porcos como um esquilo. Tinha jurado não dormir até Yuwon voltar, mas seu corpo, exausto pelo álcool e pelos acontecimentos, não aguentou.
E agora, Siyul estava encolhido num canto, mexendo no celular. Um boletim de pessoa desaparecida só podia ser registrado na polícia depois de passado um dia inteiro. Além disso, no caso de adultos, esses boletins costumavam acabar classificados como simples fuga voluntária. Dado o ramo em que atuavam, contar com a polícia parecia arriscado, como um ladrão chamando atenção para si mesmo.
— Ah… Isso está me deixando louco.
Siyul conhecia apenas uma pessoa que poderia ter alguma pista de onde Yuwon havia sumido. Tinha até conseguido o número dessa pessoa diretamente na noite anterior.
Na noite anterior, Siyul vomitara profusamente nos sapatos e nos pés do homem. Ainda que fosse quase tudo líquido, o vômito imundo tinha respingado de forma desordenada nas barras impecáveis da calça do homem. Siyul quis parar no meio, mas seu estômago continuava se revirando, e ele acabou agarrando as canelas do homem como se fossem postes telefônicos, com cara de quem ia expelir os próprios órgãos internos.
— Haa…
Surpreendentemente, o homem não o chutou para longe. Apenas olhou para o topo da cabeça de Siyul, suspirando como se estivesse pasmo. Não foi um xingamento nem violência, mas aquele suspiro foi mais aterrorizante que um soco.
Agora eu vou morrer de verdade. Implorar pela vida não vai funcionar; na pior das hipóteses é o tambor, na melhor é ser enterrado vivo, lamentava Siyul internamente. Ainda assim, agarrando-se a um fiapo de esperança de que o homem não fosse um assassino impiedoso, ele mal sustentou o corpo, que queria desabar para trás, e se ajoelhou.
— Me desculpa…
— Terminou?
O pedido de desculpas ficou parado em sua boca antes de desaparecer. Surpreso pela quebra repentina no fluxo, Siyul engoliu a saliva azeda e ergueu os olhos.
— Hã?
— Perguntei se você terminou de vomitar.
O homem tinha observado Siyul vomitar em silêncio e agora lhe perguntava aquilo. Quando o atordoado Siyul assentiu, o homem tirou um lenço do bolso e limpou grosseiramente as barras da calça e os sapatos. Deixando Siyul ajoelhado atrás, jogou o lenço fora e limpou minuciosamente as mãos sujas.
Siyul tinha pensado que apanharia até virar polpa e seria arrastado dali como um cadáver. Diante daquela reviravolta inesperada, apenas ficou ali sentado, mexendo os dedos formigantes dos pés.
— Celular.
O homem voltou e estendeu a mão. Siyul o entregou com as mãos trêmulas. Então o homem pediu o padrão de desbloqueio. Siyul respondeu docilmente:
— É um “ㄴ” grande.
E traçou o desenho no ar com o dedo. Acreditando que aquela era sua única chance de sobrevivência.
O homem tocou algumas vezes na tela desbloqueada, conferiu o próprio celular e devolveu o aparelho a Siyul.
— Atenda na hora quando eu entrar em contato.
— O quê?
— Você vai ter que pagar a lavagem a seco.
Siyul apenas ficou boquiaberto. Não conseguia compreender as intenções do homem de jeito nenhum. Ele não tinha acabado de arregaçar as mangas como se fosse bater nele, depois de expulsar o homem-porco? Teria sentido pena de Siyul ao vê-lo vomitar?
Era difícil acreditar que aquele homem, que parecia ter lâminas de barbear em vez de sangue quente nas veias, o estivesse deixando ir assim. Saindo do transe, Siyul finalmente caiu em si e se prostrou no chão.
— Obrigado, obrigado!
Qualquer que tenha sido a mudança de ideia, o homem não bateu nem matou Siyul. A gratidão estrondosa de Siyul ecoou pelas paredes do banheiro. O homem franziu a testa como se os tímpanos doessem, fez um gesto dispensando aquilo e se virou para sair. Enquanto se afastava, parou de repente na porta, como se tivesse lembrado de algo.
— Você sabe meu nome?
O homem perguntou, virando-se. Como Siyul poderia saber? Eles não estavam em termos de trocar nomes. Siyul balançou a cabeça. Teria preferido continuarem estranhos.
— Woo Hyunse. Atenda quando aparecer.
E, com isso, o homem foi embora depois de dizer seu nome. A última coisa de que Siyul se lembrava daquela noite era o nome Woo Hyunse. Ele saiu da lembrança e olhou para o celular. Kwon Yuwon, que tinha tentado freneticamente entrar em contato assim que saíram do bar, continuava inacessível. Siyul estava considerando seriamente ligar para o homem para perguntar sobre Yuwon.
Enterrou a cabeça entre os braços, os cotovelos apoiados nos joelhos dobrados. Enquanto tentava organizar os pensamentos conflitantes, segurando o celular com as duas mãos, a porta do quarto se escancarou de repente. Perdido em pensamentos, Siyul não tinha notado nenhuma presença e deu um pulo no ar. Levou um susto tão grande que um palavrão grosseiro, “merda!”, escapou involuntariamente de seus lábios.
— Kwon Siyul!
Era Kwon Yuwon. Fosse qual fosse a provação por que tinha passado a noite toda, ela o deixara em frangalhos. Assim que viu Siyul, chutou os sapatos para longe, entrou pisando duro e o abraçou com força. Sua respiração áspera e ofegante bateu na nuca de Siyul. Siyul achou ter ouvido também um soluço baixo.
— Você… Você! Onde você estava?!
Ele gritou alto, mas depois apenas encarou Siyul enquanto segurava os dois lados de seu rosto e o inspecionava em busca de ferimentos. Vendo os olhos e o rosto de Siyul inchados como luas cheias, abraçou-o com ferocidade mais uma vez. Só quando Siyul se engasgou e deu tapinhas em suas costas é que Yuwon finalmente o soltou.
— Onde você estava?
— Por que você não voltou ontem à noite?
Os dois gritaram ao mesmo tempo. Kwon Yuwon, aparentemente magoado com algo, agarrou os ombros de Siyul e o sacudiu com vigor. A cabeça de Siyul balançou para a frente e para trás caoticamente até Yuwon notar seu rosto empalidecendo e soltá-lo.
— Responde você primeiro. Por que você não voltou para o quarto ontem? Você encontrou aquele porco desgraçado no banheiro? Ele fez alguma coisa com você?
Os olhos furiosos de Kwon Yuwon eram ferozes o bastante para matar. Siyul engoliu em seco. Se revelasse o que tinha acontecido com ele na noite anterior, Yuwon poderia sair correndo imediatamente para estrangular aquele porco. Incapaz de transformar o amigo num assassino, Siyul rapidamente forçou um sorriso e balançou a cabeça com força.
— Não. Eu não vi ele. Eu só bebi demais e fiquei vomitando, por isso não consegui ir. Quando eu subi, já…
— Sério? Você não está mentindo para mim, está?
Kwon Yuwon encarou Siyul com olhos cheios de suspeita. Os anos juntos faziam com que mentiras desajeitadas fossem facilmente detectadas. Mas esses mesmos anos também tinham cultivado o descaramento de Siyul.
— Por que eu mentiria para você? E você? Quando eu subi, não tinha ninguém. O que aconteceu? Você foi embora sem mim?
Virando o jogo, Siyul viu Yuwon morder o lábio de frustração. Ele gritou que de jeito nenhum faria isso, gritou tão alto que um vizinho reclamou:
— Ei, deixa a gente dormir!
Só depois de ouvir a irritação do vizinho é que se acalmaram e sentaram. Dizendo que já bastava que os dois tivessem voltado em segurança, Siyul primeiro tirou uma garrafa de água da geladeira e a entregou a Yuwon. Aparentemente com muita sede, Yuwon abriu a tampa com força e bebeu de uma vez. Depois de tomar mais da metade num só gole, enxugou a boca.
— Ontem à noite, quando você demorou demais, eu tentei ir te procurar.
Tendo recuperado o fôlego, Kwon Yuwon se encostou na parede e recontou em voz baixa os acontecimentos da noite anterior. Siyul sentou-se bem ao lado dele, assentindo e ouvindo com atenção.
Kwon Yuwon explicou como vinha tentando encontrar uma desculpa para sair do bar, enojado com o interesse impróprio do porco por Siyul. Mas, justo quando Siyul se desculpou para ir ao banheiro, o porco também se levantou, dizendo que ia se aliviar.
Uma sensação repentina de mau agouro atingira Kwon Yuwon, fazendo-o se levantar para segui-lo, mas os companheiros do porco agarraram seu braço e o forçaram a voltar ao assento.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna