Love Me More (Novel) - • Capítulo 06
• Capítulo 6
⚠️ Aviso de gatilho ⚠️ : Este capítulo contém descrições explícitas de violência sexual.
O homem-porco trancou a porta com cuidado e curvou Siyul sobre o vaso sanitário. Quando Siyul tentou gritar, ele enfiou algo malcheiroso em sua boca. Siyul chutou, mas, infelizmente, sem efeito. Torcendo o braço de Siyul às costas para dominá-lo, o homem aproximou o rosto de sua orelha e murmurou palavras absolutamente nojentas.
— Você veio sabendo que isso ia acontecer, não veio?
O homem-porco puxou para baixo a calça e a cueca de Siyul num único movimento. Seu traseiro exposto e a curva de sua coluna desencadearam a respiração pesada e lasciva do porco, feito animal no cio.
Lágrimas se acumularam nos olhos de Siyul e pingaram na tampa do vaso. O pior cenário que ele temia tinha finalmente chegado. Acreditava que bastaria fugir se preciso, mas, uma vez capturado, não conseguia se mover um centímetro.
Deveria desistir?
Não seria mais vantajoso para ele e para Yuwon deixar acontecer uma vez e continuar o negócio?
Siyul, que vinha se contorcendo tentando escapar, ficou mole. “Isso mesmo”, disse o homem-porco, agarrando as nádegas de Siyul com as mãos grudentas. Enquanto Siyul apertava os olhos, naquele momento, ouviu o som de passos se aproximando.
O homem-porco hesitou. Siyul, que já tinha se resignado, arregalou os olhos. Aquela era uma oportunidade única na vida. Conseguiu cuspir o lenço sujo que tinha na boca. Antes que pudesse pronunciar a primeira sílaba de um pedido de socorro, o homem-porco esticou o braço para a frente e tapou sua boca. Tapou também seu nariz, cortando completamente sua respiração.
Veio o som de uma descarga, depois de água batendo na pia. Quem quer que fosse, estava lavando as mãos demoradamente. Depois que todos os sons de água cessaram, ouviu-se o som de toalhas de papel sendo puxadas.
Siyul se debateu. Seu rosto ficou vermelho por não conseguir respirar. Ainda que o homem-porco pressionasse com o próprio peso, Siyul conseguiu chutar o vaso com uma pancada alta. Esmagou os dedos do pé, mas pelo menos fez um barulho que podia ser ouvido lá fora.
Os passos foram ouvidos de novo. Siyul pensou que vinham naquela direção, mas seguiam para a saída. Certamente a pessoa devia ter ouvido o barulho que Siyul fizera.
A única esperança se apagou. Os olhos de Siyul se avermelharam, e lágrimas grossas caíram como chuva repentina. Enquanto o homem-porco observava com cuidado o intruso desaparecer por completo, os passos que se afastaram de repente voltaram a se aproximar. Os passos firmes e uniformemente cadenciados param bem em frente à cabine.
A pessoa bateu três vezes na porta. Foi tão calmo e constante quanto seus passos.
— Senhor. Para o conforto dos outros clientes, peço que evite comportamentos excessivos.
O pedido também foi educado. Siyul se surpreendeu por outro motivo. Ele reconheceu a voz. A pronúncia precisa que perfurava os ouvidos alheios, a voz grave e fria, porém ricamente ressonante. Era aquele homem que dissera que lhe daria uma lição se o visse uma terceira vez.
— Vai se foder — respondeu o homem-porco, com aspereza.
Ouviu-se um suspiro do lado de fora, como se dissesse que não havia jeito. Ainda que o resultado pudesse ser o mesmo de qualquer forma, apanhar daquele homem seria cem, não, mil vezes melhor do que se debater sob aquele porco.
Siyul reuniu todas as forças que lhe restavam e se debateu. Dizem que as pessoas ganham força sobre-humana em momentos de crise, e aquela era exatamente essa situação. Enquanto o homem-porco, sobressaltado, tentava conter Siyul, a mão que tapava sua boca escorregou.
— Me ajuda! — Siyul gritou com todas as forças.
Aquele homem era sua única esperança. Mesmo que não fosse ele, Siyul gritou a plenos pulmões, torcendo para que alguém, qualquer um, ouvisse.
O homem-porco xingou e bateu a cabeça de Siyul contra a parede do banheiro. Uma pancada ressoou aos ouvidos de Siyul, e sua visão embranqueceu por um instante. A dor lancinante veio uma batida depois.
— Socorro…
Os passos lá fora permaneceram imóveis. A visão de Siyul embaçava. Ele sabia que não podia desmaiar, mas sua cabeça girava e ele sentia náuseas.
Houve um estrondo alto quando a porta sacudiu. O homem-porco gritou alguma coisa, mas o som foi abafado pelos chutes contra a porta. Depois de apenas alguns chutes, as dobradiças chacoalharam e a porta desabou de forma patética. Uma mão grande agarrou a porta caída e a jogou de lado.
— Acho que eu disse para não fazer isso aqui.
O homem que tinha arrancado a porta olhou para o homem-porco e para Siyul. Apesar de ter descoberto uma cena de crime, seu olhar era frio e indiferente, como se estivesse entediado com a situação.
— Quem diabos é você?
O homem-porco, frustrado por seus planos terem desmoronado, resmungou e se virou. Agarrou a gola do homem, mas a diferença de altura tornou aquilo uma ameaça vazia. Não parando por aí, o homem-porco se aproximou, os olhos estreitados com ameaça.
— Segue o seu caminho, tá?
O homem-porco soltou a gola e sacudiu as mãos. Esticou-as de volta na direção de Siyul, que procurava qualquer chance de escapar. Siyul ergueu a cabeça de supetão para olhar o homem. Seu rosto manchado de lágrimas era um desastre.
— Por favor, por favor, me salve.
O homem já fazia algum tempo que encarava apenas Siyul, não o homem-porco. Assim como antes, inclinou levemente a cabeça e observou com calma. Absorveu as roupas rasgadas de Siyul, a calça puxada até as coxas e as lágrimas límpidas que se acumulavam em seus olhos antes de escorrer pelas bochechas.
— Por que eu deveria? Nós somos estranhos, não somos?
O homem recusou, torcendo o lábio. Normalmente, até desconhecidos completos estenderiam a mão numa situação daquelas. Foi uma resposta estranha, mas Siyul entendeu imediatamente o sentido oculto. Balançou a cabeça com força.
— Não, não! Não somos estranhos! A gente já se encontrou antes! A gente se conhece!
— Mas você disse antes que a gente era estranho.
— Eu estava errado, senhor. Esta é a nossa terceira vez…
Siyul implorou, juntando as mãos. A única pessoa que podia lhe atirar uma corda enquanto ele pendia sobre o abismo era aquele homem.
— Pois é o que ele diz.
Dessa vez, o homem olhou para o homem-porco. Sem conseguir entender a troca cifrada entre os dois, a expressão do homem-porco azedou como palha podre. Ele xingou e empurrou com força o peito do homem. O homem não se moveu um centímetro.
— Seu filho da puta — xingou o homem-porco, e desferiu o primeiro soco.
Siyul esqueceu completamente seu plano de escapar durante a briga e assistiu a tudo com ansiedade, preocupado que o homem pudesse ser atingido.
O homem permaneceu tão calmo quanto quando derrubou a porta. Desviou com facilidade do punho que vinha e enganchou o tornozelo do homem-porco enquanto o tronco dele girava, desequilibrando seu centro de gravidade. Com um grunhido, o homem-porco despencou no chão de azulejo como uma estátua tombando.
O homem montou nas costas do homem-porco, torcendo seu braço para trás. Ainda que o homem-porco se debatesse, o homem era como uma rocha imóvel. Tirou o celular com uma das mãos, discou um número e o encaixou entre a orelha e o ombro, parecendo alguém bastante versado nesse tipo de briga.
— Ei, sou eu. Banheiro do subsolo. Venham limpar isso aqui.
Não demorou muito para os capangas chamados pelo homem chegarem. Assim que apareceram, curvaram-se para ele e perguntaram com respeito se estava tudo bem. O rosto do homem expressou puro desprezo enquanto ele ordenava:
— Só sumam com isso rápido.
Só então o subordinado do homem agarrou o homem-porco, que ainda se debatia e fazia alarde sob o homem, pelos dois lados e o arrastou dali.
Finalmente, ele estava salvo. Siyul, amassado dentro da cabine, saiu andando devagar. Segurando com as duas mãos a calça caída, ergueu os olhos com cautela para observar o homem. Quando seus olhares se cruzaram, Siyul estremeceu com um pequeno arquejo e baixou rapidamente os olhos.
— O-obrigado… por me salvar.
Começou com gratidão. O homem poderia tê-lo ignorado e ido embora, mas no fim das contas o havia salvado. Parecia que o pior tinha sido evitado.
No entanto…
— Este lugar também está sob a minha administração. O que eu disse que faria se te pegasse de novo?
Os ombros de Siyul enrijeceram com a voz gélida do homem. Como um aluno acuado diante de um professor notoriamente rígido, Siyul murmurou com timidez.
— …Você disse que ia me castigar.
— Sua memória funciona bem.
— Mas! Desta vez eu realmente não vim para nenhum negócio nem nada do tipo! Um conhecido me chamou para beber, eu não tinha má intenção nenhuma. Sério!
Enquanto no clube ele estava trabalhando, ali era claramente a vítima e não tinha feito nada de errado. Sentindo-se subitamente indignado, Siyul ergueu a cabeça e argumentou com fervor. Além disso, como poderia saber que o homem também administrava aquele lugar? Era impossível ter adivinhado.
— Eu só vim com um amigo… Meu amigo!
Os olhos de Siyul se arregalaram. Em meio à própria situação desesperadora, tinha se esquecido de Yuwon. Seus olhos se turvaram antes de se acenderem de repente como um relâmpago. Ele se virou para disparar para fora do banheiro, mas o homem agarrou firmemente sua nuca.
— Me solta! O Yuwon ainda está naquela sala! Preciso ajudar ele.
O homem estalou a língua e cutucou a parte de trás do joelho de Siyul com o próprio joelho. Siyul cambaleou sem forças e desabou sentado no chão. Mesmo enquanto ele encarava com ressentimento, o outro permaneceu indiferente, mãos nos bolsos. Quando Siyul tentou se levantar de novo, o homem o empurrou de volta pelo ombro e finalmente falou.
— Qual sala?
— …A última sala, no fim do segundo andar.
Percebendo que não conseguiria escapar do homem, Siyul respondeu abatido. O homem tirou o celular mais uma vez e fez uma ligação. Sua testa franzida mostrava claramente sua irritação. Ainda assim, quando o outro lado atendeu, ele deu instruções com calma.
— Esvazie a última sala no fim do segundo andar, todos os clientes. Invente uma desculpa sobre a próxima reserva. Se tiver alguém chamado Yuwon entre eles, separe-o e mande-o sair pela porta dos fundos.
Siyul queria confirmar a segurança de Yuwon com os próprios olhos, mas não via chance de escapar. Não teve escolha a não ser confiar no homem.
— Então. Como devo te castigar?
Tendo encerrado a ligação, o homem retirou a mão do ombro de Siyul e arregaçou a manga. Seus antebraços grossos levavam a mãos rombudas e de aparência poderosa. Um único tapa de uma mão dessas resultaria em pelo menos quatro semanas de tratamento e provavelmente exigiria implantes dentários.
Ele já tinha apanhado uma vez, mas aquilo tinha sido apenas um gesto leve, com intenção de aviso. Se o homem balançasse a mão de verdade, Siyul seria arremessado pelo banheiro como um pedaço frágil de papel.
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Continua *ੈ🍸✩‧₊˚
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna