Late Bloomers (Novel) - ⋆。˚ ◉ Capítulo 94
Capítulo 94
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Seowoon, que quase tinha passado a noite inteira acordado, abriu os olhos quando alguém bateu à sua porta. Ele só tinha conseguido umas duas horas de sono depois de cochilar pouco antes do amanhecer.
Esfregando os olhos doloridos, ele se levantou da cama, que tinha deixado com as cortinas abertas.
— Seowoon, você está dormindo?
A voz gentil do Tio apagou instantaneamente os últimos resquícios de sono. Mesmo com a maçaneta quebrada, o Tio não entrou de supetão, e sim bateu de novo.
— Tio!
Seowoon correu pelo curto corredor que levava ao quarto e escancarou a porta. Ficou agradavelmente surpreso ao ver o Tio sorrindo de forma tão calorosa. Ainda ontem, ele nem tinha conseguido olhar direito para ele, porque estava preocupado em ser pego bisbilhotando Cahaya.
— Seowoon, você emagreceu.
— Não se preocupe, Tio. Eu vou engordar um pouco.
O Tio tinha deixado a barba crescer bastante nesse meio-tempo, o que lhe dava uma aparência bem distinta.
Em vez de cumprimentar o Tio com uma conversa educada sobre quando ele tinha chegado, Seowoon apenas espiou por trás dele, esperando vislumbrar Cahaya.
Vendo que não havia mais ninguém além do Tio ali, Seowoon tentou esconder a decepção.
Ele conduziu o Tio até o sofá e preparou duas xícaras de café em cápsula. Normalmente, ele não tomaria café em jejum, mas hoje precisava espantar o cansaço.
— Obrigado, Seowoon. Deve estar sendo muito difícil para você, né? Eu deixei você lidando com tudo sozinho.
— Só um pouquinho.
Seowoon apertou os olhos como se protestasse.
— Eu cheguei ontem e falei primeiro com o Cahaya.
— ……Ah, entendi.
O Tio tomou um gole do café e olhou com atenção para os olhos roxos de Seowoon.
— Você brigou com o Cahaya?
— Não.
Seowoon se assustou demais e balançou a cabeça, fazendo um pouco de café derramar e queimar levemente sua mão. Ele rapidamente limpou o café com a outra mão, tentando não demonstrar o desconcerto.
Ele não sabia como o Tio tinha interpretado a declaração de Cahaya de gostar dele, mas Seowoon não queria falar sobre isso. Mesmo que o Tio tivesse a sorte de ser de mente aberta, ele preferia evitar o assunto.
Pensando bem, Cahaya tinha confessado com ousadia seus sentimentos por Seowoon ao tio, alguém que o criou quase como um segundo pai. O próprio Seowoon nem sequer conseguia reunir coragem para falar de tais sentimentos com o próprio pai, então a ousadia de Cahaya era realmente admirável — embora ele não conseguisse fazer o mesmo com Seowoon.
Talvez Cahaya valorizasse a relação deles tanto quanto Seowoon.
Esse pensamento mexeu com seu coração.
— Tio, os preparativos do funeral estão indo bem, né? Eu só fiquei sabendo dos procedimentos pelo Cahaya.
Seowoon mudou de assunto antes que o Tio pudesse dizer mais alguma coisa.
— Está indo bem. Tudo deve estar pronto em uns seis meses.
— Seis meses?
— É, só seis meses.
Enquanto o Tio sorria, sua barba se movia junto. A oferta de cobrir as despesas do funeral estava na ponta da língua de Seowoon, mas ele respeitou a sinceridade do Tio em querer cuidar de tudo sozinho. Como Cahaya tinha dito, com situações de vida e culturas diferentes, não cabia a Seowoon interferir.
— Seowoon.
— Sim?
O Tio deu tapinhas no sofá, convidando Seowoon a sentar ao seu lado. Seowoon se moveu do seu lugar na cama para sentar ao lado dele.
O Tio pegou a mão de Seowoon, envolvendo-a delicadamente com as duas suas e dando um tapinha suave.
— Eu terminei de ser líder de guilda.
— ……O quê? Terminou? P-por quê?
Seowoon gaguejou, pego de surpresa.
— Eu não sou um Mansaengjong, e também não posso ir para Naraka. Eu só escuto as coisas de forma indireta, então a informação é lenta.
— Mesmo assim, o senhor ainda tem total poder de decisão na guilda—
— Seowoon.
O Tio lhe deu tapinhas gentis para acalmá-lo, mas balançou a cabeça com firmeza, deixando claro que não estava aberto a mais discussões.
— Eu sou o tio do Cahaya. Você sabe disso, né? Mas eu não sou tio de verdade dele. Eu me importo com o Cahaya, mas ele não é da minha família.
— …….
Seowoon se perguntou se tinha entendido errado. Embora o coreano do Tio fosse fluente, ele às vezes se atrapalhava com as palavras certas.
— O Cahaya não faz parte do nosso povo Toraja. Ele não pode se juntar a nós no caminho para o além. O Cahaya não pode estar conosco.
Seowoon ficou sem palavras, os olhos cheios de confusão.
Ele reconhecia que as culturas deles eram diferentes, mas sentiu mais que decepção; havia uma sensação de traição pelo Tio não reconhecer Cahaya como família.
— O Cahaya só tem a mim como família, e eu estou com ele desde que ele era pequeno.
O Tio deu tapinhas na mão de Seowoon de novo, tentando acalmá-lo.
— O Cahaya se preparou para ser independente logo depois que virou adulto. Foi tudo o que eu pude fazer por ele. O Cahaya sabe disso também.
Assumir a responsabilidade por uma criança que nem era parente de sangue até que ela chegasse à vida adulta deve ter sido incrivelmente difícil. Ainda assim, Seowoon não conseguiu evitar de se sentir chateado.
— Tio, os pais do Cahaya não…… deixaram ele aos seus cuidados?
— Não. O Cahaya estava sozinho. Eu o acolhi porque senti pena dele.
— Ele era… Uma criança perdida?
— Criança perdida? Eu não sei o que isso significa. Mas o Cahaya apareceu no bairro onde eu morava, completamente sozinho. Ele disse que não tinha pais.
Seowoon sempre tinha imaginado que os pais de Cahaya pudessem ser coreanos, mas as palavras do Tio sugerem algo completamente diferente.
— O Cahaya é adulto agora. Ele não precisa mais da minha ajuda, Seowoon. O Cahaya é forte. Se alguém, sou eu que talvez precise de ajuda.
Para Seowoon, sempre havia um limite na família de qualquer um. Era por isso que ele nunca tinha perguntado diretamente a Cahaya sobre os pais dele.
Seowoon tinha algo que Cahaya não tinha, então ele evitava deliberadamente trazer à tona esse tipo de assunto. Isso incluía a pobreza de Cahaya. Seowoon sempre foi extremamente cauteloso ao falar de dinheiro na frente de Cahaya.
Seowoon tinha pensado nisso como uma forma de consideração, mas, como resultado, ele nunca ficou sabendo do verdadeiro passado de Cahaya. Por que o jovem Cahaya tinha acabado sozinho em Sulawesi? Será que os pais dele o abandonaram? Se abandonaram, seria normal ele ter chorado e ido procurá-los, certo?
— Seowoon, eu sou só uma pessoa comum. De agora em diante, os assuntos da guilda precisam ser resolvidos entre os Mansaengjongs. Você entende o que eu estou dizendo, né?
Seowoon assentiu lentamente com a cabeça. Ele não podia culpar o Tio por traçar um limite. Como não Mansaengjong, o Tio deve ter enfrentado muitas dificuldades e desprezo enquanto servia como líder de guilda.
Seowoon era grato pela resistência do Tio, ainda mais porque a influência dele tinha diminuído com o surgimento de Naraka.
— Vamos deixar os assuntos da guilda de lado agora. Eu sou muito grato por você cuidar bem do Cahaya, Seowoon. Mesmo ele não sendo da minha família, eu me importo muito com o Cahaya.
— …Eu também — Seowoon admitiu. — Eu também me importo muito com o Cahaya.
O Mensageiro tinha dito que confessar só levaria ao desespero, mas não era algo que se precisava experimentar para entender o que o futuro reservava?
Seowoon encarou a mão do Tio, que ainda dava tapinhas suaves na sua.
“Mas por que o Tio e o Cahaya vieram para a Coreia? Foi porque ele não podia continuar vivendo em Sulawesi? Se tivesse ficado, ele não teria virado Mansaengjong, né?”
As perguntas se acumulavam infinitamente na mente de Seowoon.
— Então… Por que o senhor veio para a Coreia, Tio?
Seowoon se arrependeu de ter perguntado assim que as palavras saíram da sua boca. O Tio poderia ter vindo à Coreia a trabalho, mas ele apenas sorriu suavemente.
— Foi a “Sungga”.
“Sungga?”
A palavra era desconhecida e, ao mesmo tempo, vagamente familiar. Seowoon tentou lembrar onde tinha ouvido aquilo antes. No meio dos seus esforços, seu corpo de repente se retesou com um arrepio.
》Isto é “Sungga”. “Eu” não sou um vidente — apenas alguém que está no fim predestinado. Eu sinto tanto a sua falta.《 [capítulo 93]
— Seowoon, todas as vidas são predestinadas. A gente só segue esse caminho. Em coreano, chamam de “destino”, mas nós chamamos de “Sungga”. Seowoon, eu só estava seguindo esse caminho predestinado.
Seowoon sentiu como se sua cabeça estivesse girando. Se a Sungga mencionada pelo Mensageiro e pelo Tio tivessem o mesmo significado…
O Tio disse que todas as vidas seguem um caminho predestinado. Mas Seowoon não era fatalista. Se fosse, estaria mirando a faculdade de direito, como o pai desejava. Ou seja, se ele não tivesse virado Mansaengjong.
E se virar Mansaengjong também fosse um destino predestinado? Sua vida atual era realmente deliberada?
Se ele não tivesse virado Mansaengjong, será que algum dia conseguiria escapar da sombra do pai?
Seowoon puxou a mão do aperto do Tio, devagar para não incomodá-lo e então, Tapa! Ele deu um tapa forte nas próprias bochechas.
— Seowoon, o que foi?
— Tio, eu sou contra a “Sungga”.
Os olhos do Tio se arregalaram de surpresa.
— Se existe um caminho predestinado, isso significa que devem existir outros caminhos também.
— Isso mesmo, Seowoon. Mas os outros caminhos são caminhos que você não deveria tomar. Existem motivos para não seguir por esses caminhos. Eles vão levar a resultados indesejáveis.
— O meu pai sempre me dizia isso. Ele dizia que, se eu quisesse viver confortavelmente, eu deveria escolher os amigos pela origem deles. Mas, sinceramente….
Enquanto Seowoon baixava as mãos, suas bochechas agora estavam vermelhas.
— Eu não queria seguir o caminho predestinado. Mas eu ficaria bem em seguir um caminho que inclui o Cahaya. Se eu tivesse escutado o meu pai e me concentrado na origem das pessoas, eu talvez nunca tivesse conhecido coisas assim na minha vida.
O Tio pareceu mais confuso, mas Seowoon apenas sorriu.
— Tio, onde está o Cahaya?
— Ele está dormindo com a criança mutante humana.
Seowoon se levantou imediatamente e agarrou a maçaneta da porta de conexão. O Tio pareceu confuso, como se se perguntasse se tal porta existia. A maçaneta se misturava tão bem ao papel de parede que não era perceptível a menos que se olhasse com atenção.
Enquanto Seowoon girava a maçaneta e espiava lá dentro, ficou surpreso ao ver os olhos de Cahaya encontrarem os seus diretamente. Cahaya estava sentado na cama, enquanto a criança ainda dormia.
Cahaya não desviou do olhar de Seowoon, mas o encarou de frente. Ele tentou forçar um sorriso, mas acabou desistindo.
— Ei.
Seowoon o chamou do seu jeito de sempre.
Ele sinceramente sentia que talvez gostasse mais de Cahaya do que Cahaya gostava dele. Afinal, ele tinha nutrido sentimentos não correspondidos por muito tempo, então não achava que os sentimentos deles fossem igualmente equivalentes. O conselho do Mensageiro sobre não se iludir parecia de certa forma válido.
Embora Seowoon tivesse tomado a dianteira, ele não queria deixar Cahaya para trás quando ele estava apenas começando devagar. Ele preferia esperar, mesmo que isso significasse ser o primeiro a começar.
— Oi.
Cahaya respondeu depois de uma longa demora.
— Vamos comer.
Cahaya não conseguiu esconder a confusão enquanto se levantava da cama.
— Ei, não importa o que aconteça, a gente tem que impedir a destruição da Terra primeiro. A gente precisa resolver as coisas juntos.
Seowoon se esforçou muito para conter o sorriso que crescia em seu rosto.
— Ah, deixa a destruição comigo.
O sorriso de Cahaya levantou o ânimo de Seowoon. Seowoon se sentiu muito mais à vontade ao ver aquele sorriso.
— Do que você está falando? Só acorda o moleque e vem para cá. A gente vai fazer uma refeição com o seu tio.
— Não, Seowoon. Eu tenho que ir agora.
O Tio de repente elevou a voz lá de trás.
— Já?
Seowoon se virou com um olhar de pesar.
— Eu vim ver o seu rosto depois de tanto tempo. A gente vai se ver de novo de todo jeito. Assim que o funeral acabar, eu venho visitar. Se cuide.
O Tio abraçou Seowoon e lhe deu tapinhas gentis. Seowoon também o abraçou com força antes de soltar.
— Boa viagem, Tio.
Cahaya se manifestou, segurando a porta de conexão bem aberta. Seu tio esticou a mão e deu um tapinha no ombro de Cahaya.
— Agora que você é o vice-líder da guilda, faça um bom trabalho.
Os olhos de Seowoon se arregalaram de surpresa enquanto ele assistia à despedida.
“Vice-líder da guilda?”
— O Seowoon é o novo líder da guilda agora. Seowoon, por favor cuide do Cahaya, o seu vice-líder.
Seowoon apontou para si mesmo, sua expressão mostrando claramente incredulidade.
— Tio, o senhor está me pedindo para virar líder da guilda?
— É. Vocês dois vão se sair bem juntos. Eu preciso ir agora. Eu tenho que cuidar das refeições dos meus pais.
Seowoon sabia bem que isso significava oferecer refeições aos pais falecidos a cada refeição. O Tio encorajou Seowoon dizendo que ele sairia melhor e deixou o quarto de hotel sem nenhuma hesitação. Era bem a cara dele manter sua compostura de sempre, mesmo depois de criar Cahaya.
Seowoon olhou para Cahaya com uma expressão séria. Cahaya estava de pé junto à porta, encostado nela e olhando para Seowoon de cima.
— Vice-líder de guilda?
A pergunta de Seowoon carregava um “Você?” não dito por trás. Cahaya assentiu em resposta. Estivesse Cahaya irritado ou não, Seowoon levou a mão à testa de incredulidade. Aquilo era simplesmente absurdo.
— Por ora, vamos manter isso em segredo dos outros.
— Por quê?
Cahaya perguntou num tom indiferente.
— Ei, se o vice-líder da guilda causar problemas, isso vai afetar a guilda Tacheon inteira.
Quando se trata de membros de guilda, desvios podem ser relevados, mas esse tipo de desculpa não funciona para os do alto escalão.
— Cha Seowoon.
Cahaya baixou a cabeça e sussurrou:
— Eu vou me sair bem, tá?
Seus olhos, encontrando os de Seowoon, cintilavam com uma luz brilhante.
— Então não guarda nenhum preconceito e continua observando. Você vai ver que eu não estou só fazendo cena — eu sou realmente uma pessoa muito boa, porra.
Foi como se ele tivesse recebido uma confissão direta. O rosto de Seowoon corou com uma mistura de emoções, como se um vulcão tivesse entrado em erupção.
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello