Late Bloomers (Novel) - ⋆。˚ ◉ Capítulo 93
Capítulo 93
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Nizam não falava realmente a língua, mas tinha trabalhado na Coreia antes, então a entendia razoavelmente bem.
No começo, achou que devia ter ouvido errado, mas, anos depois, a situação ficou mais clara.
— As coordenadas da Coreia do Sul e de Aso estão se alinhando. Dentro de alguns anos, mutantes vão começar a aparecer na Terra.
— O… o que isso quer dizer? Eu não entendo.
— Ah, Nizam. O seu coreano ainda é meio tosco, né? Eu vou simplificar. Nizam, a gente precisa ir para a Coreia.
— Isso é estranho. C-como você sabe… que eu sei coreano?
— Nizam, você é o meu ajudante. Eu te encontrei. Se a gente não chegar lá antes que os mutantes comecem a aparecer, todo mundo vai morrer.
— Eu não tenho medo da morte.
— Nizam, você não tem medo da morte porque acredita que vai ganhar uma nova vida no além, né? Mas quem vai providenciar a sua passagem para o além? Seriam os seus descendentes, que têm que realizar um grande funeral para você. Se você não me escutar, os seus descendentes também vão morrer. Na verdade, a humanidade inteira pode ser exterminada.
Toda vez, o jeito de falar da criança ficava estranho. O problema é que a criança não se lembrava de suas conversas sem sentido depois que voltava a si.
No começo, Nizam tinha perguntado à criança por que ela se comportava assim, mas, com o tempo, ele passou a aceitar aquilo.
A criança que tinha emergido da caverna não era como as outras. Ela previa repetidamente eventos futuros enquanto parecia possuída por alguma coisa.
Incidentes começaram a acontecer pelo mundo, incluindo alguns horríveis, mas Nizam não tinha poder para impedi-los. A criança previa esses eventos ou no dia anterior ou apenas algumas horas antes, tornando impossível para Nizam tomar qualquer atitude a tempo. E a criança dizia repetidamente que tinha que ir para a Coreia.
Depois de anos pensando, Nizam decidiu partir para a Coreia com a criança. Ele tinha ficado sem dinheiro de todo jeito.
A criança, porém, não fazia ideia de por que estavam indo para a Coreia; ela simplesmente aprendeu coreano tão rápido quanto tinha aprendido indonésio. Felizmente, desde que chegou à Coreia, a criança não tinha mostrado nenhum sinal de possessão.
Nizam considerava a criança como um sobrinho, mas planejava deixá-la viver de forma independente assim que chegasse à vida adulta. A criança, agora crescida, parecia entender isso, já que fazia malabarismos com vários bicos enquanto muitas vezes sacrificava o sono.
Um dia, quando Nizam finalmente se tranquilizou de que seus medos eram infundados, a criança voltou para casa coberta de fluido negro, exatamente como quando apareceu pela primeira vez. A única diferença era o corpo agora amadurecido.
Enquanto a criança limpava o fluido negro das pálpebras, as nebulosas parecidas com galáxias nos seus olhos pareciam se derreter nas pupilas.
Nizam percebeu que o que tinha visto tanto tempo atrás não era mera ilusão.
No dia em que descobriu a criança na caverna pela primeira vez, os olhos dela continham incontáveis estrelas como aquelas. Nizam tinha achado que havia uma luz infinita dentro daqueles olhos.
A criança era como uma encarnação viva de Cahaya (luz).
Nizam não ficou surpreso que Cahaya tivesse se tornado um Mansaengjong, nem se espantou que Cahaya parecesse imperturbável diante dos mutantes.
Na verdade, ele suspeitava que Cahaya estivesse simplesmente voltando à sua verdadeira forma depois de todo esse tempo.
Nizam segurou a lata que Cahaya lhe entregou sem sequer abrir, sentindo uma crescente sensação de preocupação. Fazia tempo que ele não via Cahaya tão inexpressivo.
Agora, Cahaya parecia exatamente igual a quando era pequeno.
Aquela era precisamente a expressão que tinha desaparecido depois que Seowoon entrou para a guilda.
[Está acontecendo alguma coisa com o Seowoon?]
Nizam sabia que a única pessoa capaz de abalar Cahaya daquele jeito era Seowoon. Para Cahaya, Seowoon era mais que um amigo; era a primeira pessoa para quem ele realmente tinha aberto o coração.
Observando Cahaya passar tempo com Seowoon durante o ensino médio, Nizam percebeu o quanto de afeto tinha desenvolvido pela criança. Ele ficou genuinamente feliz por Cahaya ter encontrado um amigo de verdade, e era por isso que Nizam tinha Seowoon em tão alta conta.
Nizam esperava que Cahaya sempre ficasse perto do seu amigo gentil. Ele sentia pena da criança que não conseguia se encaixar neste mundo e que nem sequer se sentia solitária.
[Às vezes, é normal amigos brigarem.]
Nizam tranquilizou Cahaya com gentileza.
[A gente não é mais amigo.]
Nizam arregalou os olhos.
[Como assim, vocês não são mais amigos? Vocês tiveram uma briga grande ou coisa assim?]
— A gente não é amigo.
Cahaya repetiu; seu coreano agora era mais fluente que seu indonésio.
— Porque eu gosto do Seowoon.
Sua voz carecia de confiança, como se ele estivesse preocupado que Seowoon o ouvisse.
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Seowoon congelou, agarrando a maçaneta com força.
Ele estava a caminho do quarto de Cahaya por causa de algo que o Mensageiro tinha dito momentos antes.
》”Cha Seowoon, o Musaranho-elefante” está triste. “Cahaya” está se encontrando às escondidas com o “Tio” neste momento.《
Ele já estava chateado com Cahaya, especialmente depois do conflito de antes com ele. Ele até tinha criado a própria ilusão sobre o incidente do beijo, o que o deixava ainda mais chateado.
Seowoon não tinha muita certeza do motivo, mas Cahaya o tinha beijado no seu apartamento e de alguma forma quis tentar beijá-lo de novo no avião, mas, quando de fato foi em frente, não saiu muito bem. Seowoon imaginou que Cahaya devia ter inventado alguma desculpa e fugido. De todas as teorias que Seowoon tinha formulado, essa parecia a mais crível.
“A gente não é mais amigo.”
Mas ele ouviu aquelas palavras bem quando abriu a porta que conectava os dois quartos do hotel.
“Porque eu gosto do Cha Seowoon.”
Os arredores estavam tão silenciosos que Seowoon dessa vez nem conseguiu acreditar nos próprios ouvidos.
Seowoon deu um passo para trás, segurando o suporte portátil com a outra mão. Ele o pousou com cuidado no chão, soltou a maçaneta e então recuou vários passos.
Porque eu gosto do Cha Seowoon.
A voz de Cahaya era tão calma e sem emoção. Se algo, aquilo só fazia Seowoon sentir sua sinceridade. Não havia nenhum traço de brincadeira.
Depois de escutar a conversa murmurada entre eles, Seowoon agarrou a maçaneta da porta de conexão mais uma vez. Ele podia não entender indonésio, mas não podia negar que se sentia como um rato bisbilhotando a conversa alheia.
Seowoon fechou a porta bem devagar enquanto o tio de Cahaya falava. O clique do trinco pareceu ensurdecedor, mas ele torceu para que fosse só coisa da sua imaginação.
Seu coração batia ferozmente.
Não era mais uma questão de “Será que o Cahaya gosta de mim?”, mas sim uma conclusão de que “O Cahaya gosta de mim”.
Ele percebeu que Cahaya não era do tipo que beijaria alguém só por curiosidade. Mas, dado o histórico de relacionamentos casuais de Cahaya, o próprio Seowoon não tinha levado os beijos dele a sério.
Mas, se Cahaya realmente gostava dele, não teria sido melhor ser honesto sobre o motivo do beijo furtivo quando Seowoon perguntou?
Seowoon estava prestes a culpar Cahaya, mas então de repente lhe ocorreu.
Ele também nunca tinha de fato confessado seus sentimentos a Cahaya. Ele só tinha mantido distância, com medo de que sua confissão pudesse arruinar a amizade deles.
Por que ele não tinha considerado que Cahaya pudesse estar fazendo o mesmo?
Foi só hoje que Seowoon entendeu todas as ações de Cahaya; como ele era uma pessoa simples.
Ele também sentiu uma espécie de resignação vinda de Cahaya — a mesma emoção que ele sentiu inúmeras vezes enquanto o amava unilateralmente.
“Que cara bobo. De que adianta ser do super-mais-alto-escalão se você nem tem coragem de confessar os seus sentimentos?”
Mas Seowoon admitia que era igualmente bobo por não fazer o mesmo.
Ele se jogou na cama, o coração ainda batendo forte e os cantos da boca traindo um sorriso que ele não conseguia controlar.
“Será que ele sente mesmo o mesmo que eu?”
》Nham nham, sopa de kimchi. “Cha Seowoon, o Musaranho-elefante Iludido”. Ele não está sentindo o mesmo, tá? Nada de ilusões.《
“Você quer dizer que os sentimentos do Cahaya podem ser só um pouco mais profundos que amizade?”
Sentindo como se tivesse levado um balde de água fria, Seowoon apoiou as mãos nas molas da cama e se sentou. Seus olhos violeta estavam cheios de ceticismo enquanto ele olhava para os lençóis brancos.
“Será que o Mensageiro consegue prever as emoções do Cahaya também? Parece que existe telepatia entre eles, mas o Cahaya nem sabia a verdadeira identidade do Mensageiro. Como o Mensageiro poderia ler os pensamentos mais íntimos do Cahaya?”
》Então confessa. E desespera.《
“Desespero? Não deveria ser alegria, se a gente está sentindo o mesmo?”
》Você inevitavelmente vai acabar em desespero.《
Seowoon ergueu a cabeça de supetão.
Dessa vez, a voz do Mensageiro não era a dele mesmo. Não era possível discernir o gênero ou o timbre da voz; parecia mais um sinal transmitido por palavras, como se os pensamentos do Mensageiro fossem diretamente transmitidos à sua mente.
》Isto é “Sungga”. “Eu” não sou um vidente — apenas alguém que está no fim predestinado. Eu sinto tanto a sua falta.《
Seowoon se endireitou e franziu a testa.
》Opa! Eu falei demais!《
O Mensageiro mudou bruscamente o tom, agora soando extremamente frívolo.
》Eu dei com a língua nos dentes! Buá-buá, eu me sinto tão culpado. Agora eu tenho que ir para a “caçada”! Ocupado, tão ocupado.《
O Mensageiro parecia estar fazendo alarde de propósito, como se tentasse esconder alguma coisa.
“Ei, o que diabos você acabou de dizer? Volta e explica!”
Seowoon chamou repetidamente, mas, depois da menção de ir para a “caçada”, não houve mais nenhuma resposta do Mensageiro.
》Eu sinto tanto a sua falta.《
Por algum motivo, aquelas palavras não soaram como curiosidade sobre que tipo de pessoa Seowoon era, mas sim como uma profunda sensação de saudade.
Mesmo sendo apenas uma sequência de palavras sem emoção, o coração acelerado de Seowoon parecia estar sendo apertado naquele momento. Sua garganta de repente pareceu se fechar.
“Será que o Mensageiro não é um sistema onipotente, mas alguém com habilidades telepáticas? Se for assim, eles não poderiam prever o futuro…….”
》”Eu” não sou um vidente — apenas alguém que está no fim predestinado.《
Alguém que está no fim predestinado.
Essa palavra, “fim”, poderia se referir ao futuro em vez do presente. Talvez fosse melhor para a saúde mental de Seowoon levar as palavras do Mensageiro com uma pitada de sal, mas dessa vez o Mensageiro parecia mais sério que o normal.
Seowoon percebeu que não eram apenas mensagens auditivas, mas os próprios pensamentos do Mensageiro que podiam ser transmitidos a ele.
Eu sinto tanto a sua falta.
Aquelas palavras pareciam o anseio profundo de alguém que ele jamais poderia encontrar.
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Nota:
[1] sopa de kimchi: parte de uma expressão coreana, 김치국부터 마시지 말라, que significa “não crie expectativas antes de ter certeza” ou “não se precipite”.
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☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello