Late Bloomers (Novel) - ⋆。˚ ◉ Capítulo 95
Capítulo 95
──── ⋆。˚ ◉ ˚。⋆ ────
— É muito estranho, tão estranho. Não, talvez fascinante?
Han Donhee girava em volta, observando a criança de olhos de cores diferentes.
Como Han Donhee tinha invadido o quarto de repente sem motivo nenhum, Seowoon nem teve tempo de processar o comentário de Cahaya que parecia uma confissão.
O motivo de Han Donhee ter vindo era ainda mais absurdo — ele não conseguia pedir comida porque não entendia inglês.
Como o moleque tinha acabado de acordar e tudo estava às claras, Seowoon não teve escolha a não ser contar tudo a Han Donhee. Ele planejava compartilhar a informação em algum momento, mas não esperava que Han Donhee aparecesse primeiro.
Han Donhee, porém, apenas zombou quando ele disse que a Terra seria destruída.
Olhando para trás, Seowoon percebeu que a reação de Han Donhee era na verdade bem normal. Era o comportamento de Cahaya que parecia estranho em comparação.
Ainda ontem, Cahaya não tinha demonstrado nenhuma hesitação em tentar matar a criança. Mesmo tendo sido Seowoon quem lhe contou sobre a destruição da Terra por causa dos últimos sobreviventes de outros planetas, ele mesmo não conseguia confiar plenamente nas palavras do Mensageiro. Era por isso que tinha dito a Cahaya para não acreditar de imediato.
“Será que tem alguma coisa que o Cahaya sabe e eu não? Será que ele tem algo que não me contou, como usar a parede negra ou o Portal?”
Seowoon balançou a cabeça internamente. Decidiu descartar a suspeita como excesso de pensamento da sua parte e imaginou que era só Cahaya confiando nas palavras dele. Ele tinha confiado tanto assim em Cahaya nos tempos de ensino médio, afinal.
— Então é assim que um mutante humano realmente é? O mutante é tão fofo. Nossa, nossa. Quem é o bebê bonzinho, hein? Qual é o seu nome?
— Cha Byeonjong. (nota: também pode significar Cha Mutante)
Cahaya respondeu no lugar da criança. Os olhos brilhantes da criança lembravam os de Cahaya, e seus lábios carnudos eram a cara de Seowoon.
— Por que diabos o nome é esse? Ei, guri, só ignora o que aquele desgraçado diz, tá? Mas você vai crescer e começar a morder as pessoas e quebrar tudo?
Han Donhee começou a imitar um monstro com as mãos e os pés, fazendo a criança dar gargalhadas.
— Uau, você não é um mutante, você é um anjo. Embora dizem que até os anjos podem ser assustadores quando ficam putos, né? Você vai ficar assim? Cadê as suas asas de anjo, guri?
Han Donhee agarrou os ombros da criança e a girou. Apesar do gesto simples, a risada da criança continuou.
— Vamos só comer primeiro.
Seowoon planejava pedir serviço de quarto de novo, assim como ontem. Não seria viável levar a criança ao restaurante.
— É, eu vou morrer de fome se continuar assim. Eu quero a minha omelete bem passada com bastante bacon e sem legumes. Garante que vai pedir isso.
— Esse cara tem tanta exigência e ainda assim não consegue pedir sozinho.
— Bom, diferente de alguém que nasceu pobre e come qualquer coisa, eu tenho padrões.
— Se você ficar um ou dois dias sem comida, você provavelmente ia beber a água usada para lavar verdura.
Antes que a discussão deles escalasse, Seowoon interveio rapidamente.
— Cahaya, o que você quer?
— Escolhe você primeiro.
Seowoon examinou com cuidado o cardápio do serviço de quarto escrito em inglês. As opções de café da manhã eram simples: saladas, torradas, omeletes e ratatouille.
— Eu vou só de salada e cereal. E vamos pedir uma refeição infantil para o pequeno.
Quando Seowoon olhou para Cahaya, dizendo que era a vez dele, Cahaya pegou o telefone do quarto em vez de responder. Ele rapidamente começou a desfiar seu pedido em indonésio.
— Ah, é. O Cahaya morava aqui, né? Bem conveniente, porra.
Bom, usar indonésio era definitivamente melhor do que se atrapalhar com inglês. Seowoon sabia que Cahaya tinha vivido em Sulawesi tanto tempo quanto na Coreia, mas era raro vê-lo falar em outra língua.
Olhando para trás, ele percebeu que Cahaya sempre tinha falado coreano com ele, mesmo quando o tio estava por perto. Agora que Seowoon via isso, parecia que Cahaya estava sendo atencioso com ele, que não entendia nada de indonésio.
— Eles disseram que vai levar uns 30 minutos.
Cahaya largou o telefone e se virou.
De repente, Cahaya pensou que os olhos roxos de Seowoon, olhando para ele com curiosidade, eram tão irresistivelmente adoráveis que ele teve vontade de mastigá-los.
O cheiro doce e reconfortante ao redor de Seowoon parecia deixá-lo faminto e excitado ao mesmo tempo.
“Por quê?”
Cahaya simplesmente perguntou com a expressão, escondendo seus verdadeiros sentimentos.
— Você é confiável pra caralho.
Seowoon fez um sinal de joinha.
Mesmo que Cahaya não tivesse desculpa por ter roubado um beijo dele, Seowoon agia como se tivesse perdoado tudo. Cahaya sentiu uma mistura de alívio e amargura. Mas era o que era. Ele já tinha beijado Seowoon duas vezes, então Seowoon devia se sentir diferente agora. Cahaya decidiu ver aquilo como mais uma oportunidade.
“Eu vou te tratar bem. Assim como ninguém na Terra é mais forte que eu, não vai existir ninguém que te trate melhor do que eu.”
Cahaya recuperou a confiança e sorriu.
Ele manteve o olhar intenso fixo em Seowoon, fazendo suas bochechas corarem. Seowoon usou a desculpa de querer tomar banho para escapar.
Han Donhee observou os dois com desconfiança. Claro, ele teve seu momento terapêutico cutucando várias vezes as bochechas macias da criança.
— Então, a gente já pode anunciar que encontrou o mutante humano? Mas você acha que a Aliança vai deixar esse moleque em paz? Ele parece tão pequenininho e precioso, parece meio errado.
— Desgraçado pervertido.
— Ei, o pervertido de verdade aqui é o que sugou os lábios do Cha Seowoon feito um aspirador de pó, porra.
Han Donhee sussurrou para Cahaya, garantindo que Seowoon, que tinha ido ao banheiro, não ouvisse. Cahaya balançou a mão como se espantasse uma mosca, enxotando Han Donhee.
Han Donhee girou em volta da criança de novo.
— Mas, sabe, esse moleque realmente… parece exatamente com…….
— É, você quer dizer um filho meu e do Cha Seowoon?
— Uou! Que porra é essa?! É verdade?!
Han Donhee ergueu a criança pelas axilas, levantando-a bem alto. A mudança repentina de altura pareceu fazer a criança dar risadinhas alegres.
Han Donhee olhou com atenção para a criança, com apenas confusão se espalhando pelo rosto.
— Por que esse mutante parece uma mistura de vocês dois?
— Talvez porque as minhas energias e as do Cha Seowoon estão misturadas.
— Hã……?
Han Donhee fez um som de assobio.
— Pervertido do caralho.
Cahaya empurrou Han Donhee de novo. Mas dessa vez o rosto de Han Donhee ficou vermelho. Ele tinha notado o clima estranho entre Seowoon e Cahaya assim que entrou no quarto.
Seowoon evitava deliberadamente fazer contato visual com Cahaya e estava com o rosto corado. Enquanto isso, Cahaya não parava de encarar Seowoon. Com um moleque parecido com os dois no quarto, Han Donhee não conseguia evitar de ficar confuso.
— A gente provavelmente deveria informar a Aliança.
Cahaya chegou a uma conclusão inesperada.
— Cara, isso não é meio arriscado? A gente nem sabe como eles vão reagir.
Han Donhee, carregando a criança nas costas, alongou a cintura. A criança deu risadinhas de novo, agarrando o cabelo de Han Donhee como rédeas.
— A gente vai simplesmente cuidar dele por conta própria.
— A gente?
— É.
Cahaya se largou no sofá, dando uma resposta bem pouco sincera.
— Se esse moleque veio mesmo de outro planeta e consegue absorver a energia dos Mansaengjongs, isso não é meio perigoso?
E, ainda assim, ele continuava alegremente dando um cavalinho no dito moleque.
— Eu não consigo mais absorver outras energias. Eu estou totalmente fixado. Eu sou humano agora!
A criança disse com clareza, ainda segurando o cabelo de Donhee.
— Uau, esse moleque é tão esperto! Você ouviu o que ele acabou de dizer?
Han Donhee agarrou as coxas da criança e girou com ela.
— A gente devia simplesmente dizer que o mutante humano existiu e seguir em frente? O que esse molequinho poderia fazer, afinal?
— Você acha que o mundo é tão fácil quanto você? A gente não vai escapar fácil por causa daqueles searchers.
— O fácil aqui é você, aliás.
— Um do mais alto escalão como você está mesmo desafiando um do super-mais-alto-escalão?
— É, então eu sou um super-hiper-mais-alto-escalão.
A criança continuou dando risadinhas com a discussão infantil entre eles.
— Vocês nunca se cansam de brigar.
Seowoon interrompeu de repente, balançando a cabeça enquanto saía do banheiro. Ele tinha tomado um banho gelado, e até seu corpo parecia exalar um frio. Suas bochechas coradas tinham voltado ao branco pálido de sempre.
O serviço de quarto chegou bem na hora mas, sem assentos adequados disponíveis, eles se reuniram em volta do tabuleiro com a comida. Han Donhee moveu a mesa de mármore para perto do sofá, e então os três adultos rearranjaram a mesa, grande o bastante para todos, até encontrar o melhor lugar.
Depois de arrumar um lugar para a criança, Han Donhee colocou a refeição infantil, que incluía arroz frito, sobre a mesa. Ele arrumou os talheres da criança com capricho e serviu um pouco de suco. A criança começou a comer com entusiasmo.
Seowoon assistiu ao processo inteiro com a boca levemente aberta. Parecia que Han Donhee, que nunca tinha sido ríspido quando Cahaya estava na forma mais jovem, tinha mesmo um fraco por crianças.
— Eu odeio cenoura.
De repente, a criança empurrou as cenouras para fora do arroz frito com a colher.
— Eu odeio cebola mais ainda.
Dessa vez, a criança parecia prestes a chorar.
Han Donhee insistiu para Cahaya buscar outra coisa, mas Cahaya o ignorou. Seowoon suspirou e começou a catar as cebolas e cenouras para a criança.
— É, eu gosto de salsicha. Eu gosto de ovo também. Mas nada de cebola! Cebola é nojenta!
A criança encarou as cebolas como se fossem suas arqui-inimigas.
Talvez por causa do cosmos de Cahaya misturado à sua energia, a criança parecia ter desenvolvido um certo lado ríspido.
“……Eu não… quero ser… mau, eu não quero…….” [capítulo 90]
A criança parecia se referir à natureza de Cahaya como “má”, mas Seowoon não acreditava que fosse o caso. Embora Cahaya pudesse ser egoísta às vezes, ele estava longe de ser realmente mau.
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello