Late Bloomers (Novel) - ⋆。˚ ◉ Capítulo 78
Capítulo 78
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Com a testa de Cahaya ainda apoiada no seu ombro, Seowoon esfregou ainda mais as costas dele.
— …Ei, o que deu em você hoje?
— Um alienígena diz que gosta muito de você.
Os olhos de Cahaya, parecidos com nebulosas, cintilaram quando ele ergueu a cabeça, tão brilhantes como se ele estivesse maravilhado.
— Eu não gosto de coisas que parecem alienígenas. Tentáculos me dão arrepio.
— E se for um alienígena bonito?
— Você quer dizer um alienígena muito lindo?
— Ah, é.
Cahaya murmurou, relaxando o olhar.
— É, se for um alienígena muito lindo.
— Bom, talvez eu considerasse?
— Musaranho mentiroso, sem voltar atrás dessa vez, tá?
Seowoon não conseguia entender por que Cahaya ficava lhe lançando aqueles olhares travessos. Seria porque ele tinha visto um alienígena na parede negra ou no Portal?
— O quê? Você viu um alienígena ou algo assim?
— Eu vejo um o tempo todo.
Seowoon riu daquela piada ridícula.
— Toma um banho e descansa um pouco. Depois a gente vai atrás do Abdul hyung. Vai lá, senhor super-mais-alto-escalão.
Seowoon voltou a se ocupar empurrando as costas largas de Cahaya na direção do banheiro.
— Promete. Você promete?
Diante do tom persistente de Cahaya, Seowoon imitou o jeito dele de falar.
— Claro.
— Promete com sinceridade.
— Eu prometo, com sinceridade. Feliz agora?
Finalmente satisfeito, Cahaya moveu o corpo pesado que vinha resistindo ao empurrão. Seowoon finalmente se sentiu aliviado ao mandá-lo para o banheiro, e então pulou direto na cama, se enterrando debaixo das cobertas.
“Falando de alienígena do nada, sério, que cara engraçado.”
“Um alienígena diz que gosta muito de você.”
Mas aquela voz — ela fez cócegas no seu coração. Ele teve que agarrar o cobertor com força enquanto a sensação se espalhava até as pontas dos dedos.
A palavra “gostar” vinda de Cahaya ecoava em seus ouvidos como uma canção de ninar.
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Chiado, chiado……. Chiado…….
Em algum lugar, ele ouviu o som de uma respiração ofegante.
Seowoon já tinha ouvido um som parecido em algum lugar, provavelmente num quarto de hospital. Era o som que vinha da máscara de oxigênio auxiliando a respiração pesada do seu avô. Enquanto se lembrava da mão enrugada do avô, ele virou a cabeça, confuso.
Ele se viu de pé num deserto árido.
Dunas de areia se erguiam ao longe, e o vento esculpia tempestades de areia enquanto talhava as montanhas. Tornados rodopiantes dançavam ao redor, carregando areia consigo.
Seowoon tentou se proteger da areia com as mãos sobre a boca, mas, diferente dos sonhos anteriores, ele não sentia nada. Ele ainda conseguia distinguir os objetos com facilidade, mesmo em plena escuridão.
De repente, um som sibilante, parecido com o de uma cobra ameaçadora, chegou aos seus ouvidos. Foi então que Seowoon notou duas pessoas subindo a duna onde ele estava.
Uma usava grandes óculos de proteção e uma máscara fina, enquanto a outra também usava óculos de proteção, mas com uma máscara respiratória mais comum em fábricas químicas. Uma mangueira conectada a um cilindro de oxigênio pendia das costas da pessoa com a máscara respiratória.
“Por que só uma delas está carregando um cilindro de oxigênio? O cara com a máscara comum está bem?”
Seowoon se perguntou se aquele com a máscara de oxigênio teria algum tipo de doença crônica, já que ele mesmo estava respirando normalmente.
De repente, o chão de areia tremeu como se um terremoto tivesse acontecido, fazendo suas pernas parecerem estar afundando em areia movediça. Os tremores não pararam com um único abalo, a areia sob ele continuou retumbando, vibrando como réplicas.
— Noona! Os escorpiões Tati estão se movendo!
O homem com a máscara fina gritou enquanto subia a duna.
— Eu achei que Sejak ainda não tinha virado deserto?!
Quando Seowoon ouviu a voz, percebeu que quem carregava o cilindro de oxigênio era uma mulher.
— Corre primeiro!
Seowoon também começou a recuar diante dos gritos desesperados deles. A duna em que ele estava desmoronou, fazendo-o tropeçar.
Como água jorrando do respiradouro de uma baleia-jubarte, a areia explodiu no ar. E não foi só um jato, mas dezenas.
Os sons da areia sendo perfurada por toda parte indicavam o tamanho das criaturas. Uma sombra enorme pairou sobre a cabeça de Seowoon.
— Hansol noona! Não olha para trás! Só corre!
Diferente daqueles que fugiam à frente, Seowoon olhou rapidamente para trás. Seus olhos se voltaram involuntariamente para cima. Um escorpião, de pelo menos mais de 10 metros de altura, cuspia areia pela boca.
Com seu exoesqueleto duro como rocha, a cauda do escorpião estava enrolada como que de raiva. Sua cauda negra parecia letal o bastante para matar qualquer um só com um roçar. E não era só um, havia tantos escorpiões amontoados ali que bloqueavam a visão, seus corpos tremendo.
“Aqueles são mutantes.”
Seowoon nunca tinha visto um mutante escorpião antes, mas o instinto lhe dizia que eram.
Seowoon caiu em si. Deslizando duna abaixo, ele tentou escapar do enxame de escorpiões, mas eles pareciam não notar sua presença, perseguindo implacavelmente os dois à frente.
Enquanto os escorpiões perseguiam as duas pessoas em fuga, Seowoon se viu correndo atrás delas. Os escorpiões periodicamente se empinavam e desabavam com o corpo no chão, fazendo a areia tremer.
De repente, o homem com a máscara fina sacou uma espada longa.
— Noona! Continua correndo até o domo!
O homem parou para proteger a mulher com a máscara de oxigênio, invocando seu cosmos. Uma energia azul jorrou como chamas, se espalhando a partir da espada. Ele era um Mansaengjong. E alguém com uma energia muito familiar…
Seowoon balançou a cabeça, incapaz de acreditar no que estava vendo.
O veneno do escorpião corroía a areia onde quer que atingisse. Enquanto o homem com a energia azul conseguiu destruir cinco escorpiões de uma vez, ainda mais deles cercaram a mulher em fuga.
BUUUM!
Como que para piorar as coisas, um escorpião irrompeu da areia, bloqueando a rota de fuga dela e erguendo a cabeça de forma ameaçadora.
Quando a mulher com a máscara de oxigênio ergueu os olhos, o escorpião rapidamente perfurou as costas dela com a cauda, como se tivesse esperado por isso.
— Aaargh!
Com apenas um golpe, o cilindro de oxigênio se espatifou, e o corpo dela foi partido ao meio. Seowoon soltou um grito sufocado, querendo ver como ela estava, mas tudo o que encontrou foi um cadáver já cortado ao meio.
— …Porra! Noona!
O Mansaengjong correu até a mulher morta, brandindo a espada para protegê-la.
— Porra, este planeta podre de merda!
Além da máscara, um grito de angústia irrompeu do homem.
Os escorpiões continuavam atacando, não só com veneno, mas golpeando o chão, causando tremores. Eles eram espertos, esperando uma brecha em vez de atacar o Mansaengjong de forma imprudente. Dezenas de escorpiões foram mortos, mas ainda mais se juntaram à luta.
Com o suor escorrendo pelo rosto mascarado, o Mansaengjong reuniu todo o seu cosmos e envolveu o corpo inteiro num escudo azul. Se não conseguisse matar todos os escorpiões com esse poder, ele seria o próximo a morrer.
— Cuidado!
Bem então, um enorme redemoinho de areia se ergueu na direção da voz. Outro rapaz cortou a tempestade, vencendo a distância num instante.
A ponta da espada do rapaz, antes voltada para o chão, agora encarava o enxame de escorpiões. Enquanto ele brandia a lâmina, um clarão violeta rasgou o ar, cortando os escorpiões ao meio.
Iiiiii!!
O enxame soltou um ruído agudo, sacudindo os tímpanos. O fluido corporal negro dos escorpiões caídos se acumulou no chão como um rio escuro.
Tum!
O rapaz cravou a espada fundo na areia e liberou seu cosmos numa única explosão.
BUUUM!
Da espada, um magnífico desabrochar de cosmos, como violetas florescendo, empurrou dezenas de dunas ao longe, preenchendo o chão até a borda.
O mundo inteiro parecia completamente coberto de roxo, e o chão revelado sob a areia parecia asfalto.
Entre o campo de cadáveres de escorpiões, um sobrevivente se debatia e vertia fluidos corporais. Era o maior em tamanho, aparentemente o líder do bando, que tinha causado a morte da mulher. Com a cintura parcialmente decepada, a criatura começou a recuar em direção a onde havia areia.
Sem hesitar, o rapaz brandiu a espada.
Iiiiiii!
O escorpião se contorceu com a espada cravada nele, mas o rapaz se manteve firme, pisando na sua cabeça.
Segurando o punho da espada com força, ele arrancou a lâmina e destruiu o núcleo de energia no peito do escorpião.
Um fedor terrível encheu o ar enquanto o veneno do escorpião corroía o chão parecido com asfalto. A energia roxa que envolvia debilmente o vasto chão foi se apagando aos poucos.
O cosmos do rapaz empurrou o deserto para trás, mas só por um momento. Uma tempestade soprou, e a areia mais uma vez cobriu tudo. Parecia que a areia nunca pararia de se acumular até engolir o mundo inteiro.
Com um movimento rápido, o rapaz sacudiu o veneno da espada. Ele usava um capuz preto enrolado no rosto como uma máscara.
Seowoon encarou sem reação enquanto o rapaz ajudava o Mansaengjong caído a se levantar.
“Impossível.”
Seowoon pensou, mas, quando viu a espada que o rapaz segurava, não conseguiu evitar de arregalar os olhos de choque.
“Matahari…”
Estava embainhada numa bainha de couro preto em vez de pele de cobra, mas ele tinha certeza por causa do nome gravado na lâmina.
Aquela espada era a sua própria “Matahari”.
O Mansaengjong, envolto na energia azul, agarrou a mão do rapaz e se esforçou para ficar de pé.
— Droga… Até Sejak virou deserto. Este planeta… Também é um fracasso.
Ofegante, o Mansaengjong cuspiu xingamentos de frustração. O rapaz permaneceu calado, estendendo apenas a mão para o Mansaengjong, que sangrava do braço.
— A Hansol noona… não tem mesmo salvação?
O rapaz balançou a cabeça em silêncio.
Embora as feridas do Mansaengjong tenham se curado rapidamente, não havia como trazer de volta a mulher que jazia morta com o corpo cortado ao meio.
O rosto do rapaz estava obscurecido pela tempestade de areia, mas ele parecia exausto, como se não dormisse havia milhares de dias. Com o cansaço pesando sobre ele, ele ergueu os olhos para o céu.
Seowoon também olhou para cima, mas não havia nada para ver no céu negro semelhante ao de Naraka, exceto escuridão, nem uma única estrela.
— Donhee-yah, vamos enviar os mensageiros.
Quando o rapaz baixou a máscara, Seowoon prendeu a respiração.
Na breve pausa da tempestade de areia, os vívidos olhos roxos do rapaz ficaram visíveis.
O rapaz não era outro senão o próprio Seowoon.
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☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello