Late Bloomers (Novel) - ⋆。˚ ◉ Capítulo 77
Capítulo 77
──── ⋆。˚ ◉ ˚。⋆ ────
— Sulawesi? Na Indonésia?
Seowoon ficou mais consciente dos próprios lábios que o normal, porque Cahaya os encarava com intensidade. Ele lambeu os lábios e engoliu em seco.
— Não só pelo Portal… Você atravessou a parede negra também?
Cahaya assentiu com seu sorriso de sempre.
Na borda de cada zona havia uma parede negra.
“Mesmo que ela não consiga engolir um do mais alto escalão, como ele pôde tentar algo tão imprudente? Ele não tem medo?”
De repente, Seowoon achou Cahaya estranho.
Aquele era o mesmo cara que curtia sorvete e espetinho de frango, passando o tempo em lan houses em partidas ranqueadas. Agora, ele parecia ao mesmo tempo confiável e um ser enigmático.
— É a mesma coisa com as paredes negras das outras zonas também?
— Não, só a do Sudeste.
“Parece que ele tentou por causa do que aconteceu com o Youngil hyung, mas…”
— Ah!
Seowoon de repente se lembrou de Abdulaziz e deu um pulo do lugar. Estar fora do olhar direto de Cahaya tornava um pouco mais fácil respirar.
Seowoon pegou às pressas o bilhete de Abdulaziz sobre a mesa. Ele o entregou a Cahaya, que o leu sem tirá-lo da sua mão.
— A caligrafia dele é péssima.
— Ele é estrangeiro. Está bem boa para um estrangeiro — Seowoon disse, defendendo Abdulaziz.
— Mas eu sou bom em escrever em inglês.
— É, você é o melhor.
— Fala com mais emoção.
Embora não fosse realmente hora para isso, Seowoon fez um sinal de joinha e disse de novo que Cahaya era o melhor.
— Ele disse que o corpo do Youngil hyung começou a apodrecer, a gente devia ir para o noroeste?
Como Cahaya não parecia interessado em pegar o bilhete, Seowoon o colou de volta na mesa. A fita tinha perdido a aderência depois de ser removida e recolocada várias vezes.
Cahaya olhou para o relógio na parede. Curiosamente, não havia diferença de fuso horário entre Naraka e a Coreia, e o idioma era o mesmo. Por causa disso, os Mansaengjongs especulavam que Naraka ficasse em algum lugar da Terra. Só depois é que perceberam que era outra dimensão, graças aos Portais e à parede negra.
— Vamos dormir um pouco antes de sair — Cahaya sugeriu.
— A gente podia ir agora—
Cahaya estendeu o dedo indicador e pressionou de leve embaixo do olho de Seowoon. Seu toque no nariz de Seowoon fez a respiração dele parar. Seu lábio superior estava quente o bastante para queimar.
— O que você está fazendo?
— Você parece um panda.
De fato, as pálpebras de Seowoon estavam pesadas. Enquanto outros curandeiros, como Jo Kyungmin, pareciam bem depois de curar alguém, Seowoon não conseguia entender por que suas habilidades eram tão ineficientes.
Ele olhou na direção do próprio apartamento, onde a janela da sala provavelmente ainda estava quebrada, e então cambaleou até o banheiro.
— Eu vou tomar banho primeiro.
Independentemente de estar em Seul ou em Naraka, ele parecia depender de Cahaya do mesmo jeito.
— Faz rápido.
Cahaya já o estava apressando, talvez querendo tomar banho de novo.
— Você já tomou banho em Seul, né? Eu achei que você tinha desmaiado, de tanto tempo que levou para sair.
— Eu me sinto nojento por ter encostado naquele cara dos pãezinhos no vapor.
Cahaya foi quem carregou Lee Sunghwan do terraço. Quando tentou jogar Kim Hansol no ombro também, Seowoon assumiu no lugar dele. Cahaya estalou a língua, murmurando por que Seowoon dava passeio de avião para qualquer um.
Seowoon mordeu a língua para se impedir de retrucar que Cahaya provavelmente tinha voltado à forma adulta só para não ser carregado daquele jeito.
A caminho do banheiro, Seowoon parou e voltou. A mochila que Cahaya tinha trazido estava sobre a mesa de jantar. Ele abriu o zíper e encontrou o minério wu ainda embrulhado em papel-alumínio, junto com algumas cuecas novas e algumas camisetas de manga curta dobradas com capricho.
“De agora em diante, eu tenho que levar em conta que só um terço do minério wu pode ser usado toda vez que eu atravessar para Seul, e eu preciso preparar os itens necessários com antecedência… Ah, é mesmo.”
Seowoon ergueu rapidamente a cabeça.
— Ei, então isso quer dizer que eu posso usar o Portal sem gastar nenhum minério wu?
Seowoon apontou para si mesmo.
Ele não sabia se Namgung Jun realmente podia transferir sua habilidade para outros, mas Seowoon também não tinha conseguido salvar um cara cuja garganta foi perfurada por Cahaya, um do mais alto escalão?
Cahaya riu, erguendo Matahari para cima de novo.
— De agora em diante, a gente é um só em corpo e espírito.
— Besteira. A gente é um casal, por acaso?
Cahaya sorriu, como se tivesse gostado do som de “casal”.
》”Nós” somos um só em corpo e espírito.《 [capítulo 73]
Seowoon de repente se lembrou do que o Mensageiro tinha dito.
Pensando bem, o Mensageiro não tinha aparecido desde que ele salvou Kim Hansol. Embora o conselho de não salvá-la pesasse na sua cabeça, deixá-la morrer o teria assombrado infinitamente.
De todo jeito, o comportamento imprevisível do Mensageiro não era nenhuma novidade.
— Cha Seowoon.
Cahaya o chamou bem quando ele estava prestes a fechar a porta do banheiro.
— O quê?
— O que você acha do casamento entre pessoas do mesmo sexo?
Seowoon franziu a testa segurando a cueca e a camiseta de manga curta.
— O quê? Você está se candidatando ao parlamento, por acaso?
— Nop.
— Mas por que você está perguntando isso de repente?
— Só curiosidade.
Cahaya deixou a frase morrer num tom sem jeito.
— Eu acho que, se isso faz as pessoas felizes, elas podem ir em frente.
“Não é como se eu estivesse planejando casar com você nem nada.”
Seowoon realmente não tinha nenhuma opinião sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo. Foi um comentário sem pensar, mas Cahaya sentou com uma expressão séria. Ele colocou Matahari sobre os dois braços da poltrona de um lugar, fazendo parecer uma barra de segurança.
“Será que ele quer dizer que alguém que ele conhece vai se casar com uma pessoa do mesmo sexo?”
Bom, mesmo que fosse o caso, Cahaya provavelmente não se importaria. Na verdade, parecia mais que ele estava tentando avaliar a opinião de Seowoon.
“…Mas por quê?”
A doença voltou a se manifestar. Cahaya era mesmo do tipo que fazia perguntas sem sentido sem motivo nenhum.
— Está com um cheiro muito doce.
Cahaya abriu a embalagem do malangso e fingiu cheirar, mas seu olhar estava focado em Seowoon.
Seowoon ergueu o braço e cheirou, mas não conseguiu detectar o aroma doce de que Cahaya falava. Provavelmente era o malangso, afinal.
— Eu vou tomar banho.
Seowoon era melhor que qualquer um em se impedir de dar significado às coisas. Houve até uma época em que ele se consolava dizendo que devia haver um motivo para a frieza do pai. Era tudo para criar o filho com rigor visando ao futuro — que baboseira ridícula.
Também houve momentos em que Seowoon ficava tão embriagado pelo sentimento especial que Cahaya lhe dava que não conseguia evitar de se perguntar: “Será que ele também?”
“Se… Se eu não conseguisse conter os meus sentimentos transbordantes e acabasse me declarando para o Cahaya, será que ele me acharia nojento ou ofereceria algum consolo vazio? Ou será que ele simplesmente ignoraria tudo e se aproximaria de mim como sempre, como se nada tivesse acontecido?”
Isso teria sido simplesmente patético.
Se fosse redespertar de novo, ele preferiria virar um leitor de mentes do mais alto escalão. Mas, até então, não tinha havido ninguém do mais alto escalão naquele grupo de habilidade. Ou talvez estivessem escondendo suas habilidades como os hipnotizadores. Habilidades de controlar os outros ou ler mentes não seriam bem recebidas em lugar nenhum com facilidade.
Mesmo que tivesse se tornado um leitor de mentes, ele provavelmente não teria ousado ler a mente de Cahaya de forma tão imprudente.
Ele se lembrou de uma véspera de Natal quando criança, espiando escondido a caixa de presente sem os pais saberem. A decepção que sentiu na época era indescritível. Ele esperava um videogame popular, mas o que havia dentro era um voucher de quatro semanas de acampamento de inglês e um material escolar caro.
Mesmo criança, ele tinha um pressentimento de que não seria o videogame. Mas esperança e expectativa ainda existiam, certo?
No fim, era esperança inútil e expectativas irrealistas. Se não tivesse espiado, talvez tivesse ficado animado até o dia de Natal…
Talvez saber com antecedência o tenha ajudado a controlar a expressão quando abriu o presente.
“Pai, mãe, muito obrigado! Eu queria muito ir ao acampamento de inglês!”
Olhando para trás, ele se arrependia de como se comportou quando criança.
“Se eles queriam um filho bem-comportado, deveriam ter me dado um videogame! Eu deveria ter gritado, à altura dos decibéis furiosos do meu pai, rasgando o voucher e sendo um pequeno rebelde. Era mesmo aceitável mandar um aluno do segundo ano para a Ilha de Jeju por quatro semanas sozinho?”
Cha Seowoon descobriu tardiamente que a mãe tinha ido ficar por perto apesar da oposição do pai, mas, na época, Seowoon chorava até dormir todas as noites.
Como teria sido se Cahaya estivesse lá com ele naquela época? Com aquele rosto angelical, segurando sua mão e adormecendo junto, nem uma lágrima teria manchado seu travesseiro.
Era por isso que, mesmo que tivesse se tornado um leitor de mentes, ele não espiaria a mente de Cahaya. Era melhor se agarrar àquela esperança tênue, assim como se abster de abrir a caixa de presente e ainda sentir uma leve emoção.
✦ ── ☽ ── ⋆ ── ☾ ── ✦
Cahaya virou a cabeça para olhar o banheiro em que Seowoon tinha entrado.
“Curandeiro…”
Ele murmurou em silêncio, mas só havia perguntas em sua mente.
Como Uhm Jigeon tinha dito, os olhos roxos de Seowoon normalmente eram vistos apenas no grupo de habilidades mentais.
“O seu vice-líder de guilda não é mais um espadachim, é?”
“Ele é um searcher, né?”
“Se ele consegue detectar o túnel de mutantes no Noroeste, as habilidades dele devem ser incríveis, né?” [capítulo 60]
Embora agora tivesse se rebelado contra a Aliança, Uhm Jigeon originalmente fazia parte dela.
O fato de Uhm Jigeon desconfiar de Seowoon significava que a Aliança também desconfiava dele.
Eles de repente estavam falando em usar o Sudeste e até vieram ao escritório da guilda para uma reunião… Parecia que a Aliança estava sondando alguma coisa.
Cha Seowoon, espadachim e curandeiro ao mesmo tempo.
Cahaya também podia usar múltiplas habilidades, então não havia nada de estranho nisso.
“Mas o que o musaranhozinho está escondendo de mim?”
— Ele está sempre me deixando triste.
Cahaya pegou Matahari, que vinha usando para bloquear sua frente, e a colocou embaixo do sofá.
Ele se levantou, guardou o resto das balas na geladeira e abriu mais a mochila. Tirou o minério wu embrulhado em papel-alumínio. Enquanto descascava o papel, um tom vermelho cintilou no minério. Lembrava magma das profundezas do subsolo, mas não irradiava calor nenhum.
A selva dentro do túnel definitivamente não era o planeta em que ele costumava viver.
Aquele lugar — “Gazan”, agora chamado de Naraka — era o último lugar em que Cahaya tinha estado no seu planeta natal.
Embora Cahaya não fosse originalmente de Gazan, ele teve que fugir para lá com os pais. Sua terra natal já tinha se tornado inabitável por causa da desertificação.
O planeta onde Cahaya nasceu era muito parecido com a Terra, mas, em vez do sol, havia uma estrela chamada “Tay”.
O planeta Aso, que orbitava aquela estrela, era a terra natal de Cahaya.
Quando se pensava no que tinha acontecido no planeta “Aso” e em seu país “Gazan” e se substituía por “Terra” e “Coreia”, tudo ficava simples.
Um dia, mutantes apareceram por toda a Terra, e a terra e o mar começaram a virar deserto. A única área segura era a Coreia, e os sobreviventes acorreram para lá em grande número.
Eles lutaram até a morte contra inúmeros mutantes, mas, por fim, a Coreia também sucumbiu à desertificação e pereceu. A Terra então se tornou um planeta onde ninguém podia viver.
Esse foi o processo da destruição de “Aso”.
Se havia uma diferença entre o planeta “Aso” e a “Terra”, era a presença de lugares chamados Portais por toda parte em Aso.
Esses Portais, que se dizia terem sido criados pelos primeiros usuários de habilidades estelares, eram passagens para outras dimensões.
Depois de serem forçados a abandonar o planeta destruído, os futuros usuários de habilidades estelares decidiram migrar para outras estrelas e por fim encontraram uma estrela da sequência principal do tipo G semelhante a “Thay” — o Sol. Eles também descobriram um planeta bastante parecido com Aso, que era a Terra.
No entanto, a Naraka atual estava no estado de Gazan antes da sua destruição. Não se sabia por que ela apareceu com a mesma forma de antes da desertificação, mas uma coisa era certa: o Portal tinha sido ativado de novo.
O que os Mansaengjongs chamavam de parede negra também era um tipo de Portal.
Foi só depois de um incidente envolvendo Youngil que Cahaya se convenceu disso.
— Ei, você vai tomar banho?
Um aroma doce se espalhou vindo do banheiro. Seowoon, secando o cabelo com uma toalha, se aproximou da mesa como se perguntasse o que ele estava fazendo.
— Parece um bolinho de arroz, né?
Seowoon riu enquanto olhava para Cahaya, que estava na metade do processo de descascar o minério wu.
— Você vai comer isso?
Enquanto Cahaya fazia menção de levar o minério à boca, Seowoon o bloqueou com a mão.
— Ei, esse aí é proibido.
Seowoon sorriu, mostrando os dentes e pegando o minério wu.
Embora Cahaya tivesse nascido em Aso, ele tinha vivido na Terra por muito mais tempo. Mas isso necessariamente fazia dele um terráqueo?
Como um estrangeiro de cabelo preto, Cahaya talvez nunca se livrasse do rótulo de ser uma criatura de outro planeta.
— Você não vai tomar banho? — Seowoon perguntou.
Cahaya apoiou a testa no ombro de Seowoon. Seowoon se sobressaltou com o toque repentino, mas não o afastou. Ele apenas deu tapinhas leves nas costas de Cahaya, como que perguntando o motivo.
— O que você faria se um alienígena gostasse de você?
──── ⋆。˚ ◉ ˚。⋆ ────
♤ Nada contido se refere a realidade♧
■ Se puder, apoie o autor nas plataformas oficiais □
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello