Kiss Me If You Can (Novel) - Capítulo 50
Side Story 1 – Capítulo 11
Passaram-se vários dias tranquilos, mas entediantes. Enquanto isso, Josh dedicou seu tempo a consertar o telhado da casa, a plantar no jardim as flores escolhidas por sua mãe, a limpar uma pequena piscina que não era usada há mais de uma década e a perseguir algum que outro coiote. A velha casa precisava de reparos com frequência, e agora Josh tinha muito tempo.
Naquele dia, ele passou a manhã cavando um lado do jardim porque um cano de água velho estava causando problemas. Enquanto Pete dormiu até tarde e depois perseguiu um coelho pelo jardim, Josh verificou o vazamento e mediu o tamanho do cano que precisava ser trocado.
— Descanse um pouco.
Sua mãe, que acabara de trazer limonada, falou com ele. Josh, que saiu do buraco e limpou rudemente o rosto e as mãos enlameadas com uma toalha, seguiu sua mãe até a mesa do chá. Pete, que estava vigiando a toca do coelho, também se apressou a sentar para tomar um lanche.
Sua mãe, observando Pete beber limonada, virou-se para Josh. Josh sentiu que sabia o que ela ia dizer.
— Quando você vai conversar com Pete? — Sua mãe falou discretamente e fez um gesto para que o menino não ficasse curioso.
Como esperado, Pete estava ocupado pegando biscoitos e levando-os à boca, sem saber do que estavam falando. Josh, que empurrou a tigela de biscoitos para facilitar o acesso de Pete, abriu a boca.
— Ainda não sei.
— Sim…
As palavras de sua mãe eram confusas, como se ela estivesse agonizando por algo. Depois de ouvir a confissão de Josh, ela falou cuidadosamente, com uma expressão séria, enquanto vários pensamentos cruzavam sua mente.
— Você tem muitas coisas para resolver. Sei que vai cuidar de tudo, mas… — Sua mãe acrescentou em voz baixa. — Acho melhor você ter cuidado se for morar com alguém pela primeira vez. Não quero que você se divorcie pouco tempo depois.
Josh olhou para sua mãe com uma expressão perplexa.
— Primeiro Emma, agora você também não confia em mim?
— Não, não é isso. Acredito em tudo o que você nos disse.
“Mas você não acredita que eu parei de gostar de mulheres.”
Josh ficou boquiaberto. Chase era um homem – esse pensamento já havia passado por sua cabeça antes. E, por outro lado, ele havia considerado o casamento, mas nunca tinha contado a ninguém. Muitas respostas vieram à mente, mas toda a motivação para falar desapareceu. Em vez disso, Josh tomou uma decisão firme.
— Então acredite em mim desta vez.
— Sim…
Sua mãe fechou a boca como se não tivesse mais nada a dizer. Houve um silêncio desconfortável entre eles enquanto bebiam limonada sob o sol tranquilo da tarde. Josh tomou a limonada do copo de um só gole e levantou-se.
— Vou comprar um cano.
— Ah, Josh. Pode comprar uma caixa de correio também? A nossa está velha, acho que devemos trocá-la.
Sua mãe ainda falava enquanto se levantava da mesa.
Josh assentiu — “Sim” — e abraçou Pete, que já estava no terceiro biscoito.
— Pete, quer ir com o papai?
Assim que Pete ouviu Josh, parou de comer biscoitos, deixou-os no prato, levantou-se rapidamente e abraçou o pescoço de Josh. Sua mãe os acompanhou até a frente da casa para se despedir no carro, mas não falou mais nada sobre o casamento.
Enquanto dirigia com Pete em uma cadeirinha no banco de trás, Josh relaxou ao passar por uma rua tranquila. Havia poucos carros transitando e poucas pessoas. Em uma paisagem completamente diferente da do Leste, Josh sentia-se familiarizado e, ao mesmo tempo, estranho.
Hmm.
De repente, uma rua apareceu em seu campo de visão, e ele virou o volante por impulso. Depois de dirigir um pouco mais, apareceu a escola onde ele havia estudado. Podia ver as crianças indo e vindo das aulas. Josh, que observou por um momento após parar o carro, ligou o veículo novamente antes que o guarda da escola suspeitasse de algo e se aproximasse.
“Agora que penso nisso, faz muito tempo que não vejo meus antigos colegas. Será que tenho o contato de algum deles?” Josh conduziu o carro refletindo. “Não teremos a chance de nos reunir no futuro, este momento parece ser o certo. Achei que ficaria louco se ficasse em casa sem fazer nada.” Ele não conseguia se adaptar à rotina de ficar ocioso dia após dia. Acelerou, elogiando a si mesmo pela ideia que acabara de ter.
…
— Quem é vivo sempre aparece, hein? Quanto tempo se passou?
Tommy gritou alto e bateu em Josh no ombro. Josh percebeu um brilho em seus olhos assim que ele se sentou à sua frente e disse: —”Filho da puta!” — Antes de bater novamente com força no braço de Josh. Josh sorriu ao ver Tommy, cujo rosto ainda era o mesmo que ele lembrava, embora sua pele estivesse um pouco mais esticada.
Algumas horas antes, eles haviam entrado em contato e marcado de se encontrar em uma rede de bares que todos conheciam. Claro, Josh primeiro deixou Pete na casa de sua mãe antes de ir.
Tommy havia sido jogador do mesmo time de futebol no ensino médio, mas depois da formatura foi para a faculdade e se tornou engenheiro. Era surpreendente que ele ainda estivesse bastante musculoso. Josh, olhando mais uma vez para o corpo de Tommy, disse:
— Parece que você malha bastante.
— Minha mulher odeia homens gordos.
Tommy balançou a cabeça energicamente e então perguntou:
— Então você é um guarda-costas agora? Você lida muito com celebridades?
— Bem, é isso. É o que parece.
— Haha! Mas que filho da puta!
Tommy soltou palavrões, bateu com força no braço de Josh e riu. Tommy não tinha um vocabulário muito extenso — Josh lembrava disso desde os tempos de escola —, às vezes ele repetia a mesma palavra quando estava muito animado. Dessa vez, a palavra parecia ser “filho da puta”. Josh sorriu novamente, meio amargo, olhando para ele enquanto ele repetia “esse filho da puta”.
Na hora certa, a porta do bar se abriu, e um homem alto e magro entrou. Quando Tommy o viu, cumprimentou:
— Oh, Ed! Aqui estamos!
— Tommy! Josh!
Ed atravessou o bar animadamente e abraçou Josh. Josh, que virou a cabeça depois de cumprimentá-lo com uma palmada nas costas, hesitou. Duas mulheres conhecidas estavam atrás de Ed. Ed abriu a boca com um olhar envergonhado.
— Uh, lembra delas? São minhas irmãs. Eu disse que ia me encontrar com vocês hoje, e elas disseram que também queriam te ver…
— Josh, quanto tempo!
— Como você está, Josh? Ah, você ainda está bonito.
As irmãs se aproximaram e cumprimentaram Josh. Ele sorriu e apertou as mãos delas alternadamente. As duas, sorrindo com as bochechas coradas, eram exatamente como Josh as lembrava. Ed, olhando para elas com desdém, cuspiu de repente:
— Ela largou o marido e a outra jogou tudo para o alto só para te ver. Faz sentido?
— Ah, é?
Surpreso, as irmãs de Ed imediatamente arregalaram os olhos e tentaram agarrá-lo como se quisessem matá-lo.
— Eu posso ver meu marido hoje e amanhã! Josh, quanto tempo se passou?
— Claro, claro! Como você ousa comparar Josh com o marido dela? Josh é Josh!
Se fosse um lugar privado, Ed teria levado várias pancadas. Depois de confrontar Ed, que virou o rosto com uma expressão distorcida, elas se voltaram para Josh e falaram rapidamente com um sorriso radiante.
— Não queremos te atrapalhar, Josh. Só queríamos vir te cumprimentar.
— Sim, vamos embora logo. Não se sinta pressionado, Josh. Meu Deus, você não mudou nada…
As palavras ditas anteriormente se dissiparam, deixando um silêncio pesado no ar. Josh refletiu por um momento e logo sugeriu:
— Querem uma bebida ou algo assim? Eu pago.
— Ah, sério? Posso me sentar?
— Vou pedir algo sem álcool. Trouxe meu carro.
Como se estivessem esperando seu próximo movimento, as mulheres se sentaram ao lado de Josh e o olharam com expectativa. Ed fez uma cara de tédio, fingindo cobrir o rosto com o dorso da mão, mas já era tarde. Suas irmãs só saíram depois de uma hora de conversa e vários coquetéis sem álcool. Claro, não se esqueceram de guardar as fotos que tiraram com Josh em suas respectivas galerias antes de irem embora.
— Foi um prazer te ver de novo, Josh.
— Por favor, me ligue da próxima vez que vier, estarei esperando.
As duas saíram juntas do bar depois de se despedirem. Só quando Ed confirmou que elas haviam saído completamente é que ele começou a reclamar com Josh como se estivesse louco.
— Por que você comprou bebidas pra elas?
— Desculpe, mas não poderia deixá-las irem embora sem oferecer algo.
— Josh sempre é gentil com as mulheres.
Tommy balançou a cabeça enquanto falava, como se não pudesse evitar. Então Ed resmungou atrás dele:
— Se você for tão gentil com qualquer mulher, um dia vai se meter em uma encrenca.
— Não sou gentil com qualquer mulher.
Embora ele tivesse falado com outras lembranças em mente, seus amigos não concordaram. Josh recebeu olhares cheios de desconfiança de ambos.
— Se eu gostasse tanto de ficar com mulheres, já teria me casado com qualquer uma. — Ele tomou um gole de cerveja sem álcool e acrescentou: — Ahh.
— Bem, queria continuar brincando, mas vou me casar em breve.
— O quê? Casar?
— Você? Josh Bailey?
— Espera, isso na sua orelha é uma marca?
Tommy arregalou os olhos e apontou para sua descoberta tardia. Momentos depois, Josh percebeu que havia esquecido de cobrir as orelhas, mas não importava. Ele supôs que a maioria das pessoas que o conheciam nessa área já sabiam que ele se manifestado como um ômega. Então Ed gritou:
— Sério? Isso é uma marca? Nossa, é a primeira vez que vejo uma pessoalmente. Pensei que você só tinha se machucado.
— A pessoa com quem você vai se casar também tem uma marca? Não, ômegas têm várias marcas… Não é? Estou certo?
A reação de Ed e Tommy foi pouco diferente da de sua família, o que fez Josh franzir levemente o rosto. Quando os dois descobriram que Josh tinha um filho, saíram correndo para a rua e estavam dispostos a parar qualquer pessoa que passasse para gritar a notícia.
Naquele momento, Josh lembrou por que não havia entrado em contato com seus antigos colegas de time antes. Porque ele tinha preguiça de explicar tudo sobre Pete. Pensando bem, só o fato de Josh estar se casando já os deixou loucos. Especialmente Ed. Tommy já era casado e tinha filhos, mas Ed ainda estava solteiro. Então ele agitou o punho no ar várias vezes com uma expressão de espanto.
— Como você pôde fazer isso? Como ousa me trair.
Ed, cuja testa se franziu lentamente, agarrou seus cabelos ralos com as duas mãos e gritou “Não!” de uma vez, antes de engolir a cerveja. Ao perceber momentos depois que não tinha álcool, ele distorceu o rosto, mas, de qualquer forma, não podia ficar muito bêbado, já que tinha vindo dirigindo. Depois, suspirou e abriu a boca como se tivesse desistido.
— Quem é seu parceiro? Josh?
— Bom, é um Alfa.
Josh respondeu de forma evasiva. Tommy, que parecia estar em choque e refletindo até então, finalmente abriu a boca:
— Mulheres alfas não são comuns, cacete Ed, e você é o que não consegue ninguém?
— É verdade.
Tommy e Ed bateram os gargalos de suas garrafas de cerveja, brindando levemente, e cada um tomou um gole rápido. Considerando a reação de sua mãe e de Emma, Josh não achou necessário dizer que seu Alfa era um homem, então não deu mais explicações. Depois de beber metade da cerveja de uma vez, Tommy deixou a garrafa vazia sobre a mesa e falou:
— Mas você tem que ter cuidado. É uma dor de cabeça se você se divorciar.
— Então você está ciente disso? Josh, você não sabe, né? Dick se divorciou e logo depois faliu.
Tommy fez uma cara feia com as palavras de Ed.
— Não foi só uma vez, foi seu segundo divórcio, mesmo a gente tendo avisado para ele ter mais cuidado.
— Ele nunca foi cauteloso. Por que sinto que estão me provocando?
Enquanto falavam, Ed e Tommy olharam para Josh. Ele ficou boquiaberto e se lamentou:
— Quer dizer que eu estou sendo impulsivo?
— É melhor ter cuidado.
— Sim, ninguém mais sabe, mas você é um pouco…
Josh observou as expressões de seus amigos do ensino médio, que não via há anos. Não esperava que sua reputação fosse tão ruim.
“Acho que me esforcei muito em cada relacionamento que tive, mesmo trocando de parceiro com frequência.”
Ele fez uma careta, sentindo-se um pouco injustiçado.
— Você subiria no topo de um prédio e gritaria?
Diante das palavras de Josh, Ed bateu o punho na mesa.
— Não, não vou fazer isso.
— Tá vendo? Mesmo se fizer isso, se o término for inevitável, não tem jeito. Lembra da Megan?
— Pediu ela em casamento com um banner enorme amarrado num avião, e se divorciou um mês depois.
Tommy, falando com uma expressão séria, concordou novamente.
— Enfim, se é sua escolha, a gente devia te apoiar. Então boa sorte.
— Vai nos apresentar sua noiva? Onde vai ser o casamento? Ouvi dizer que você estava trabalhando no Leste, vai se mudar agora?
Ed mudou de assunto e perguntou. Josh respondeu de forma curta:
— Ainda não decidi. Só sei que o casamento vai acontecer.
Quando ouviram suas palavras diretas, os dois se olharam em silêncio. Josh esperava que eles dissessem algo negativo de novo, mas, de repente, Tommy sugeriu:
— Faz tanto tempo que não nos vemos. Quer marcar um jogo no fim de semana? O que acha? Você tá livre?
— Jogo? Onde? — Josh perguntou, surpreso. Era óbvio que se tratava de futebol. Todos tinham jogado no mesmo time no colégio.
— Posso usar o estádio da escola, fica vazio nos fins de semana. Vou pedir permissão antes. Não vai ser difícil, porque eu sou professor.
Alguns viraram profissionais, mas agora todos levavam uma vida normal. Não seria ruim se reunir depois de tanto tempo. Além disso, Josh tinha muito tempo livre agora e precisava de algo em que se concentrar. Tommy falou depois de pedir outra cerveja para brindar:
— Ei, é estranho. Não acredito que você vai se casar.
Depois de uma cerveja, Ed de repente começou a rir. Quando Josh e Tommy olharam para ele confusos, ele abriu a boca com um sorriso malicioso:
— Você devia contar para aqueles idiotas, haha.
Não foi necessário perguntar quem eram os “idiotas”. Josh e Tommy logo voltaram a beber cerveja.
…
Quando chegou em casa, todas as luzes estavam apagadas. Josh entrou pela porta que dava para a garagem, atravessou a sala escura e foi direto para a cozinha.
Não era tão difícil encontrar as coisas na cozinha iluminada pelo luar. Josh, que encheu um copo com água da torneira e bebeu de uma só vez, apoiou-se na pia e ficou olhando para o escuro por um momento. Verificou o celular, mas não havia nenhuma chamada perdida.
“Já se passaram quase duas semanas, então as filmagens devem ter terminado. O que aconteceu depois? Ele ainda está em tratamento?”
Estava curioso sobre a situação, mas não havia como saber. Era difícil entrar em contato com Mark e o resto da equipe de segurança, primeiro porque estavam trabalhando, e segundo, era duvidoso que falassem abertamente sobre o cliente, mesmo que ele tivesse trabalhado com eles, já que não conheciam a situação direito. Josh não teve escolha a não ser esperar por uma ligação, sem poder fazer mais nada.
De repente, teve uma vontade louca de fumar. Lembrou que não tinha fumado um único cigarro desde que chegou na casa de sua mãe. Depois de pensar um pouco, logo saiu da cozinha e foi para o jardim pela porta que os conectava.
A caixa estava quase vazia. Pegando um dos últimos cigarros, Josh o acendeu com habilidade. A chama do isqueiro piscou por um instante antes de se estabilizar. O cheiro de nicotina, que sentia depois de tanto tempo, deixou sua cabeça tonta por um momento enquanto ele inalava profundamente e soltava o fumo lentamente.
“É parecido com o que sinto quando Chase libera feromônios?”
Josh, que tinha lembrado vagamente, logo balançou a cabeça. “De jeito nenhum.” Um sorriso amargo apareceu, mas logo desapareceu. Ele ficou olhando para o canto escuro do jardim, expelindo devagar a fumaça que havia tragado.
“… Eu sinto sua falta.”
Josh ficou ali por um tempo, com o cigarro pela metade pendurado entre os dedos. Pouco depois, entrou no quarto e se jogou na cama, mas não houve notícias de Chase até o fim de semana.
…
O clima estava tão agradável como sempre. Depois de ligar para Josh no dia anterior e confirmar o encontro mais uma vez, Tommy falou com uma voz superanimada:
[Todo mundo vai estar lá, é incrível!]
Josh, que saiu de casa depois do café da manhã e de brincar um pouco com Pete, decidiu que não se preocuparia com Chase hoje. “Já me decidi. Não é bom ficar nervoso, se deixando levar e esperando até que as notícias cheguem.”
O estacionamento da escola estava vazio porque era fim de semana. Alguns carros estavam estacionados aqui e ali, mas era óbvio onde estavam seus donos. Josh saiu do carro e foi direto para o campo de futebol, onde vários já estavam correndo.
— Josh!
— Meu Deus, quanto tempo!
— Ei, como você continua igual há anos?
Todos que o viam cumprimentavam-no com entusiasmo. Apertando sua mão, abraçando-o rapidamente, batendo em suas costas, Josh associou cada rosto que não via há muito tempo às memórias que guardava.
Havia também um cara que se manifestou como alfa depois da formatura, um homem chamado Wilson, o craque dos times rivais quando Josh jogava no time de futebol antes de se apresentar como ômega. “Ouvi dizer que ele foi para outra cidade depois disso.” Enfim, era coisa da adolescência. Além disso, Wilson estava no mesmo time que Josh. Parado a certa distância, ele permaneceu hesitante, mas logo pareceu aliviado ao ver a marca de Josh.
— Você disse que vai se casar, mas já colocaram a marca antes? — Wilson perguntou, surpreso.
Josh viu que suas orelhas estavam limpas. Então respondeu evasivamente:
— Foi o que aconteceu. Não vou ser afetado pelos seus feromônios, então relaxa.
— Sim, é um alívio.
Alfas também costumavam tomar remédios para o ciclo de cio. Assim como muitos ômegas tomavam medicação, a situação dos alfas não era muito diferente, então esse devia ser o caso. O cheiro dos feromônios dele não tinha efeito em Josh. Só havia um aroma que o deixava louco – Chase.
Josh, que estava prestes a pensar nele de novo, rapidamente mudou de assunto.
— Todo mundo se preparou bem? Você disse que conseguiu uma bola, e também precisamos de um juiz, né?
Vestindo os equipamentos de proteção um por um, sentiram como se tivessem voltado para a escola depois de tanto tempo. O time discutia estratégias, e a posição de cada um ainda era a mesma do ensino médio. Josh era o quarterback.
— Certo, todo mundo pronto?
À pergunta de Josh, todos olharam e assentaram animadamente. Todos os membros estavam empolgados com o primeiro jogo depois de tanto tempo. Depois de jogar uma moeda para decidir quem atacava primeiro, todos se posicionaram e esperaram o início da partida. O time de Josh atacaria primeiro. Josh esperou a bola ser lançada pelo time adversário. E o jogo começou.
— Corre!
— Pare Dean!
— Esse desgraçado, isso não vai funcionar!
Começou a correr loucamente para lá e para cá, gritando. Os outros garotos se jogaram na bola, e o atacante, que mal tinha avançado, reiniciou o próximo ataque.
Correr pelo campo exigia bastante força física. Ele foi bloqueado várias vezes, e às vezes a bola que queria passar caía.
— Ei, filhos da puta. Tô me esforçando pra caralho aqui.
Fazendo uma pausa rápida, Tommy respirou fundo e falou. Mesmo agora, também era difícil para Tommy jogar como antes. Mas ao ver seu rosto ardente de vontade de vencer depois de tanto tempo, Josh olhou de novo para frente.
— Eu também tô levando a sério.
— Eu também.
Todos concordaram com Tommy. Uma vez que o jogo começa, perder não é uma opção. Como nas férias do colégio, começaram a correr com o som de um grito silencioso ecoando pela escola. No entanto, não conseguiram quebrar a defesa naquele ataque. Xingamentos e suspiros se espalharam, e eles reorganizaram as fileiras. Conseguiriam cruzar a linha no próximo ataque.
— Josh, você consegue?
Ed perguntou sugestivamente. Josh entendeu o que ele queria sem precisar de explicações. Depois de colocar a estratégia em ação, venceram juntos a defesa para ganhar o campeonato.
— Pode tentar.
Diante da resposta curta de Josh, Ed sorriu com um olhar desafiador. Havia tensão entre os dez homens. Pouco depois, a bola voou e atingiu seu corpo.
— Josh! — Ed gritou, roubou a bola e a lançou alto.
Perseguindo a bola que voava em uma longa parábola, Josh começou a correr como um louco. Assim que evitou o bloqueador à frente, alguém agarrou sua cintura. Como esperado, outra pessoa bloqueou Josh, que se virou e escapou. Ele empurrou o adversário com força usando o ombro.
— Corre, Josh, corre!
Os companheiros de time gritaram e bloquearam a defesa com força. Josh, que conseguiu se livrar do homem em sua cintura, correu mais rápido. Logo, cruzou a linha, e os companheiros agitaram os punhos e gritaram.
— Touchdown!
— Ei, Josh! Você ainda tem o toque!
— Cara, você devia ter destruído o Instituto K com isso!
Foi quando todos correram, abraçaram Josh em grupo, gritaram e comemoraram alegremente a vitória. Embriagados pela grande conquista, não perceberam que um visitante estranho atravessava o estádio e o gramado.
O visitante caminhou direto para eles, sem se distrair. O gramado bem cuidado abafou completamente o som de seus passos, e o clima animado de alguns momentos atrás desapareceu, deixando até um arrepio na espinha de vários.
— Ei.
Tommy, que de repente virou a cabeça, viu o homem tarde demais. Mas não podia se dar ao luxo de fazer algo. Quase ao mesmo tempo, o homem agarrou seu queixo e o empurrou, fazendo-o cair com um simples movimento.
O homem, que havia derrubado várias pessoas grandes que o cercavam completamente, sem espaço para vê-lo direito, agarrou Josh pelo ombro. Josh, que estava jogando com os amigos pela primeira vez em anos, só então percebeu a situação. O homem o pegou de surpresa, girou-o bruscamente e, de repente, Josh o acertou por reflexo.
O som assustador de um osso girando ecoou. Josh, que tinha o punho aberto no ar, parou. O chamativo homem loiro, vestindo um terno azul-escuro que não combinava nada com o estádio, tinha um suave aroma doce que Josh tinha começado a esquecer. O cheiro, que pairava sutilmente pelo campo, era forte o suficiente para deixar as testas das pessoas presentes franzidas. A seus pés, os óculos escuros que haviam sido arrancados do rosto dele estavam em pedaços.
O homem, que levou um tapa do nada, esticou lentamente o corpo curvado. Quando endireitou completamente as costas, Josh e todos os outros o encararam. Um homem quinze centímetros mais alto que Josh olhou para ele e falou baixinho:
— Bailey.
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ ·
Continua
☾ Tradução, revisão e Raws: Belladonna