Kiss Me If You Can (Novel) - Capítulo 03
Capítulo 3
— Josh sentou-se na cama e agarrou a própria cabeça. Assim estava desde que colocara Pete para dormir horas atrás. Por mais tempo que passasse, seus pensamentos sempre retornavam ao mesmo lugar.
A voz de Mark ecoou em sua consciência vazia. Mark falara com Josh, que apenas suspirava.
A única coisa de que precisava era dinheiro, então é claro que teria que aceitar. Todos teriam elogiado Chase se ele tivesse uma boa personalidade. Mas depois que Deus criou o corpo de Chase Miller com todo esmero, esqueceu-se de adicionar humildade. Lembrando disso, Josh foi sarcástico.
Mark coçou a cabeça e permaneceu em silêncio.
Josh abriu a boca após respirar fundo.
“Todos tiveram uma emergência como eu?”
Mark acrescentou, deixando Josh novamente perplexo e calado. Disse mais algumas palavras e se retirou.
Desde então, Josh estava frustrado.
Por que justo aquele homem?
A resposta era clara. Celebridades estavam dispostas a pagar quantias exorbitantes por sua segurança.
Josh precisava daquele dinheiro sujo para resolver sua situação. Era uma realidade lamentável que precisava aceitar. Não importava quantas vezes refletisse, o resultado era quase o mesmo. Quando o céu clareou, a decisão já estava tomada.
Seriam no máximo seis meses de contrato. Disse que não prorrogaria após o término do período. Mark cuidaria disso.
Josh reuniu coragem, ligou para Mark e fez a primeira pergunta:
[O que soube dos outros rapazes? Quantos aceitaram? Aposto que nem todos recusaram.]
Josh sentiu os pelos da nuca eriçarem quando Mark respondeu:
[Eu, Seth, Henry e até o Isaac.]
Faltava apenas Josh. Mark acrescentou:
[Henry parece ter recaído no jogo – disse que estava sem dinheiro.]
Seth aceitara imediatamente ao ouvir o valor, e Isaac fora obrigado a entrar pelo dinheiro que “emprestara” a Henry.
[Henry roubou e apostou todo o dinheiro do Isaac. Mas isso é problema entre eles.]
Não era a primeira vez que Henry roubava a carteira de Isaac. Josh soltou um suspiro amargo.
[Eu vou também.]
[Bem, cinco com Joshua.]
Josh sabia que Mark já pretendia incluir seu nome antes mesmo da ligação. Mark não parecia surpreso ou feliz com sua resposta. Infelizmente, era a escolha óbvia para Josh. Desligou após pedir para revisar os detalhes do contrato por e-mail. Na verdade, se pagassem o valor prometido a tempo, os detalhes pouco importavam.
Tomada a decisão, agiu rapidamente. Ligou imediatamente para a irmã, explicando sobre o novo trabalho. Disse para não se preocupar com o dinheiro – ele resolveria. Felizmente, o local de trabalho ficava a três ou quatro horas de carro da casa de sua mãe e irmã. Assim, poderia deixar Pete lá e visitá-lo diariamente.
[Não se preocupe com Pete, Josh. Mamãe está tão feliz em tê-lo aqui.] Emma falou com voz suave.
Ao desligar, suspirou sozinho. Isso resolvia o maior problema. O próximo era Pete – não havia como revelar a existência do filho a Chase.
Josh ponderou sobre a possibilidade, mas nem conseguia imaginar as consequências. Se quisesse revelar, o momento ideal teria sido quando engravidou. Seria absurdo aparecer agora, do nada, com uma criança nos braços.
Não seria difícil esconder. Todos achavam que Josh era Beta, e ninguém prestaria atenção em um segurança comum. Josh nem mesmo lembrava como Chase deixara sua marca nele.
As palavras esquecidas voltaram subitamente à mente. Uma pontada sacudiu seu peito.
…
Precisando deixar Pete com a família, decidiu ir primeiro e encontrar o grupo depois. Fazia tempo que não via sua família – a perspectiva de reencontrá-los o alegrava. Despediu-se da Sra. Robert, agradecido por sua ajuda, prometendo manter contato. Ela abraçou Pete com força, triste. Alguns dias depois, Josh estava pronto para partir rumo ao aeroporto.
Ao embarcar, a comissária de bordo olhou intrigada para o bebê em seus braços e o carregador na outra mão. Seu olhar pousou no rosto de Josh e imediatamente surgiu um sorriso profissional. Josh instalou a cadeirinha infantil.
Depois de acomodar o menino, cobriu-o com um cobertor e deu alguns doces. Satisfeito, Pete ficou quieto.
Enquanto ajustava o carregador, o rosto da criança chamou sua atenção. As bochechas rechonchudas e rosadas lembravam aquele homem.
“É porque sei que é filho dele ou realmente se parecem?”
“Vou pedir para alguém confirmar.” Precisava acalmar a curiosidade desta vez.
“Ele vai me reconhecer? Vai se lembrar de mim?”
Quando se conheceram, lembrava do olhar fixo de Chase, sua testa franzida. A imagem que vinha à mente era sempre a mesma: um narcisista.
A maioria dos alfas dominantes beirava a psicopatia quando se manifestavam antes da puberdade. Eram propensos a se tornarem psicopatas durante o “tempo de explosão” – mudanças emocionais rápidas.
No caso de Chase C. Miller, dizia-se que ocorrera após a puberdade. O problema eram seus feromônios excessivamente carregados de raiva. Psicopatas também sentiam raiva, diziam.
De repente, lembrou do comercial de chocolate que Chase fizera aos cinco anos. Seu anúncio de estreia emocionara o país todo com o pequeno ator. Até hoje, aqueles comerciais despertavam nostalgia. Enquanto outros garotos sonhavam com romances e garotas, o primeiro amor de Josh fora um menino – um amor impossível.
— Oh—. Josh suspirou baixo ao olhar para o pequeno ao seu lado.
O passageiro vizinho observava a tela à frente. Nela, Josh viu o homem que acabara de invadir seus pensamentos. Ficou fascinado. O sol iluminava seus cabelos loiros enquanto longos dedos penteavam os fios molhados. Olhos violeta escuros encaravam a câmera.
O deus do mar tornara-se humano.
Seu coração acelerou. Infelizmente, a menos que esmagassem seu cérebro, Josh jamais esqueceria aquele homem. O comercial terminou, mas ele permaneceu imóvel.
O momento do reencontro aproximava-se. Mesmo assim, fizera o possível para adiá-lo.
Fechou os olhos.
…
— Josh!— Emma, que fora buscá-lo no aeroporto, gritou seu nome assim que o viu.
Josh carregava Pete em um braço e arrastava o carregador no outro.
Recebeu um abraço caloroso da irmã. Enquanto continha as emoções conflitantes, Emma ergueu a cabeça, mantendo os braços ao seu redor, e respirou fundo. Josh sorriu primeiro. Emma riu. Fazia tanto tempo que não se viam.
— Você ainda é feio.
…
— Ninguém sabe o quanto nosso temperamento é difícil.
Emma já dissera isso inúmeras vezes.
Josh sentou no banco do carona e falou, olhando para frente:
— Entra.
— Cala a boca, eu que dirijo.
— Cuidado ao dirigir, o Pete está aqui.
— Cale-se! Eu disse que ia dirigir, não disse?— Ao mesmo tempo, Emma bateu violentamente no volante.
Interrompida, Emma olhou para frente e começou a suar. Mais uma palavra e ela bateria na cabeça de Josh. Quando olhou para trás, Pete estava com os olhos arregalados, assustado. Josh sorriu e fez um pássaro com as mãos, fazendo-o voar. Pete sorriu e abraçou Jason¹. Enquanto isso, Emma xingava alto. De olhos fechados e sol no rosto, Josh percebeu que havia voltado.
1. Notas: 1 Jason: Boneco de Pete.
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Continua
☾ Tradução, revisão e Raws: Belladonna