Kiss Me If You Can (Novel) - Capítulo 04
Capítulo 4
Foi quase uma semana depois que ele se reintegrou à equipe. Enquanto isso, Josh passara tempo com sua família, comprara algumas coisas para o filho e fizera reparos na casa de sua mãe, onde passara grande parte da vida – o lugar estava deteriorado. Passara o dia todo martelando, depois capinara o jardim e até podara a árvore do quintal. Brincara com Emma em alguns momentos e até expulsara um coiote.
De repente, as breves férias terminaram. Passara dias inteiros com a família, mas seu coração afundara quando chegara a hora de se separar do filho. A criança sempre chorava quando ele ia trabalhar, agarrando-se à sua perna.
— Papai, papai!
Josh sentira-se preocupado. Antes, podia vê-lo à noite ou de manhã, se Pete dormisse cedo. Mas desta vez seria diferente. Não o veria por mais de dez dias. Quanto mais pensava, mais doía.
— Josh, você vai se atrasar. Vá.
Sua mãe se aproximara. Josh aceitara a realidade – não podia mais adiar. Pete gritara e chorara assim que a avó o pegara no colo. Josh avançara com dor no peito ao som dos gritos do filho, dirigindo-se direto ao carro. Ao se acomodar, lágrimas escaparam de seus olhos.
Meu coração dói.
…
— Sim, é a coisa mais difícil do mundo.
Mark apenas assentira. Reuniram-se num restaurante para celebrar o novo trabalho com um café da manhã.
— Fico feliz de ter visto meus filhos crescerem. Agora já são adultos.
Houve muitas ocasiões em que ficara longe de casa por meses devido ao trabalho. Mas agora, com um filho, as separações eram difíceis.
Isaac e Henry ainda eram solteiros, limitando-se a comer suas panquecas enquanto se distanciavam da conversa. A garçonete aproximou-se perguntando os pedidos.
— Café, obrigado. Josh já tomara café da manhã em casa, então pedira apenas a bebida. A garçonete sorrira e, ao retornar, colocara um monte de cremes baratos sobre a mesa, dando-lhe um olhar ousado antes de sair. Henry comentara:
— Coloque um anel.
Josh rira.
Isaac despejara xarope de bordo sobre as panquecas, cortara um pedaço grande e o colocara na boca de Josh.
— Vamos falar do trabalho agora, dissera Seth.
Todos os olhos voltaram-se para Mark, que apenas olhara ao redor. O restaurante estava quase vazio, passada a hora do café da manhã.
— Cerca de um mês atrás, recebemos um relatório sobre C. C é Chase – usaremos essa abreviatura por segurança.
A letra C não se referia claramente a Chase, mas sim a “crazy” (louco).
— O FBI investiga, mas ainda sem pistas claras. A identidade do informante é desconhecida…
— Por que querem machucá-lo? Isaac interrompera.
Henry gritara ao lado:
— Você é burro? Se procurar alguém que queira machucá-lo, a lista é enorme. Qualquer um que o conheça quereria matá-lo.
Ninguém contestara. Josh permanecera em silêncio, tomando seu café. Isaac mantivera expressão neutra. Era reação natural – as palavras de Henry eram duras, mesmo que já estivessem acostumados.
Mark continuara: — Descobri que é um grupo de fãs que formou uma organização criminosa grande.
Na verdade, era um grupo religioso com distúrbios psicológicos sobre a utilidade de alfas dominantes.
— Por que uma organização criminosa estaria interessada?
Seth perguntara. Josh também estivera prestes a questionar, mas ficara em silêncio.
— Por quê? Dinheiro, é claro.
Mark começara a falar sobre a fortuna colossal de Chase e da família Miller.
— Sabem quanto custa o esperma de um alfa dominante?
— Esperma? Isaac perguntara.
Mark abanara a cabeça, olhando para Josh:
— Sim. O filho de um alfa dominante que todos querem.
A imagem de Pete passara pela mente de Josh, seu rosto empalidecendo. Apressadamente, levara a xícara à boca para disfarçar. Mark continuara:
— Conseguindo esperma de alfa dominante, talvez suas próximas três gerações sejam alfas. O esperma de C é de altíssima qualidade.
Seth falara: — Mas você disse que alfas controlam a fertilização, certo? Mesmo forçado, não seria possível conceber.
Mark respondera: — Há outro jeito. Todos sabem – o que acontece se um alfa não liberar feromônios por um tempo?
— Ele enlouquece, respondera Seth. Mark concordara.
Josh dissera: — Basta enjaulá-lo por alguns dias… e ele ficará irracional.
Todos ficaram em silêncio. Feromônios de alfa dominante tinham benefícios que os tornavam desejáveis, mas um contra: eram veneno se acumulados no corpo do alfa. Por isso, precisavam liberá-los constantemente – diariamente. Muitos organizavam orgias para isso.
Os rostos de todos se contorceram.
— Mas C não deu uma festa em casa?
Seth perguntara, tentando aliviar o clima. Henry refutara:
— Quantos anos fazem disso? Trabalhei com ele três ou quatro meses na época, lembro bem.
O clima pesara novamente. Chase Miller, como muitas estrelas, fora ligado a várias atrizes e colegas de trabalho. Mas quando Josh trabalhara com ele, notara que preferia ficar sozinho e em silêncio. Na época, rumores diziam que terminara com uma namorada após fotos dela com outro homem vazarem. Chase nem sequer reagira-nos três meses seguintes, não saíra com ninguém nem fora a orgias. Quando seu RUT chegara, ficara irracional – e o “acidente” com Josh ocorrera. Se não fosse assim, Pete nunca existiria.
Ao pensar em tudo, Josh sentira-se sobrecarregado.
O que aconteceu depois daquele acidente?
Deixara a equipe de Chase e evitara notícias sobre ele, mas inconscientemente descobrira tudo. Era demais para processar. Mantivera distância, mas agora a situação mudara – em 24 horas estaria frente a frente com Chase. A preocupação invadira sua mente.
Quanto ele mudou?
Josh lembrara do comercial visto no avião – seu olhar, seu corpo.
Deve estar assim agora.
— Uma orgia é o maior problema então, Henry dissera. Todos concordaram silenciosamente.
De repente, o apetite desaparecera.
…
A mansão de Chase ficava no topo de um country club, com vista para o mar. Escadas levavam a um terraço de onde se via a praia privativa – toda a área era propriedade de Chase Miller. Nenhuma outra casa por perto, apenas o som constante das ondas.
— Bem-vindos. Estava esperando por vocês.
Ao ver a equipe de Josh, o líder da segurança anterior cumprimentara-os com alívio visível.
— Todos precisam de folga, mas estava nervoso com o atraso. Temos limites…
Gammas geralmente eram os guarda-costas principais de alfas dominantes – feromônios dominantes afetavam betas e alfas, transformando-os em ômegas. Como gammas quase não são afetados, são ideais para o trabalho. Mesmo assim, absorviam feromônios pela pele, precisando de injeções para eliminá-los ou longas férias. Mas havia um problema.
— Porque me aposentarei… A expressão envergonhada do líder falara por si.
Mark dissera, compreensivo:
— Deve ser difícil achar uma equipe substituta. Gammas são raros.
O líder suspirara:
— No pior caso, se não acharmos substitutos, nossa equipe poderá voltar em seis meses.
— Até lá, peço seu trabalho árduo.
Anos atrás, por situação similar, a segurança de Chase fora assumida pela equipe de Josh. Na época, um gamma saíra de férias, criando uma brecha que levara a uma emergência – motivo pelo qual os chamaram. A situação atual parecia igual. Josh perguntara-se se conseguiriam substituir a equipe em três meses. Mark dissera, como se lesse seus pensamentos:
— De qualquer forma, o prazo máximo é seis meses, certo? Melhor prevenir.
— Sim… Não levará mais… talvez.
O líder assentira, deixando margem para dúvida.
Enquanto avançavam com o líder, percorriam cada área que patrulhariam – nenhum lugar poderia ficar desprotegido. Como garantir? Se alguém se escondesse, qual rota tomariam?
Finalmente, a mulher que encontrara o olhar de Josh cumprimentara-o. Era membro da equipe prestes a partir, ocupada conversando com outros colegas – todos pareciam nervosos. Talvez partissem antes do pôr-do-sol.
Os membros mais antigos tinham expressões que claramente desejavam deixar a casa imediatamente.
Um aroma doce pairou no ar. Josh parecia não sentir, mas seus colegas agitaram-se. O líder gamma continuou andando impassível.
— Droga.
Isaac suava atrás. Todos eram alfas, exceto Mark (beta) e Josh (ômega). Mesmo assim, o aroma era forte o suficiente para irritar até os alfas.
— Josh, você está bem? Isaac perguntara, notando algo estranho. Josh respondera rápido:
— Sim, só um pouco nervoso.
Tomei os inibidores?
Josh nem lembrava. Entre aqueles homens, escondera sua identidade com sucesso até agora – seu aroma de feromônio era fraco, por isso pouco afetado por feromônios alfa. Essa confiança em seus feromônios fracos causara o “acidente” com Chase.
Josh lembrara o significado daquelas palavras.
Se fosse influenciado apenas pelos feromônios ambientais, ao começar a trabalhar, precisaria tomar o dobro da dose habitual. Não – cerca de três vezes mais. Por causa da marca, os feromônios de Chase talvez o afetassem mais.
Os membros da equipe caminhavam tontos. O líder apressara-se:
— São doces que comemos. Diluem os feromônios acumulados. É bom consumir durante o trabalho. O aroma é tão forte que mascara os feromônios.
Todos pegaram os doces que ele oferecia. Josh colocara três na boca de uma vez – o plástico fino podia ser mastigado e engolido.
— Oh, é picante…
O líder envergonhara-se, mas era tarde. O nariz de Josh começara a arder, seus olhos a lacrimejar.
Henry tossira, sacudindo a língua: — O que está fazendo?
Isaac alarmara-se: — Você está bem?
Josh assentira com força. Perdera a sensação na boca, mas sua mente ficara clara.
Ao caminhar pela casa, seguindo instruções, de repente ouvira no rádio:
[O Sr. Miller está chegando. Todos em posição.]
Movimentos rápidos. A nova equipe seguira atrás.
Finalmente, ele o veria novamente. Não era apenas o ritmo de seus passos que acelerara – seu coração disparara. Josh respirara, tonto.
Você se lembra? Como mudou? Ou contínua o mesmo? Como me sentirei ao vê-lo?
Ao cruzar um grande jardim, o portão de ferro abrira-se ao longe com um rangido pesado. Então, o sedã aparecera.
Josh engolira em seco. De repente, o carro parara. Ele ficara perplexo.
— É um paparazzo.
Sussurros entre os guardas. A porta do sedã abrira-se. Um homem de cabelos loiros deslizara para fora. Por um momento, parecera que o mundo parara. Talvez porque Josh esquecera de respirar – o tempo parecera eterno.
Seus loiros naturais pareciam recém-penteados. Pele branca que o fazia parecer puro como um anjo, mas havia algo perturbador – como um coração selvagem. Provavelmente por causa daquele olhar frio.
Ele parecia procurar algo, olhando ao redor cuidadosamente. Por um instante, seus olhos pareceram encontrar os de Josh – mas, claro, era ilusão.
Depois, passara a mão pelos cabelos. Ao erguer a cabeça, Josh notara seus lábios vermelhos segurando um cigarro. Seus dedos longos, com unhas quadradas e bem cuidadas, apareceram em seu campo de visão. Retirara o cigarro da boca, segurando-o entre os dedos. Seu corpo era alto e esguio.
Chase fixara o olhar num ponto e semicerrara os olhos.
— Sr. Miller.
Quando o líder da antiga equipe se aproximara para falar, um som agudo ecoara. Todos entraram em pânico. Então, Chase sorrira levemente. Naquele momento, Josh tivera a ilusão de seu coração descontrolado. Logo depois, Chase começara a caminhar. Todos prenderam a respiração, focando nele. Seu corpo elegante movia-se com graça, como se nadasse no ar. Enquanto todos o observavam fascinados, a mão de Chase mergulhara no paletó e sacara algo.
Josh percebera primeiro – era a Desert Eagle que Chase Miller adorava.
— Não, seu idiota! Mark gritara. A equipe antiga também gritara e correra. Chase estendera os braços.
Por um momento, Josh perdera a cabeça. Chase dera passos largos e rápidos – um tiro saíra do cano, acertando um homem que fotografava, sem chance de fuga.
Uma linhagem pura, nascida de um alfa e um ômega dominantes. Por isso, todos os irmãos Miller eram alfas dominantes (exceto um ômega), apelidados de animais diferentes. O mais velho, advogado como o pai e mais parecido com ele, era chamado “cobra branca”. O apelido do terceiro filho era…
‘’Baang!’’
… “cão louco”.
O paparazzo perdera a câmera e caíra, sangue e peças voando em todas as direções. Chase não parara ali – aproximara-se mais, apontando direto para o rosto do homem.
Ao vê-lo, Josh percebera – após todos esses anos, Miller não mudara nem um pouco.
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Continua
☾ Tradução, revisão e Raws: Belladonna