Icing On The Cake (Novel) - Capítulo 08.13
1. Uma xícara de chá, duas colheres de geleia, sabor Deep Cherry (Parte 13)
Com as mãos ainda entrelaçadas, Yurij ergueu o queixo para receber Cheriot. Uma língua macia abriu caminho pelo centro de seus lábios ressecados. Enquanto a língua abria caminho gradualmente e lambia levemente a superfície rígida da língua de Yurij, um arrepio percorreu sua espinha dorsal.
A sede chegou tarde. Embora estivesse com a garganta seca o tempo todo sem perceber, ao provar enfim o que ansiava, sentiu que ela queimava. Dirigindo sua língua com força em direção a Cheriot, que tinha movido a dele, Yurij apertou os lábios. O homem desajeitado em ser amado era igualmente desajeitado nos beijos.
Cheriot guiou Yurij, que sem técnica misturava línguas e esfregava lábios, do jeito dele. Chupou e engoliu os lábios insuficientemente úmidos com um estalo, soltou-os e depois introduziu sua longa língua na boca de Yurij para acariciar suavemente o céu da boca. A língua de Cheriot começou a explorar cada canto de sua boca, lugares que Yurij quase nunca tinha tocado nem com a própria língua.
—Ha, uh… uhgm….
Toda vez que Cheriot se movia, ele sentia arrepios e um formigamento em seu interior. Especialmente a sensação de cócegas que se espalhava a partir do céu da boca fazia com que ele sentisse que sua cabeça ficaria estranha, e um gemido lhe escapou por um instante. Diante do som suave que surgiu, o beijo de Cheriot ficou abruptamente intenso. Suas mãos entrelaçadas também apertaram com força.
A língua escavou lá dentro como se fosse chegar até sua garganta. Depois de envolver com viscosidade a língua desconcertada de Yurij e lambê-la, no momento em que Yurij engoliu com dificuldade a saliva acumulada, Cheriot chupou sua língua com força.
—Ah, uh…!
Diante da sensação aguda que se expandia de sua língua, Yurij arqueou as costas para trás. Embora tenha separado as mãos que cobriam o rosto de Cheriot e tenha se afastado um momento para recuperar o fôlego, assim que tentou escapar, Cheriot o envolveu com os braços e sobrepôs seus corpos. Uma mão que subiu tateando por suas costas segurou sua nuca. Yurij, quase caindo para trás, recebeu o beijo de Cheriot enquanto era sustentado. Sem lhe dar espaço para respirar, as línguas se esfregavam e se misturavam, fazendo a saliva escorrer por seus lábios até o queixo. —Cherry, chega… Eu estou sufocando.
Quando achou que sua cabeça poderia explodir, Yurij mal conseguiu sussurrar ofegando. Então Cheriot separou lentamente os lábios. Devido à mistura embaraçada de línguas, um fio fino de líquido prateado se estendeu e caiu entre seus lábios.
Os olhos verdes, intensificados pela luxúria, olhavam para Yurij extasiados. Diferente do momento anterior, quando estava pálido, agora seu rosto, com a cor recuperada e enrubescido, era tão belo quanto um elfo de um mito que Yurij também o observou enfeitiçado. Um forte impulso surgiu nele: ele queria voltar a beijar Cheriot assim e misturar seus corpos como tinham feito antes.
Como se Cheriot sentisse o mesmo, a mão que rodeava a cintura de Yurij já tinha erguido a camiseta e agora tocava sua pele nua. A sensação de cócegas se expandiu por sua cintura ao sentir os dedos acariciando suavemente a pele ligeiramente exposta.
—Ah… isso é uma loucura.
Antes que Yurij pudesse perguntar se iriam para o quarto, Cheriot recobrou os sentidos primeiro. Ele, que estivera acariciando Yurij com um olhar momentaneamente fora de si, o soltou com um gesto cheio de pesar. Embora os dois estivessem igualmente excitados e pudessem simplesmente continuar, Cheriot negou com a cabeça e se repreendeu.
—Eu não devo tocar até o Yurij estar completamente recuperado. Se recompõe, Cheriot.
—…Como eu disse hoje de manhã, agora eu estou bem. Eu reduzi as sessões de reabilitação e caminhar como agora não é problema.
—Mas eu…!
Cheriot cobriu o rosto com gesto angustiado.
—Eu não confio que eu consiga parar depois de uma vez só. Então eu prefiro me conter.
Embora fosse muito melhor fazer ao menos uma vez do que se conter, Cheriot negou com a cabeça e depois deu uns tapinhas suaves nas próprias bochechas. Ao ver a expressão fechada de Yurij, que o observava fixamente, Cheriot lhe cobriu os olhos com a mão como tinha feito durante o dia.
—Não olha pra mim com esses olhos. São olhos que fazem o autocontrole desaparecer.
—Eu acho que… eu preferiria fazer.
—Hmm!
Como se lhe dissesse para não falar mais, Cheriot deixou um beijo sonoro nos lábios de Yurij. Ao receber aquele beijo cheio de sentimento, sentiu que se aliviava um pouco a insatisfação que tinha sentido. Claro que o que Yurij mais queria era ir para o quarto, mas pensando bem, entre alfas era preciso bastante preparação. Hoje eles não estavam preparados para isso de jeito nenhum.
«Se a gente vai fazer, poderia começar agora…»
—Auuuuu!
Enquanto Yurij estava absorto em seus pensamentos secretos, o som de um animal latindo ressoou lá fora. Ambos, ainda mergulhados na sensação do beijo, giraram a cabeça simultaneamente em direção ao quintal dos fundos. Depois de um breve silêncio, se olharam mais uma vez sem que um saísse na frente, e depois se dirigiram apressados à porta dos fundos.
Ao abrir a porta dos fundos com pressa, viram uma figura escura entre os arbustos onde Yurij tinha visto o cachorro naquela manhã. Ao ver os olhos brilhantes entre os matos, Yurij intuiu que o cachorro que ele procurava tinha voltado.
—Cherry, é aquele cachorro.
—Parece que ele voltou sabendo que o Wolfie precisa de um amigo.
Cheriot sussurrou em voz baixa a Yurij para não assustar o cachorro, depois desceu um pouco as escadas da porta dos fundos e se agachou de cócoras. Então estendeu cuidadosamente uma mão e sussurrou ao cachorro.
—Oi, amigo. Você não teve medo de vir até aqui?
O cachorro continuava em seu lugar. Sua cauda, escondida na sombra, pareceu se agitar por um instante, mas ele não se aproximou de Cheriot, que estava agachado.
—Cherry, continua falando com ele.
Dito isso, Yurij entrou rapidamente em casa e pegou de uma vez a sacola de papel que estava no chão da entrada. Quando Yurij voltou rápido e tirou uma lata úmida da sacola com um som crocante, a figura escura entre os arbustos ergueu as orelhas.
—Wolfie, quando você comprou isso?
—Foi por acaso enquanto eu passeava.
—Embora eu tenha odiado que você saísse sem o telefone, isso foi bom.
Depois de sair lentamente pela porta dos fundos e se sentar ao lado de Cheriot, Yurij colocou a lata úmida no chão. Com o delicioso aroma de carne, perceptível até para um humano, os arbustos se mexeram. No entanto, o cachorro não se aproximava facilmente.
—Ele machucou uma pata traseira.
Ele não sabia como nem por que aquilo tinha acontecido, mas era preciso paciência para ganhar a confiança de um animal ferido. Decidido a esperar com calma, Yurij se sentou no chão e, ao vê-lo, Cheriot tirou apressadamente seu paletó.
—Está frio, então senta em cima disso.
—…A roupa vai se estragar, Cherry.
—Isso é só roupa.
Cheriot estendeu o paletó no chão e depois, batendo no chão, disse —vem aqui.
—Que o Wolfie esteja confortável é mais importante pra mim. Mas se você realmente não quiser sentar em cima disso, então senta em cima de mim. Toma. As minhas coxas têm um conforto insuperável.
Ao ver a mão que batia nas coxas firmes, onde a textura muscular se insinuava até através do tecido do terno, Yurij soltou uma gargalhada. Embora lhe parecesse um pouco desconcertante que ele parecesse falar sério, se sentiu feliz por ter voltado o Cheriot livre e caprichoso de Big Fox. Yurij gostava muito desse lado de Cheriot.
«No começo eu achei que fosse odiar.»
Ele acreditava que uma personalidade eloquente e desinibida para se aproximar dos outros seria a mais incompatível com ele. Considerava frívolo que ele cruzasse sem problema a distância de segurança e reduzisse o espaço de uma vez. Achava que um coração conquistado com facilidade iria embora com a mesma facilidade.
Mas a previsão de Yurij estava errada. Havia coisas que seus olhos, trancados atrás do muro que ele mesmo tinha construído e que tinham renunciado a viver, não conseguiam ver. As palavras de Cheriot, que lhe pareceram frívolas, estavam impregnadas de sinceridade uma a uma, e a razão pela qual o incomodava que ele encurtasse a distância era porque as novas emoções que ele iria descobrir lhe eram alheias.
—Ô, Wolfie! Olha aquilo.
Cheriot, que brincava enquanto batia na coxa, chamou Yurij sobressaltado. Seguindo seu movimento de cabeça, viu que a massa escura escondida entre os arbustos se revelou pela metade sob a luz da lua.
—Uau, ele tem o pelo como biscoitos crocantes com gotas de chocolate, como você disse, Wolfie. Ele é muito adorável, né?
Embora ele não tivesse escrito «biscoitos crocantes com gotas de chocolate», talvez a interpretação de Cheriot não estivesse totalmente errada.
Como Yurij e Cheriot não se aproximavam mesmo depois de se mostrarem, o cachorro relaxou lentamente a guarda e caminhou com passo pausado em direção à lata que exalava um cheiro delicioso. O animal, que os observava de esguelha com seus olhos azuis, finalmente se aproximou deles e baixou lentamente a cabeça em direção à lata.
—Que fofo.
Cheriot sorriu amplamente ao ver o cachorro começar a comer docilmente. Yurij, sentado ao lado dele com os ombros colados, também relaxou o olhar e ergueu lentamente os cantos dos lábios. O sorriso de Cheriot, que deu uma espiada furtiva em seu riso sereno e suave, ficou ainda mais profundo.
—O que você acha, Wolfie? A gente leva ele com a gente?
—…Tudo bem?
—Eu quero. Eu sempre sonhei em ter um bicho de estimação com o meu namorado.
Dito isso, Cheriot apoiou a cabeça no ombro de Yurij.
—Aliás, o meu namorado é alguém chamado Yurij Kiselyov.
—Haha.
Yurij riu em voz baixa. O homem que o fazia rir toda vez que falava era tão adorável que Yurij inclinou ligeiramente a cabeça e deixou um beijo profundo na cabeça que se apoiava nele. De seu macio cabelo ruivo-dourado emanava uma fragrância aromática de bosque.
Em silêncio, observaram o cachorro esvaziar sua comida. Da mata, o som dos insetos ressoava ritmicamente, e uma brisa fresca impregnada do aroma de ervas e folhas roçou seus pescoços. Seguindo o som distante do mar, também se percebia um tênue cheiro de água.
A tranquilidade era avassaladora.
O homem que sempre, ao abrir os olhos, desejava a morte buscando descanso, finalmente compreendeu que o descanso que ansiava era na verdade algo diferente. O descanso que ele desejava estava bem ali.
O verão de que sua mãe falava era assim.
Mergulhar na água até se encharcar, encontrar alguém com quem rir às gargalhadas mesmo com travessuras bobas e correr feito criança. Comer até se fartar com comida preparada com dedicação, e depois sentir com o corpo todo o vento carregado do som dos insetos que só chegam no verão e o aroma denso da mata.
A vida que ela, morrendo no lugar do filho, lhe disse para viver era justamente aquilo, e o menino que sobreviveu graças a ela conseguiu continuar a vida de alguma forma até chegar ao momento de que sua mãe falava.
Embora nunca mais fosse ver sua mãe, ao perceber que o verão deslumbrante que ela experimentou era justamente um momento como aquele, seu coração se sentiu em paz.
Yurij tinha cumprido a última vontade de sua mãe. Como Yekaterina disse, a vida era preciosa. Como era uma oportunidade que se dá uma vez só, não importava o quão miserável e desagradável fosse, sobreviver era muito melhor. A vida que, depois de superar momentos dolorosos como cair no inferno, ele voltou a saborear, era mais deslumbrante do que Yurij lembrava.
Ao longe, se estendeu a luz de um vaga-lume. Enquanto Yurij observava em silêncio a luz que brilhava tenuemente, algo cálido tocou seus pés. Ao baixar lentamente o olhar, viu que o cachorro, que tinha terminado limpinha sua comida, estava sentado a seus pés. Por um momento, seus olhares de olhos azuis se encontraram. O cachorro o olhou fixamente, depois bocejou abrindo a boca e se deitou apoiando o queixo sobre o terno que Cheriot tinha estendido.
—Viu, eu te disse que o meu terno é o material perfeito pra sentar.
Cheriot sorriu amplamente e sussurrou. Os cantos de seus lábios, que tinham se erguido serenamente, se curvaram ainda mais profundamente enquanto ele soltava uma risada baixa. Cheriot, que observava Yurij rindo por sua causa com ternura infinita, também caiu numa risada alegre e sonora.
O vaga-lume, que observava a cena apacível deles sentados, começou a girar em círculos e a se dispersar. O vaga-lume, que subiu lentamente ao céu, logo se misturou com a luz das estrelas no céu noturno e se tornou uma pequena luz que os iluminava.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna