Icing On The Cake (Novel) - Capítulo 08.12
1. Uma xícara de chá, duas colheres de geleia, sabor Deep Cherry (Parte 12)
Enquanto caminhava assim, o céu escureceu um pouco. Era uma época em que o fim do verão se sobrepunha ao início do outono, e o sol começava a dar sinais de se pôr. Quando considerou que já era hora de voltar e parou um momento para esticar as costas e relaxar o corpo, viu um pequeno mercado costeiro.
Como se preparasse para fechar ao cair da tarde, uma senhora de cabelo grisalho dobrava a placa. Então uma menina saiu correndo da loja e, como se quisesse fazer aquilo no lugar da avó, disse algo. A senhora lhe deu uns tapinhas no ombro, como se a achasse admirável. Atrás da cena tranquila, uma mulher de meia-idade que organizava as prateleiras passou pela janela do mercado.
Era uma cena agradável de ver. Enquanto observava em silêncio, Yurij encontrou o olhar da menina que guardava a placa. Pensando que ele, parado ali, era um cliente, a menina agitou o braço com alegria e gritou.
—A gente ainda não fechou! Se o senhor precisar de alguma coisa, pega logo!
Embora não tivesse intenção de comprar nada, ao escutar a voz radiante da menina lhe foi difícil passar direto como se não a visse. «Será que agora, ao ver uma pessoa brilhante e alegre, eu lembro do Cheriot?» Ele já não conseguia ignorá-la em silêncio como teria feito seu eu do passado.
Com a ideia de dar uma olhada rápida e sair, Yurij entrou lentamente na loja. A menina correu até a avó tagarelando que tinha trazido um cliente, e atrás delas ressoou a voz serena da senhora, orgulhosa da neta. O crepúsculo avançou como a maré e tingiu de vermelho até a entrada do mercado.
Como convinha a um pequeno mercado para a gente do bairro, não havia muitos produtos lá dentro. Parecia funcionar junto com uma padaria, pois se viam prateleiras e mesas vazias, e os balcões estavam organizados à esquerda. Embora ele achasse que na casa de Cheriot havia tudo o que era necessário e que não havia nada para comprar, seu olhar caiu na comida para cachorro.
Enquanto observava uma pequena caixa de latas com um cachorro branco desenhado, Yurij pegou três ou quatro. Ao levá-las de uma vez ao balcão com uma mão, a mulher de meia-idade sorriu amavelmente e perguntou.
—Parece que o senhor tem um cachorro.
«Não é certo que eu consiga resgatá-lo, e eu ainda não sei quem vai cuidar dele.»
—Tenho.
Yurij simplesmente assentiu.
—De que raça ele é?
Yurij só conhecia algumas raças de cães de caça, e o cachorro marrom do quintal dos fundos não era um que ele tivesse visto antes.
—Não sei. Eu recolhi ele enquanto ele vagava.
—Ah, é um cãozinho resgatado.
A mulher olhou para ele com alegria.
—O senhor fez uma coisa boa. Que um ser sem ninguém em quem se apoiar encontre um lugar é algo que muda a vida dele no mundo. Coitadinho, ele deve ter sentido medo e solidão enquanto vagava, mas isso é realmente maravilhoso.
Depois de calcular o preço escrito nas latas, Yurij tirou umas notas que trazia por precaução. A mulher lhe fez um sinal para que esperasse um momento e depois trouxe algo de trás do balcão. Depois de colocar as latas úmidas numa sacola de papel, mostrou a Yurij um pacote semitransparente.
—A gente também tem um cachorro. Na cidade tem uma casa que faz e vende petiscos artesanais, e essas são tiras de frango que eu comprei lá. Experimenta dar pra ele. Ele vai gostar.
—…Quanto custa? Eu pago o preço.
—Não, pode levar. É porque eu gosto de cachorro.
A mulher sorriu amplamente e só pegou o dinheiro equivalente ao preço das latas úmidas. Ao sair do balcão, disse que precisava fechar, então ele tinha que ir embora, e praticamente escoltou Yurij, que tentava pagar mais, até a saída. A menina, que tinha terminado de arrumar, agitou a mão dizendo —tchau!—, e a senhora ao seu lado também lhe fez um gesto com os olhos.
Tendo entrado quase por acaso no mercado e obtido comida e petiscos para um cachorro que ele nem sequer tinha resgatado ainda, Yurij voltou pelo mesmo caminho. Diferente de quando saiu, o caminho de volta estava tingido de vermelho pelo entardecer, como se ele se dirigisse a outro mundo. Ao perceber que tinha caminhado sem rumo uma distância considerável, a volta não lhe pareceu árdua.
Quando voltou ao bairro conhecido, o céu estava completamente escuro. As estrelas apareciam uma a uma e o ar, diferente do dia, tinha ficado muito mais fresco.
«Será que o Cheriot já não voltou?» Com essa esperança, Yurij percebeu tarde que tinha saído sem o telefone. Ele tinha pensado em dar só uma volta pelos arredores, mas diferente do previsto tinha ocupado muito tempo, e agora considerou que talvez Cheriot tivesse tentado entrar em contato com ele.
Alarmado, Yurij correu rapidamente em direção à cerca familiar. Ao chegar perto da casa, dois seguranças que rondavam a área o viram. Com uma expressão misturada com alívio, olharam-no de esguelha e depois tiraram os telefones para ligar para alguém. Por alguma razão, aquilo parecia relacionado a ele.
Assim que abriu a porta e entrou apressado, a primeira coisa que viu foi as costas de um homem parado no corredor da entrada, agarrando um telefone. As costas grandes, rígidas de ansiedade, se viraram no instante em que a porta soou ao se abrir. Com o rosto pálido enquanto esquadrinhava a entrada, ele torceu os olhos e caminhou com passo firme até Yurij.
—Yurij, você de verdade…!
Aproximando-se dele e dobrando o tronco como se fosse desabar, Cheriot estendeu seus longos braços e o abraçou com força. Como o aroma do perfume quase tinha se dissipado, o feromônio de Cheriot, que Yurij conhecia bem, emanava com intensidade. Ao perceber pelo feromônio áspero e elevado o quanto Cheriot estava agitado, Yurij deixou a sacola de papel cair no chão e acariciou as costas de Cheriot, que o abraçava.
—Desculpa. Eu saí sem o telefone.
—…
Cheriot apertou os braços que o abraçavam sem dizer nada. Permaneceu assim durante alguns minutos, abraçando-o com força e apoiando a testa em seu ombro. À medida que Cheriot inspirava e expirava profundamente, o feromônio que se expandia por todos os lados também foi se recolhendo aos poucos.
—Eu achei que você tinha me abandonado.
—…Isso não poderia acontecer.
—Eu até pensei que talvez você tivesse se cansado de mim e já não quisesse ficar do meu lado.
—Cheriot, por que você pensa isso?
Para acalmá-lo, Yurij reforçou a voz ao perguntar. A mão de Cheriot, que o abraçava com a testa apoiada em seu ombro, de repente apertou com força. Os dedos que tocavam suas costas o agarraram e acariciaram com firmeza, e depois Cheriot ergueu a cabeça lentamente.
Para observar o rosto que enfim ele mostrava, Yurij também ergueu um pouco a cabeça. O cabelo ruivo-dourado desarrumado estava colado à sua testa, um desastre, e seus vívidos olhos verde-claros estavam ligeiramente embaçados. Como as bordas avermelhadas de seus olhos lhe davam pena, Yurij ia acariciá-las, mas Cheriot falou.
—Por ter demorado demais pra te dizer que eu gosto de você.
A mão que ele tinha erguido para tocar seus olhos parou e ficou rígida. Yurij piscou e repetiu lentamente em sua mente o que tinha acabado de escutar.
«Ele acabou de dizer… que gosta de mim?»
—Eu achei que você teria se cansado de alguém como eu, que nem sequer tem a coragem de confessar que se apaixonou por você à primeira vista quando te viu. Eu devia ter te dito que gostava de você assim que você acordasse, mas eu tive medo de que talvez você me odiasse por causa do tiro…
Diante da repentina avalanche de confissões de Cheriot, Yurij não conseguiu dizer nada por um momento. No entanto, diferente de seus lábios imóveis, seu coração batia feito louco desde o instante em que Cheriot disse que gostava dele. Suas costelas se apertavam com força, como se lhe faltasse ar.
—Wolfie, vamos namorar. Eu prometo que vou te tratar melhor, mais do que qualquer um que o Wolfie tenha conhecido. Então por favor, seja meu namorado.
Palavras demais tinham brotado de uma vez e Yurij estava aturdido. Enquanto desabafava seus sentimentos com um tom premente, a voz de Cheriot tremeu levemente no momento de pedir que fossem namorados. Seu rosto pálido de tensão olhava para Yurij com anseio, suplicando uma resposta.
Depois de observar aturdido o cabelo embaraçado e colado, os olhos avermelhados pelo choro e o maxilar que tremia ligeiramente pela tensão extrema, Yurij finalmente compreendeu o que Cheriot tinha dito. O homem que lhe tinha mostrado o paraíso…
A primeira pessoa por quem ele tinha se apaixonado lhe dizia que gostava dele.
A fantasia que ele tinha tido sozinho, de que talvez Cheriot tivesse mudado de ideia, tinha se tornado realidade. Que ele gostasse dele o suficiente para querer namorá-lo, o que ele acreditou ser uma esperança vã, também era verdade. Não tinha sido só uma ilusão sua.
«Eu posso ter tanta sorte?»
«Alguém como eu pode desfrutar disso?»
Como nunca na vida tinha recebido uma notícia tão alegre, Yurij estava confuso sobre como receber aquele momento precioso e belo. Embora seu coração já batesse como se fosse explodir, espalhando alegria por todo o seu corpo, sua mente, alheia à felicidade, não conseguia compreender a situação e ficou em branco.
—Wolfie…
Ao ver que Yurij permanecia mudo e imóvel, Cheriot o chamou com voz entrecortada. Como se interpretasse mal seu silêncio como uma rejeição, Cheriot continuou puxando-o para o peito e suplicou.
—Você não pode namorar comigo? Pode ser que eu não seja o seu tipo, mas eu não tenho uma cara que dê vergonha de ter do seu lado. Eu poupei muito dinheiro trabalhando até agora e, como você já viu e sabe, o meu pau é realmente grande. É difícil encontrar um do meu tamanho em qualquer lugar…
Quando a confissão desordenada começou a derivar para assuntos estranhos, Yurij enfim voltou à realidade. Parecia algo que ele não devia escutar naquela situação, mas justamente por isso ele recobrou os sentidos.
—…Cherry. Se acalma. Eu fiquei calado um momento porque estava pensando.
Como parecia que Cheriot estava muito alterado, ele quis acalmá-lo primeiro, mas teve o efeito contrário.
—Não me chama de Cherry e depois diz uma coisa que soa como rejeição…!
Os olhos verdes, que fazia um tempo voltavam a se encher de lágrimas, se inundaram por completo. Ao olhar para Cheriot, que sussurrava com a voz um desastre, Yurij tomou suas bochechas com as duas mãos e falou com clareza.
—Cherry, eu gosto de você.
Seus olhos azuis como um rio continham Cheriot. Diante daquele olhar carregado de sentimentos firmes, Cheriot apertou os lábios. Como ele estava tão cheio de umidade, uma lágrima caiu e tocou os dedos de Yurij que seguravam sua bochecha. A lágrima de Cheriot estava quente.
—Eu gosto tanto de você… que eu poderia fazer qualquer coisa pra te ver sorrir, e eu desejo que você seja feliz. Então não chora. Dói o meu coração quando eu te vejo chorar.
Cheriot assentiu com a cabeça enquanto continuava apertando os lábios. Com os olhos baixos de maneira comovente, esfregou o rosto contra as mãos de Yurij e, quando o choro que ele continha enfim se acalmou, sussurrou em voz baixa.
—E ser seu namorado? Você vai me deixar ser o namorado do Yurij?
—Haha —embora não fosse hora de rir, Cheriot, que insistia até o fim, era tão adorável que ele não conseguiu evitar soltar uma risada baixa. Cheriot olhou para Yurij, que ria, com olhos ofendidos e aflitos. Seus espessos cílios ruivo-dourados, encharcados e colados, piscaram lastimosamente.
—…É claro, eu também quero isso. Mas eu não quero que, por namorar comigo, você perca o fundo fiduciário sem razão. Não tem que ser agora mesmo. Contanto que você tenha me dito que gosta de mim, pra mim basta.
—Pra mim não basta de jeito nenhum.
Cheriot colocou suas mãos sobre as de Yurij. Seus longos dedos se entrelaçaram e o cobriram com calor.
—Eu quero que o Yurij me deseje. Assim eu também vou poder desejá-lo sem reservas. Por acaso eu sou o único que quer beijar o Yurij, andar de mãos dadas com ele e dizer com orgulho pros outros que eu tenho um namorado? Eu tenho milhares de coisas que quero fazer com você.
Diante das palavras de Cheriot pedindo que ele fosse ganancioso, Yurij sentiu como se lhe tivessem dado um golpe na cabeça. Até então, ele tinha acreditado que desejar Cheriot seria um incômodo para ele, e nunca imaginou que, pelo contrário, poderia decepcioná-lo.
Alexei lhe tinha dito que desejasse e ansiasse sem restrições. Que um amor que só observava não podia alegrá-lo de verdade, e que ele vivesse como todo mundo. Que, não sendo um santo nem um sábio, ele não precisava ser nobre.
Ele achava que amar alguém fosse algo difícil, mas acaba sendo simples. Ao menos, gostar de Cheriot não exigia se conter ou recuar, como Yurij acreditava.
Ao passar a revelação, sua mente se clareou. Passou o momento de estupidez em que sua mente estava em branco e ele não conseguia pensar em nada, e Yurij decidiu expressar pela primeira vez na vida o que desejava.
—…Eu também quero te beijar. Claro que sim, Cherry. Eu também sou um homem, um alfa. Não tem como eu não querer tocar e desejar a pessoa que eu amo. Eu quero ser reconhecido como quem pode te proteger, e eu não quero te dividir com mais ninguém.
—Você me deseja tanto a ponto de dizer que eu sou a pessoa que você ama?
—Sim, Cherry.
—Eu também te amo, Yurij…
Cheriot inclinou lentamente a cabeça e se aproximou para sussurrar contra seus lábios. Suas pupilas, que piscavam e o olhavam fixamente, estavam cheias de ardor. Ao mesmo tempo em que aqueles olhos, que o observavam com anseio, se aproximavam cada vez mais, uma sensação cálida se expandiu sobre os lábios de Yurij. Mais uma lágrima que tinha parado caiu e, ao deslizar por sua bochecha, se dissolveu entre seus lábios entrelaçados.
🍒。・゚♡゚・。🎂。・゚♡゚・。🍒
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna