Ex Sponsor (Novel) - ↫─Capítulo 114
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—…Que absurdo. Você era esse tipo de pessoa? Quanta coisa você quer arrancar com garra para dizer uma coisa dessas?
Ao ouvir aquela declaração explícita, o choque transpareceu inteiro na voz de Moon Heejin.
— Sei lá. Eu estou pensando em arrancar algo como ser modelo da Loja de Departamentos Hwamyeong de Apgujeong.
—O quê, espere. Hwamyeong? Eu não ouvi errado, ouvi?
Cheongyeon se lembrou naquele instante de que na lista de comerciais que o secretário Shim tinha lhe mostrado havia também uma loja de departamentos, e acabou disparando aquilo sem perceber.
Como era uma fala de possibilidade de realização extremamente baixa, quase uma bravata, ele se arrependeu assim que a soltou.
A Hwamyeong era uma das empresas afiliadas do Grupo JT e uma das marcas de loja de departamentos mais representativas do país. Além disso, enquanto Moon Heejin fosse a representante, como agora, não haveria a menor chance de ele ser modelo da Hwamyeong.
Mas, ainda assim, ele não queria se recolher quietinho, sem conseguir rebater uma palavra, como antes. Ainda que não houvesse chance de se realizar, uma teimosia de que ao menos precisava provocá-la brotou lá do fundo do seu peito.
—Você enlouqueceu? Como assim, a não ser que eu leve um tiro na cabeça, por que eu usaria você como modelo da nossa loja? De onde você tirou um delírio tão lastimável? Parece que o Doheon te mimou tanto que você realmente não está enxergando nada.
Talvez a bravata tivesse funcionado, porque o tom de voz de Moon Heejin subiu sem conhecer limites.
— Eu pretendo pedir ao Doheon . Não pode?
—Por mais que ele esteja com um parafuso a menos agora, ele não é um menino tão fora de si assim, querido. Caia na real. Hein?
— Isso ninguém sabe. Que tal aproveitar e conferirmos juntos até onde vai o parafuso a menos do Doheon ?
—Você realmente… não sabe o seu lugar, né?
A voz de Moon Heejin, tremendo de raiva, chegou nítida pelo alto-falante.
Mais do que a preocupação com as consequências, um prazer intenso envolveu Cheongyeon.
— Se eu soubesse o meu lugar, nem teria me casado com o Doheon . Ah, agora há pouco… eu imaginei a minha foto pendurada no prédio da Loja de Departamentos Hwamyeong e achei que não é uma imagem ruim.
Cheongyeon murmurou com um riso e uma voz cheia de sonhos.
— Cheongyeon oppa, disseram que a gravação começa em dez minutos! Prepare-se, por favor.
Naquele instante, junto com uma batida, a porta do camarim se abriu e Min Hyerin entrou. Cheongyeon respondeu com um gesto de olhos que tinha entendido e acrescentou ao telefone:
— Eu acho que já vou ter que entrar para a gravação. Então nos vemos em breve na refeição.
Do outro lado do alto-falante, ouviu-se Moon Heejin retrucar alguma coisa, mas Cheongyeon encerrou a chamada assim mesmo.
— Com quem você estava falando?
Quando Cheongyeon respirou fundo para acalmar o peito que batia forte devido aos efeitos da ligação, Min Hyerin se aproximou com ar de estranheza.
— Uma pessoa que me odeia.
— Hã? Quem ousa odiar o nosso Cheongyeon oppa? Ficou louca!
— Não era o que eu pretendia fazer, mas eu me exaltei e a irritei um monte… Será que eu vou ficar bem?
— E o que é que tem irritar! Se a pessoa fica só na dela, acham que ela é otária. Você fez bem. Da próxima vez que a vir, rebata de um jeito ainda mais insuportável. Só assim eles não te menosprezam e tomam cuidado cada vez que te encontram.
Min Hyerin falou, mostrando o punho cerrado. Na verdade, não era um conselho realista, mas aquele apoio dizendo que ele tinha se saído bem, de algum jeito, lhe deu forças.
Cheongyeon assentiu, pensando que era mesmo uma pessoa simples.
Mas, quando encontrasse Moon Heejin, será que ele podia mesmo agir de forma ainda mais insuportável que agora? Certamente foi um alívio, a ponto de desentupir de uma vez o entalo de três anos, mas, pensando bem, declarar guerra dizendo que um ator novato como ele seria modelo da Loja de Departamentos Hwamyeong tinha sido um exagero.
Começou a preocupá-lo se não era o caso de ligar para a vovó, nem que fosse agora, e dizer que não conseguiria ir. Mas só de pensar na Moon Heejin rindo dele com uma cara de “eu não disse”, já ficava com o estômago revirado…
— Aliás, Hyerin.
Cheongyeon, que se levantava para enfim ir ao set, ergueu a cabeça na direção de Min Hyerin, como se tivesse se lembrado de algo.
— Sim, oppa.
— Trabalhando como stylist… você deve acabar ouvindo, aqui e ali, histórias de outros artistas que não saem nas matérias, né?
— Como a gente vê muita coisa nos bastidores, acaba ouvindo isso e aquilo, sim.
— Coisas como infidelidade, também?
Cheongyeon lançou a pergunta no tom mais leve possível, como se fosse mera curiosidade.
— Ah. Infidelidade. Tem muito. Nesse meio, isso é o que não falta.
Min Hyerin assentiu e começou a arrumar com agilidade o lugar onde Cheongyeon estivera sentado.
— Mas por que infidelidade, do nada? Você também se interessa por esse tipo de fofoca, oppa?
— Hum… Um pouquinho?
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“Ouvi dizer que você combinou de ir à refeição. Foi a vovó que me contou.”
No dia em que falou com Moon Heejin, ele recebeu o contato de Doheon dentro da van, a caminho de casa. Como já esperava, desde o momento em que o nome dele apareceu na tela, que ele ligava por causa daquele assunto, não ficou lá muito surpreso.
“Acabou que eu não peguei o momento de recusar. Se eu for também, você vai ficar em apuros, então eu simplesmente dou uma desculpa qualquer no dia e escapo.”
“Para mim tanto faz.”
“Hã?”
“Estou dizendo que, mesmo que você vá à refeição naquele dia, para mim tanto faz. E a vovó estava com muita saudade de você.”
“…”
“Provavelmente, se você não for naquele dia, ela é que vai achar que tem algo estranho.”
Aos ouvidos de Cheongyeon, aquilo soou como se ele estivesse recomendando que ele comparecesse.
“Claro, se você não quiser participar, não tem jeito.”
“Não é que eu não queira…”
Cheongyeon foi elencando os motivos pelos quais ele precisaria participar de um encontro fervilhando de gente da família JT que ele não suportava nem ver.
Primeiro, estava realmente com saudade da vovó, e depois queria mostrar a Moon Heejin que a declaração de guerra que tinha disparado, de que se encontrariam em breve, não fora só bravata da boca para fora.
Já que Doheon também dizia que tudo bem, então talvez não houvesse problema em ir.
Não sabia por quê, mas Moon Heejin demonstrara uma rejeição especialmente grande à sua ida àquele encontro. Portanto, ver o rosto dela se contorcer ao encontrá-lo na refeição seria satisfatório como nada mais.
“Eu vou.”
Depois de ponderar por alguns segundos essa e outras circunstâncias, Cheongyeon respondeu com determinação, tendo tomado sua decisão. Então Doheon , com uma voz sem altos nem baixos, lhe informou a que horas iria buscá-lo.
E então, no dia do encontro para a refeição.
Cheongyeon, que terminara de se arrumar na hora em que Doheon iria buscá-lo, estava sentado no sofá esperando o contato.
Como tinha participado da audição de um novo drama até tarde na noite anterior, várias partes do corpo doíam. Talvez por não ter dormido bastante, a área dos olhos também estava ressecada.
— Por que ele não vem? Será que eu ligo?
Enquanto encarava o celular na mão, tentando avaliar quando Doheon entraria em contato, a campainha começou a tocar.
Assustado, Cheongyeon se levantou e conferiu o interfone. Às vezes o funcionário que trabalhava na recepção do prédio trazia caixas de entrega, então ele ligou a tela sem dar muita importância. E logo os olhos de Cheongyeon se arregalaram.
— Diretor?
Ao confirmar pelo monitor a imagem de Doheon parado diante da porta, Cheongyeon apertou às pressas o botão de destravar e abriu a porta de entrada.
— Eu estava esperando, achando que você ia ligar. Por que subiu pessoalmente?
Cheongyeon foi às pressas até a entrada e recebeu Doheon , que entrava na casa.
— Porque parece que há algumas coisas que precisamos combinar antes.
— Aah.
— Posso entrar?
Doheon ficou parado, imóvel, na entrada, esperando a permissão de Cheongyeon.
Mesmo assentindo para que ele entrasse, Cheongyeon, de algum jeito, achou aquela situação ridícula. Afinal, quem tinha arranjado aquele apartamento fora Doheon .
Se ele tivesse entrado à vontade, sem permissão, Cheongyeon também não teria como impedi-lo.
— Tem tanta coisa assim para conversar? Ah, por ora, sente-se onde for confortável.
Cheongyeon coçou o pescoço e indicou o lugar sem jeito. Foi então que reparou que havia algo na mão de Doheon , que entrava na sala.
Um pequeno estojo de veludo. Mesmo sem que ele explicasse, dava para saber o que era.
O que havia lá dentro provavelmente era a aliança de casamento.
As pessoas que encontrariam naquele dia todas deviam saber da notícia do divórcio dele e de Doheon , mas, de qualquer forma, diante da vovó eles teriam que continuar atuando como casal. Portanto, ele devia ter trazido a aliança que ele havia largado ao ir embora.
“Se eu… estiver com uma cara muito idiota, não ache estranho. É por-porque eu estou surpreso.”
De repente lhe veio à mente o dia em que Doheon , segurando aquele estojo, o pediu em casamento pela primeira vez.
Doheon tinha sido extremamente indiferente e seco até na hora do pedido, mas, para Cheongyeon, o simples fato de um homem tão extraordinário como ele ter pedido que se casassem foi arrebatador de um jeito impossível de descrever em palavras.
Por isso, sem saber com que cara ele estaria olhando para Doheon , ao mesmo tempo em que ficava inseguro e não conseguia conter a alegria, ele fizera aquele pedido idiota.
“Eu prometo.”
Três anos antes, Doheon dissera isso enquanto colocava a aliança no seu dedo.
Naquela época, ele nem sequer imaginava que acabaria tirando com as próprias mãos aquela aliança cara e bonita.
— Se não quiser ir, não precisa.
Doheon , que passara um tempão explicando sua agenda recente para acertarem o discurso diante da vovó, percebeu que Cheongyeon não estava conseguindo se concentrar nem um pouco e mudou de assunto.
— …Não é isso. É que eu estava pensando em outra coisa por um instante.
— Não está doente, não? Você não parece estar com boa aparência.
— Eu fiquei fora até ontem à noite por causa da agenda, deve ser cansaço. Não é nada para se preocupar. Ah, quer um chá?
Cheongyeon perguntou, virando o corpo na direção da cozinha.
— Por favor.
Diante do aceite de Doheon , Cheongyeon pegou um sachê de chá, colocou numa caneca e tirou água quente do purificador. Logo o aroma do chá se soltou e se espalhou pela cozinha.
— Aqui. Continue me contando o que estava falando agora há pouco.
Quando estendeu a caneca a Doheon , ele bebeu um gole de chá com um movimento tranquilo. Cheongyeon se sentou à frente dele e o encarou, como quem pedia que ele continuasse logo o que dizia.
— O chá está muito bom.
Mas o que saiu da boca de Doheon foi algo inesperado.
— Hã?
— Estou dizendo que o chá está bom.
Diante daquela frase indecifrável, veio-lhe o pensamento: “E daí, o que eu faço com isso?” Então, com um compasso de atraso, Cheongyeon se lembrou de uma conversa passada que tivera com Doheon numa situação parecida com aquela.
“Mas ainda assim o chá está bebível, né?”
“…”
“Bebe logo e vamos.”
“Eu deveria ter respondido que está bebível?”
“Ora, quem te dá tem uma boa intenção, você não consegue nem contar uma mentirinha dessas?”
“Está bebível.”
“Deixa. Já é tarde demais.”
“Da próxima vez, se eu estiver na mesma situação, eu vou mentir.”
E eu achando que ele ia falar sabe-se lá o quê.
Cheongyeon soltou uma risada seca, achando aquilo um absurdo. Pensar que ele se lembrava daquela fala. Mesmo não sendo um clima para isso, era engraçado ver Doheon mentindo diante dele, com a cara mais séria do mundo, que o chá estava gostoso.
Claro, ele falhara em pôr alma naquilo e havia um quê de máquina, mas ainda assim era admirável, digamos.
— Eu não achava que você fosse dizer isso de verdade. Que surpresa.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna