Ex Sponsor (Novel) - ↫─Capítulo 115
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— Eu falei porque está gostoso de verdade.
— Não precisa mentir tanto assim. É o mesmo sachê da última vez.
Cheongyeon balançou a cabeça, dando risinhos. Sobre aquele rosto límpido, o olhar de Doheon permaneceu por um bom tempo.
Pouco depois, tendo bebido mais um gole de chá, Doheon retomou a explicação. De qualquer forma, para atuarem como casal de forma natural, eles precisavam acertar o discurso, nem que fosse de modo geral, sobre as partes que a vovó poderia querer saber.
Por volta da hora de partir, a conversa que trocavam também chegou ao fim. Nesse meio-tempo, a caneca que Doheon segurava mostrou o fundo.
— Aliás, o que houve com o seu cabelo?
Quando Cheongyeon se preparava para enfim se levantar, Doheon soltou uma pergunta do nada.
— Eu estava me perguntando por que ele não falava disso. Você não tinha dito que respeitava a minha moda?
— É uma pergunta que brota de pura curiosidade.
Doheon, que apontou o cabelo tingido de uma cor mais clara e aparado conforme o conteúdo da audição, se defendeu a todo custo, dizendo que era pura curiosidade.
Cheongyeon passou a mão pelo cabelo, como quem o sacudia de leve, e deu de ombros. Então o feromônio de ômega se espalhou sutilmente pelos arredores.
— Eu mudei por causa da audição, está estranho?
— Que nada.
Ao menos daquela vez, Doheon balançou a cabeça sem nenhum sinal de desagrado. Ele conferiu o relógio no pulso.
— Agora temos que ir.
Logo em seguida, Doheon abriu o estojo de aliança que tinha trazido. Observando-o tirar a aliança de casamento de dentro do estojo, Cheongyeon mordeu o lábio inferior, inquieto.
— Posso te pedir um favor?
Doheon inclinou a cabeça de lado, como quem dizia que ele podia falar.
— Quando a gente for ver a vovó hoje… não me deixe sozinho na hora da refeição de jeito nenhum. Enquanto você estiver ausente, eu posso levar um xingamento da Moon Heejin.
— Fiquei sabendo. A minha prima estava fervendo de raiva. O que você fez?
Doheon perguntou o que tinha acontecido, com bastante interesse. Por sorte ou por azar, parecia que Moon Heejin não tinha contado os detalhes.
Ele não teve coragem de dizer a verdade, que tinha feito a ameaça sem cabimento de sujar a fachada da loja de departamentos com a cara de Yu Cheongyeon. Era um conteúdo um tanto vergonhoso de confessar com a própria boca.
— E-eu te conto depois. Por ora, vamos indo. Enfim, hoje você não pode mesmo me deixar sozinho e sair para falar ao telefone ou se afastar de mim. Até para ir ao banheiro você tem que me levar. Tá?
Cheongyeon estendeu a mão e exigiu novamente de Doheon.
— Eu prometo.
Ele quis dizer que colocaria a aliança ele mesmo se ele lhe entregasse, mas talvez Doheon tivesse interpretado de outro jeito, porque segurou a mão que Cheongyeon estendia e colocou a aliança em seu anelar.
No instante em que sua mão tocou a dele, seu peito se agitou por dentro.
“Eu prometo.”
Três anos antes, naquela ocasião também, Doheon tinha dito a mesma coisa enquanto colocava a aliança de casamento em seu dedo.
Será que ele disse isso lembrando daquilo?
Ele o fitou com olhos surpresos, mas a expressão de Doheon era a mesma de sempre, então era difícil distinguir se fora coincidência ou intencional.
— Vamos.
Doheon falou, virando o corpo em direção à entrada. Ao perceber que havia uma aliança no anelar dele também, Cheongyeon baixou a cabeça e conferiu a própria mão, que ficara mais pesada.
Depois de olhar em silêncio para a aliança de casamento por um instante, Cheongyeon logo saiu do apartamento seguindo Doheon.
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Ao contrário da última vez em que ele estivera lá, a fachada da casa da vovó estava desolada. Talvez não tivessem feito a manutenção do jardim nesse meio-tempo, porque as folhas verdes e as pétalas tinham caído, restando apenas galhos esqueléticos.
Cheongyeon percorreu o paisagismo com olhos de pena enquanto caminhava até a porta de entrada. Da última vez em que atravessara aquele lugar, o cheiro perfumado das flores vibrava. Agora só exalava um forte aroma úmido de madeira, o que era uma pena.
Além disso, só de pensar que atrás daquela porta firmemente fechada estariam os rostos que ele não queria encarar, era como se algo pesasse dentro do peito, feito uma indigestão.
— Há quanto tempo. Entrem, por favor.
Uma empregada que trabalhava naquela casa reconheceu Doheon e Cheongyeon, veio recebê-los e abriu a porta de entrada.
Ainda sem ter se preparado psicologicamente por completo, Cheongyeon entrou na casa guiado pela empregada.
Quando a inquietação cresceu, ele se enroscou no braço de Doheon sem perceber.
— Os outros já chegaram e estão esperando. A vovó estava especialmente com muita saudade do senhor Cheongyeon.
Assim que a empregada terminou de falar, surgiu a sala de jantar, e o olhar das quatro pessoas que estavam lá dentro se voltou de uma vez para Doheon e Cheongyeon.
Num instante, olhares afiados se concentraram e cochichos foram trocados entre eles. Também se viam rostos escandalizados às claras.
Diante da reação carregada de hostilidade, as costas de Cheongyeon se enrijeceram. E, a partir de certo momento, os passos que ele dava sem hesitação ficaram mais lentos.
Mas a essa altura era tarde para fugir. E ele nem tinha vontade.
Já que não dava para voltar atrás, não era melhor pensar que ele estava atuando? Pensando bem, tirando o fato de não haver câmeras, não era em nada diferente de um set de gravação, era?
Cheongyeon respirou fundo e se esforçou para acalmar o peito que disparava de tensão.
— Você está bem?
Doheon avaliou o estado de Cheongyeon, que, num instante, tinha parado completamente de andar.
— Sim…
— Olha, o Doheon e ele chegaram, vovó.
Quando uma das quatro pessoas sentadas na sala de jantar falou, a vovó, que estava dentro do quarto, saiu caminhando devagar, apoiada na bengala. A empregada logo segurou seu braço e a amparou para que não caísse.
— Vovó! Tem passado bem? Como foi a vida nos Estados Unidos?
Cheongyeon, como se nunca tivesse ficado paralisado, puxou Doheon e chegou bem perto da vovó.
Certamente sua cor estava melhor do que antes, mas talvez seus músculos tivessem enfraquecido nesse meio-tempo, porque seu andar estava bem mais lento.
— Você mostra a cara bem rápido, hein. Moleque atrevido.
— Como foi o tratamento? O doutor disse que houve bastante melhora.
Cheongyeon fazia perguntas com simpatia, como se não tivesse ouvido a repreensão. Então o olhar de Moon Heejin, que o encarava logo atrás com fogo nos olhos, tocou seu rosto.
— Não está vendo? Ainda dá para levar. Venham logo se sentar à mesa vocês também.
Apontando a sala de jantar com o queixo, a vovó os apressou. Talvez a comida já estivesse pronta, porque um cheiro conhecido de tempero exalava forte.
Os empregados que estavam na cozinha começaram a se movimentar atarefados para servir a refeição. Fingindo não perceber os olhares afiados, Cheongyeon se sentou ao lado de Doheon e sorriu.
— Que comida a senhora preparou? Está com um cheiro muito bom.
Que absurdo, sério. De algum lugar veio um murmúrio fraco.
Só então Cheongyeon endireitou a cabeça e percorreu, uma por uma, as pessoas sentadas à mesa.
Moon Heejin e o marido dela, Park Jonguk. E o irmão mais velho de Moon Heejin, Moon Taejin, e a esposa dele.
Os quatro nem sequer tentavam esconder a expressão de desconforto, como se não acreditassem que Cheongyeon estivesse sentado ali como se nada fosse.
Provavelmente, se Doheon não estivesse ao lado dele, já teriam de sobra despejado desaforos em Cheongyeon.
— Ver de novo, depois de tanto tempo, a cara dos meus netinhos todos reunidos num lugar só, para uma velha como eu isso já é um luxo. Estão todos com boa aparência.
A vovó, sentada à cabeceira, fez um gesto para a empregada que estava logo ao seu lado, pedindo que trouxesse alguma coisa.
— Antes de comermos juntos, tem uma coisa que eu quero falar primeiro. Vocês parecem já saber, mas eu acho que, antes que fique mais tarde, eu preciso passar adiante o que eu tenho.
— Vovó.
— Não é mais do que os pais de vocês, mas é melhor do que não dar.
A empregada, que entrou no quarto e trouxe envelopes de documentos, distribuiu um envelope para cada uma das seis pessoas sentadas à mesa. Um clima solene, diferente do habitual, pairava no ambiente.
Cheongyeon, que estava sentado sem entender nada e recebeu um envelope, revirou os olhos, atarefado, sem saber o que era aquilo.
Talvez os outros tivessem vindo prevendo aquela situação, porque pareciam serenos.
Enquanto olhava de esguelha as pessoas tirando e conferindo o conteúdo, seus olhos se encontraram com os de Doheon. Ele fez um gesto com os olhos para Cheongyeon, pedindo que abrisse logo. Diante disso, sem pensar, Cheongyeon também tirou o conteúdo do envelope com seu nome.
— Isto…
O documento continha o teor de que, quando a vovó falecesse, uma parte dos imóveis e das cotas de bens de sua propriedade seria herdada por Cheongyeon. Bem na parte de baixo havia a assinatura e o carimbo da vovó e do advogado, respectivamente.
— Dividi entre vocês seis do modo mais justo possível.
— Vovó. Ainda assim, herdar até para o Cheongyeon não é meio demais? Ele entrou aqui do nada, sem nada, e não contribuiu em nada com a família.
Pousando o documento que segurava, Moon Heejin levantou a objeção.
— Qual é o problema? Estou dizendo que vou dar de forma justa ao neto por casamento e à neta por casamento.
— Ele não participou da gestão esse tempo todo. E o Doheon e ele já…!
— Heejin. Sabendo muito bem que a vovó está doente, você precisa mesmo levantar a voz?
Moon Taejin se meteu e cortou o que Moon Heejin dizia.
— Você entende isso, irmão?
— …Falem de novo depois, ou algo assim. Não faça escândalo aqui.
Moon Heejin levou a mão à testa e percorreu mais uma vez o conteúdo do documento que tinha na mão.
— Vovó. O papai e o tio também sabem desse conteúdo da herança?
— Se eu vou passar os meus bens para os meus netos, por que eu preciso da opinião dos meus filhos?
— Ainda assim…!
Naquele momento, rompendo o clima sério, um som de alarme alto o bastante para machucar os ouvidos soou.
Aqueles que estavam com os nervos à flor da pele engoliram um suspiro, como se a tensão tivesse se dissipado.
O alarme vinha do celular da empregada. Ela desligou o alarme e se aproximou da vovó.
— É hora da injeção. Vamos entrar um instante no quarto.
— Já está nessa hora? Enquanto eu estiver lá dentro, sirva a comida aqui. De qualquer forma, é preciso alimentar as crianças antes de mandá-las embora, não é?
— Assim farei.
A vovó entrou no quarto com passos lentos, amparada. Só depois de ver o cuidador e a enfermeira que moravam na casa entrarem atrás dela é que Park Jonguk abriu a boca.
— O senhor Yoo Cheongyeon também não participou da gestão esse tempo todo. Não faz sentido que ele leve o mesmo que a gente.
— A vovó ainda não sabe que os dois se divorciaram, né? Então isso é claramente inválido. Se não são nem casados, de que jeito ele vai receber uma herança? Agora ele é um completo estranho para o Doheon.
— Sei lá. Se procurarmos, deve aparecer um jeito de receber a herança.
Doheon, que até então tinha ficado quieto, abriu a boca pela primeira vez. Então o olhar de todos os que estavam sentados à mesa se cravou nele.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna