Ex Sponsor (Novel) - ↫─Capítulo 113
113
Aquele era um dia de gravação de publicidade. Como não queria errar como antes, sempre que uma agenda de publicidade era marcada, Cheongyeon agarrava obsessivamente o impresso com o produto e o conceito e o lia sem parar, como se decorasse um roteiro.
— Oppa, acho que vai ter que esperar mais um pouquinho.
Min Hyerin se aproximou de Cheongyeon, que estava sentado na cadeira do camarim com a maquiagem e o cabelo prontos.
— Quanto?
— Isso eu não sei bem. Disseram que o adesivo do cenário instalado atrás soltou. Primeiro vão tentar colar e, se não der, trazem um novo. Será que não resolvem em trinta minutos?
Enquanto respondia à pergunta, Min Hyerin não parava o corpo um segundo sequer e checava com diligência se havia bolinhas ou partes amassadas no figurino que Cheongyeon usaria naquele dia.
Cheongyeon olhava para essa Min Hyerin com olhos preocupados.
— Aliás, você ainda não almoçou, né?
— Eu como depois!
— Vi que o empresário e a cabeleireira compraram marmitas agora há pouco. Vá comer você também.
— E o oppa vai comer quando?
— Fico com a barriga estufada, então eu vou comer quando terminar a gravação. Também não dá para saber a que horas termina, então coma antes, Hyerin.
Quando Cheongyeon a convenceu, os lábios fechados de Min Hyerin se esticaram para os lados. Era um cacoete dela sempre que ficava em dúvida.
— Hummm. Então eu vou comer rapidinho e já volto. Se precisar de alguma coisa, é só me chamar, viu.
— Ok. Bom apetite.
Pouco depois, Min Hyerin, que terminara de inspecionar as roupas, saiu do camarim com passos leves, e Cheongyeon começou a ler o resto do roteiro da gravação.
Mas, antes mesmo de terminar uma página, sua concentração se quebrou. Porque uma ligação de um número desconhecido chegou.
— Quem é?
Ele pensou em desligar, achando que era spam, mas, por algum motivo, os últimos dígitos do número que apareciam na tela eram familiares.
Como a vovó, que tinha voltado dos Estados Unidos havia pouco, também tinha ligado de um número novo, ocorreu-lhe que dessa vez também poderia ser o contato de alguém conhecido.
Depois de hesitar, Cheongyeon acabou atendendo.
— Alô?
—Cheongyeon. Quanto tempo, não?
— Sim? …Desculpe, quem fala?
Uma voz estranhamente familiar, que ele parecia ter ouvido em algum lugar, escorreu por sua orelha.
—Você se divorciou do Doheon e já esqueceu a minha voz? Isso me magoa um pouco.
— Ah.
Moon Heejin.
Diante daquele tom sarcástico característico, ele reconheceu a dona da voz com um compasso de atraso.
A prima de Doheon e representante da Loja de Departamentos Hwamyeong. Quando o rosto dela lhe veio à mente depois de tanto tempo, a mão que ia virar a página do roteiro estacou.
—E aí. Já se lembrou um pouco?
— Por que a senhora está me ligando?
Cheongyeon perguntou de volta com a voz afiada. Ele fez muita força na garganta com medo de que a voz saísse trêmula sem querer, mas era difícil avaliar como aquilo de fato soava.
Assim que soube que era Moon Heejin, o olhar e o tom com que ela o desprezava antes, e a imagem dela vista pela última vez no hospital, passaram velozes pela sua cabeça.
“Nossa, eu não sabia. Doheon, você está bem? Que coisa, o Cheongyeon ser infértil.”
“É por isso que não se casa com um ômega recessivo de família ordinária. Que ainda por cima tentou ser cantor ou sei lá o quê e fracassou…”
Aquelas lembranças que eram como um trauma sacudiram num instante a serenidade de Cheongyeon.
Continuava vívida a Moon Heejin cujos olhos brilhavam de curiosidade cruel e interesse ao ouvir a notícia da sua infertilidade.
Ele queria fingir que estava bem, mas o simples fato de ouvir a voz de Moon Heejin fazia seu coração bater a ponto de parecer que ia explodir, e não era fácil nem manter a respiração em ordem.
—Como assim por que eu liguei. Você está perguntando porque realmente não sabe? Eu não te via assim, mas você tem mais cara de pau do que eu pensava.
— Então, mas por que exatamente…
—Cheongyeon. O nosso encontro de família não é uma reunião de ex-alunos. Como é que você se divorcia e ainda pensa em vir aqui?
Ah. Era por causa daquilo.
Compreendendo o motivo da ligação de Moon Heejin, Cheongyeon se esforçou para escolher uma resposta adequada. O clima era de ter que dar alguma desculpa, mas seus lábios não se abriam de imediato.
—Você vai mesmo?
— …
Em seguida, ouviu-se um estalar de língua. Ela nem estava ali de fato ao lado dele, mas Cheongyeon encolheu os ombros por hábito.
—Sem escrúpulos. Qual é o motivo de você ficar grudado no Doheon mesmo depois do divórcio?
— Isso…
Sua cabeça estava confusa. Mesmo que soubesse desde o início que a remetente era ela, já seria uma pessoa difícil de lidar, mas, por ser um contato inesperado, o constrangimento se somava.
Cheongyeon sempre tivera medo do pessoal da família de Doheon. A atitude de desconfiança em relação a ele, as censuras que lançavam nas entrelinhas, como se ele tivesse arruinado a vida de Doheon, os olhares de desprezo.
Cheongyeon vivia inquieto, dominado pela ideia de que as palavras deles poderiam um dia virar realidade. E, por causa disso, tinha medo de acabar sendo odiado por Doheon.
Ele tinha se esforçado para não se deixar levar por situações que faziam de uma pessoa um idiota, como se ele não tivesse direito de estar naquele lugar. Mas, aos olhos deles, ele não passava de um ômega recessivo tolo que se debatia e resistia com teimosia.
—Alô? Por que não responde?
— …
Cheongyeon fitou em silêncio o roteiro que segurava.
As emoções pesadas, estagnadas desde muito tempo, ainda o sacudiam, mas ele não era a mesma pessoa daquela época.
Não era o cônjuge insignificante que era uma mancha para Doheon, nem o ômega recessivo sem noção que entrara na família do Grupo JT sem saber o próprio lugar.
Fazia tempo que ele tinha se divorciado de Doheon, e ele já não temia ser odiado por ele. Agora, mesmo que Doheon o abominasse, tanto fazia.
Portanto, o pessoal da família dele significava ainda menos para ele.
Cheongyeon repetiu esse fato como um mantra.
— Isso é assunto pessoal meu, então acho que a senhora não precisa se preocupar.
Cheongyeon rebateu com a voz mais calma possível. Até para os próprios ouvidos, tinha soado bastante convincente, sem um traço de tensão.
—Quê? “A senhora”? Você acabou de me chamar de “a senhora”? Estou muito perplexa…
— Então como devo chamá-la? A esta altura nós não temos uma relação em que se usem tratamentos respeitosos.
Antes que Moon Heejin respondesse qualquer coisa, Cheongyeon acrescentou depressa:
— E eu só disse que ia à refeição porque a vovó me convidou. Se não gostou disso, fale com a vovó. Em vez de vir tirar satisfação comigo.
—Hahaha. Olha o jeito como ele fala. Ei, Cheongyeon. É porque o Doheon cuida de você e o seu nome ficou conhecido como ator que você não está enxergando nada à sua frente?
Diante daquilo, a testa de Cheongyeon se franziu sozinha.
Então a Moon Heejin também sabia. Que o Doheon estava me patrocinando.
—Eu não sabia que o Doheon era um menino tão cheio de pena. Por mais que a situação de um ex-marido seja lastimável, quem diria que ele ajudaria com tanto zelo.
— O que esse assunto tem a ver com o assunto do encontro para a refeição? Se detesta tanto que eu compareça, eu disse para falar com a vovó.
—Que cara de pau. Ele também deve não estar entendendo a situação porque nunca teve a experiência de saber o quanto gente do seu tipo gruda. Por mais que se cobice a migalha que se perdeu, francamente. Você não era tão idiota a ponto de não distinguir a hora de se meter da hora de não se meter.
— …
O que Moon Heejin dizia não estava de todo errado. Assim como o tio e o hyung, ele também não passava de um ser humano infinitamente sem-vergonha. Afinal, como diante dele havia um lamaçal, ele agarrou de uma vez a corda que Doheon lhe jogou e chegou até ali.
Mas ele não queria ouvir aquilo de Moon Heejin.
—Vamos simplesmente encerrar isso por aqui, de forma limpa. Você sabe que não é um lugar em que você ouse aparecer. Mesmo sem você agitar as coisas assim, a nossa família já não está aguentando só com o Doheon, de quem nem se sabe direito a origem.
Diante daquele comentário que desprezava Doheon com toda a naturalidade, uma emoção súbita subiu por sua garganta.
Ele ficou ainda mais furioso porque sabia o quanto Moon Heejin e a maioria do pessoal da família dele desprezavam Doheon por dentro.
— Se é ou não um lugar em que eu deva aparecer, quem vai decidir são a vovó e o Doheon. Eu recebi um convite, algum motivo para eu ter que recusar?
—Meu Deus… Achei que aquele jeito de falar fosse do Moon Doheon. É verdade que vocês foram casados, aquele jeito insuportável de falar pegou em você nesse meio-tempo.
— De qualquer forma, eu vou fingir que não recebi esta ligação. Nos vemos em breve na refeição.
Cheongyeon se despediu com a maior naturalidade.
Na verdade, o certo era dizer que não ia, e ele nem pretendia ir a um encontro de família daqueles, mas, como Moon Heejin veio com essa, ele mudou de ideia.
Se eu disser que está bem e realmente não for, vai parecer que eu me acovardei e fugi por causa da Moon Heejin, não vai?
—…Mesmo eu tendo falado tudo isso, você vai vir? Você faz isso sabendo que tipo de ocasião é aquela?
— Claro. Eu sei muito bem.
…Que tipo de ocasião? Não era só uma refeição?
Ele respondeu fingindo saber de tudo só para não perder na queda de braço, mas, diante daquela fala de Moon Heejin com um travo enigmático, diferente do usual, um monte de pontos de interrogação saltou em sua cabeça.
Naquele instante, ouviu-se o som de Moon Heejin dando uma risada de escárnio.
—O interior das pessoas realmente é coisa que não se sabe até se abrir. Com que cara, afinal? Eu sou uma pessoa que aprendeu que não se deve julgar os outros pela formação, pela origem ou pelo traço.
E uma pessoa que aprendeu isso agia daquele jeito comigo?
Cheongyeon torceu os lábios como quem não acreditava.
—Mas você está me provando que os preconceitos espalhados pelo mundo são verdade. Que cara de pau. Você acha que a popularidade que obteve estendendo a mão para o Doheon é realmente sua? Você se divorciou e de repente sente falta do que perdeu e quer arrancar mais alguma coisa?
Ouvi-la falar o tempo todo como se fosse pelo bem de Doheon era detestável ao extremo. Se ela tinha alguma segunda intenção, tinha, mas o fato é que ela não estava preocupada com ele.
— E se eu sentir falta e for arrancar mais? Não pode?
Ele sabia com a cabeça que precisava parar por ali, mas, como estava com o estômago completamente revirado, o que saiu de sua boca foi algo totalmente diferente.
— Pensando bem, eu me arrependi demais de ter me divorciado sem receber um centavo. Então, embora seja um pouco tarde, eu estava pensando em, nem que seja agora, receber com toda a garra tudo o que eu puder.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna