Ex Sponsor (Novel) - ↫─Capítulo 112
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Diante do olhar afiado, suas costas se enrijeceram sozinhas. Cheongyeon engoliu em seco e respondeu:
— Vim buscar umas coisas minhas que estão aqui.
— Agora isso é meu.
Doheon corrigiu o que Cheongyeon dissera.
— …
Ele até tinha razão, mas era um absurdo que ele, com a cara mais séria do mundo, insistisse do nada que os seus produtos espalhafatosos agora eram dele.
— Não. Uma pessoa que administra uma empresa vai usar produto de grupo de ídolo fracassado pra quê…
Cheongyeon retrucou sem necessidade, remexendo o figurino que tinha na mão.
— Algum motivo para eu ter que declarar o uso da minha propriedade?
— Bom, isso não, mas.
Erguendo a cabeça de leve, Cheongyeon espiou a reação de Doheon . Talvez ele tivesse sentido a presença de alguém enquanto dormia e saído direto do quarto, porque o cabelo de Doheon , que devia estar bem penteado, estava todo espetado.
Ele era do tipo que quase não se revirava nem dormindo. Cheongyeon já tinha visto seu aspecto logo depois de acordar várias vezes, mas era raro que ele estivesse com um ninho de passarinho daquele jeito.
Por isso Cheongyeon, apesar da situação grave de ter sido flagrado tentando uma invasão de domicílio, sentia os cantos da boca formigarem. Se descuidasse um pouco, parecia que ia rir.
— Mas os produtos de grupo de ídolo fracassado que um empresário possui pessoalmente, você ia roubar feito uma ladra e usar para quê?
Diante da pergunta séria de Doheon , Cheongyeon começou a ficar confuso, sem conseguir avaliar o humor dele.
Parecia irritado e ao mesmo tempo parecia que não. Como a expressão e a voz eram as ríspidas de sempre, era ainda mais confuso.
Por ora, vamos bancar o submisso.
— A emissora pediu para eu entregar até hoje as coisas que eu usava antigamente, disse que vão usar como material. Já que é para mostrar, eu queria escolher bem e entregar as bonitas… Desculpe.
— E, por isso, você ia levar sem nem dizer nada ao dono da casa? Que raciocínio brilhante.
Doheon estalou a língua.
— É que… eu falei antes com a senhora da cozinha.
— A dona desta casa é a senhora?
— Não, mas ela disse que eu podia vir a qualquer hora, e a senha justamente continuava a mesma…
Mesmo para ele, a desculpa era fraca demais.
— Então você devia ter trocado a senha. Por que não trocou?
— Parece que você tem muita curiosidade a meu respeito. Decidir se troco ou não a senha é assunto meu.
Diante do sarcasmo, ele não teria o que dizer nem com dez bocas.
Para começar, o problema tinha sido ele achar simples demais entrar e sair daquela casa. Por mais generosos que Doheon e os empregados fossem com ele, ele devia ter procurado outro jeito que não visitar pessoalmente.
Cheongyeon, que fazia sua cabecinha girar com afinco, decidiu mudar de assunto.
— Não, mas por que você está em casa a esta hora?
— O trabalho estava puxado e eu saí do escritório de madrugada. Hoje eu vou descansar.
— Hã?
Dá para sair do trabalho não de madrugada, mas passando o dia inteiro e indo até a madrugada seguinte?
Cheongyeon olhou de baixo para Doheon com olhos cheios de pavor.
Como Doheon não ia ao trabalho, a empregada também tirou folga? Não, mas então ela devia ter avisado antes que ele estaria em casa. Se tivesse feito isso, ele não teria sido pego entrando escondido.
Por um instante, brotou nele um ressentimento contra a empregada. De algum jeito, parecia que o rosto dela, rindo “hohoho” enquanto olhava alternadamente para ele e para Doheon , se desenhava nítido diante dos seus olhos.
— Eu vou sair o mais rápido possível para não atrapalhar o seu descanso.
— Então já escolheu tudo?
— Ainda não. Enfim, eu posso levar o que está aqui, né?
— O que você vai levar?
Doheon curvou o corpo para ficar na mesma altura de Cheongyeon, que continuava caído no chão por causa do susto de pouco antes.
No olhar dele que pousou sobre os produtos do DEX e os pessoais de Cheongyeon, brotou uma curiosidade rara.
— Isto… O figurino eu já escolhi, mas as fotos eu ainda não decidi quais levar.
Com medo de que ele mudasse de ideia e dissesse que não podia, Cheongyeon explicou nos mínimos detalhes possíveis a parte sobre a qual estava em dúvida.
Será que eu não devia ter levado tudo de uma vez, sem escolher aqui? Mas aí a quantidade fica grande demais.
O período de atividade tinha sido curto e eles nem tinham ido a muitos programas musicais, então ele achava que haveria poucas fotos, mas, agora que estavam todas juntas, a quantidade era bem maior do que ele imaginava.
— Que tal esta?
Cheongyeon pegou a foto polaroide que tinha tirado com Kim Jihan, só os dois, e perguntou a Doheon . Na foto, os dois estavam com adesivos brilhantes em formato de estrela nas bochechas, segurando microfones, fazendo sinal de V e sorrindo abertamente.
— Acho que esta aqui é melhor.
Doheon escolheu uma foto em que a câmera tinha tremido e o rosto de Cheongyeon saíra borrado.
Cheongyeon fechou a cara na hora.
— Está de brincadeira?
— Espere. Que gravação era esta em que você está todo pelado? Quem tirou?
Doheon , que folheava as fotos, viu algo e de repente baixou a voz de forma séria.
— O que foi?
Com a testa franzida, ele estava com tanta força nos dedos que seguravam a foto que eles tinham empalidecido.
Ele estendeu a foto diante de Cheongyeon, como quem pedia uma explicação.
Talvez porque o flash da câmera tivesse disparado nos bastidores, ainda que ele estivesse com um figurino em tom nude, à primeira vista realmente parecia, como Doheon dizia, que ele não estava vestindo nada.
Cheongyeon corou e arrancou a foto de Doheon .
— É só porque a cor do figurino é bege. Se olhar direito, dá para ver que eu estou vestido.
Cheongyeon se explicou apontando com o dedo a fronteira entre a pele nua e o figurino. Ao mesmo tempo em que achava a situação ridícula, seus lábios se moviam sozinhos.
De repente, veio um baque de realidade diante da sua condição de estar ali dando satisfação de cada coisinha.
Em contrapartida, a reação de Doheon continuava glacial.
— Um cantor tem que cantar e pronto, é preciso usar uma roupa decotada?
— É figurino de palco, não tem jeito.
— Quantas vezes mais você usou um figurino destes?
— Se for continuar com o sermão, me dá isso. Eu escolho sozinho.
— Esta você não leva.
— Haa… Sim.
Cheongyeon respondeu de má vontade, lançando um olhar torto. Aquilo tudo era coisa dele, e Doheon agia de forma mesquinha, como se fosse propriedade sua desde o início, o que era irritante.
Mas quem tinha deixado os produtos ali era ele mesmo, e ele estava na condição de quem tinha entrado na casa sem permissão, então não estava em posição de contestar.
Por mais sórdido e sujo que fosse, ele não tinha escolha senão fazer o que Doheon mandava.
— Enfim, então eu posso levar assim?
Cheongyeon, encolhido no chão lado a lado com Doheon , foi juntando às pressas as fotos e os produtos que tinha escolhido a dedo.
— Em troca do empréstimo, tem uma condição.
— E-empréstimo? E que condição é essa?
É tudo coisa minha, quem ele pensa que é para me emprestar?
Cheongyeon ergueu os olhos, revoltado.
— Escolha as roupas que eu vou usar para trabalhar esta semana antes de ir.
E Doheon respondeu observando com satisfação a reação indignada de Cheongyeon.
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— Sério, ele não é criança, que história é essa de… pedir para escolher roupa.
Com todas as portas do closet de Doheon escancaradas, Cheongyeon resmungava enquanto tirava uma camisa. Ele achava que, tendo pegado tudo de que precisava, bastaria ir embora, mas, como tinha sido retido por um motivo absurdo, estava com a boca a um palmo de bico.
— Quem sempre escolheu a roupa de um homem adulto, que não é criança, foi você.
— Naquela época a gente era casado.
Cheongyeon rebateu de forma ríspida e foi procurar um colete que combinasse com a camisa que tinha acabado de tirar, pendurando-o.
O contrato de patrocínio, a questão da gravidez e até os assuntos de família. Sem que nada estivesse resolvido, a realidade de estar ali, na casa de Doheon , à toa escolhendo roupas, parecia esquisita.
Cheongyeon virou o olhar e conferiu o relógio na parede. Estava preocupado em se atrasar para a agenda da tarde, mas felizmente ainda havia tempo.
Agora que pensava nisso, talvez ele o tivesse ajeitado no curto intervalo em que Cheongyeon foi ao banheiro antes de entrar no closet, porque o ninho de passarinho que havia na cabeça de Doheon tinha sumido. E ele também já estava trocado, com roupa de sair.
Aquele, sim, era enfim de novo o Doheon impecável que Cheongyeon conhecia.
Ele estava encostado na parede, observando com atenção cada movimento de Cheongyeon enquanto ele escolhia as roupas. O olhar era tão insistente que ele até tinha a sensação de estar sendo vigiado.
Como em volta só havia roupas de Doheon , o feromônio dele impregnado no ar era bem denso. Não era a ponto de ser insuportável, como da última vez, então Cheongyeon tirou um paletó em silêncio, sem demonstrar incômodo.
— Isto também você odiava?
— Hã?
Cheongyeon, que estava recolocando no cabide a roupa que tinha acabado de tirar por não ter gostado, inclinou a cabeça e perguntou de volta.
— Você disse que odiava tudo que fazia comigo. Não queria nem comer, e detestava os presentes que eu dava.
— Ah.
— Então escolher as roupas você também odiava?
— …Não. Eu gostava.
Depois de hesitar, Cheongyeon falou com sinceridade.
— Que bom que ao menos havia uma coisa de que você gostava.
Doheon murmurou de forma quase inaudível. Na verdade, era quase um pensamento em voz alta.
Cheongyeon não encontrou o que responder e ficou remexendo a roupa que tinha na mão.
Preparar os looks de trabalho de Doheon para uma semana não demorou muito. Era algo que ele fazia com frequência durante todo o casamento, então ele conseguia achar o que estava onde até de olhos fechados.
— Está pronto.
Cheongyeon falou enquanto fechava a porta do armário lotado. Doheon assentiu sem nem conferir o interior. Ele podia parecer exigente, mas era do tipo que, se fosse coisa que Cheongyeon escolhesse, vestia sem reclamar, então ele deixou por isso mesmo.
Depois de fechar a porta do armário, Cheongyeon pegou a sacola de compras que tinha preparado antes para sair.
Foi então que ele avistou a foto de casamento apoiada num canto do closet.
— …
Por que ele não tinha jogado aquilo fora e a tinha remendado?
Como ele mesmo a rasgara, à época em que ela estava pendurada na sala, restavam nítidas as marcas de amassados e rasgos aqui e ali.
Ver a foto dele e de Doheon com aquelas rachaduras feias lhe deu uma sensação estranha. Cheongyeon ficou olhando fixamente para si mesmo na foto, sorrindo aberto com uma expressão de quem não sabia de nada.
Como sempre, bastava vir àquela casa e seu estômago ardia. A sensação do peito se apertando com aquele peso não era nada agradável.
— Eu já vou.
— Eu te levo.
Talvez pretendesse levá-lo desde o começo, porque Doheon tirou a chave do carro do bolso. E ele que se perguntava por que uma pessoa que nem ia trabalhar tinha se trocado para roupa de sair.
Mas Cheongyeon balançou a cabeça e se virou às pressas.
— Eu consigo ir sozinho.
Antes que Doheon o segurasse, ele saiu do quarto sem olhar para trás.
Só depois de atravessar a porta de entrada como quem foge é que Cheongyeon parou e recuperou o fôlego, ofegante.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna