Ex Sponsor (Novel) - ↫─Capítulo 111
111
—O Doheon disse que vem, mas, cada vez que eu toco no seu nome, ele fica calado, como se tivesse costurado a boca. Fiquei aflita e liguei eu mesma.
— …
Uma refeição com a família do Grupo JT. Além de já não ser uma ocasião da qual ele devesse participar, ele não tinha nem uma vontade de ir, então a resposta não saiu de imediato.
Mas também não dava para dizer sem rodeios à vovó que ele tinha se divorciado de Doheon havia muito tempo e estava ganhando a vida com outra coisa.
—Tanto o Doheon quanto você, por que de repente ficam calados? Você que estava aí tagarelando e respondendo tudo tão bem. Não quer comer?
— Hã? Não? Como não. C-claro que eu vou.
Naquele instante, a boca se moveu por conta própria, sem passar pelo cérebro. Só depois de responder é que ele se deu conta, e Cheongyeon suspirou em silêncio.
—Isso, então a gente se vê logo. Eu estava preocupada, achando que tinha acontecido alguma coisa, porque o Moon Doheon não abria a boca de jeito nenhum.
— Não aconteceu nada. Aquilo… quando marcarem a data e a hora certinho, me avise.
Só depois de desligar o telefone Cheongyeon percebeu que tinha se deixado levar pela vovó e despejado besteira sem plano nenhum.
— Ah, complicou.
Logo vai chegar aos ouvidos do Doheon . Ele vai achar que eu sou um doido varrido, né? Depois de rezar aquela ladainha de louco, desgraçado, dizendo que não queria mais me envolver, do nada declarar que vou participar do encontro de família.
Até para ele mesmo aquilo era um absurdo. Mas, ainda assim, se a vovó tinha ligado pessoalmente, não dava para dizer secamente e às claras que não queria, dava?
— Ah, sei lá. É só dizer no dia que eu não consigo ir.
Cheongyeon murmurou enquanto se jogava de costas no sofá. Dava para inventar que tinha surgido um imprevisto e que não daria para ir, e ainda havia a opção de encontrar a vovó separadamente, só os dois.
Se Doheon concordasse, ele queria, mesmo que mais tarde, contar a verdade sobre a situação do divórcio e se desculpar por tê-la enganado. Claro, isso só seria possível se a saúde da vovó melhorasse bastante.
Enquanto Cheongyeon, mergulhado nesses e noutros pensamentos dispersos, olhava atônito para o teto, uma vibração curta soou, sinal de que uma mensagem tinha chegado ao celular.
Cheongyeon estendeu o braço meio de qualquer jeito, com preguiça, e tateou em volta procurando o celular.
—Empresário Park Yongjun: [Ator! Chegou um contato da emissora dizendo que precisam de imagens de arquivo pro tokk shou que gravou hoje *^^*]
O remetente não era outro senão o empresário. Cheongyeon conferiu de novo a mensagem que apareceu na tela do chat.
—Eu: [Sim?? Que imagens de arquivo?]
—Empresário Park Yongjun:[ Coisas como vídeos de ensaio e álbuns de quando o senhor atuava no Dex.]
—Empresário Park Yongjun: [Como já se passou muito tempo, sobrou pouco material na internet, então o diretor pediu que, se o senhor tiver material guardado, mande o mais variado possível-!!]
—Empresário Park Yongjun: [Ele disse que figurinos, fotos inéditas e photocards também seriam bons, tudo bem???]
Será que a minha participação foi tanta assim, a ponto de exibirem material antigo? No talk show que ele gravara naquele dia, ele até tinha recebido bastante pergunta, mas a maioria era pergunta comum a todos os atores presentes, e ele achava que o programa seria editado com foco nos atores principais.
Além disso, se era material antigo dele…
— Merda. Está tudo na casa do Moon Doheon .
Os figurinos e os produtos da sua época de ídolo estavam todos na casa em que morava com Doheon . O que significava que ele teria que ir até a casa dele e buscá-los.
Só de pensar que teria que entrar naquela casa com as próprias pernas e encarar Doheon , já lhe vinha uma dor de cabeça. Cheongyeon bagunçou o próprio cabelo com força. E escreveu de volta ao empresário.
—Eu: [Até quando eu preciso entregar?ㅠㅠ]
—Empresário Park Yongjun: [Amanhã~]
— Quê? Como é que eu vou fazer isso até amanhã, do nada…!
Cheongyeon, que estava deitado no sofá como um vagabundo, se levantou de um salto.
Um novato como ele não podia se dar ao luxo de bancar o difícil dizendo que era apertado demais entregar até o dia seguinte. E, se entregasse tarde e o diretor, ofendido, o cortasse de vez na edição, isso, por sua vez, era certeza de doer.
—Eu: [Ah, então, por ora]
—Eu: [Amanhã eu tenho agenda à tarde de qualquer jeito]
—Eu: [Até lá eu procuro e entrego pro senhor…!]
—Empresário Park Yongjun: [Entendido !Ator**^^**]
Terminado o contato com o empresário, Cheongyeon ficou pensando em que desculpa usaria no dia seguinte para conseguir autorização para a visita.
Se dissesse a verdade, que precisava buscar umas coisas por causa do programa, Doheon não diria para ele não ir, mas o problema era que ele não estava a fim de entrar em contato com ele.
Será que era melhor pedir para a empregada pegar alguns materiais e mandar de moto-táxi?
— Não. Vai sair na TV, e se ela escolher só as coisas esquisitas para mandar?
Já que era assim, ele queria que as imagens de arquivo exibidas fossem as em que ele saía bem. Não dava para confiar de imediato no olho da empregada, que não tinha o menor senso nessa área.
Mas pedir para Doheon escolher e mandar era ainda mais fora de cogitação.
— Aff. Sei lá. Vamos trabalhar.
Ocorreu-lhe o pensamento ingênuo de que, se entrasse em contato com a empregada no dia seguinte, tudo se resolveria de um jeito ou de outro.
Na verdade, o problema era não querer encontrar Doheon ou falar com ele; visitar a casa não era coisa difícil. Não havia ninguém que o impedisse de ir.
Cheongyeon deixou de lado as preocupações complicadas e, por ora, foi procurar e abrir o roteiro e a sinopse que tinham chegado para análise.
🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭
No dia seguinte.
Quando entrou em contato com a empregada, veio a resposta de que, justo naquele dia, ela estava de folga por motivos pessoais e não estaria na casa.
Ela acrescentou uma frase ambígua: “Mas, se for o senhor Cheongyeon, acho que pode ir à casa quando quiser, na hora que lhe for conveniente.”
Então, no fim, ele teria que pedir autorização diretamente a Doheon ? Mas, no caso dele, ele sairia cedo para o trabalho e não estaria em casa. Já que a empregada dissera que tudo bem, será que era mesmo preciso pedir autorização a Doheon ?
Ele sabia a senha da casa, então bastava pegar as coisas rápido e sair, não? Nunca tinha havido, até então, uma ocasião em que Doheon ou os empregados da casa restringissem sua entrada.
Racionalizando o próprio comportamento com uma lógica milagrosa, Cheongyeon decidiu ir sozinho de carro até a casa de Doheon . Depois bastava deixar uma mensagem dizendo que tinha levado algumas coisas. Ou então falar pessoalmente na sexta-feira, quando se encontrassem.
— Como eu imaginava. A senha continua a mesma.
O fato de ele ainda não ter trocado a senha deve querer dizer que não tem problema eu entrar.
Interpretando a situação do jeito que mais lhe convinha, Cheongyeon entrou na sala na ponta dos pés.
Talvez porque a empregada que trabalhava na cozinha não estivesse, o interior estava silencioso como um túmulo.
Os outros empregados, encarregados do jardim ou da limpeza dos quartos, normalmente só chegavam à tarde, então àquela hora não havia ninguém circulando.
Cheongyeon subiu ao segundo andar sorrateiramente e abriu a porta do quarto onde havia juntado só os seus produtos.
— Puta merda. Aqui também está do mesmo jeito.
Ele achava que ele teria jogado fora o que era para jogar e vivido com aquilo mais ou menos organizado. Não havia nada de diferente em relação ao dia em que Cheongyeon saíra de casa.
Ainda por cima, talvez porque a limpeza fosse feita periodicamente, não havia sequer poeira acumulada na arara e nos armários.
Para pegar só o material a ser entregue à emissora e sair rápido, Cheongyeon começou, atrapalhado, a abrir as gavetas e tirar o conteúdo.
Figurinos, pôsteres, álbuns, um pen drive com vídeos de ensaio de coreografia, photocards, cartas recebidas de fãs, e por aí vai; havia uma variedade e tanto.
— O que eu levo?
Cheongyeon tirou as fotos polaroide que tinha tirado com os integrantes do DEX e mergulhou em dúvida. Kim Jihan ainda fazia transmissões próprias, então, já que era assim, seria bom que fossem fotos em que o rosto dele também saísse bem.
Levar tudo faria a bagagem ficar grande demais, então parecia que ele teria que selecionar, mas era difícil escolher.
Cheongyeon guardou primeiro no bolso o pen drive com os vídeos de ensaio de coreografia. E, depois, selecionou a dedo álbuns, photocards, pôsteres, produtos que tinha ganhado de fãs, figurinos e outras coisas, e os colocou com cuidado na sacola que tinha levado.
— Pensar que chegaria o dia de entregar isso a uma emissora. É verdade que quem vive muito acaba vendo de tudo…
— O que está fazendo?
— Aah! Que susto!
Atrás de Cheongyeon, que estava concentrado fazendo as malas havia um bom tempo, soou uma voz grave.
Assustado, Cheongyeon perdeu a força das pernas e se largou ali mesmo, sentado no chão. A sacola de compras que segurava com tanto cuidado se espalhou junto pelo chão.
Cheongyeon pôs a mão sobre o peito descompassado e virou a cabeça na direção de onde vinha a voz.
— D-diretor! Que susto!
Na entrada do quarto, Doheon estava de pijama.
Cheongyeon, que por um instante teve a impressão de que o coração ia pular para fora da boca, inspirou fundo e respirou.
— Não acha que, nesta situação, quem deveria estar mais surpreso sou eu?
— Haa… Fizesse um barulho, ao menos. Quase que eu morro do coração.
— O ex-marido que saiu de casa entra sem avisar e revira o quarto, e eu é que devia?
— Ah, é verdade… não, não é isso. Por que você está em casa a esta hora?
Cheongyeon, entendendo a situação tardiamente, olhou de baixo para Doheon , atônito, ainda agachado.
Claro que ele achava que Doheon não estaria em casa àquela hora. Estará de férias? Ou hoje é dia de entrar tarde? O que eu invento?
Cheongyeon nem cogitou se levantar e ficou paralisado ali mesmo.
— Essa também parece uma pergunta que eu é que devia fazer. O que faz em casa a esta hora?
Doheon , parado diante da porta, cruzou os braços e inclinou a cabeça de lado, olhando de cima para Cheongyeon. Como quem dizia: vamos, tente se explicar.
🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna