Ex Sponsor (Novel) - ↫─Capítulo 116
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Cheongyeon ficou confuso, sem saber como assimilar aquela situação. Devia ser por isso que Moon Heejin se opusera com tanto empenho à sua vinda.
Cheongyeon olhava alternadamente para Doheon , que dizia que deveria haver um jeito de ele herdar os bens da vovó, e para o documento que segurava.
Ele já tinha se divorciado e era um estranho para Doheon. Além disso, não estavam ainda enganando a vovó fingindo ser um casal?
Portanto, ao menos daquela vez, achou que quem tinha razão não era Doheon, mas Moon Heejin e Park Jonguk.
Se a vovó descobrisse a verdade, havia toda a possibilidade de que mudasse o testamento da herança dos bens.
— O quê, vai aparecer um jeito? Que engraçado. Você acha que é tão fácil assim?
— Se não, também há a opção de registrar o casamento de novo, cumprir os trâmites da herança e depois nos divorciarmos.
— Doheon, por que você está agindo de um jeito tão pouco seu… Por mais esforço que você faça, o Yoo Cheongyeon é recessivo.
— Você é beta, irmão. Se não entende do assunto, não se meta.
Diante das palavras secas e frias de Doheon , o rosto de Moon Taejin se contorceu. Ter o traço beta era seu maior complexo. Era uma palavra praticamente proibida na família.
— Já se divorciou e agora vem com essa história de partilha de bens.
— Isso. Os negócios que o nosso pai e o nosso tio construíram não são brincadeira.
Trocando olhares com Park Jonguk, Moon Taejin se meteu para reforçar. Moon Heejin também não escondeu o desagrado.
— E agora são os negócios que eu vou construir.
Diante disso, Doheon respondeu erguendo o queixo. Era uma expressão arrogante e insolente, sem uma pitada de dúvida no que ele mesmo dissera.
Por um instante correu um silêncio constrangedor. Tanto Moon Taejin quanto Park Jonguk demonstravam claro desagrado, mas não conseguiram rebater o que Doheon disse.
— Cheongyeon. Se você tem boca, fale você. Você acha certo aceitar isso de uma vez só porque disseram que iam dar?
Talvez tivesse julgado que era melhor agarrar e convencer Cheongyeon do que Doheon , porque Moon Heejin mudou de estratégia rapidamente. Diante disso, os olhares que estavam dispersos se voltaram naturalmente para Cheongyeon.
Olhares implícitos que diziam para ele não se meter sem saber o seu lugar e sair logo dali dilaceravam Cheongyeon sem fazer barulho.
— Hein? Se ouviu, responda.
Talvez porque o hábito do passado estivesse impregnado em seu corpo, não havia como não se encolher diante daquela cobrança carregada de espinhos.
Cheongyeon, sem perceber, colocou força na mão que descansava sob a mesa e cerrou o punho. Então sentiu entre os dedos a aliança que Doheon lhe colocara naquele dia.
Isso. Eu decidi pensar que estou atuando. Eu estou atuando num set de gravação agora.
Cheongyeon engoliu em seco e abriu a boca:
— Se me derem, eu tenho que receber. Como eu disse agora há pouco, eu estou grato.
— Quê?
— Nossa, o que eu faço. Ele deve ter enlouquecido, irmão.
Dessa vez, o som de Moon Heejin cochichando com Moon Taejin foi ouvido com toda a clareza. E o riso seco de Park Jonguk também.
Antes, ele estaria ocupado em medir a reação dos outros, tomado de medo, mas, não se sabe como, naquele dia ele estava indiferente. Pelo contrário, estava estranhamente animado e empolgado.
— Doheon. Eu posso mesmo receber isso?
Cheongyeon perguntou a Doheon , balançando o documento que segurava.
— Foi a vovó que deu, então é seu.
Ao contrário de pouco antes, quando respondera com arrogância a Moon Taejin e Park Jonguk, Doheon falou com a voz mais branda.
A testa das pessoas sentadas à frente se contorceu de imediato. Era raro que elas demonstrassem tanto assim, para fora, o que pensavam.
Cheongyeon não sabia exatamente qual era a dimensão dos bens que a vovó dizia que lhe deixaria de herança. Só que ela dissera que tinha dividido do modo mais justo possível entre seis pessoas, então com certeza não seria pouca coisa.
Naquele momento, mais do que uma vontade sincera de receber os bens, era divertido ver a reação daquelas pessoas, então ele não queria abrir mão da herança ali.
— Cheongyeon. Só porque as pessoas reconhecem a sua cara, você acha que virou alguma coisa? Ainda assim, isso não se faz.
— Isso. Você não tem vergonha nem diante da vovó?
— Doheon . Vamos sair um instante para conversar com o seu irmão.
Ainda que os empregados estivessem atarefados servindo a comida sobre a mesa, Moon Taejin se levantou e fez um gesto com os olhos.
Diante disso, Cheongyeon se assustou e olhou para Doheon. Dar várias desculpas para chamar Doheon à parte e levá-lo embora era um método que eles usavam com frequência para intimidar Cheongyeon quando ele ficava sozinho.
— Se tem algo a dizer, eu gostaria que dissesse aqui.
— Também tenho coisas a perguntar sobre o projeto da parte de eletrônicos desta vez.
Dando uma desculpa convincente, Moon Taejin fez um gesto para que ele saísse.
— Então vá até a empresa depois, ou algo assim.
— Moon Doheon .
— Se tiver preguiça de ir pessoalmente, pode mandar alguém.
— Haa…
Como Doheon não se mexeu nem um milímetro, Moon Taejin, perturbado, nem cogitou se sentar e ficou só olhando para Doheon com uma cara aparvalhada. Era a expressão de quem não previa que Doheon, que colocava o trabalho acima de tudo, recusaria de forma tão explícita.
Cheongyeon, que revirava os olhos inquieto, só então se tranquilizou e endireitou os ombros que estavam curvados.
— Ah, é verdade. Cheongyeon. A história da loja de departamentos você já discutiu com o Doheon ?
Naquele instante, Moon Heejin mudou rapidamente o rumo da conversa.
Com aquele avanço que não deixava baixar a guarda um instante sequer, um suor frio escorreu pelas costas de Cheongyeon.
Diante da sensação de crise de que enfim tinha chegado o que tinha de chegar, o ar lhe faltou. Era um assunto vergonhoso até de puxar diante de Doheon .
— Não.
— Loja de departamentos? Que história é essa?
Doheon demonstrou interesse e virou a cabeça para Cheongyeon.
— Você também não ouviu essa história, né, Doheon? Não é à toa.
Como quem já sabia, Moon Heejin soltou uma risada de escárnio.
— Ele disse que vai pendurar a cara dele na Loja de Departamentos Hwamyeong de Apgujeong. Ele estava tão confiante que eu fiquei curiosa para saber se já não estava tudo acertado. Você não sabia?
— Sim? Por que pendurar a cara do Cheongyeon na Hwamyeong de Apgujeong?
A esposa de Moon Taejin, que mantivera o silêncio o tempo todo, perguntou surpresa.
— Dizem que agora ele é ator, ator. Haha, que absurdo.
— Você quer ser modelo da loja de departamentos?
Como quem não tinha ouvido a conversa carregada de escárnio, Doheon perguntou de repente a Cheongyeon.
— Ei, Doheon . Onde é que se vê modelo de loja de departamentos hoje em dia? Você quer jogar dinheiro fora? Você nem vai entrar no ramo do entretenimento…
— Sim, Doheon . Eu quero.
— É mesmo? Devia ter dito antes.
— Não, eu não vou aprovar isso, ouviu? A Hwamyeong é minha ou sua, Doheon ?
Diante da resposta cara de pau de Cheongyeon, Moon Heejin gritou de repente.
— Antes de mais nada, acalme-se. Como a senhora disse, basta não aprovar.
A esposa de Moon Taejin tentou acalmá-la, mas não pareceu surtir muito efeito.
Normalmente, ele teria medo do que mais ouviria ali e ia querer sair logo daquele lugar, mas ao menos naquele dia ele simplesmente achou a situação engraçada. Provavelmente porque Doheon estava ao seu lado.
E aquelas pessoas também, como Doheon estava ao lado dele, não conseguiam despejar desaforos às claras como antes e ao menos se esforçavam para convencê-lo por vias indiretas.
A estranha certeza de que, dissesse ele o que dissesse, Doheon ficaria do seu lado também teve seu papel em insuflar confiança em Cheongyeon.
— Então, no fim, ser modelo da loja de departamentos não vai rolar?
— Vai poder. Precisa ser necessariamente a filial de Apgujeong?
— É que é o ponto com melhor movimento…
— Faz sentido. Também há como contornar sem a aprovação da representante Moon Heejin. Basta instalar na fachada do prédio um editorial como publicidade do produto de outra empresa.
— Ei! Eu disse que não vou usá-lo!
— Se não der mesmo, é só patrocinar como publicidade da JT Eletrônicos.
Doheon foi listando várias soluções, como quem pedia que ele ficasse tranquilo. Ele dizia antes para lhe avisar se houvesse um comercial que ele quisesse gravar, e ficou claro que não era só da boca para fora, era sincero.
Cheongyeon espiou o rosto avermelhado de Moon Heejin, que estava fervendo de raiva, e voltou a olhar para Doheon .
Mesmo com a representante da Loja de Departamentos Hwamyeong dizendo que jamais teria a intenção de pendurá-lo como modelo, Doheon montava o plano de execução sem vacilar, com aquela expressão seca característica.
Pensar que chegaria o dia em que aquela indiferença lhe pareceria reconfortante. Quem vive muito acaba vendo de tudo.
— Isso também parece bom, Doheon .
Quando Cheongyeon riu, “hehe”, olhando para Doheon, ele deu um toque de leve nas bochechas dele, que se avolumaram com o sorriso.
— …Ha! Amor, e mesmo assim você diz para eu não contar para a vovó?
Vendo aquilo, Moon Heejin, com o estômago revirando, agarrou o marido, Park Jonguk, e reclamou.
— A-amor. Primeiro vamos terminar de comer e depois…
— Você acha que, na situação atual, dá para engolir comida?
— Moon Heejin. Eu disse para baixar a voz. A vovó ainda está doente. Você só vai se sentir satisfeita se fizer a vovó levar um choque por causa dessas migalhas de bens?
Moon Taejin repreendeu, dessa vez com a voz um pouco mais baixa.
Ao ver o que faziam com ele, parecia uma família desestruturada, mas, ao vê-los se preocupar de verdade com a vovó daquele jeito, também lhe parecia que não eram gente tão péssima assim. Vários sentimentos complicados começaram a se emaranhar na cabeça de Cheongyeon.
— Você não fica com raiva, irmão? Sabendo muito bem que eles se divorciaram, que cara de pau.
— Aliás, Doheon . Vocês pretendem voltar?
— Cof, cof!
— O que houve? O estômago está ruim de novo?
Quando a história de recasamento saiu da boca de Moon Taejin, Cheongyeon se assustou e engasgou. Doheon franziu a testa, achando que tinha sido porque ele tentara comer a comida já toda servida na mesa.
— Se não quer comer, não precisa comer à força.
— A-ah, não. Cof! Haa… Não é nada. Estou bem.
— Voltarmos ou não, não me parece um assunto lá muito importante. Se estiver muito curioso, fale comigo em separado depois, que tal?
Doheon limpou o canto da boca de Cheongyeon com o guardanapo e cortou o tema da conversa.
— Vocês, de algum jeito… parecem diferentes de antes, não é?
Moon Taejin murmurou, olhando alternadamente para Doheon e Cheongyeon, como se aquilo fosse inesperado. E eles trocaram olhares de significado incerto.
Pareciam ter muito o que dizer, mas, diante do clima bastante mudado em relação a antes, não abriram a boca com facilidade.
— O que vocês estão conversando de tão sério aí?
Naquele momento, a vovó, que tinha acabado de tomar a injeção, saiu do quarto.
— Ah, vovó. Já terminou?
— Tomar injeção demora mais do que eu pensava. A sopa parece que esfriou toda… Peço para servirem de novo?
As pessoas se levantaram às pressas. Moon Taejin, que estava mais perto do lugar onde a vovó ia se sentar, puxou a cadeira e fez um gesto de cabeça para os empregados.
Um empregado perspicaz entrou na cozinha e começou a esquentar a sopa de novo.
— O quê. Ninguém deu uma colherada sequer?
— A gente estava te vendo depois de tanto tempo, tinha que comer junto com a vovó. Estávamos esperando.
Cheongyeon respondeu sorrindo, como se nada tivesse acontecido.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna