Ex Sponsor (Novel) - ↫─Capítulo 117
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— O quê. Ninguém deu uma colherada sequer?
— A gente estava te vendo depois de tanto tempo, tinha que comer junto com a vovó. Estávamos esperando.
Cheongyeon respondeu sorrindo, como se nada tivesse acontecido.
— Aigo, um moleque que já é magricela desses e ainda diz uma coisa dessas de irritar.
A vovó examinou Cheongyeon de cima a baixo e estalou a língua. E logo virou a flecha para Doheon .
— E você, cuida da comida do menino? Como é que o Cheongyeon vai ficando cada vez mais magro?
— Não é isso. Eu ando comendo muito bem, vovó.
— Eu também só descobri recentemente, mas ele é bem enjoado com comida. Vou me esforçar para lhe dar isso e aquilo, conforme o gosto dele.
Hã? Eu? Cheongyeon arregalou os olhos e espiou Doheon de esguelha.
Que ele era enjoado com comida. Quando Doheon despejou aquela coisa sem sentido, Cheongyeon o beliscou com força na cintura.
— Por que está me beliscando?
Talvez nem tenha doído, porque ele virou a cabeça na direção de Cheongyeon e perguntou com uma voz profissional.
— P-por que você diz uma coisa dessas?
— O Cheongyeon é bem mais novo que você, então é natural que faça manha com comida. Se você vive com um marido mais jovem, é óbvio que você, Moon Doheon , devia ter tido mais cuidado.
— Né, vovó?
Cheongyeon logo concordou com o que a vovó dizia.
— É claro. Se ele diz que está sem apetite, tem que ir arrancar até ginseng selvagem e dar de comer. E de novo você deve ter saído sozinho de madrugada, correndo para a empresa. Eu vejo tudo sem precisar ver. Isso me dá uma raiva por dentro.
— É a senhora mesmo, vovó. Certeira. Ele ainda por cima ficou dois dias fora de casa recentemente por causa de uma viagem de negócios.
Mencionando a agenda passada de Doheon , que ouvira de antemão no apartamento antes de virem, Cheongyeon resmungou.
Então Doheon , que até ali só ouvia a conversa em silêncio, talvez se sentindo injustiçado dessa vez, abriu a boca para se defender.
— Isso foi…
— Moleque atrevido! A esta altura, você já podia mandar outra pessoa na viagem. E você faz questão de deixar a casa vazia? É porque você fica se espalhando por aí dizendo que faz negócios que o Cheongyeon fica enjoado com comida! Você não tem o que dizer nem com dez bocas.
Como a vovó interceptou a fala, Doheon teve que fechar a boca de novo sem nem conseguir abri-la direito.
Claro, Doheon não devia ter compartilhado sua agenda passada para que ele a usasse para dedurá-lo à vovó, mas ver que ele estava levando bronca era satisfatório como nada. Afinal, as únicas pessoas capazes de dar um esporro em Doheon eram o presidente e a vovó.
Eu devia ter vindo dedurá-lo à vovó assim já antes do divórcio. Será que assim o ressentimento no meu coração teria se acumulado ao menos um pouco menos?
— Cheongyeon. Você tomou todo o fortificante que a vovó mandou preparar da última vez?
Como se nunca tivesse se irritado, a vovó perguntou a Cheongyeon num tom suave.
— Sim. Depois que tomei aquilo, o meu físico melhorou bastante.
— Antes de eu ir para os Estados Unidos, eu mando preparar de novo, então pegue.
— Que curioso. Ouvindo a conversa, os netos de verdade são outros, mas parece que o Cheongyeon é que é o neto.
A esposa de Moon Taejin, que só ouvia em silêncio os dois trocando palavras, se meteu.
— Pois é. Como se diz, ele é simpático? Eu não sabia que a nossa vovó gostaria tanto dele. Mas, por mais que eu pense, herdar até para o Cheongyeon…
— Heejin. Vamos parar com esse assunto. É algo que já foi todo resolvido por meio do advogado.
A vovó repreendeu Moon Heejin, que tentava disfarçadamente trazer o assunto de volta à herança. Moon Heejin também não teve o que fazer diante das palavras da vovó e fechou a boca numa linha reta.
— Comam logo. Fiz vocês esperarem tempo demais.
Quando o empregado colocou a sopa aquecida à frente dela, a vovó pegou a colher e tirou uma colherada de sopa. Então as pessoas, que estavam medindo a reação, pegaram os talheres.
Dali em diante, foram trocadas conversas bastante comuns. Sobre o tratamento recebido nos Estados Unidos, os destinos de viagem das férias, como as casas com filhos estavam cuidando da educação, o clima recente na empresa e por aí vai.
Era, em sua maioria, conversa da qual Cheongyeon não podia participar, mas ele não se sentia tão acuado quanto antigamente. Afinal, ele já não tinha nem a pressão de ter um filho, como as outras casas, nem a necessidade de causar boa impressão.
Do que ele tinha tanto medo antes? Eles também, no fim, eram gente, e se o desprezavam e o excluíam, bastava que ele também não lhes desse atenção.
Aquelas quatro pessoas deviam desprezá-lo, achando que ele era uma sanguessuga grudada ao lado de Doheon para arrancar mais uma coisinha que fosse, mas ele não estava nem aí para o olhar deles.
Aquele instante em que podia comer com a vovó, de quem sentira saudade, era simplesmente satisfatório. Havia sempre uma equipe médica coreana e cuidadores ao lado dela também nos Estados Unidos, então não havia dificuldades para viver, mas a vovó parecia solitária por não ter muita gente com quem conversar.
Cheongyeon prometeu a si mesmo que ligaria com frequência quando a vovó voltasse para os Estados Unidos.
— Ah. Mas, pelo que eu ouvi da última vez, o senhor Yoo Cheongyeon não tinha um problema nos feromônios? A saúde está boa?
Enquanto a refeição prosseguia num clima ameno, Park Jonguk cutucou justamente Cheongyeon, que estava quieto.
Talvez fosse a primeira vez que ela ouvia aquilo, porque o movimento da vovó, que pegava um acompanhamento, parou de imediato.
Cheongyeon fez a cabeça girar tentando avaliar com que intenção Park Jonguk soltara aquilo.
Problema nos feromônios. Será que ele está falando de quando eu recebi o diagnóstico de infertilidade e fui internado, antes do divórcio? Ou está dizendo de forma indireta que agora, neste momento, há um problema nos meus feromônios?
Como o problema que mais inquietava Cheongyeon eram os feromônios, era difícil responder de imediato ao que Park Jonguk dissera.
— …Sim. Agora está tudo bem.
— Então que bom. Da última vez eu me assustei tanto de ver o Cheongyeon tomando soro no quarto do hospital. O meu marido também ficou muito preocupado quando soube.
Moon Heejin apoiou o rosto no ombro de Park Jonguk e piscou. Diante disso, a mão de Cheongyeon que segurava os pauzinhos ganhou força.
Ele percebeu tardiamente que era um assunto trazido para, de qualquer jeito, ironizar e humilhá-lo pelo diagnóstico de infertilidade que ele tinha recebido.
Quando o assunto daquela época veio à tona, a comida, que estava descendo tão bem, de repente pareceu entalar, e o fundo da sua garganta ficou apertado.
Parecia que Doheon dizia algo ao seu lado, mas o som não chegava direito.
— …
Naquele instante, o olhar gélido de Doheon que ele vira à época, os cantos da boca de Moon Heejin que quase subiam, o ar frio do quarto de hospital e coisas assim lhe vieram à mente, um após o outro, e seus nervos ficaram bruscamente à flor da pele. Eram lembranças que ele não queria muito recordar.
Em vez de responder às perguntas que voavam em sua direção, Cheongyeon limpou a boca com o guardanapo e se levantou.
— Com licença, desculpem, eu vou ao banheiro um instante.
Uma voz um tanto instável escapou. Moon Heejin e Park Jonguk traziam um sorriso de escárnio nos lábios, como quem já sabia.
Ao mesmo tempo, junto com o som de uma cadeira sendo arrastada ao seu lado, Doheon se levantou.
— Eu também vou.
— …Hã? Aonde?
Cheongyeon olhou para Doheon , que estava de pé, ereto, e piscou.
— Você disse que vai ao banheiro. Vamos juntos.
Talvez não fosse brincadeira, mas sim sério, porque Doheon virou o corpo e saiu de trás da mesa.
Ao mesmo tempo, a atenção das pessoas se concentrou em Doheon e Cheongyeon. Os empregados olhavam alternadamente para os dois com olhos que pareciam prestes a saltar.
— Cof!
Rompendo o breve silêncio, de algum lugar soou de repente o som de uma tosse engasgada.
— D-Doheon , você também vai ao banheiro?
O rosto perturbado de Cheongyeon ficou vermelho. Já Doheon , que tinha congelado o ambiente, não parecia ter nem um traço de vergonha ou constrangimento.
— Eu não preciso ir, mas, como você disse que vai, eu só vou te acompanhar.
— Ah.
— Porque estou preocupado.
Kuek…! Cof, cof! Do outro lado da mesa, o som de tosse ressoou novamente.
Cheongyeon se lembrou com um compasso de atraso de que tinha pedido a Doheon que não o deixasse sozinho de jeito nenhum naquele dia. Quem tinha dito que ele o levasse junto até para ir ao banheiro não fora outro senão o próprio Yoo Cheongyeon.
— Doheon . Ele não vai a lugar nenhum longe, ele disse que vai ao banheiro. O banheiro é perigoso?
Moon Taejin perguntou sem conseguir esconder a voz atônita.
A essa altura, Cheongyeon, que também se sentia constrangido por receber o olhar de toda a família, tentou deter Doheon .
— Aquilo… Está tudo bem. Eu vou sozinho e volto.
Embora lhe pesasse dizer uma coisa e depois outra, ele não conseguia de jeito nenhum, ali, soltar um “vamos juntos ao banheiro”.
— Então eu só fico parado diante da porta. Isso pode?
— O quê? Ele, ele…!
A vovó apontou para Doheon com a colher que segurava e arregalou os olhos.
— Aquele moleque pirou de vez? Aquele é mesmo o Moon Doheon que eu conheço?
— É o que eu digo, vovó. É o que eu digo.
Diante da pergunta da vovó, que estava pasma, Moon Heejin também concordou como quem tinha visto uma cena que não devia. De todos os cantos saltavam pigarros.
O rosto de Cheongyeon já estava tão quente que não podia ficar mais vermelho, a um passo de explodir.
Ah, dane-se. Quando Cheongyeon se pôs à frente e começou a andar pelo corredor que levava ao banheiro, Doheon veio atrás.
— Nos meus tantos anos de vida, essa é nova. Que ardência nos olhos… É a primeira vez que eu vejo um moleque que segue o próprio marido até o banheiro.
As palavras que a vovó lançava às suas costas, como quem queria que todos ouvissem, se enfiavam nítidas em seus ouvidos. Cheongyeon não conseguia de jeito nenhum erguer a cabeça.
Parecia que só o indiferente Doheon não percebia aquela situação escabrosa.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna